Décima rodada
Investigação qualitativa sobre opinião pública, preferências eleitorais e percepção política de eleitores “pendulares”.
Método
Tríades etnográficas
Público
Eleitores Pendulares
Foco
Percepções Eleitorais
Insights Centrais
A décima rodada mostra que o tarifaço deixou de ser uma disputa abstrata de política externa e passou a entrar pela porta do cotidiano. Os participantes conhecem o tema, demonstram preocupação e associam imediatamente a medida ao aumento de preços, ao encarecimento da vida e à insegurança material. O eixo dominante não é “geopolítica”, mas “quanto isso vai custar para mim e para o Brasil?”.
Trump é percebido como o principal responsável pelo tarifaço, mas a responsabilidade política não se encerra nele. Lula é cobrado para que dê mais informação, mostre empenho negociador e postura presidencial; Flávio e a Família Bolsonaro são cobrados por não fazerem nada mesmo com a proximidade com Trump e por atuarem pensando em cálculo eleitoral, e geram suspeita de antepor interesses próprios aos interesses nacionais. Mais que defender a soberania ou seu interesse eleitoral, Lula e Família Bolsonaro deveriam centrar suas energias em defender o melhor acordo para o país, negociando incansavelmente até o final. A fórmula que organiza a rodada é simples: soberania, sim; bravata, não; mas antes de tudo, negociação até o fim, sempre.
O Programa Brasil Soberano é recebido positivamente como medida emergencial, mas não substitui a negociação. A Lei de Reciprocidade é aceita apenas como último recurso, depois de esgotadas as possibilidades de entendimento. O eleitor pendular quer que o Brasil se faça respeitar, mas teme que uma escalada com Trump piore ainda mais a vida das pessoas.
Na disputa interna do bolsonarismo, entre madrasta e enteado, a entrevista de Flávio no Flow Podcast não recompõe confiança. Ao tentar se explicar, o senador reforça a leitura de mentira, esquiva, cálculo político e ausência de postura presidencial. A referência a uma “missão de Deus” soa mal porque colide com a sequência de contradições, polêmicas e ruídos acumulados nas semanas anteriores.
O achado mais sensível da rodada aparece na recepção da foto atribuída a Flávio com o “sicário” de Vorcaro: Até aqui, Dark Horse, Vorcaro, Banco Master e outros episódios vinham deslocando a biografia do senador para o registro da corrupção, da mentira e do “rolo”. A foto abre uma camada mais grave, ainda que inicial: a possibilidade de que sua biografia passe a ser lida também pelo registro da periculosidade, do vínculo com criminosos e da contradição com seu novo discurso de segurança pública.
No voto, o pêndulo segue aberto e contingente. Quem se inclina a Flávio o faz exclusivamente pelo desejo de mudança e pela fadiga com a continuidade de Lula. Quem se inclina a Lula o faz por comparação: ele parece “mais limpo” que Flávio e “pelo menos faz algumas coisas”. Nenhuma dessas inclinações é dura. A decisão continua branda, relacional e altamente dependente da agenda factual.
Escopo
Nesta rodada, as atenções se concentraram em quatro disputas da agenda factual recente: o novo tarifaço e a distribuição de responsabilidades entre Trump, Lula e a Família Bolsonaro; a disputa familiar e política entre Michelle e Flávio Bolsonaro; a recepção da foto de Flávio com o “sicário” do Vorcaro; e os porquês da inclinação de voto entre eleitores pendulares nesta semana.
O objetivo foi observar como esses episódios reorganizam percepções sobre políticas e eleitorais desse segmento, que continuam sem decisão consolidada para 2026 e altamente sensível à agenda factual.
A rodada aprofunda uma hipótese acumulada desde Dark Horse: o eleitor pendular não decide apenas por preferência ideológica, mas por comparação permanente entre proteção concreta, desejo de mudança, confiança moral, risco percebido e fatos da semana.
PERÍODO:
18 de julho de 2026 (campo) | 20 de julho de 2026 (relatório)
GRUPOS:
2 grupos focais em formato de tríades etnográficas
COMPOSIÇÃO:
Grupo 1: homens | Grupo 2: mulheres
PERFIL:
30-50 anos, ensino médio, renda familiar de 3 a 7 salários-mínimos
REGIÃO:
Preferencialmente eleitores das Regiões Metropolitanas de São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador (“swing states”)
TRAJETÓRIA ELEITORAL:
Votou em Jair Bolsonaro em 2018; votou em Lula em 2022; está indefinido para 2026.
CRITÉRIO POLÍTICO:
Não rejeita Lula nem Flávio Bolsonaro
MATERIAL TESTADO:
Carta de Jair Bolsonaro a Flávio; tuíte de resposta de Ronaldo Caiado a Flávio; movimento “Imparáveis” de Michelle; rumor sobre eventual vídeo íntimo de Flávio; participação de Flávio na comissão da USTR; manifestação de Lula sobre terras raras; debate sobre Neymar e bets.
Sumário executivo visual
Doze leituras estratégicas para decisão política e comunicação
O tarifaço entra pelo bolso
O tema é entendido menos como disputa diplomática e mais como ameaça direta que se aproxima do dia a dia, através do custo de vida: preços já estão altos e podem ficar ainda mais caros.
Trump é o principal culpado, mas não o único cobrado
O ex-presidente norte-americano concentra a responsabilidade, mas Lula é cobrado para que negocie mais e informe mais ao povo o andamento do processo, enquanto Flávio é cobrado para que use a proximidade com Trump para ajudar mais o Brasil e menos para obter vantagens eleitorais.
Negociação vira palavra-mantra
Os participantes insistem que o governo brasileiro deve negociar até o fim, com informação, transparência e empenho.
Brasil Soberano ajuda, mas é remendo emergencial
O programa é bem recebido, mas visto como resposta pontual, insuficiente para substituir um acordo que evite o dano.
Reciprocidade como último recurso
O eleitor quer altivez e respeito ao Brasil, mas teme escalada com Trump; soberania deve vir antes da submissão, mas depois da negociação, só depois de esgotadas todas as vias diplomáticas.
Lula perde quando transforma tema grave em comunicação incompleta e brincalhona
O vídeo no qual evita falar do tarifaço antes de Trump é criticado por falta de esclarecimento e tom inadequado.
A Família Bolsonaro consolida a marca da confusão
A briga Flávio-Michelle consolida a percepção de que a família se move por cálculos políticos, disputas por poder e polêmicas permanentes, sem deixar claro o que quer cada um deles.
Flow Podcast: Flávio tenta esclarecer e termina obscurecendo
Ao negar ter visto o vídeo de Michelle, relativizar a crise e falar em “missão de Deus”, o senador reforça a percepção de mentira, esquiva e cálculo.
A foto com “sicário” abre uma camada mais grave da biografia
O episódio desloca a percepção de Flávio do registro da corrupção e da mentira para uma possível associação com crime e periculosidade.
O discurso de segurança de Flávio fica vulnerável
Se a associação com milícia, criminosos e personagens sombrios se consolidar, pode corroer justamente a agenda que a pré-candidatura do senador buscava transformar em sua principal bandeira na campanha eleitoral.
Lula avança por comparação, mas ainda sem paixão
O presidente é escolhido por parecer mais limpo e por ter entregas sociais, mas segue cobrado por comunicação, negociação e postura institucional.
Flávio sobrevive pela mudança, mas não oferece segurança
O desejo de renovação o mantém vivo, mas falta proposta, confiança e postura; a agenda factual segue comandando o pêndulo.
Mapa de percepções
Como os participantes organizam Lula, Flávio Bolsonaro, Trump, a Família Bolsonaro e as zonas de disputa.

A décima rodada confirma que a disputa entrou em uma fase de cobrança de responsabilidade. O tarifaço faz o eleitor perguntar quem protege o país e o bolso das pessoas; o Flow faz perguntar se Flávio fala a verdade; a foto com o suposto “sicário” faz perguntar se sua biografia pública pode ser ainda mais sombria do que parecia. Lula – sem apaixonar ou convencer totalmente – segue como opção mais administrável, mas precisa mostrar mais disposição em negociar com seriedade, informar com claridade e se portar como chefe de Estado. Flávio segue exclusivamente apoiado na capacidade de representar a possibilidade de mudança, mas cada novo fato exige dele uma prova maior de confiança, proposta e estatura presidencial.
Achados qualitativos
Temas, interpretações e aspas selecionadas
O tarifaço entra no cotidiano como medo de encarecimento da vida
Todos os participantes demonstraram conhecimento sobre o novo tarifaço e preocupação com seus efeitos. A percepção dominante é que o Brasil sairá prejudicado e que o impacto mais provável será sentido no bolso: aumento de preços, custo de vida mais alto e pressão adicional sobre famílias que já percebem o orçamento doméstico como apertado.
O tema, portanto, não chega ao eleitor pendular como debate técnico de comércio exterior ou diplomático e geopolítico, mas como ameaça material imediata. O tarifaço ativa espontaneamente a queixa de que “está tudo muito caro” e de que a situação pode piorar.
“Eu vi que o Trump estava querendo taxar o Brasil e isso é prejudicial, né? Porque vai aumentar o preço e tem ainda a coisa do PIX que também queria aumentar”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Uma nova taxa que o governo dos EUA está querendo inserir, né? Para a gente acho que é negativo”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Ah, é muito ruim porque os preços vão aumentar e as coisas já estão muito caras”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“A gente fica preocupada porque vai prejudicar muito os brasileiros, no dia a dia”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
Leitura estratégica
O tarifaço é politicamente potente porque traduz soberania em preço. Quando uma medida externa ameaça encarecer a vida, o eleitor passa a julgar candidatos pela capacidade de proteger o país e o orçamento doméstico.
Trump é o principal culpado, mas Lula é cobrado por negociar e informar
Trump aparece como o principal responsável pelo tarifaço, entendido como ator poderoso, imprevisível e disposto a fazer o que quer. Ainda assim, a responsabilidade política se distribui.
Lula, por ocupar a Presidência, é cobrado por não ter se empenhado mais, negociado até o fim e explicado melhor o que estava acontecendo. A crítica ao presidente não elimina a percepção de que Trump é o agente central do dano. Ela opera em outro plano: o eleitor pendular espera que o presidente, justamente por ser presidente, faça mais do que reagir; espera que informe, negocie, antecipe riscos e demonstre controle da situação.
De Flávio se espera que utilize a proximidade da família com o presidente norte-americano para ajudar a aliviar o tarifaço, não para pensar em como tirar proveito eleitoral. Que pense mais no país que em sua família ou cálculo político.
“Acho que tem um pouco do histórico negativo de Lula e Trump e talvez tenha faltado um pouco de empenho. Não sei se talvez por conta das eleições, ou porque Lula não deu a importância para o assunto, talvez Lula pensou que não ia acontecer que seria só uma ameaça”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Acho que é meio tudo, né? Muito por conta das eleições. São estratégias de governo, um de atacar, outro de se sentir atacado. Eu acho meio dúbio, acho que é uma gangorra, ambos são culpados, né? É só meio que querendo forçar seu argumento de ambas as partes”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Eu já acho que vem muito do pessoal do Bolsonaro, do Flávio, combinado com a prisão do pai. O Trump está demonstrando que ele toma partido por eles e prejudicar o Lula, mas sempre poderia ter havido mais conversa, é? Não é porque Trump queria tarifar que o Lula poderia ter ignorado ou largado. Deveria ter se esforçado um pouco mais”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Acho que em parte, sim, porque eu não tenho visto informações a respeito e negociações presentes sobre este tema. Parecia que houve uma aproximação, mas depois não vi nada mais. Acho que Lula não quer minar muito a imagem dele, deve pensar que isso pode atrapalhar”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“De um tempo para cá não temos mais informações então parece que não se deu muito encaminhamento. Essa ausência de informações faz que a gente duvide”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Acho que faltou dar um pouco mais de atenção, né? Talvez Lula esteja mais preocupado pela campanha política”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“Trump é o principal culpado e vejo o Flávio meio passivo também por conta das eleições”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Nesse caso Trump. Lula também porque negocia com Trump. Flávio não é presidente, não tem muita opção e ele está do lado oposto do Lula e não vai fazer muita coisa para ajudar Lula neste caso. Talvez Flávio conseguiria ajudar, mas pela proximidade das eleições não seria interessante para ele neste momento, ele preferiria utilizar essa influência no governo dele, né?”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“O principal culpado é o Trump apesar de achar que tem um pouco de culpa dos Bolsonaro pela ligação que têm com o Trump. Se eles quisessem poderia ajudar e vão prejudicar o país inteiro”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Ainda acho que Trump é mais culpado. Flavio em alguns momentos parece que são próximos, mas fica a dúvida, a família Bolsonaro é tão próxima assim? E o que eles querem? Não sei se Flávio tem capacidade para mudar essa situação, fico meio confuso com a relação com Trump”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“Tudo isso começou a partir da família Bolsonaro, eles começaram a pedir o apoio do Trump desde a prisão do pai (Jair)”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“Lula e Flávio. Para mim Lula porque poderia esclarecer ainda mais a gente, para a gente ficar mais preparado. E o Flávio tem essa ligação boa com Trump, como se fosse injustiçado aqui, ele poderia fazer alguma coisa só que peso do maior Lula por ser presidente. Agora o Trump faz o que quer”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
Leitura estratégica
A responsabilidade de Lula é lida como responsabilidade de cargo. Mesmo diante de um Trump visto como agressor, o eleitor cobra do presidente brasileiro transparência, esforço negociador e capacidade de proteger a população. Flávio tem que decidir se pensa só em si ou se é capaz de pensar também no país que pretende dirigir.
Brasil Soberano e reciprocidade: soberania, sim; negociação primeiro
A disposição do governo brasileiro de seguir negociando foi amplamente elogiada. A negociação aparece quase como um mantra: deve continuar enquanto houver mínima possibilidade de acordo. O Programa Brasil Soberano é recebido positivamente, mas como resposta emergencial e de curto prazo, incapaz de substituir a tentativa de evitar o problema na origem.
A Lei de Reciprocidade divide nuances, mas não o princípio geral. Entre as mulheres, aparece com mais força o medo de escalada e retaliação. Entre os homens, surge com mais nitidez a preocupação de que o Brasil não se coloque de forma subserviente. O ponto comum é a sequência desejada: negociar primeiro; se não houver saída, responder com altivez.
“Tem que manter a negociação, sim, não tem outro jeito”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Sim, não só falar, mas fazer também, né?”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“A gente sabe que se bater de frente com Trump pode ser que piore, uma negociação mais pacífica pode ser o melhor caminho”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Acredito que seja correto continuar negociando para não prejudicar ainda mais porque dessa forma fica bom para os dois lados”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Também concordo, o governo tem que negociar porque afeta muita gente, afeta a muitos trabalhadores”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“As empresas vão precisar dessa ajuda, mas esse dinheiro vai sair de outros lugares que estão precisando então, difícil, né? Talvez tenha que negociar um meio termo. Vai tirar da saúde, da educação, da segurança?”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Por isso que não se pode dar por vencido na negociação, até que houver uma mínima possibilidade. Porque mesmo com essa ajuda pode haver injustiças”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Pode ser bom, ajuda, mas a melhor opção mesmo é tentar negociar”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“É bom que ajude as empresas, mas aquela história, o que deve é ter mais conversa com o governo americano, mais negociação”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“Concordo que isso pode atrapalhar. Parece ser uma medida emergencial, pontual e que não vai resolver a longo prazo, tem que ser uma negociação contínua, não só pontual”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“Acho que devíamos tentar negociar sempre, caso não desse nenhum resultado talvez a sim (reciprocidade), mas claro, ainda assim tem que lembrar que EUA é um país bem forte por isso a primeira opção é a negociação, porque a gente é inferior em poder”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Mas isso (reciprocidade) seria uma perda para ambos”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Minha única preocupação é que o Trump é muito revoltado, muito olho por olho então tenho receio de que essa retaliação piore a situação”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Eu gosto da postura da reciprocidade porque a gente tem colocado as vezes países a frente do nosso achando que os outros são melhores. E os EUA também vão sentir, então acho que pelo menos temos que mostrar que nosso país é independente. Mas isso depois que esgotar a negociação”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“Nosso país é muito rico então temos que mostrar esse poder. Mas, assim, primeiro negociar”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Sim, teria que ser tentar negociar ao máximo e se não der certo a gente se fazer respeitar. Conversar, e se não resolver, aplicar”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
Leitura estratégica
O eleitor pendular não pede passividade, mas prudência. Quer um Brasil soberano, mas não aventureiro; firme, mas não provocador; capaz de proteger emergencialmente empresas e empregos e, só depois de esgotar toda negociação, falar em retaliação.
O vídeo de Lula desagrada por opacidade e tom inadequado
O vídeo no qual Lula afirma que não falará do tarifaço antes de Trump se posicionar foi mal-recebido. A crítica tem duas camadas. A primeira é institucional: como presidente, Lula deveria explicar ao povo em que pé está a negociação e quais riscos estão colocados. A segunda é tonal: o ar brincalhão, competitivo ou pouco solene não parece adequado diante de um tema percebido como grave.
A demanda não é por enfrentamento performático, mas por liderança com altura de estado e informativa. O eleitor quer ser tratado como cidadão que precisa entender o que pode acontecer, não como plateia de uma disputa de bravatas. E quer um presidente que mostre capaz de negociar, que não arrisca a segurança do país e se preocupa antes pelo custo de vida do cidadão que por um cálculo eleitoral.
“Acho que ele poderia ser mais transparente. Entendo que a prioridade seja o SUS e tal, mas ele poderia explicar em que pé está a negociação e não deixar a população a cegas, principalmente quem vai ser afetado por isso.”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Se ele não traz informações e discernimento, como a gente vai saber? É insatisfatório”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Então a gente vai ser pego de surpresa? Ele que tem que falar o que está acontecendo e não gostei desse ar de brincadeira, de competição, não é isso. Deveria levar mais a sério, não é brincadeira.”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Ele diz que espera uma posição do Trump, mas por respeito ao cidadão brasileiro ele deveria explicar, sim”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Achei meio polêmica a fala, achei que ele queria causar. Ele deveria esclarecer muito mais. Essa ideia de esperar não é boa ideia, porque vai acontecer, então a gente precisa saber o que vai acontecer”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
Leitura estratégica
Lula ganha quando transmite responsabilidade e controle; perde quando a comunicação parece deixar a população “às cegas” ou tratar como jogo aquilo que o eleitor percebe como ameaça concreta ao seu cotidiano.
Briga Flávio-Michelle: cálculo, polêmica e opacidade viram marcas da família
Antes mesmo do corte do Flow Podcast, a briga entre Flávio e Michelle já era organizada pelos participantes por dois vetores recorrentes: cálculo político e confusão. A disputa é vista como briga por poder, votos e espaço dentro do bolsonarismo, mas também como sinal de desestruturação familiar e de opacidade.
O sentimento dominante é de estranhamento. Os participantes não conseguem decifrar exatamente os cálculos de cada lado, mas percebem a exposição como mais um capítulo de uma família que se apresenta como defensora da família, enquanto transforma suas próprias disputas internas em espetáculo público.
“Achei uma exposição familiar desnecessária, se acusar dessa forma, ainda mais ele que são tão família”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Acho que é estratégia política, né? Não descredibilizo enquanto mulher, mas achei bem movimento político”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Também acho que foi estratégico, está muito próximo das eleições, meio confuso tudo, né. Mas acho que não é bom para ele, realmente confunde a população, demonstra que eles estão desestruturados, né?”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Acho meio culpa dos dois um pouco. É uma discussão política, faltou um pouco de empatia da Michelle”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Eu tenho muitas dúvidas, me parecem os dois farinha do mesmo saco. Será que não é para causar a dúvida? Eles já têm precedente de mostrar dados polêmicos, briguentos. Eu acho a Michelle sem tanta força política, então ela pode ficar mais prejudicada. Ela deve querer ser candidata, mas não rola.”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“Tudo começou com as desavenças sobre o Ciro então acho que Michelle que está certa nisso aí, para ela isso ficou bem forte.”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
Leitura estratégica
A briga Michelle-Flávio não é lida apenas como episódio isolado. Ela reforça uma marca: no bolsonarismo familiar, política, poder, exposição e conflito pessoal aparecem cada vez mais misturados e como forma de fazer política.
Flow Podcast: Flávio tenta explicar e produz mais desconfiança
Após assistirem ao corte do Flow Podcast, os participantes criticaram Flávio de forma contundente. A negativa de ter visto o vídeo de Michelle foi lida como mentira deslavada e tentativa de “tirar o corpo fora”. Em vez de recompor confiança, a explicação reforçou a percepção de cálculo, esquiva e falta de postura presidencial.
Entre as mulheres, houve incômodo específico com a redução de Michelle à condição de “esposa de Bolsonaro”, vista como apagamento de seu papel político e simbólico. A referência de Flávio a uma “missão de Deus” também gerou ruído, pois soou cínica ou instrumental diante das contradições acumuladas em sua trajetória recente.
“Acho que é relativizar tudo, tirar o corpo fora, ele é o candidato, né? Ah, não quero contaminar, vai, que é isso. Não é postura de candidatura. E de forma alguma ele está certo quando diz que ele não seria o que ela é sem ser esposa. A companheira traz raça, ambos chegaram a presidência, talvez Bolsonaro não fosse presidente se não fosse ela. Não tirar o mérito da Michelle, não….e sobre isso de ter uma missão, eu acredito que tudo acontece com vontade de Deus. Se ele acredita, pode ser, isso é do fervor dele, mas parece que usa isso também.”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Acho que ele mentiu. Sabe sim, está por dentro, só não quis falar do assunto e tirar o foco fora. Ele também fez muita coisa para ela, né?…e ela não só era a mulher do pai dele porque no caso ela fez muito, teve muitos papeis também, era primeira-dama, a mulher faz e acompanha, trabalhando junto e sobre a missão divina, acho que é uma forma de ganhar eleitor, só palavra bonita.”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Ele está tentando se esquivar e acaba se contradizendo porque ela é família, acaba prejudicando o lado dele essa briga. O lema deles é família e Deus, né? Ele só quer fugir do assunto e quebra a confiança do eleitor.”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Ele viu, sim, ele tem ciência do que aconteceu. Acredito que ele quer, não sei, parecer que não está ligando, que isso não vai afetar, que ele é poderoso, mas não me passa verdade, sinto que é estratégia…e sobre a Michelle, ela parece mesmo viver as sombras do Jair, não lembro dela antes, não sei se ela tem qualificações. E sobre a missão divina, não mesmo, não existe, essa ideia de salvador do mundo não faz sentido.”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“A gente vê que ele teve uma baixa nas pesquisas, causou polêmica, acredito que ele quer aparecer que está por cima, que não vai abalar, mas não passa nada de confiança…A Michelle, eu não conhecia antes do Jair, só conheço ela como esposa do Jair e sobre a missão divina, que vai salvar o mundo, não tem como, não existe.”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
Leitura estratégica
A comunicação de Flávio enfrenta um dilema estrutural: quanto mais tenta controlar danos, mais parece encenada. A tentativa de esclarecer não diminui a confusão; transforma a confusão em problema de credibilidade.
A foto com figura identificada como “sicário” abre uma camada mais grave de risco para a biografia de Flávio
Todos os participantes afirmaram ter visto a foto atribuída a Flávio com uma figura identificada nos grupos como “sicário”. A recepção foi de assombro e preocupação. O episódio fortalece a ressignificação negativa que vem desde Dark Horse: Flávio aparece como político malandro, cínico, contraditório, envolvido em “rolos” e agora potencialmente próximo de figuras associadas ao crime.
O ponto novo é a natureza da associação. Se Banco Master, Vorcaro, rachadinha, mansões e dinheiro vivo vinham deslocando a biografia do senador para o registro da corrupção e da mentira, a foto abre uma camada mais pesada: a possibilidade de vínculo com figuras percebidas como perigosas. Espontaneamente, os participantes conectam o episódio a milícia, Rio de Janeiro e Marielle Franco.
Trata-se de achado inicial, mas de alto risco estratégico. Caso essa ressignificação se consolide, pode atingir diretamente o novo eixo de campanha de Flávio em segurança pública. Um candidato que busca se apresentar como duro contra o crime pode ver sua credibilidade corroída se passar a ser percebido como alguém que convive, tolera ou se relaciona com personagens do mundo criminal.
“Acho que todo político é corrupto. No caso teve a história do Flávio com o banco. Ele de fato não é tão honesto como dizem…e ainda tem essa outra camada. Primeiro os áudios e agora só foi piorando. Meu Deus, ele que defende o povo evangélico e posta uma foto com um sicário, a gente fica sem confiança, a gente pensa, pode piorar?? É Esse pessoal da Marielle, né?”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Já é muito assustador, alarmante, mas será que dá para piorar? É muito podre. Me diga com quem tu andas…Registro com um cara que é matador, né?”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Descredibiliza totalmente, tira a esperança. Mostra que realmente envolvimento ele tem.”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Vai ter um peso isso porque a gente viu a coisa do banco, depois o áudio, ele nega, depois a gente vê a foto, ele fala, se contradiz, acho que isso complica porque esse cara é o que agia de forma mais pesada. É uma foto muito pesada, um rapaz perigoso, quem vê acha forte”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“Eu também fico sem entender o porquê ele teria essa foto. A gente ouve falar da milícia, do Rio, pode ser isso também”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
“Eu também fico sem entender o porque ele teria essa foto. Era uma foto aleatória com um possível criminoso? Ele vive dizendo que a foto não é real, mas deve ter alguma ligação de ideais. A gente ouve falar da milicia, do Rio, pode ser isso também, né?”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
Leitura estratégica
A foto pode transformar o problema de Flávio de “político enrolado” em algo mais grave: uma biografia percebida como sombria e perigosa. A passagem de “corrupção” para “banditismo” é potencialmente demolidora para quem tenta fazer da segurança pública seu novo refúgio narrativo.
Inclinação do voto: mudança sem confiança versus continuidade sem entusiasmo
Na rodada final, o pêndulo permanece aberto. Os participantes mais inclinados a Flávio não sustentam essa posição por adesão forte ao senador nem por crítica cabal a Lula, mas pela demanda de renovação: querem algo novo, não querem ficar no mesmo, sentem que o PT já governou por muito tempo. Ao mesmo tempo, questionam a falta de propostas, confiança e postura do candidato do PL.
Os que se inclinam a Lula também o fazem de modo relacional: ele aparece como menos contaminado por “podres”, mais associado ao social e, ao menos, alguém que está fazendo algumas coisas. A decisão, nos dois casos, é branda e contingente. O eleitor pendular não está apaixonado por Lula nem convencido por Flávio: está comparando riscos.
“Pergunta difícil…Acho que talvez o Flávio para tentar se mudar alguma coisa, para a gente não ficar no mesmo, mas é complicado porque ele não tá fazendo passando confiança nem apresentando propostas”
PARTICIPANTE L, GRUPO 1
“Eu votaria nulo, porque realmente queria outra pessoa, de verdade. Mas Flávio não tá mostrando ser a alternativa”
PARTICIPANTE R, GRUPO 1
“Com tudo o que foi acontecendo com o Flávio ainda agora esta foto com os caras da morte da Marielle, então votar no Lula pelo menos não tem tanto podre e fez algo pelo social”
PARTICIPANTE T, GRUPO 1
“Neste momento acho escolheria o Flávio porque o PT já deu, já tomou muito conta do nosso país e eu daria oportunidade para outro. Mas ele precisaria mostrar outra atitude”
PARTICIPANTE L, GRUPO 2
“Flávio precisa melhorar, mas tava mais pra ele porque está na hora de mudar. O PT já governa há muito tempo.”
PARTICIPANTE D, GRUPO 2
“Eu concordo com a mudança, mas do jeito que o Flávio está esses dias, não votaria nele. Lula tem suas questões, mas neste momento eu votaria no Lula porque está mostrando mais coisas e tá mais limpo que o Flávio.”
PARTICIPANTE A, GRUPO 2
Leitura estratégica
A décima rodada confirma que proteção e mudança seguem como desejos simultâneos. Lula tem a proteção mais reconhecível; Flávio conserva a promessa abstrata de mudança, porém essa, para vencer, precisa parecer segura, limpa e capaz de governar.
Integração analítica
A décima rodada aprofunda a série pós-Dark Horse, mas acrescenta um elemento decisivo: a disputa de responsabilidades. O eleitor pendular não está apenas perguntando em quem votar; está tentando ordenar quem é responsável por cada risco que entra em sua vida — Trump pelo tarifaço, Lula pela insuficiência em negociar com a Casa Branca e não informar e tranquilizar a população a contento; Flávio por não utilizar sua proximidade com Trump para ajudar o país, dando sinais de que seus interesses eleitorais parecem se sobrepor ao país.
No tema da soberania, a fórmula fica mais sofisticada. O eleitor não quer submissão aos Estados Unidos, mas tampouco quer provocação imprudente. A referência a Trump como ator “descontrolado” e poderoso reforça a demanda por uma diplomacia de firmeza prudente: negociar até o fim, informar a população, preparar medidas emergenciais e só retaliar quando todas as alternativas estiverem esgotadas.
Para Lula, isso representa oportunidade e risco. A oportunidade está em se apresentar como defensor do país e do bolso das pessoas. O risco está em parecer brincalhão ou excessivamente voltado ao cálculo eleitoral quando o tema é percebido como grave. O eleitor cobra “mais palácio e menos palanque”: explicação, sobriedade, negociação e proteção concreta.
Para Flávio, a rodada é especialmente problemática porque várias linhas de desgaste convergem. O senador já vinha enfrentando a perda da bandeira anticorrupção, a crise de autonomia diante do pai, a disputa com Michelle e a ausência de propostas. Agora, a foto com o “sicário” do Vorcaro abre uma camada de ressignificação biográfica potencialmente mais severa, que pode comprometer sua tentativa de migrar para o tema da segurança pública.
A briga com Michelle e a fala no Flow Podcast reforçam outro traço: a comunicação reparadora de Flávio parece não reparar. Ao negar, relativizar, atribuir a Deus ou tentar escapar da controvérsia, o senador não constrói serenidade. Para esse eleitor, ele segue parecendo alguém que precisa explicar demais e convence de menos.
No voto, a dinâmica permanece relacional e situacional. Flávio resiste pelo desejo de mudança que permanece nos eleitores pendulares; Lula se sustenta pela comparação e entregas sociais. Nenhum dos dois fecha o circuito emocional desse eleitor. A agenda factual segue mandando no pêndulo, que evita mover-se de forma definitiva para nenhum dos lados.

Fique de olho
💸 Se o novo tarifaço continuará sendo traduzido como custo de vida e encarecimento cotidiano, ampliando a pressão sobre quem parecer menos capaz de negociar e proteger o país.
🗣 ️ A capacidade de Lula de comunicar a negociação com Trump com sobriedade, transparência e frequência, evitando a percepção de que deixa a população “às cegas”.
🤝 O limite entre reciprocidade e escalada: o eleitor quer altivez, mas teme retaliação de Trump. A ordem esperada é negociar, negociar e só depois responder.
🔒 A possibilidade de Flávio converter sua proximidade com Trump em ativo ou, ao contrário, consolidá-la como prova de cálculo eleitoral e submissão externa.
📷 A evolução da foto com o “sicário”: se permanecer como episódio isolado, desgasta; se entrar em série com milícia, Marielle, Queiroz, Adriano da Nóbrega e Escritório do Crime, pode abrir uma camada demolidora da biografia do senador.
⛓️ Os riscos à sustentabilidade do discurso de segurança pública de Flávio, caso a percepção de vínculos seus com personagens criminosas se consolide.
👩🏻 A reação de mulheres pendulares à forma como Flávio trata Michelle e à redução de seu papel político à condição de “esposa de Bolsonaro”.
✝️ O efeito da retórica religiosa de Flávio: a “missão de Deus” pode funcionar em bases mais fiéis, mas entre pendulares soa cínica quando confrontada com polêmicas e contradições.
🗳️ A persistência da demanda por mudança como ativo de Flávio, mesmo quando o senador acumula rejeição moral e falta de propostas.
⭐ A necessidade de Lula renovar a oferta de futuro, para não depender apenas da comparação com a confusão adversária.
CONCLUSÃO
A décima rodada indica que o eleitor pendular continua distante de uma decisão definitiva, mas cada vez mais atento à capacidade dos candidatos de responder a fatos concretos com responsabilidade. O novo tarifaço torna a soberania uma questão de bolso. A população quer que o Brasil seja respeitado, mas exige negociação até o fim. Quer firmeza, mas teme provocação. Quer proteção, mas não aceita opacidade. Entende mas não concorda que cálculo eleitoral pareça mediar decisões dos pré-candidatos em tema tão sério para o país.
Lula aparece como opção mais administrável quando fala em defesa do país, negocia e oferece proteção concreta. Mas perde parte dessa vantagem quando não informa o andamento das negociações, quando parece brincar com tema grave ou quando sua comunicação soa calculada eleitoralmente. A cobrança sobre ele é de chefe de Estado: explicar, negociar, proteger e evitar bravatas.
Flávio, em que pese a sequência de más notícias, continua vivo porque o desejo de mudança segue presente. Essa é sua principal reserva eleitoral, por não dizer única até este momento, junto aos pendulares. Mas a cada rodada essa mudança fica mais difícil de se converter em confiança. A sequência de escândalos e polêmicas, a briga familiar, a entrevista no Flow, a relação com Trump e agora a foto com o “sicário” reforçam a pergunta central: que tipo de mudança ele representa? Uma mudança segura, limpa e orientada ao povo, ou o retorno a um passado marcado por confusão, polêmica, briga e tensão?
O achado central é que a disputa segue organizada por biografias morais em teste permanente. Lula precisa provar que ainda oferece futuro, e não apenas continuidade e proteção. Flávio precisa provar que é mais do que rolo, família, Trump, mentira e promessa abstrata de renovação. Neste eleitorado, a mudança segue desejada. Mas, para vencer, terá que parecer não apenas nova: terá que parecer confiável, soberana, concreta e segura.
Expediente
Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas
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Como citar este documento
VASQUES, Beto; SOLANO, Esther. Instituto Democracia em Xeque (DX). Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas DX, 20 jul. 2026. Período de campo: 18 de julho de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/painel/paineldx-rodada10/>.
Equipe do relatório
Beto Vasques
Diretor de Relações Institucionais do Instituto DX
Esther Solano
Professora da UNIFESP, pesquisadora em Ciências Sociais e conselheira do Instituto DX
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
