Relatório #03 • Segurança Pública

Pontos de atenção

  • Destaca-se uma maior reação dos políticos da esquerda na disputa sobre a agenda da Segurança Pública, que respondem por metade dos posts do ranking que mais geraram interações. Erika Hilton tem o post de maior engajamento do período ao apresentar um projeto de Lei que beneficia vítimas de violência doméstica;
  • Centralidade da defesa e proteção dos direitos da mulheres nas propostas apresentadas pelos/as diferentes candidatos/as;
  • Entre os candidatos oriundos da forças de segurança, Coronel Tadeu (PRD/SP) foi quem mais postou sobre o tema da segurança pública e o Delegado Bruno Lima (PODEMOS/SP) foi quem mais obteve engajamento (na soma de postagens);
  • Queda de Flávio Bolsonaro nos indicadores de desempenho do debate digital, com redução de posts e engajamento.
  • Candidatos a governadores de diferentes espectros políticos e em todos os Estados, bem como o presidente Lula, enfatizaram a valorização das forças policiais;

Sumário executivo

Termômetro do Debate sobre segurança pública • social listening

O número de autores únicos cresceu em todos os eixos monitorados, indicando uma ampliação da participação no debate, e não apenas um aumento da frequência de publicação dos mesmos perfis estando relacionado ao início do debate eleitoral. 

Panorama dos atores políticos

Aumento de 20,7% de posts relacionados à Segurança Pública, em relação ao 1o. Semestre de 2026. Os políticos de São Paulo e do PL seguem protagonizando o debate nas redes e obtendo alto engajamento com ataques ao PT e ao STF.

Narrativas

Políticos da esquerda conquistam posições no ranking e equilibram a disputa de narrativas nas redes a partir de propostas que visam a proteção dos direitos das mulheres.

Candidatos vinculados à segurança pública

Coronel Tadeu (PRD-SP) foi o candidato oriundo das forças de segurança com o maior número de posts, enquanto Bruno Lima (PODEMOS-SP) liderou o engajamento.

Presidenciáveis

Ronaldo Caiado (UNIÃO-GO) segue como o candidato à Presidência da República que mais publica sobre o tema da segurança pública. Ao invés de Flávio Bolsonaro (PL-SP), dessa vez quem obteve mais engajamento foi Renan Santos (MISSÃO).

Candidatos a Governador

Foram analisados os posts dos candidatos aos governos dos Estados de Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. O tema da valorização das polícias se destacou entre as propostas dos candidatos aos governos estaduais.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este terceiro relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 8 e 16 de agosto, dividido em duas partes. A primeira – nomeada termômetro do debate sobre segurança pública – traz dados gerais do que foi repercutido na semana no ambiente digital a partir da busca por termos selecionados em torno de cinco grupos de debate: “crime geral”, “forças de segurança”, “facções”, “feminicídio” e “crimes digitais. A segunda parte – nomeada Panorama de atores de interesse – enfoca sobre as mesmas temáticas e especificamente como elas foram repercutidas por diferentes atores políticos extraídos de uma lista fechada em diferentes redes (Instagram, Facebook, X, TikTok, YouTube, Kwai) e perfis. 

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026  pelo TSE, em 16 de agosto (ainda parciais), foram analisadas 20.506 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.282 candidaturas, 6,3% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, à base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública [1].

[1] Esse número seguirá sendo atualizado conforme os números do DataCand seguem sendo incluídos. Os candidatos a governador e presidenciáveis já estavam nas amostras anteriores. 

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Com o objetivo de observar o debate mais amplo sobre segurança pública, adicionamos, a partir deste volume, uma visão baseada em buscas por termos relacionados ao tema em ferramenta de social listening, sem pré-seleção de atores. Esta seção busca identificar as temáticas em alta no debate público digital entre os dias 08 e 16 de agosto de 2026. As buscas estão organizadas em cinco grupos temáticos: crime geral, segurança pública e forças de segurança, facções, feminicídio e crimes digitais. A coleta busca captar de forma ampla os conteúdos públicos relacionados a esses temas, o que também exige atenção a usos contextuais ou figurados de alguns termos.

Resultados de menções por tema

Fonte: Talkwalker

Resultados de menções/engajamento por tema

Fonte: Talkwalker

O debate cresceu em todos os cinco grupos monitorados entre 8 e 16 de agosto. Crime geral segue liderando com ampla vantagem, com 1,6 milhão de resultados, 125,5 mil autores únicos e 28,5 milhões de interações. Em seguida aparece Segurança Pública, com 659,3 mil resultados, 63,4 mil autores únicos e 18,9 milhões de interações

Na comparação com a semana anterior, houve crescimento em todos os eixos: crime geral passou de cerca de 1,3 milhão para 1,6 milhão de resultados; segurança pública de 546,9 mil para 659,3 mil; feminicídio de 83,9 mil para 114,8 mil; facções de 125 mil para 141,5 mil; e crimes digitais de 48,7 mil para 67,2 mil. Isso indica uma ampliação geral da circulação dos temas monitorados, estando relacionado ao começo do período eleitoral e ampliação do debate sobre segurança pública nos eventos de lançamentos de candidaturas e debates televisionados.

Apesar da liderança de crime geral em volume absoluto, segurança pública continua apresentando a maior intensidade proporcional de engajamento, com cerca de 28,7 interações por resultado. Feminicídio aparece em seguida, com aproximadamente 25,3, facções com 20,5, crimes digitais com 17,9 e crime geral com 17,8. O dado reforça um padrão já observado na semana anterior: crime geral tem maior capilaridade e volume, enquanto segurança pública e feminicídio mobilizam proporcionalmente mais interações por conteúdo.

O principal deslocamento do período ocorre em facções. O eixo passa de 1,7 milhão para 2,9 milhões de interações, crescimento de aproximadamente 70,6%, muito superior ao aumento de 13,2% no número de resultados. Como consequência, a intensidade sobe de cerca de 13,6 para 20,5 interações por resultado. É um sinal de que conteúdos sobre facções tiveram maior capacidade de repercussão nesta rodada, mesmo sem uma explosão equivalente de publicações.

Distribuição por autores únicos

Fonte: Talkwalker

A distribuição por autores únicos segue a mesma lógica. O crime geral mobilizou 125,5 mil autores, praticamente o dobro de segurança pública, com 63,4 mil. Facções reuniu 18,5 mil autores, feminicídio 17 mil e crimes digitais 11,2 mil. Isso mostra que o crime geral permanece como o eixo mais espalhado entre diferentes perfis, enquanto os demais temas circulam em comunidades menores, mas em alguns casos mais responsivas.

Principais Influenciadores do Debate

TABELA 01 | Principais influenciadores

PerfilURLPostsReachReach per mentionEngagementEngagement per mention
portalg1https://www.instagram.com/portalg1/1141,4 bi2 mi17,4 mil114
metropoleshttps://www.instagram.com/metropoles/4593,2 bi1,8 mi3,8 mil459
jovempannewshttps://www.instagram.com/jovempannewshtt150627,2 mi1,1 mi7,5 mil150
midianinjahttps://www.instagram.com/midianinja/35177,5 mi844,1 mil24,1 mil35
metropoles.sphttps://www.instagram.com/metropoles.sp/204173,4 mi646,6 mil3,2 mil204
leodiashttps://www.instagram.com/leodias/32625 mi640,7 mil20 mil32
bbcbrasilhttps://www.instagram.com/bbcbrasil/ 842,1 mi639,8 mil80 mil8
cazetvhttps://www.instagram.com/cazetv /6136,6 mi567,2 mil94,5 mil6
globonewshttps://www.instagram.com/globonews/87484,1 mi549,5 mil6,3 mil87
diariodonordestehttps://www.instagram.com/diariodonordeste/42107.6M2.6M297.8K7.1K

Os perfis com maior engajamento acumulado foram majoritariamente veículos de imprensa e contas jornalísticas no Instagram, indicando forte centralidade de atores profissionais na circulação dos conteúdos monitorados.

Há dois padrões claros. G1 e Metrópoles sustentam presença por alto volume de publicação. Já BBC Brasil e CazéTV aparecem com poucos posts, mas com médias muito elevadas de engajamento por menção (80 mil e 94,5 mil, respectivamente). Mídia NINJA e Leo Dias também apresentam desempenho por conteúdo acima dos veículos de maior frequência. Assim, influência no conjunto monitorado decorre tanto da constância quanto da capacidade de produzir picos.

Postagens de maior engajamento

TABELA 02 | Postagens com maior engajamento

PerfilURLPostEngajamento
haryy⚢ (haryyvc)https://x.com/haryyvc/status/2088909440527331622 Sou contra o voto masculino. Homens tem mais tendência em financiar guerras, cometer violência e fazem parte de 98% dos crimes…152,9 mil
Central da Copahttps://x.com/CentralDaCopa26/status/2088029750967087296 “assassinato televisionado” — repost/referência a conteúdo sobre Prichard Colón.Por Que a Polícia Bani…o Crime Mais BurroBro probably committed a…145,9 mil
LucasShortsBrhttps://www.youtube.com/watch?v=9vwQ4Ao_cKI Por Que a Polícia Bani…o Crime Mais BurroBro probably committed a…139,8 mil
Investiga, Pinhel!https://www.youtube.com/watch?v=xCkdy2GQtNc Por Que a Polícia Bani…o Crime Mais BurroBro probably committed a…136,3 mil
Frame242https://www.youtube.com/watch?v=iDlRSzB6unU Por Que a Polícia Bani…o Crime Mais BurroBro probably committed a…121,9 mil

Na rodada anterior, a postagem de maior engajamento alcançou 220,9 mil interações e tratava diretamente de abuso sexual e violência contra a mulher, sendo classificada no eixo de feminicídio. Na sequência apareciam um vídeo sobre intervenção da Polícia Militar, com 143 mil, e outro conteúdo sobre consentimento e estupro, com 142,6 mil. Portanto, os três primeiros conteúdos tinham elevada aderência aos temas substantivos monitorados. Apenas o quarto e o quinto colocados foram identificados no próprio relatório como falsos positivos: uma menção a alguém preso em uma ala psiquiátrica e um uso figurado da palavra “roubo”.

Nesta semana, o conteúdo mais engajado tem 152,9 mil interações, cerca de 31% abaixo do pico da rodada anterior. Entretanto, os cinco primeiros estão muito mais próximos entre si, variando de aproximadamente 121,9 mil a 152,9 mil interações. Isso indica menor concentração em um único episódio viral. A média dos cinco maiores caiu de cerca de 150,1 mil para 139,4 mil interações, uma redução de aproximadamente 7%. Ao mesmo tempo, a aderência temática desses conteúdos piorou.

Diferentemente da rodada anterior, os conteúdos de maior engajamento desta semana apresentaram menor aderência substantiva à agenda de segurança pública. Na semana passada, três dos cinco maiores posts tratavam diretamente de violência sexual, violência contra a mulher ou atuação policial, enquanto dois foram identificados como falsos positivos. Nesta rodada, o ranking é mais heterogêneo e inclui conteúdos de entretenimento, relatos de crimes, usos genéricos de termos como “assassinato”, “crime” e “prisão” e pelo menos um caso claro de uso figurado de “BO”. O resultado reforça que o crescimento agregado das buscas não pode ser interpretado automaticamente como ampliação equivalente do debate sobre políticas de segurança pública.

Panorama dos atores de Interesse

Ritmo do debate sobre segurança pública

Fonte: Data Lake DX

Quando comparamos a repercussão da agenda da Segurança Pública nas redes no presente período à média do primeiro semestre, confirma-se o seu apelo eleitoral, visto que registra-se um aumento de 20,7% de posts relacionados à pauta. Do total de publicações feitas pelas contas monitoradas pelo Data Lake DX ao longo deste intervalo, os posts sobre Segurança Pública, identificados a partir de diferentes palavras-chave associadas, observa-se um aumento de 0,3% em relação à semana anterior. Os posts representam 7,5% do conjunto de dados, o equivalente a cerca de 22.200 publicações, como demonstra o gráfico abaixo. 

Participação de posts sobre segurança pública

Fonte: Data Lake DX

Em uma análise panorâmica, verifica-se que os subtemas “crime geral” e “forças de segurança” permanecem como mais frequentes nos posts e os que mais engajam interações entre os usuários das plataformas. Acompanhando o crescimento geral do interesse na temática, registra-se o aumento de 25% na circulação de posts sobre “crime geral”, de 19% sobre “forças de segurança”, de 50% sobre “facções”, de 57% em “crimes digitais” e 61% no volume de posts sobre feminicídio. 

Frequência por query

Fonte: Data Lake DX

Este aumento se reflete também nas interações dos usuários com os posts. Os posts sobre “crime geral” engajaram 11,66 milhões reações a mais que na semana anterior, totalizando 34,56 milhões de interações. Em seguida, as menções acerca das forças de segurança renderam 20,13 milhões de engajamentos (alta de 41%), aquelas sobre as facções criminosas 3,41 milhões (aumento de 51%), aqueles sobre “crimes digitais” 1,25 milhões (aumento de 161%) e, por fim, os posts sobre feminicídio geraram 675,8 mil interações, 31% a mais que na semana passada.

Interações por query

Fonte: Data Lake DX

Categorias

Ao analisarmos o impacto da agenda da Segurança Pública no debate digital a partir do desempenho dos atores políticos pelos estados que representam, São Paulo segue na liderança com 27,9% do total de posts (aumento de 4,4%), seguido por Rio de Janeiro, que responde por 12% dos posts e Paraná, com 8% dos posts, que, ultrapassa o Rio Grande do Sul, ocupante do terceiro lugar na semana anterior. Os políticos paranaenses dedicaram-se, no período, a circular posts diversos contra os políticos do PT e o sistema de Justiça, com destaques para os ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes.

Atores políticos – percentual por Estado

Fonte: Data Lake DX

No que se refere ao desempenho dos partidos neste debate, os políticos do Partido Liberal seguem despontando na frequência de postagens e interações, respondendo, respectivamente, por 1,9 mil posts e 4,49 milhões de engajamentos relacionados à Segurança Pública. Foram 600 mil posts a mais do que na semana anterior. Contudo, o engajamento obtido manteve-se praticamente o mesmo (4,59 milhões, na semana passada). Em segundo lugar temos, novamente, o Partido dos Trabalhadores, com 983 posts. Todavia, confirmando a tendência observada nas semanas anteriores, verifica-se que o volume de interações gerado pelos posts dos políticos do PT engajou menos interações do que os publicados por políticos do União Brasil (1,46 milhões) e do Partido Progressista (1,35 milhões). Tanto os políticos do UNIÃO quanto os do PP alcançaram tal desempenho, em geral, ao defenderem punições mais severas os crimes contra mulheres e crianças. 

PartidoPostsInterações% dos posts% das interações
PL1,9 mil4,49 mi22,5%28,6%
PT9831,19 mi11,6%7,6%
PSD723857,6 mil8,6%5,5%
REPUBLICANOS647917,5 mil7,7%5,9%
UNIÃO5861,46 mi6,9%9,3%
PP5401,35 mi6,4%8,6%
MDB461357,3 mil5,5%2,3%
PSOL4281,13 mi5,1%7,2%
NOVO3971,03 mi4,7%6,6%
PSDB327396,9 mil3,9%2,5%
PODEMOS292687,1 mil3,5%4,4%
PSB264504,2 mil3,1%3,2%
PDT157119,8 mil1,9%0,8%
PRD126125,9 mil1,5%0,8%
AVANTE107238,7 mil1,3%1,5%
PC DO B9038,8 mil1,1%0,2%
MISSÃO82531,8 mil1,0%3,4%
SOLIDARIEDADE6733,7 mil0,8%0,2%
PV6413,3 mil0,8%0,1%
CIDADANIA5647,6 mil0,7%0,3%
REDE3182,8 mil0,4%0,5%
UP2911 mil0,3%0,1%
AGIR2311,8 mil0,3%0,1%
DC186,4 mil0,2%0,0%
PSTU177,7 mil0,2%0,0%
MOBILIZA137520,2%0,0%
PSC639,5 mil0,1%0,3%
PTB63,3 mil0,1%0,0%
PRTB53570,1%0,0%
DEMOCRATA34,6 mil0,0%0,0%

Nesse sentido, verifica-se um descompasso também entre o volume de publicações sobre as pautas da Segurança Pública e o engajamento obtido pelos políticos individualmente. Professor Juari (PSDB-MS) segue na liderança da frequência, com 94 posts, seguido pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), com 54 posts e pelo Coronel Tadeu (PRD-SP), com 52 posts. No entanto, destaca-se nesse rol a presença, à esquerda, do ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP), cujos 52 posts alcançaram quase o triplo de interações do primeiro colocado, o Professor Juari (PSDB-MS). Aqui prevaleceu a máxima “os últimos serão os primeiros”. Babi Mendes (PL-SP), que ocupa a 10ª posição em relação à frequência de posts, obteve 332,2 mil interações com suas 36 publicações no período. Neste vídeo, Mendes critica Érika Hilton (PSOL-SP) , a esquerda e o STF pela equiparação dos crimes de transfobia e racismo.

Candidatos

Candidatos com maior frequência

NomePartidoUFPostsInterações
Professor Juari (PSDB-MS)PSDBMS9158,2 mil
Anthony Garotinho (REPUBLICANOS-RJ)REPUBLICANOSRJ5437,3 mil
Coronel Tadeu (PRD-SP)PRDSP522,5 mil
Fernando Haddad (PT-SP)PTSP52168,3 mil
Capitão Alden (PL-BA)PLBA4725 mil
Eliel Miranda (PSD-SP)PSDSP4427,8 mil
André Marinho (NOVO-RJ)NOVORJ42793
Coronel Fábio Paganotto (PL-SP)PLSP4128,5 mil
Delegado da Cunha (UNIÃO-SP)UNIÃOSP3969,4 mil
Babi Mendes (PL-SP)PLSP36332,2 mil

Narrativas Gerais

Top 10 posts por engajamento — soma das redes

Fonte: Data Lake DX

No âmbito das narrativas mais proeminentes no período, temos uma reviravolta à esquerda. Cinco partidos nessa posição no espectro político-ideológico compõem a lista dos posts que mais geraram engajamento no período, algo inédito em nosso monitoramento até então. Erika Hilton (PSOL-SP) lidera este ranking ao apresentar o Projeto de Lei 4.946/2026, para que as mulheres vítimas de violência doméstica tenham direito a um auxílio aluguel, via Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

Por sua vez, Carmelo Neto (PL-CE), candidato à deputado federal pelo Ceará, apelou ao sensacionalismo para mobilizar seus usuários. No segundo post mais compartilhado do período, traz um vídeo com a imagem do cadáver incinerado de um policial para criticar o atual governador do Estado, Elmano de Freitas (PT-CE). Carmelo acusa o governador de ser mais solidário aos criminosos ligados às facções do que aos policiais, posto que acionou a Corregedoria para acompanhar o caso.

Em terceiro lugar, temos o post de Hélio da Van (PT- MG), denunciando o crime de abandono de animais com um vídeo de ficção, por ele estrelado, sobre o tema

Ainda à direita, Lucas Pavanato (PL-SP) também figura no ranking a partir de um vídeo no qual denuncia irregularidades no funcionamento de uma UPA e negligência médica, na qual, em suas palavras, “um paciente entrou com dor nas costas e saiu sem uma perna”. O vereador e candidato à acionou a polícia para resolver o caso e se colocou à disposição da população para resolver outros casos semelhantes. Clarissa Tercio (PP-PE) usa sua indignação com o caso do pai que assassinou as próprias filhas para vingar-se da mãe delas, para alvejar a esquerda em seus posicionamentos pró-ressocialização. Sob uma perspectiva semelhante, Delegado Bruno (PODEMOS-SP) defendeu a castração química para estupradores a partir do caso da mulher que cortou a cabeça do namorado que abusava sexualmente de seu filho de três anos. Por sua vez, Adrilles (UNIÃO-SP), em seu post, saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que este foi um verdadeiro combatente do que ele chama de “ditadura do STF” e que “seus acertos foram maiores do que os seus erros”. 

Em contrapartida, à esquerda, Natália Boulos (PSOL-SP) alcançou expressivo volume de engajamentos ao compartilhar seu embate com a delegada afastada e candidata Maria Corsato (UNIÃO-SP), que agiu de maneira desrespeitosa e tentou abusar de sua autoridade em um debate eleitoral. Flávio Dino (PSB-MA) se defendeu sobre a fake news veiculada no período a partir de uma foto no qual ele se encontrava na praia em um momento de lazer de 2023, antes de assumir o cargo de ministro do STF, e acusou seus detratores de tentativa de intimidação. Por fim, Luciano da Silva (PSB-SP) defendeu o PL da Misoginia a partir do confronto de argumentos entre uma mulher feminista e uma mulher anti-feminista. 

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

CANDIDATO PROPOSTAS
Érika Hilton (PSOL-SP) Auxílio-aluguel para vítima de violência doméstica
Delegado Bruno (PODEMOS-SP) Castração química para estupradores
Luciano da Silva (PSB-SP) PL da Misoginia

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Em geral, a direita segue apresentando um melhor desempenho quando o tema é Segurança Pública. Contudo, esta mobilização se deu mais a partir da indignação com casos de crimes hediondos do que a partir de propostas consistentes. Neste período, estas vieram  de candidatos da esquerda, o que equilibrou o debate nas redes.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública

Entre os candidatos oriundos da forças de segurança pública, se destacaram com mais posts sobre no tema da segurança pública Coronel Tadeu (PRD-SP), com 52 posts, Capitão Alden (PL-BA), com 47 e o Coronel Fábio Paganotto (PL-SP), com 41 posts. 

Em seus posts com mais interações, o Coronel Tadeu elogiou o plano de governo de Flávio Bolsonaro e afirmou que sua candidatura seria a melhor escolha (575 interações), criticou a neutralidade do Republicanos nas eleições presidenciais (176) e defendeu a valorização dos profissionais da segurança pública (170), como “salário justo, respaldo jurídico no exercício da função e equipamentos modernos”. 

Já o Capitão Alden abordou o caso de um suspeito de matar uma idosa de 70 anos e estuprar três jovens no Distrito Federal para criticar a saída temporária de pessoas presas (5.799 interações), postou uma foto ao lado de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro para ressaltar sua candidatura e seu trabalho em prol da segurança pública (3.052) e, por último, publicou um vídeo em que, em um debate, ressalta a necessidade de retomada pelo Estado de territórios dominados por grupos criminosos (2.166).

Por fim, o Coronel Fábio Paganotto (PL-SP) obteve mais interações (5.254) expondo uma situação, ocorrida em Osasco, em que um motoqueiro aparece baleado no chão após, supostamente, ter tentado praticar um roubo contra um policial militar que também teria sido baleado.

Como se pode perceber, o Coronel Tadeu, embora lidere o número de posts publicados sobre segurança pública, não obteve a mesma intensidade de interações que os demais atores políticos.

Posts únicos encontrados nas queries de segurança pública

Fonte: Data Lake DX

Mas quando observamos a tabela abaixo, sob a perspectiva do engajamento, percebemos que os três primeiros atores com o maior número de postagens em termos absolutos sequer aparecem entre os atores oriundos da segurança pública que mais geram interações nas redes sociais. Foi o delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) quem liderou o debate ao expressar sua indignação com a violência de um caso concreto e defender um PL de sua autoria que prevê a castração química e prisão perpétua para crimes hediondos praticados contra crianças (127.877 interações).

Engajamento | Interações nos posts únicos encontrados nas queries de segurança pública

Fonte: Data Lake DX

Presidenciáveis

Presidenciáveis — menções aos temas de segurança pública

Fonte: edite a fonte do gráfico

Quanto ao desempenho dos presidenciáveis, verifica-se que Ronaldo Caiado (UNIÃO-GO) segue sendo o candidato que mais publica sobre o tema, com 32 postagens, seguido de Renan Santos (MISSÃO), com 12 publicações, Romeu Zema (NOVO-MG) e Hertz Dias (PSTU-MA), ambos com 4. Destaca-se a redução de atenção concedida ao tema pela campanha de Flávio Bolsonaro, que no período anterior (entre 31 de julho de 07 de agosto) havia realizado 24 posts sobre o tema e no período atual realizou apenas 3. Contudo, os presidenciáveis que apresentaram a menor intensidade de referências à segurança pública foram Lula (PT-SP), Samara Martins (UP-MG) e Edmilson Costa (PCB/MA), todos com apenas 1 post.

Nos três posts que apresentaram um maior volume de interações, Ronaldo Caiado dedicou-se a propor a criação de uma Polícia da América do Sul, a fim de criar respostas rápidas ao crime organizado, a reafirmar sua disposição em enfrentar as bets, que, segundo o candidato, “tem alimentado crimes” e, por último, a propor a redução da maioridade penal para crimes graves. Enquanto Romeu Zema prometeu um Brasil “LIVRE do crime organizado”, Hertz Dias criticou o projeto de desfavelização de Renan Santos (MISSÃO)

Apesar de Ronaldo Caiado postar mais sobre o tema em suas redes, foi o candidato à presidência Renan Santos (MISSÃO) quem mais gerou engajamento nas plataformas analisadas, ao inserir como elemento central do anúncio da sua candidatura o slogan de que bandido tem que ser preso ou morto (98 mil interações), de um vídeo que compara o crime de estupro com o de misoginia, sinalizando uma suposta incosistência entre as penas de ambos, e defendendo a pena de morte (55 mil interações). O candidato ainda sugeriu que o combate à violência contra a mulher demanda um aumento da repressão de crimes como o assalto, contrapondo os “direitos humanos do bandido” com o “direito de ir e vir da menina” (37 mil interações).

Romeu Zema também teve destaque em volume de interações, ao defender um Brasil “LIVRE da GASTANÇA do Lula, e LIVRE do crime organizado” (31.430 interações), bem como como ao criticar a decisão de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que determinou a investigação de um jornalista do Maranhão (19.485 interações).

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Edmilson Costa (PCB/MA)
  • Não apresentou propostas concretas.
Flávio Bolsonaro (PL/RJ)
  • Abertura de 500 mil vagas no sistema prisional
  • Construção de 5 presídios federais
  • Obrigação de trabalho para pessoas presas
Hertz Dias (PCB/MA)
  • Investigar os bancos
  • Confiscar o dinheiro obtido no tráfico de drogas
  • Investigar a cúpula das polícias e dos políticos envolvidos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT/SP)
  • Criação do Ministério da Segurança Pública
  • Investimento na Polícia Federal, na Polícia Rodoviária Federal e na Força Nacional
  • Equipar 138 presídios para que atinjam o grau de segurança máxima
Renan Santos (MISSÃO)
  • Pena de morte
  • Fim da progressão de penas
Romeu Zema (NOVO/MG)
  • Não apresentou propostas concretas.
Ronaldo Caiado (UNIÃO/GO)
  • Criação de uma Polícia da América do Sul para combater o narcotráfico da região
  • Enfrentamento a bets
  • Redução da maioridade penal
Samara Martins (UP/MG)
  • Não apresentou propostas concretas.

Candidatos a Governador

Por último, observamos o comportamento das redes dos candidatos aos governos de cinco estados federativos – Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Este é um esforço fundamental, visto que as polícias civis e militares, bem como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.

Neste terceiro relatório, constam 148 postagens relacionadas ao tema da Segurança Pública destes candidatos. Isso representa um aumento de 59% em relação ao relatório anterior, que registrou 93 posts.

Amazonas

No Amazonas, os políticos que pleiteiam o governo publicaram, no total, 24 posts. Foi o Senador Omar Aziz (PSD-AM), que mais postou no período analisado, com 15 posts. Seus posts trataram do papel central que sua vice, Alessandra Campello (PSD-AM), terá no combate ao feminicídio, dos investimentos que pretende fazer na segurança pública e dos investimentos que fez nas polícias quando foi Governador do Amazonas entre 2010 e 2014. Contudo, embora não lidere o número de posts, quem gerou mais interações nas redes (15,8 mil) foi o atual governador do Amazonas, Roberto Cidade (UNIÃO-AM), ao divulgar os investimentos que realizou na segurança pública e a melhora nos indicadores criminais do Amazonas e as mudanças que seu governo operou em apenas quatro meses de mandato.

NomePosts do candidatoInterações% interações / candidatos do Estado
Roberto Cidade (UNIÃO-AM)815,8 mil66,8%
Omar Aziz (PSD-AM)157,8 mil33,0%
David Antonio Abisai Pereira de Almeida (AVANTE-AM)1480,2%

Pará

No Pará, as candidatas ao governo estadual publicaram 13 posts no período analisado. Araceli Lemos (PSOL-PA), em seus 8 posts, enfatizou, sobretudo, a relação entre violência contra a mulher e a dificuldade de obter atendimento junto à Polícia Civil, tendo em vista as delegacias do Estado não funcionarem 24h. Ainda, Hana Ghassan Tuma (MDB-PA), atual governadora do Pará, foi responsável por 4 posts e um maior volume de interações ao divulgar as apreensões de drogas realizadas pelas forças de segurança do seu governo. O teor desse post foi republicado em outras plataformas digitais, gerando os demais posts.

NomePosts do candidatoInterações% interações / candidatos do Estado
Hana Ghassan Tuma (MDB-PA)41,7 mil69,8%
Araceli Lemos (PSOL-PA)870128,7%
Gal Leite (UP-PA)1361,5%

Pernambuco

Em Pernambuco, 12 posts foram produzidos pelos candidatos ao governo. Os dois candidatos que obtiveram mais interações foram Raquel Lyra (PSD-PE) e João Campos (PSB-PE). Em seus 7 posts, a candidata e atual governadora de Pernambuco obteve um maior volume de engajamento ao publicar um vídeo exaltando a humanidade dos policiais militares e afirmando sua disposição em valorizar esses profissionais e divulgando a reforma de um prédio para ser utilizado pelas forças de segurança do Estado para repouso. João Campos, por sua vez, obteve quase 50% das interações de Raquel Lyra com somente 2 posts, ao manifestar, em diferentes redes, sua solidariedade com o candidato de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP), que relatou ter sido perseguido por uma viatura da Polícia Militar no dia 11 de agosto de 2026, e afirmar que forças de segurança “não podem ser usadas para intimidar adversários ou interferir no processo eleitoral”.

NomePosts do candidatoInterações% interações / candidatos do Estado
Raquel Lyra (PSD-PE)759,4 mil65,2%
João Henrique de Andrade Lima Campos (PSB-PE)227,4 mil30,1%
Ivan Moraes (PSOL-PE)24,3 mil4,7%

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, somam-se 21 postagens no total. O Tenente Coronel Zucco (PL/RS) foi o candidato que mais postou sobre o tema da segurança pública, com 10 posts, assim como o que mais obteve engajamento nas redes sociais. No seu post com mais interações, o candidato encontra-se no púlpito do debate promovido pelo Grupo Bandeirantes defendendo o trabalho de presos e a valorização das Polícias Militar, Civil e Penal, bem como o Instituto Geral de Perícias. Já Juliana Brizola (PDT/RS) publicou 4 posts e abordou principalmente a necessidade de medidas para combater a violência contra as mulheres, em especial o feminicídio.

NomePosts do candidatoInterações% interações / candidatos do Estado
Tenente Coronel Zucco (PL-RS)1020,9 mil73,5%
Juliana Brizola (PDT-RS)43,7 mil13,0%
Priscila Voigt (UP-RS)43,4 mil11,9%
Marcelo Maranata (PSDB-RS)22660,9%
Rejane Oliveira (PSTU-RS)11720,6%

São Paulo

Por último, na disputa ao Governo de São Paulo, o quadro pouco se alterou, tendo em vista que o debate sobre segurança pública segue dividido entre o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP). A proporção de impacto nas redes entre os dois continua apresentando uma diferença significativa também: Tarcísio precisou de somente 16 posts para obter 280,4 mil interações, enquanto Haddad fez 52 postagens para atingir 168,3 mil interações. Em seus posts, Tarcísio focou nas realizações de seu governo, enquanto Haddad propôs, caso eleito, a criação de um Gabinete Institucional de Segurança Pública, presidido pelo Governador e em cooperação com diversos órgãos de segurança.

NomePosts do candidatoInterações% interações / candidatos do Estado
Tarcísio (REPUBLICANOS-SP)16280,4 mil62,0%
Fernando Haddad (PT-SP)52168,3 mil37,2%
Vivian Mendes (UP-SP)52,1 mil0,5%
Vera (PSTU-SP)31,3 mil0,3%
Carlos Machado (PCB-SP)12550,1%
Daniel Santos (PP-SP)150,0%

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
AMAZONAS
Omar Aziz (PSD/AM)
  • Concurso público para mais de 5 mil policiais militares e para delegados e agentes da Polícia Civil
  • Funcionamento 24h das delegacias da Polícia Civil
Roberto Cidade (UNIÃO/AM)
  • Não apresentou propostas concretas.
PARÁ
Araceli Lemos (PSOL/PA)
  • Funcionamento 24h das delegacias da Polícia Civil
  • Punição rigorosa a agressores de mulheres
Hana Ghassan Tuma (MDB/PA)
  • Não apresentou propostas concretas.
PERNAMBUCO
Raquel Lyra (PSD/PE)
  • Reforma e entrega de um prédio voltado ao repouso de profissionais da segurança pública
João Campos (PSB/PE)
  • Não apresentou propostas concretas.
RIO GRANDE DO SUL
Tenente Coronel Zucco (PL/RS)
  • Obrigação de trabalho para pessoas presas
  • Integração das polícias
  • Controle dos presídios pelo Estado
Juliana Brizola (PDT/RS)
  • “RS Mulher Segura”
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP)
  • Não apresentou propostas concretas.
Fernando Haddad (PT/SP)
  • Criação de um “Gabinete Institucional de Segurança Pública” (para coordenar ações com a Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Polícia Federal e COAF)
  • Divulgação de dados da segurança pública trimestralmente

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com cerca de 20 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026, ainda parcial em 16 de agosto, foram analisadas 20.506 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais. Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Esse procedimento identificou 1.282 candidaturas, equivalentes a 6,3% do total analisado. Desse conjunto, 361 candidatos já integravam a base de monitoramento. Entre os demais, foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em pelo menos uma plataforma, resultando na inclusão de 271 novas contas, considerando os diferentes perfis mantidos por um mesmo candidato nas plataformas monitoradas. Com essa atualização, a base passou a acompanhar 439 atores vinculados ao campo da segurança pública.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e deduplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública — #03

Data: 18.08.2026

Período da análise: 2026-08-09 a 2026-08-16

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #03 (10/08/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026.

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Pilau
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

DESENVOLVIMENTO WEB

Paolo Enryco

Licença

Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.

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