Primeira rodada – 16 e 17 de maio de 2026
Investigação qualitativa sobre opinião pública, preferências eleitorais e percepção política de eleitores “pendulares”.
Método
Tríades etnográficas
Público
Eleitores Pendulares
Foco
Percepções Eleitorais
Insight Central
As medidas recentes do governo Lula produzem efeito positivo, mas a suspeita de oportunismo eleitoral limita sua conversão em voto. Ao mesmo tempo, o caso Banco Master, notadamente o áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, gera dano relevante à imagem do primogênito de Jair entre eleitores “pendulares”, embora a narrativa de que “todos são corruptos” ou os “ventos de mudança” funcionem como amortecedores morais.
Escopo
Este relatório integra o projeto de acompanhamento qualitativo permanente da opinião pública brasileira ao longo de 2026, articulando escuta em profundidade, análise política e leitura estratégica do debate público.
A investigação se concentra em eleitoras e eleitores “pendulares”, ou seja, aqueles que oscilam entre Lula e Flávio Bolsonaro, na disputa presidencial de 2026. A análise dialoga tanto com a agenda factual , como com os temas dos relatórios semanais do DX sobre narrativas políticas e integridade democrática, deslocando o foco do ambiente digital para a recepção qualitativa de temas políticos no eleitorado.
Nesta rodada, os temas buscaram avaliar o eventual impacto positivo que o “pacote de bondades” de Lula teria gerado na opinião pública, como aventado pelos resultados da última pesquisa Quaest de 13 de maio de 2026, assim como o impacto negativo do áudio revelado pelo Portal The Intercept Brasil para a campanha de Flávio Bolsonaro, como identificado no Relatório Semanal do Instituto DX de 12 de maio de 2026 e no Relatório Especial.
PERÍODO:
16 e 17 de maio de 2026
GRUPOS:
2 grupos focais em formato de tríades etnográficas
COMPOSIÇÃO:
Grupo 1: homens | Grupo 2: mulheres
PERFIL:
30-50 anos, ensino médio, renda familiar de 3 a 7 salários-mínimos
REGIÃO:
Preferencialmente eleitores das Regiões Metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte e Salvador (“swing states”)
TRAJETÓRIA ELEITORAL:
Votou em Jair Bolsonaro em 2018; votou em Lula em 2022; está indefinido para 2026
CRITÉRIO POLÍTICO:
Não rejeita Lula nem Flávio Bolsonaro
Sumário executivo visual
Oito leituras estratégicas para decisão política e comunicação
Agenda positiva de Lula
Medidas como Desenrola 2, fim da taxa das blusinhas e escala 6×1 são bem avaliadas, mas sofrem com a pergunta: “por que só agora?”. Performance de Estadista de Lula junto à Trump resgata “orgulho de ser brasileiro”. A agenda de Segurança Pública é permanente em todo o debate, mas sem conhecimento das iniciativas governamentais por parte dos participantes.
Família como vida concreta
Oportunidade para Lula disputar o conceito de “defensor da família” através de políticas públicas concretas, como espontaneamente apresentado no caso do fim da escala 6×1 (“mais tempo para estar com a família”) ou Desenrola 2 (“alívio no orçamento familiar”), mas outras políticas (PL Misoginia, Leis de endurecimento penal do Feminicídio, ECA Digital) não são exploradas. Memória “Bolsa Família” entre mulheres.
Áudio desloca a “Balança da Corrupção”: “são todos iguais”.
De ser algo vinculado fortemente ligado ao PT e marginal ou menor aos Bolsonaro, o caso equilibra a percepção de corrupção. A percepção de que são todos (corruptos) iguais e que caso Master “pega todo mundo” se instala. Má notícia para a campanha de Flávio que pretendia usar a corrupção como uma das principais narrativas da sua candidatura. A corrupção no caso Master “entra na conta” de Lula/PT através do contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o banco.
Dark Horse e Corrupção: de “modus operandi” familiar
à traço biográfico de Flávio
Dark Horse promove deslocamento narrativo do tema da corrupção já não só visto como um modus operandi da família Bolsonaro como também um “traço biográfico” de Flávio, resgatando-se e concatenando-se espontaneamente à temas antes vistos como menores (rachadinha, mansão, 8 de janeiro…). Corrupção de Flávio de “diminutivo”(rachadinha) passa a ser “master”
“Filme” e “Lavanderia
O montante mencionado é percebido como incompatível com a justificativa de ser só um filme e ativa suspeita de lavagem de dinheiro para fins familiares ou de campanha.
Dilema de Flávio: melhor trocar, mas passando recibo
Apontam que seria mais adequado trocar Flávio, mas reconhecem que desistência passa recibo de culpa. Permanência abala apoio entre eleitores moderados.
“Ventos de Mudança” ainda protegem Flávio
Alguns reconhecem a corrupção do episódio como muito problemática, mas ainda consideram votar nele por desejo de alternância e cansaço de Lula.
Plano B indefinido
Caiado, Ciro, Zema, Michelle e Joaquim Barbosa aparecem com limites. Nenhum nome resolve plenamente a crise instaurada pelo áudio de Flávio com Vorcaro.
As Formas (milicianas) Importam
O grau de intimidade com Vorcaro assim como o linguajar vulgar e as mentiras contumazes nos últimos dias transmitem uma imagem de proximidade com Vorcaro e performance de marginal e miliciano, associando com episódios pretéritos como Adriano da Nóbrega e Queiróz. Se o montante de recurso ativa casos anteriores de corrupção, as formas de Flávio se vinculam ao seu passado de proximidade com a milícia carioca. Suspeita de Flavio ser o mais “moderado” do clã em público e o mais obscuro em privado.
Mapa de percepções
Como os participantes organizam Lula, Flávio e alternativas

Frase Síntese
O eleitor pendular não busca pureza ideológica; busca benefício concreto, coerência, proteção e uma história política na qual consiga acreditar sem se sentir feito de bobo.
Achados qualitativos
Temas, interpretações e aspas selecionadas
Programas do governo Lula: aprovação substantiva,
comunicação desigual e suspeita sobre o timing
Os programas e medidas anunciados pelo governo Lula foram recebidos de forma positiva pelos participantes. O conjunto citado inclui Desenrola 2.0, taxa das blusinhas, escala 6×1, combustíveis, isenção do imposto de renda, ampliação de crédito habitacional e medidas de combate ao crime organizado.
A diferença de gênero é relevante: o grupo masculino apresentou maior conhecimento prévio sobre as medidas; o grupo feminino demonstrou maior desconhecimento, embora tenha reagido positivamente quando as políticas foram lembradas. O problema central não está no conteúdo das políticas, mas na leitura do momento político. A pergunta recorrente foi: “por que só agora?”
“Por que não fizeram antes, né? Parece que esse povo do poder acha que não sabemos pensar… para ser bem sincero ainda fico 50%.”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
“É uma jogada política, está perto das eleições.”
PARTICIPANTE A, TRÍADE 2
Leitura estratégica
As políticas melhoram a disposição em relação a Lula, mas, quando percebidas como eleitorais, também reforçam o cinismo e a desconfiança. O atenuante é o “passado de políticas sociais” de Lula, que diminui a desconfiança. A comunicação precisa mostrar continuidade e coerência, não improviso e Lula deve cuidar das formas para evitar mudanças abruptas (como no caso das Blusinhas) e perder a credibilidade.
Lula e a disputa pela família: do valor moral à vida concreta
Um dos achados mais promissores para o campo governista é a possibilidade de deslocar a disputa pela família do campo estritamente moral para o campo material e cotidiano. A escala 6×1 conecta trabalho, tempo livre, cuidado e convivência doméstica. Entre as mulheres, o Bolsa Família segue como referência espontânea.
“Acho que Lula se preocupa pela família, sim, tem essa coisa do Bolsa Família,
PARTICIPANTE S, TRÍADE 2
Oportunidade de mensagem para o governo
Comunicar família como tempo, descanso, cuidado, renda e proteção. A pauta da escala 6×1 pode ser tratada como política de família, não apenas como pauta trabalhista. Vincular mais outras políticas públicas ao conceito família, como “Bolsa Família” ou a “proteção do orçamento/economia familiar” com Desenrola 2 e proibição de Bets entre os beneficiários do Desenrola 2. Ou ainda as políticas de proteção de mulheres ( PL Misoginia e Leis de endurecimento do Feminicídio) e infância (ECA Digital).
Banco Master e corrupção: Flávio perde diferencial moral
e a desconfiança aumenta
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master foi interpretado como corrupção. O impacto mais importante é o deslocamento da “balança da corrupção”: em rodadas anteriores, segundo a moderação, o PT permanecia mais fortemente marcado por esse atributo; nesta rodada, a balança aparece mais equilibrada e, em alguns casos, mais desfavorável a Flávio. A maioria dos entrevistados reconheceu que o nível de desconfiança em relação a Flávio tinha diminuído depois do escândalo.
“Para mim fica como se o Flávio Bolsonaro fosse mais corrupto. Tem um histórico grande do dia 8 de janeiro e outras situações.”
PARTICIPANTE F, TRÍADE 1
“Fica difícil escolher o menos corrupto, né?”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
Atenção
A narrativa “todos são corruptos” funciona como um amortecedor. Para produzir efeito eleitoral, o caso precisa ser traduzido em risco concreto, mentira, uso familiar do poder e ausência de projeto para a população.
Família Bolsonaro como sistema e a biografia corrupta de Flávio:
dano reputacional cumulativo
O caso atual reorganiza memórias anteriores: rachadinha, mansão, 8 de janeiro e Banco Master passam a compor uma narrativa cumulativa. Flávio perde parte da possibilidade de se apresentar como uma versão moderada ou renovada do bolsonarismo e assume o papel de personagem mais “obscuro” e perigoso da família por soar moderado em público e inescrupuloso em privado.
“Antes até pensava que o Flávio fosse um pouco diferente do pai dele, mas com tudo isso que aconteceu do Banco Master eu tenho mais desconfiança.”
PARTICIPANTE S, TRÍADE 2
“Eu tinha uma desconfianzazinha e agora, hummm, subiu um pouco.”
PARTICIPANTE A, TRÍADE 2
“Não é para filme”: o montante como prova moral
A justificativa de que o dinheiro seria destinado à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro foi recebida com forte descrença. O montante mencionado pelos participantes funciona como evidência moral: parece grande demais para a finalidade alegada e para uma relação casual.
“Será que não era para lavagem? Tendo em vista o histórico da família e como funciona a política brasileira, não consigo acreditar que seja só para filme.”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
“Com esse valor, não existia apenas uma amizade de dois meses.”
PARTICIPANTE J, TRÍADE 1
O dilema de Flávio: sair parece culpa; ficar pode significar derrota
Todos reconhecem que o dano a sua candidatura é forte e a avaliação predominante é que Flávio Bolsonaro deveria desistir para preservar as chances da direita. No entanto, a própria desistência poderia funcionar como admissão indireta de culpa. O risco principal não está no núcleo bolsonarista radical, mas na erosão dos moderados.
“Se ele fizer um negócio desses, eles estariam assinando seu atestado de culpa. Está numa grande sinuca de bico.”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
“Os bolsonaristas não vão mudar em nada e as pessoas que não são tão bolsonaristas vão entrar em questionamento.”
PARTICIPANTE F, TRÍADE 1
“Se a direita quiser se eleger, acho que está na hora de pensar num plano B.”
PARTICIPANTE J, TRÍADE 2
Alternativas à direita: nomes existem, mas nenhum resolve plenamente
Eduardo Leite, Ciro Gomes, Romeu Zema, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Joaquim Barbosa foram mencionados ou testados. Nenhum aparece como substituto plenamente consolidado de Flávio. Caiado obtém avaliações positivas em segurança pública quando conhecido; Ciro preserva boa lembrança, mas com dúvidas sobre seu tempo político e estilo; Michelle é vista por muitos como marionete de Jair; Zema enfrenta resistência por radicalismo e privatização; Joaquim Barbosa soa distante.

As Formas Importam
O grau de intimidade com Vorcaro assim como o linguajar vulgar e as mentiras contumazes nos últimos dias transmitem uma imagem de proximidade com Vorcaro e performance de marginal e miliciano, associando com episódios pretéritos como Adriano da Nóbrega e Queiróz. Se o montante de recurso ativa casos anteriores de corrupção, as formas de Flávio se vinculam ao seu passado de proximidade com a milícia carioca. Suspeita de Flavio ser o mais “moderado” do clã em público e o mais obscuro em privado.
“Esse é um jeito de ser corrupto, eu não gosto muito de julgar sem conhecer, mas pelos escândalos que já ocorreram, pelo jeito que ele fala. Se for para beneficiar o lado dele ele vai mentir, escapar, típica atitude de pessoas corruptas”
PARTICIPANTE F, TRÍADE 1
“Desde que o áudio vazou ele foi começando a contar a história aos poucos e a história foi mudando, alterando as versões para tentar aliviar, porque ele não consegue manter a versão. Não é o primeiro indício, já fez achadinha, o próprio status da família Bolsonaro que não é o mais louvável da política, né?”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
“Votaria no Flávio ou nulo porque não quero votar mais no Lula, porque a gente precisa de mudança.”
PARTICIPANTE A, TRÍADE 2
“Eles compraram dinheiro, vivo, né? Eles querem o poder para poder encobrir as coisas erradas que eles fazem”.
PARTICIPANTE J, TRÍADE 1
“Eu acho que Flávio tem um jeito mais corrupto do que o pai, a maneira, o jeito como ele age”
PARTICIPANTE U, TRÍADE 1
“Acredito que a família toda. Todas essas famílias que ficam muito tempo no governo, de uma forma ou de outra, vão ficar roubando”
PARTICIPANTE J, TRÍADE 1
Leitura estratégica
As políticas melhoram a disposição em relação a Lula, mas, quando percebidas como eleitorais, também reforçam o cinismo e a desconfiança. O atenuante é o “passado de políticas sociais” de Lula, que diminui a desconfiança. A comunicação precisa mostrar continuidade e coerência, não improviso e Lula deve cuidar das formas para evitar mudanças abruptas (como no caso das Blusinhas) e perder a credibilidade.
Lula avança, mas “ventos da mudança” ajudam Flávio
Na avaliação final, metade dos participantes dos dois grupos afirmou que votaria em Lula, principalmente porque as medidas recentes parecem beneficiar a população e porque o caso envolvendo Flávio reforça a percepção de corrupção.
Ainda assim, a adesão a Lula não é plena nem definitiva. Parte das participantes, mesmo reconhecendo corrupção em Flávio, ainda considera votar nele por desejo de mudança e saturação com Lula.
“Entre Flávio e Lula, Lula agora, porque vejo o Flávio uma pessoa muito corrupta e Lula eu vejo mais pautas voltadas para a sociedade.”
PARTICIPANTE F, TRÍADE 1
“Votaria no Flávio ou nulo porque não quero votar mais no Lula, porque a gente precisa de mudança.”
PARTICIPANTE A, TRÍADE 2
“Com tudo o que aconteceu com Flávio… mas estou calejada do Lula nas eleições passadas, eu ainda arriscaria votar no Flávio.”
PARTICIPANTE S, TRÍADE 2
Síntese de risco
O desejo de mudança é um ativo poderoso da oposição, mesmo quando seu candidato sofre dano moral. Para Lula, não basta demonstrar que Flávio é corrupto; é preciso convencer que a continuidade representa melhora real de vida.
Por que desistir de Lula? Contradição e corrupção direta
Os participantes indicam dois fatores principais que poderiam afastá-los de Lula: recuos ou contradições em medidas positivas e surgimento de escândalo de corrupção com envolvimento direto do presidente. A taxa das blusinhas aparece como trauma comunicacional: quando o governo cria o problema e depois recua, a correção pode ser vista como cálculo eleitoral.
“Barrar medidas que a população precisasse, se aparecesse algum processo de corrupção que indicasse ele diretamente envolvido.”
PARTICIPANTE F, TRÍADE 1
“Se descobrisse alguma corrupção dele, alguma falcatrua.”
PARTICIPANTE S, TRÍADE 2
Fique de olho
Pontos de atenção para as próximas semanas.
DESAFIOS PARA O GOVERNO
👉 Comunicação das medidas: Reduzir a distância entre política anunciada e benefício percebido. Menos linguagem institucional; mais cotidiano.
👉 Timing eleitoral: Responder à pergunta “por que só agora?” com narrativa de continuidade, não de improviso.
👉 Família: Disputar família como tempo, renda, cuidado, descanso e proteção.
👉 Moderados da direita: O dano a Flávio tende a afetar mais os eleitores indecisos, moderados e pendulares, sem afetar o núcleo bolsonarista fiel. Ainda assim, são os eleitores conhecidos por serem decisivos para definir as eleições.
👉 Segurança pública: Tema seguirá forte na agenda e pode ser uma oportunidade ou uma ameaça conforme o Governo consiga expor suas iniciativas para a sociedade.
👉 Política externa: Validar o orgulho nacional e a posição do Brasil no mundo podem ter efeito positivo para Lula. Sempre e quando o Presidente mantiver o tom sereno, evitando bravatas, centrado em temas objetivos.
DESAFIOS PARA A OPOSIÇÃO
👉 Todos são corruptos: Essa crença, ao mesmo tempo que iguala Flávio e o Bolsonarismo ao PT no imaginário de corrupção e retira força da linha narrativa de sua pré-campanha de “acabar com a corrupção do PT”, dilui o efeito de escândalo e dá sobrevida parcial a Flávio.
👉 Dinheiro do filme: A desproporção entre valor e justificativa é altamente compreensível para o eleitor comum e, se não bem explicada, seguirá sendo vista como lavagem de dinheiro.
👉 Dano Biográfico / pecha de Miliciano: Se a corrupção gruda em Flávio, o dano reputacional é, todavia, maior, revelado nas formas do candidato, seja pela intimidade demonstrada com Vorcaro, seja pelo linguajar de “malandro” utilizado, seja pelas seguidas versões dadas ao caso, revelando sua disposição a mentir reiteradamente. Soma-se a isso a impressão de opacidade, de um político moderado em público e obscuro em privado. Se Flávio não conseguir reverter essa impressão, o dano pode ser irreparável.
👉 Plano B da direita: A maioria deseja uma troca na cabeça da chapa anti-Lula, mas não há acordo quanto ao nome em um nome que agrade a maioria, o que acaba sendo um alívio para Flávio. Eleitores também reconhecem que a troca geraria a sensação de “passar recibo” que poderia complicar a oposição e por isso talvez fosse melhor administrar o dano, mais uma boa notícia para Flávio.
Nota metodológica
Tríades etnográficas e deep stories
Esta rodada foi realizada por meio de dois grupos focais qualitativos no formato de tríades etnográficas. O desenho amostral buscou observar eleitores e eleitoras em situação de indefinição eleitoral, definidos aqui como “pendulares”, com trajetória de voto cruzada entre os campos políticos ao longo dos últimos 8 anos.
As tríades etnográficas são conversas qualitativas em pequenos grupos, geralmente compostas por três participantes, conduzidas por moderação especializada. Diferenciam-se de grupos focais tradicionais maiores porque favorecem maior intimidade, maior tempo de fala por participante e maior possibilidade de observação de narrativas pessoais, hesitações, contradições e deslocamentos de opinião.
A análise também se apoia na perspectiva de deep stories, isto é, na reconstrução das narrativas profundas pelas quais os participantes organizam sua experiência política. Uma deep story não é apenas uma opinião sobre um candidato ou tema; é uma história moral sobre justiça, merecimento, traição, esforço, família, corrupção, mudança, medo e esperança.
📌 O que o método permite observar: Raciocínios, afetos, justificativas morais, ambivalências, linguagem espontânea e mudanças sutis de posição.
📌 O que o método não permite afirmar: Não produz representatividade estatística nem estima proporções populacionais.
📌 Uso das aspas: As falas citadas expressam percepções situadas dos participantes e não verificação factual dos eventos mencionados.
📌 Limite desta rodada: A seção sobre segurança pública precisa ser corrigida/completada no documento-base antes de conclusões definitivas.
Síntese estratégica final
A primeira rodada do Painel Qualitativo Permanente revela um eleitorado pendular em movimento, mas ainda não resolvido.
A primeira rodada do Painel Qualitativo Permanente revela um eleitorado pendular em movimento, mas ainda não resolvido.
Lula se beneficia de uma agenda social e econômica que fala com problemas concretos da população: dívida, trabalho, renda, tempo e família. O mesmo vale para quando atua como estadista, “com menos palanque e mais palácio”, como no caso de sua visita a Trump, atuando de forma altiva, mas sem bravatas. No entanto, o benefício político dessas medidas é reduzido quando elas parecem tardias, contraditórias ou excessivamente eleitorais. A potência da agenda governista depende de coerência narrativa e comunicação direta com a vida cotidiana.
Flávio Bolsonaro sofre dano relevante com o caso Banco Master. O episódio reforça suspeitas anteriores, reorganiza memórias sobre rachadinha e família Bolsonaro e torna mais difícil apresentá-lo como alternativa moralmente renovada. O problema de Flávio é especialmente sensível entre moderados, que podem permanecer à direita, mas começar a procurar outro nome.Ainda assim, a candidatura de Flávio não se dissolve automaticamente. O desejo de mudança, a saturação com Lula e a crença de que “todos são corruptos” seguem funcionando-lhe como amortecedores.
Quem melhora minha vida?
Quem está tentando me enganar?
Quem cuida da minha família?
Quem rouba menos ou mente menos?
Quem garante mudança sem colocar o país em risco?Quem tem força para enfrentar o crime?
Quem tem projeto para além da próxima eleição?
Expediente
Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
Como citar este documento
VASQUES, Beto; SOLANO, Esther. Instituto Democracia em Xeque (DX). Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas DX, 18 mai. 2026. Período de campo: 16 e 17 de abril de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/painel/20052026/>.
Equipe do relatório
Beto Vasques
Diretor de Relações Institucionais do Instituto DX
Esther Solano
Professora da UNIFESP, pesquisadora em Ciências Sociais e conselheira do Instituto DX
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
