#07 • 22 de maio a 05 de junho de 2026 | Rotulando IA nas eleições 2026

5.573 posts com marcação de IA

No período analisado, entre 22 de maio e 5 de junho de 2026, o Instituto DX identificou 5.573 publicações com marcações formais de uso de inteligência artificial nas plataformas monitoradas. O volume representa uma redução de 15% em relação à quinzena anterior, quando foram registradas 6.579 publicações.

Das publicações analisadas, 4.939 foram feitas no Instagram, o que corresponde a mais de 88% da amostra. As demais plataformas tiveram participação significativamente menor: o TikTok somou 291 registros, o X.com, 212, e o YouTube, 130. A predominância do Instagram foi ainda mais acentuada na distribuição do engajamento, já que a plataforma respondeu por 98% das interações contabilizadas. A coleta registrou uma média diária de aproximadamente 371 publicações. O pico ocorreu em 28 de maio, com 590 posts, e o segundo maior volume foi observado em 1º de junho, com 486. A produção esteve distribuída entre 2.982 autores, mas as interações não acompanharam essa dispersão: os dez conteúdos de maior desempenho acumularam 23% de todo o engajamento, proporção que chegou a 33% quando considerados os vinte primeiros.

Apesar da quinzena apresentar uma linha temática menos clara e homogênea que as amostras anteriores, o principal eixo temático foi a relação entre Brasil e Estados Unidos. As publicações abordaram a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, as críticas norte-americanas ao Pix — apresentado como prática anticompetitiva e associado à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros — e o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. O tema foi explorado por ambos lados do espectro político por meio de sátiras, como as peças que responsabilizavam Flávio pelas tarifas ou outras que insinuam que Lula defende o crime organizado, ou ainda que o verdadeiro responsável pela implantação do PIX teria sido Jair Bolsonaro. Além disso, um vídeo divulgado pela Embaixada do Irã na Tunísia, em que o Cristo Redentor derrota a Estátua da Liberdade teve ampla circulação, e foi registrado em várias contas em nossa base.

Em menor escala, e de forma residual, diversos outros assuntos apareceram e foram alvos de publicações produzidas com IA, como as relações de Lula, Alexandre de Moraes e veículos de comunicação com Daniel Vorcaro, e supostas reviravolvas nas investigações da Polícia Federal em relação a Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Lula. O vídeo viral de um suposto avistamento de OVNI em Campo Largo, no Paraná, também foi usado como contexto para produção de sátiras para crítica a adversários políticos da direita.

Total agregado de posts Gen AI: todas as plataformas

Volume diário (YouTube + TikTok + Instagram + X/Twitter)

Detecção nativa: TikTok (AIGC) · Instagram (C2PA/IPTC/Self-disclosure) · YouTube (has_genai_label) · Twitter/X (ai_label_text) | 22/05/2026–05/06/2026 | Democracia em Xeque

No Instagram, a amostra reuniu 4.939 publicações com algum tipo de marcação de uso de IA. Entre elas, 2.426 posts, equivalentes a 49% do total, apresentaram metadado C2PA de edição, associado ao uso de ferramentas de inteligência artificial para modificar imagens. O marcador C2PA de geração apareceu em 1.708 publicações, ou 35% da amostra. Também foram identificadas 513 publicações autodeclaradas como produzidas com uso de IA, correspondentes a 10% do total. Os demais marcadores tiveram presença mais residual: 268 posts continham metadado IPTC de edição e 24 registravam metadado IPTC de geração, representando, respectivamente, 5% e 0,5% da amostra. Ao contrário da rodada anterior, as marcações de edição via C2PA voltaram a superar com folga aquelas relacionadas à geração de imagens, retomando o padrão observado nos relatórios anteriores.

No período, o PT liderou o volume de publicações associadas a partidos, com 438 registros, uma redução de aproximadamente 11,5% em relação ao levantamento anterior, quando havia registrado 495 posts. Em seguida aparecem o PL, com 407 publicações, o PSD, com 340, e o MDB, com 322. Embora os quatro partidos permaneçam entre os mais presentes, houve uma inversão na liderança e uma redução generalizada no número de publicações. Em termos de interações, o PL manteve a primeira posição, concentrando 25% do total, ante 16% do PT. Sua vantagem, contudo, foi menor que na rodada anterior, quando os percentuais eram de 30% e 18%, respectivamente. Diferentemente da quinzena anterior, o PT não encabeçou as publicações políticas de maior engajamento: o primeiro posto foi ocupado por uma publicação da conta Margem Direita, associada ao PL na base, com 357 mil interações.

Na plataforma, três temas se destacaram com maior clareza: (i) a declaração, pelos Estados Unidos, do PCC e do CV como organizações terroristas; (ii) a controvérsia em torno do Pix, considerado pelo governo norte-americano uma prática anticompetitiva e citado como uma das justificativas para a imposição de tarifas punitivas a produtos brasileiros; e (iii) as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, de modo mais amplo.

O primeiro tema esteve presente na publicação política com o maior volume de interações da amostra, que recorre ao humor para retratar Lula. O segundo reuniu uma série de posts, entre os quais os de maior repercussão estavam vinculados à direita e buscavam associar a criação do Pix a Jair Bolsonaro (1; 2). Já o terceiro apareceu principalmente por meio da replicação de um vídeo divulgado pela Embaixada do Irã na Tunísia, no qual o Cristo Redentor enfrenta a Estátua da Liberdade em um combate corpo a corpo e sai vencedor (1; 2; 3; 4); houve também repercussões críticas ao vídeo. Também foram identificadas publicações que destacavam o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump.

🗨️ 358 mil interações

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No vídeo vê-se Lula vestido com blusa branca rendada, shorts vermelhos, meias estampadas, sapatos coloridos e uma bolsa rosa com um cifrão em relevo. Na camisa lê-se “Trump, deixe nossos bandidos em paz!”. Lula passa desfilando ao som de uma música leve.

🗨️ 260 mil interações

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O vídeo foi publicado pela embaixada do Irã na Tunísia, e foi compartilhada por inúmeros veículos de comunicação no Brasil. Na sequência, vê-se o Cristo Redentor enfrentando a Estátua da Liberdade em uma série de golpes, destruindo-a por fim.

🗨️ 160 mil interações

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Vê na foto Carlos Bolsonaro sendo acolhido por seu pai, enquanto na legenda relata o agravamento de seus problemas de saúde, critica as restrições judiciais impostas a ele e convoca apoiadores a resistirem contra o que considera uma injustiça. É importante notar que a imagem carrega o marcador de geração C2PA, e não o de edição, não é uma fotografia com retoques mas uma imagem sintética.

No YouTube, foram identificadas 164 publicações com marcação de uso de IA. Na quinzena, não houve vídeos de grande repercussão nem uma narrativa predominante. Em geral, a tecnologia foi empregada na criação de thumbnails e na edição dos conteúdos.

Entre as exceções, destaca-se um vídeo sobre supostos desdobramentos de investigações da Polícia Federal, cuja retórica é reforçada por imagens sintéticas de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, chorando ou preso. Em outro caso, um trecho real em que Sâmia Bomfim interrompe uma entrevista de Nikolas Ferreira foi substituído por uma cena sintética. Nela, o deputado oferece à parlamentar um hambúrguer do McDonald’s, levando-a a encerrar a interpelação e deixar a entrevista satisfeita.

Além disso, desta vez, ao contrário do que costuma ser constatado, não foram identificados apresentadores sintéticos que simulassem de forma realista a condução de um telejornal. Observou-se, porém, uma conta de paródia que reproduz esse formato em tom satírico e aborda temas como a prisão de Deolane Bezerra e sua suposta relação com Lula.

No TikTok, foram registradas 290 publicações com indicação de uso de inteligência artificial no período analisado. Em comparação com as demais plataformas, a tecnologia foi empregada de forma mais discreta na produção de conteúdos satíricos ou de peças que alcançaram altos volumes de engajamento.

Além disso, diferentemente das semanas anteriores, nas quais foi possível identificar linhas editoriais mais definidas, ao longo da quinzena esses recursos foram empregados de forma mais genérica em críticas a adversários políticos, sobretudo a Lula. Entre os conteúdos analisados, um recorre a argumentos supostamente fundamentados em Platão para classificar o presidente como tirano, enquanto outro examina as estratégias que permitem ao PT — e, em especial, a Lula — manter-se no poder. Em ambos os casos, a inteligência artificial foi utilizada para gerar imagens de reforço retórico e mapas mentais explicativos.

Entre os atores mais ligados à política institucional, Deltan Dallagnol foi responsável por algumas publicações produzidas com o uso da tecnologia. Em uma delas, critica sua cassação e inelegibilidade por meio da imagem sintética de uma multidão silenciada. Em outra, utiliza a figura de um extraterrestre, aproveitando a repercussão do vídeo de Mayk Leão que mostraria supostos indícios do aparecimento de um objeto voador não identificado em Campo Largo, no Paraná.

Manteve-se, como habitual, um grande volume de publicações vinculadas as Governo Federal através do Canal Gov.

@luizemanuelzouain

Há mais de dois mil anos, Platão alertava sobre os perigos do tirano: aquele que concentra poder, divide a sociedade entre amigos e inimigos e coloca seus próprios interesses acima do bem comum. A grande questão não é apenas o que um governante diz, mas como exerce o poder. Neste vídeo, faço uma reflexão sobre as lições de Platão e como elas podem nos ajudar a compreender os desafios da política contemporânea brasileira. A filosofia continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para entender o presente. Assista e Compartilhe!

♬ som original – Luiz Emanuel Zouain
@luizemanuelzouain

Lula não pode ser subestimado. Enquanto muitos comemoram pesquisas ou apostam no desgaste natural do governo, a realidade política é mais complexa. Lula tem a máquina pública, influência sobre a narrativa política, tempo para reorganizar sua base e uma esquerda que, apesar das divergências, costuma se unir nos momentos decisivos. Do outro lado, a direita corre o risco de cometer um erro fatal: trocar estratégia por vaidade. A disputa por espaço, protagonismo e visibilidade não pode ser mais importante do que o objetivo principal. Nenhum projeto político vence uma eleição relevante quando seus líderes estão mais preocupados com o próprio palco do que com a construção de uma alternativa viável para o país. É possível ter vários nomes, várias correntes e diferentes lideranças. O que não é possível é transformar a divergência em autofagia. Quem deseja derrotar Lula em 2026 precisa compreender que unidade estratégica não é opção. É necessidade.

♬ som original – Luiz Emanuel Zouain
@deltandallagnol

Uma trend para ilustar a cassação do nosso mandato. Não foi só a minha voz que foi calada, eles calaram 345 mil vozes no Paraná. Eleitores que depositaram sua confiança no nosso mandato. Mas nós não desistimos! E neste ano voltamos com a pré-candidatura ao Senado para enfrentar aqueles que tentaram, e ainda tentam, calar a nossa voz. Você está comigo nessa missão? 🔑 Apoie nosso trabalho se tornando membro do canal e receba conteúdos exclusivos, selos especiais e prioridade nas respostas.

♬ som original – Deltan Dallagnol
@deltandallagnol

APÓS APARIÇÃO NO PARANÁ, ET SE PRONUNCIA Feito com inteligência artificial

♬ som original – Deltan Dallagnol

No X, considerando a amostra referente aos últimos 15 dias, foram identificadas 211 publicações com marcadores de uso de inteligência artificial em nossa base. Em continuidade a um fenômeno observado pela primeira vez na quinzena anterior — e até então pouco habitual na plataforma —, registrou-se um número expressivo de peças de caráter humorístico ou satírico. Nos casos analisados, o humor teve como alvo a direita política, especialmente Flávio Bolsonaro, em razão de sua visita a Donald Trump, do posterior anúncio de tarifas pelo presidente norte-americano e da controvérsia envolvendo o Pix, apontado pelos Estados Unidos como uma prática potencialmente anticompetitiva (1; 2; 3; 4)

Também se destacou uma publicação de Rogério Marinho que reúne diversos clipes produzidos com inteligência artificial para sustentar a existência de seletividade no tratamento dispensado às pessoas associadas a Vorcaro. A peça afirma que Alexandre de Moraes, Lula e outros aliados do presidente manteriam relações mais comprometedoras com o banqueiro, assim como veículos de imprensa considerados adversários da direita.

Créditos do relatório:

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO: Alves, Marcelo; Ferreira, Douglas da Silva. Rotulando IA nas eleições. Boletim #07 – 22/05 a 05/06 de 2026  Instituto Democracia em Xeque, 2026. <

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.  TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Equipe do relatório: Marcelo Alves e Douglas da Silva Ferreira.

Projeto gráfico e diagramação: Moara Juliana

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Os dados analisados neste relatório referem-se a publicações de contas presentes na base de dados do Instituto DX. Os conteúdos foram coletados nas plataformas Instagram, X (Twitter), YouTube e TikTok por meio de uma API de terceiros. A identificação de possíveis usos de inteligência artificial baseia-se exclusivamente em marcações e metadados disponibilizados pelas próprias plataformas.

No Instagram, são consideradas três formas de sinalização: a autodeclaração do usuário de uso de IA; credenciais de procedência do padrão C2PA, que registram a origem de um arquivo e podem indicar geração ou edição por IA (inclusive quando há registro de modificações posteriores); e metadados do padrão IPTC, que também podem indicar conteúdo sintético ou editado. No X, considera-se a presença de Community Notes que indiquem que o conteúdo foi gerado por IA. No YouTube, são considerados rótulos da própria plataforma que indicam conteúdo alterado ou sintético. No TikTok, consideram-se rótulos de conteúdo gerado por IA, aplicados pelo criador ou automaticamente pela plataforma.

A metodologia registra apenas conteúdos que apresentam essas marcações formais e, portanto, não abrange necessariamente todo conteúdo produzido com IA. Por exemplo, no Instagram, uma imagem gerada por IA que seja capturada por print e repostada pode perder seus metadados de procedência e não ser identificada por este procedimento.

Diretores Participantes:

Direção de Metodologia
e Inovação

Pesquisadores Participantes:

Doutorando em Comunicação (PUC-Rio), mestre em História das Ciências, bacharel em Ciências Sociais
Bacharel em Design Gráfico (Anhembi Morumbi) e em Pedagogia (UNIVESP)
Coordenação de Arte e Comunicação
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