Nona rodada
Investigação qualitativa sobre opinião pública, preferências eleitorais e percepção política de eleitores “pendulares”.
Método
Tríades etnográficas
Público
Eleitores Pendulares
Foco
Percepções Eleitorais
Insights Centrais
A nona rodada mostra que o eleitor pendular continua longe de uma decisão definitiva, organizando sua decisão em torno de uma tensão cada vez mais clara: de um lado, o desejo persistente de mudança, que mantém Flávio Bolsonaro no jogo; de outro, o acúmulo de polêmicas, ausência de propostas e dependência familiar que dificulta que esse desejo se converta em confiança.
O principal deslocamento da rodada é que a crise de Flávio deixa de ser apenas moral ou reputacional e passa a ser também uma crise de autonomia e maturidade. A carta de Jair Bolsonaro a favor do filho ajuda entre eleitores mais fiéis ao ex-presidente, mas, entre pendulares, também reforça a imagem de um candidato de 45 anos que ainda precisa do pai para se apresentar ao país. A crítica de Ronaldo Caiado vocaliza esse incômodo: Flávio segue sendo percebido como alguém embaixo da asa do pai, envolvido em brigas familiares e ainda incapaz de dizer, com clareza, o que pretende fazer pelo Brasil.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, volta a ganhar densidade simbólica. O movimento “Imparáveis” é lido como gesto de autonomia política: ela aparece fazendo justamente aquilo que os participantes esperam de Flávio — sair da tutela familiar, amadurecer, apresentar projeto próprio e construir uma trajetória independente. A disputa sucessória no bolsonarismo, portanto, continua favorecendo Michelle como hipótese de renovação interna e prejudicando Flávio como candidato ainda preso ao clã.
Na dimensão da soberania, o tema do tarifaço e da comissão da USTR segue complexo e confuso para os participantes, mas um ponto é compreendido com força: se Flávio tem acesso a Trump, deveria usar essa relação para impedir o prejuízo ao Brasil, não para adiar tarifas até depois das eleições. Lula, por outro lado, é elogiado ao defender as terras raras e a industrialização tecnológica do país, mas sua forma de confrontar Trump aciona medo: o trauma da Venezuela aparece como metáfora de risco e como demanda por firmeza sem provocação.
No voto, a inclinação pró-Lula permanece mais estruturada, porque se apoia em programas sociais e na percepção de que o presidente “faz algo pelo povo”. Mas o desejo de novidade permanece em parte do grupo, sobretudo quando os eleitores dizem que “já conhecem Lula” e mantêm a porta entreaberta na espera de saber o que Flávio faria, se conseguiria mudar de postura e, quem sabe, persuadi-los. A vantagem de Lula, portanto, é real, mas não está consolidada. Flávio está mais frágil, mas não eliminado: segue vivo enquanto encarnar a possibilidade de mudança, desde que consiga apresentar proposta concreta, sobretudo em segurança, e sair da biografia da polêmica.
Escopo
Nesta rodada, as atenções se concentraram em quatro disputas da agenda factual recente: a disputa por poder no interior do bolsonarismo; a disputa por soberania na relação com o governo Trump; a disputa simbólica em torno da figura de Neymar após a eliminação do Brasil; e a inclinação final de voto entre eleitores pendulares.
O objetivo foi observar como esses episódios reorganizam percepções sobre autonomia, maturidade política, família, soberania, postura presidencial, propostas concretas, responsabilidade pública e voto entre eleitores que continuam sem decisão consolidada para 2026.
A rodada aprofunda uma hipótese acumulada desde Dark Horse: a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro segue sendo processada menos como adesão ideológica estável e mais como comparação permanente entre biografias morais, riscos percebidos, promessas de mudança, entregas concretas e fatos da semana.
PERÍODO:
12 de julho de 2026
GRUPOS:
2 grupos focais em formato de tríades etnográficas
COMPOSIÇÃO:
Grupo 1: homens | Grupo 2: mulheres
PERFIL:
30-50 anos, ensino médio, renda familiar de 3 a 7 salários-mínimos
REGIÃO:
Preferencialmente eleitores das Regiões Metropolitanas de São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador (“swing states”)
TRAJETÓRIA ELEITORAL:
Votou em Jair Bolsonaro em 2018; votou em Lula em 2022; está indefinido para 2026.
CRITÉRIO POLÍTICO:
Não rejeita Lula nem Flávio Bolsonaro
MATERIAL TESTADO:
MATERIAL TESTADO:
Carta de Jair Bolsonaro a Flávio; tuíte de resposta de Ronaldo Caiado a Flávio; movimento “Imparáveis” de Michelle; rumor sobre eventual vídeo íntimo de Flávio; participação de Flávio na comissão da USTR; manifestação de Lula sobre terras raras; debate sobre Neymar e bets.
Sumário executivo visual
Doze leituras estratégicas para decisão política e comunicação
A carta de Jair ajuda e atrapalha
O aval do ex-presidente favorece Flávio junto à base fiel, mas, entre pendulares, reforça a imagem de dependência do pai e de falta de autonomia.
O “Game of Thrones” bolsonarista segue vivo
A crise é lida como disputa familiar pelo poder, com Michelle, Jair e Flávio competindo por legitimidade e herança política.
Flávio precisa deixar de ser apenas “filho de Bolsonaro”
O eleitor reconhece o peso do sobrenome, mas cobra que ele apresente propostas próprias e diga o que pretende fazer pelo país.
A biografia da polêmica se estabiliza
Rachadinha, Banco Master, Michelle, carta, eventual vídeo íntimo e novas controvérsias começam a compor uma narrativa cumulativa de “rolo” permanente.
Michelle vira exemplo para Flávio
O movimento “Imparáveis” é percebido como gesto de autonomia política e reforça a ideia de que ela tem mais potencial, simpatia e independência que o enteado.
O eventual vídeo íntimo é privado até encontrar Vorcaro
A vida pessoal isolada pesa menos, sendo criticado mais por eventual hipocrisia – de apresentar-se como defensor dos valores da família e participar desse tipo de festas. Porém, se conectada ao banqueiro investigado, desloca o episódio para o campo da corrupção e o incômodo e indignação são absolutos.
A defesa da esposa não recomporia confiança
Um eventual vídeo de perdão da esposa de Flávio seria percebido como peça de assessoria de imprensa e não como prova espontânea de unidade familiar.
Na USTR, o adiamento das tarifas é o ponto mais tóxico
O eleitor pode não dominar a complexidade do tema, mas entende que pedir adiamento por causa da eleição é colocar calendário eleitoral acima do país. Os interesses pessoais acima dos interesses do povo.
Terras raras: Soberania sim, bravata não
Lula é elogiado por defender riquezas nacionais e tecnologia, mas criticado quando soa provocador demais diante de Trump.
O trauma da Venezuela como “efeito Orloff”
O país vizinho organiza o medo com Trump e a comparação aparece como alerta: o Brasil deve evitar virar a no Venezuela. O desafio é defender seus interesses, mas sem provocar uma potência vista como perigosa.
Neymar revela uma moral pública sobre fama, dinheiro e influência
O jogador é reconhecido como craque, mas criticado por bets, festas e monetização excessiva de sua imagem.
O voto segue relacional e ambivalente
Lula tem apoio mais fundamentado em programas; Flávio mantém a força abstrata da mudança, mas sua inclinação é mais frágil e dependente de sua capacidade de apresentar propostas e mudar a postura.
Mapa de percepções
Como os participantes organizam Lula, Flávio Bolsonaro e zonas de disputa

A nona rodada confirma que Flávio Bolsonaro ainda não foi descartado pelo eleitor pendular, mas está cada vez mais preso a uma contradição: poderia representar a mudança almejada, mas vive saltando de confusão em confusão, não consegue parecer autônomo, maduro e seguro.
Lula, por sua vez, segue como continuidade mais administrável, sustentado por políticas sociais e defesa do país, mas enfrenta fadiga de material e o risco de soar excessivamente provocador diante de Trump.
O voto pendular continua sendo decidido na tensão entre o desejo de novidade e a busca por proteção concreta. Agenda factual segue decisiva.
Achados qualitativos
Temas, interpretações e aspas selecionadas
A carta de Jair ajuda Flávio na base, mas reforça confusão entre pendulares
Nenhum participante conhecia previamente a carta de Jair Bolsonaro a Flávio. Ao ouvi-la, a reação dominante foi de estranhamento e confusão: mais um capítulo de uma família dividida, disputando poder e produzindo ruído em torno da candidatura do senador.
O apoio de Jair é reconhecido como ativo importante, sobretudo entre eleitores mais fiéis ao ex-presidente. Mas, entre pendulares, esse mesmo apoio tem efeito ambíguo: ajuda Flávio por vir do pai e de um ex-presidente, mas também reforça a imagem de dependência familiar, falta de autonomia e ausência de propostas próprias.
“Um pouco complicado tudo. A esposa primeiro, despois o esposo querendo retratar o filho…Mas acho que pegou mal para Flávio, a gente não sabe se acredita ou não, se é tudo verdade… Para mim a palavra do Jair pesa um pouco porque conhece o filho dele e também porque foi presidente, né?”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Porque a gente não conhece nada das propostas dele (Flávio). Mas, não sei, a gente fica no questionamento, é um enigma. Esse triangulo (Flávio-Michelle-Jair) é muito confuso”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Eu não sei como eles vão resolver tudo isso, é muito conflito. Eu prefiro que eles apresentem propostas…E o vídeo da Michelle falou algumas coisas, ai o país, claro, vai acreditar no filho, não sei…”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Ah, mais ainda a Michelle se fosse candidata seria uma opção minha e ele não conheço, só é o filho de Bolsonaro, mas nada disso favorece o Flávio, muito rolo. Ele teria que falar sobre propostas, sobre o que ele vai fazer”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“É tudo briga de política, deles entre eles, um querendo derrubar o outro, mesmo entre a família. A carta do pai ajuda e muito porque é o pai dele, mas a briga pega mal porque não era que a família estava unida e agora cada um está por um lado?”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“Um quer o poder do outro. Acho que é bom a carta porque tem o pai dele que é ex-presidente e tam mais força que a Michelle, mas a briga pega mal porque também parece que está todo o mundo separando”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Eu acho que antes a palavra do Jair pesava muito, só que agora mudou um pouco, realmente teve uma decaída”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Concordo, hoje em dia a palavra dele não tem tanta importância como quando ele era presidente”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Acho que a palavra dele tem menos peso porque já saiu meio fora da mídia”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Entre pessoas que gostam dele ainda tem muito peso”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
Leitura estratégica
A carta de Jair não resolve o déficit de Flávio; apenas o desloca. Entre convertidos, funciona como chancela. Entre pendulares, amplia a pergunta sobre autonomia: Flávio tem condições de governar o país ou será permanentemente tutelado? Quer governar o país ou apenas herdar o lugar do pai?
A crítica de Caiado organiza o incômodo com a imaturidade de Flávio
A reação dos participantes ao tuíte de Ronaldo Caiado foi amplamente favorável. A crítica ao fato de Flávio, aos 45 anos, recorrer à carta do pai para afirmar que está pronto para ser presidente organiza uma percepção que já vinha aparecendo nas últimas rodadas: o senador ainda não construiu uma imagem própria de seriedade, serenidade, autonomia e capacidade de governo.
Os participantes reconhecem que o sobrenome Bolsonaro é um ativo eleitoral, mas cobram que Flávio deixe de se apoiar exclusivamente nele. O eleitor pendular quer conhecer propostas, trajetória própria e projeto de país.
“A critica é valida porque ele deveria representar ele mesmo, mas também, qualquer pessoa que for ligada a Bolsonaro vai fazer essa ligação porque é um nome forte, as pessoas pensam mais no Bolsonaro que no próprio candidato”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Querendo ou não as pessoas vão associar ao pai dele, mas ele tem que falar também dele próprio se quer ganhar. A gente precisa conhecer mais ele e o que vai fazer se ganhar”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“O sobrenome já pesa muito automaticamente e ele deveria deixar um pouco a figura do pai e apresentar as propostas dele mesmo, o que ele quer para Brasil”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Concordo que até agora ele não falou nada, só tem essa coisa de briga, não falou nada sobre ele só essas coisas, acho que sim é falta de maturidade, tem 45 anos e ainda embaixo das assas do pai dele? Não parece que está agindo por conta própria, tem que esperar a opinião do pai dele? Se o pai não falar na orelha dele ele não age?”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“E faz tempo que ele está na política, né? Ele deveria mostrar os projetos que ele tem, também acho que fica na asa do pai dele”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
Leitura estratégica
Caiado vocaliza uma crítica com potencial de penetração no eleitor pendular: a de que Flávio não consegue transformar herança política em estatura presidencial. O sobrenome abre portas, mas não substitui autonomia nem proposta.
A biografia da polêmica vira marca da candidatura
Pela quarta semana consecutiva, a palavra “confusão” aparece como organizadora da imagem de Flávio. O incômodo não está apenas em um episódio específico, mas no fato de que quase tudo que chega ao eleitor sobre o senador vem na forma de “rolo”, briga, polêmica, escândalo, suspeita, explicação incompleta ou conflito familiar.
A sequência de Banco Master, rachadinha, mansões, Michelle, carta de Jair e rumores privados passa a compor uma biografia negativa. O eleitor ainda não fecha a porta porque deseja mudança, mas cobra uma proposta muito forte — especialmente em segurança — para compensar o desgaste acumulado.
“Ele precisa parar com essas polêmicas e pensar como um candidato para a presidência é meu questionamento. E porque ele não apresentou proposta ainda, ele está muito focado em polêmica e isso não vai agregar nada para ele”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“É muito conflito, falta organização, faltam também pessoas que ajudem ele. Parece que eles esperam muito o papel do pai dele”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Talvez a falta de assessoria, acho que ele deveria ir por outro caminho de mostrar mais a vida dele, o que ele faz, mostrar mais dele e deixar essas brigas de lado, chamar a atenção para coisa boa”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Devido ao banco Master e a tanta polêmica, não pega muito bem o nome dele como candidato, tem também as questões de briga, repercute mal isso ai, parece uma pessoa meio que explosiva, que se envolve em confusões, vai deixando transparecer que ele não é ideal para estar na linha de frente”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
“Acho que é um pouco de fraqueza dela, se deixar levar pelas coisas e também aquele esquema do Banco Master, né”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“Cada vez a coisa fica pior com o Flávio, pegaram esse áudio do banqueiro , despois tem a coisa da Michele, ai fica complicado”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Desde que começou a rachadinha começou a queimar ele, de lá e agora essas brigas, agora só atrasa o lado dele, estar sempre nas coisas ruins, a gente não gosta, é votos a menos e confiança menor ainda”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Tanta coisa ruim que aparece, a mansão, a rachadinha, a briga com a Michele, ai o bando Master, a família destruída. É muita coisa que não é bom, se ele mostrar alguma proposta boa que é de encher os olhos não vejo problema em dar meu voto, mas tem que ser uma proposta boa”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
Leitura estratégica
O problema de Flávio já não é apenas “explicar um caso”. É escapar de uma marca biográfica: ser o candidato cuja presença pública é quase sempre mediada por confusão. Para reabrir confiança, ele precisa deslocar a conversa de rolo para projeto e vestir o figurino de presidenciável.
Michelle e “Imparáveis”: a madrasta vira exemplo do que o enteado não consegue fazer
O lançamento do movimento “Imparáveis” é recebido positivamente para Michelle e negativamente para Flávio. Os participantes entendem que o PL tenderia a relegá-la a segundo plano em favor do enteado e, por isso, veem sua busca por autonomia como gesto legítimo de construção política própria.
O achado mais importante é comparativo: Michelle aparece fazendo aquilo que Flávio deveria fazer. Ela se autonomiza, amadurece, constrói carreira solo e tenta apresentar identidade própria. Entre pendulares, isso reforça sua simpatia e seu potencial, ao mesmo tempo que aprofunda a impressão de que Flávio segue preso à tutela do pai e às disputas internas do clã.
“Acho que ela faz bem e ela saindo ela prejudica, mas se ela fosse candidata eu gosto dela, votaria nela. Falvio devia seguir o exemplo dela”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Para ela é bom porque não ela não tem as mesmas ideias e ela vai em busca dos projetos e dos ideais dela e acho que ela vai crescer, agora para o Flávio fica complicado porque tem o racha e ela vai seguir o crescimento político dela. Se a Michelle apoiasse o Flávio seria bom para a candidatura dele, mas faltou eles resolverem isso. Eu creio que o mais prejudicado é o Flávio”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Ela faz bem para parte dela, mas prejudica o Flávio que está sozinho com o pai dele. Para ela realmente favorece e se ela viesse como candidata seria mais forte do que o Flávio porque já tem um nome, a gente conhece mais ela do que o Flávio que devia fazer isso também e mostrar independência do pai, apresentar ao que veio”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Ela quer aproveitar para ela ser a candidata. Se não fosse o Flávio ela conseguiria. Acho que ela está certa porque tem as propostas dela e no partido dela vai ser sempre a segunda opção porque a primeira opção seria o Flávio e ela é uma concorrência forte”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“Mas acho que para ele essa ruptura não foi bom, não, se apoiasse ele seria mais forte, mas para ela foi melhor por conta de que ela tem a carreira solo, as propostas dela e não tem que compartilhar com outros”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
Leitura estratégica
Michelle deixa de ser apenas ameaça interna e passa a funcionar como espelho negativo para Flávio: ela se move, cria marca, ensaia autonomia; ele permanece associado à família, ao pai e às polêmicas.
O eventual vídeo íntimo pesa menos como vida privada, mas muito mais se tocar Vorcaro
Quando provocados sobre um suposto vídeo íntimo de Flávio, os participantes tratam inicialmente o episódio como questão de vida privada. A traição é malvista, identificada como hipocrisia, sobretudo por ele ser casado e falar em família, mas não aparece, isoladamente, como fato político decisivo.
O caso muda de natureza se houver conexão com Vorcaro ou com o Banco Master. Nesse cenário, o episódio deixa de ser apenas moral ou conjugal e passa a ser lido no registro da corrupção, da proximidade com investigados e da continuidade dos “rolos” que já corroem a biografia pública do senador.
“Na verdade, tudo é errado, é o conjunto familiar, mas está tudo errado. O vídeo da Michelle, a coisa do Master, agora essa polêmica, não tem nada de propostas, muita coisa desnecessária”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“O osso dele é só coisa ruim. Diz que defende a família e faz isso”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Não quer dizer nada porque é a vida particular dele, não afeta em ninguém…mas também se ele é casado…enfim, queima, sim”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
“Não sendo menor de idade está tranquilo, mas ele é casado então vai ficar meio estranho, vai queimar um pouco mais ele ainda”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Casado fica meio ruim, um pai de família, um cara honesto era, né? imagina nós, se vai confiar, também vai trair nós se for presidente?”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“Quando a gente vai escolher um candidato eu vou muito na proposta porque a vida pessoal dele é dele. A traição a gente não gosta, mas é coisa pessoal, mas se essa festa é com um cara de corrupção ai ele cai no meu conceito ai pega mal”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“A vida dele pessoal, enfim, todos tem problemas, mas se fosse com um cara corrupto, ai eu concordo, nesse caso de envolvimento ai pega mal, a reputação dele não vai ficar boa”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“O que pesa mais para mim nesse caso é ele estar envolvido em festas com o casso do banco”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Mas hoje em dia quando se fala em traição não é tanta coisa assim, antes sim, antes era muito escandaloso, hoje a gente já sabe que política é tudo isso aí”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Ai sim vai pegar muito mal porque sabendo que a repercussão do banco Master, o cara investigado, ele também, aparece numa festa aí. Essas atitudes queimam ele”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
“Se é do Vorcaro piora totalmente porque aí já este envolvido com o cara de corrupção, todo o mundo envolvido em coisa ruim”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
Leitura estratégica
A linha divisória é clara: vida privada desgasta e revela hipocrisia; transforma desgaste em evidência biográfica. Vorcaro funciona como gatilho que politiza qualquer episódio íntimo de Flávio.
A defesa da esposa não recompõe credibilidade: soa como peça de assessoria
Quando confrontados com a hipótese de um vídeo da esposa de Flávio perdoando o marido, os participantes reagem com ceticismo. O padrão de leitura é o mesmo observado em outras respostas do senador: comunicação ensaiada, orientada por assessores, destinada a reduzir dano, mas incapaz de reconstruir confiança.
“Na verdade, uma resposta dessas da esposa seria só uma justificativa para acalmar mais e não manchar a candidatura dele, mas eu não acreditaria muito na mulher dele faltando, combinado, né?”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Acho que ninguém acreditaria na mulher dele, todo o mundo sabe como funciona esse mundo político que vai ser assessoria bem desenhada”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Acho que não convence, já fez está feito, não tem como correr atrás, não vai mudar em nada”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Não muda nada, vai ficar mal o caráter dele, estava casado e traiu, não tem motivo que desculpe isso, pai de família honesto que não é, né?”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
Leitura estratégica
A comunicação reparadora de Flávio enfrenta um problema estrutural: quanto mais parece desenhada para controlar danos, mais reforça a percepção de encenação.
Na USTR, o tarifaço é complexo, mas o pedido de adiamento por eleição é simples e negativo
Os participantes reconhecem dificuldade para compreender os detalhes técnicos do tarifaço, da carta e da participação de Flávio na comissão da USTR. Ainda assim, uma leitura se impõe com clareza: se o senador tem acesso direto a Trump, deveria pedir a suspensão, redução ou limitação das tarifas, não seu adiamento para depois das eleições.
O adiamento por seis meses é interpretado como priorização do calendário eleitoral sobre o interesse nacional. A crítica se conecta diretamente ao custo de vida: tarifas aparecem como ameaça concreta a preços já percebidos como altos.
“Não concordo. Ele vai colocar só depois das eleições? Não tem justificativa. Deveria ter um pensamento diferente. Ele tem a comunicação com o presidente de EUA, tem que pensar na população de aqui, não parece que esteja preocupado, ele está mais preocupado com a rivalidade do PT”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Parece que ele está meio desesperado. As pesquisas mostram que o PT está na frente. Nem ele nem o partido estão sabendo administrar bem. Se ele tem um contanto direto ele deveria ter pedido não que postergasse, mas que limitasse, diminuísse ou algo, porque vai ficar tudo muito caro, deveria ter pedido algo que favorecesse o pais se ele se preocupasse com a gente teria feito isso. Com certeza é muito preocupante esse aumento”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Hoje em dia as coisas já estão muito caras, não compra mais nada com 500 reais, e vai ficar pior com as tarifas. Ele não se preocupa com nós?”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Novamente pega mal porque se o Trump decidiu ele não devia ter feito o pedido pensando nas eleições pensando que ia ou não beneficiar o Lula, e sim pensando no povo. Ele não devia fazer isso pensando em se beneficiar, pensando na política ou deixando que o Lula não seja beneficiado”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
“Penso igual, vai prejudicar o país no caso e no final vai prejudicar ele, mas eu acho que ele fez isso pensando em si mesmo, na presidência, ele errou feio”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
Leitura estratégica
Mesmo quando não domina a tecnicalidade do tema, o eleitor pendular compreende a hierarquia moral: quem quer governar deve usar suas relações para proteger o país, não para administrar dano eleitoral. Caso contrário, é pensar em si e ignorar o povo.
Terras raras: Lula acerta no conteúdo, mas assusta no tom contra Trump
A manifestação de Lula sobre terras raras é bem recebida no mérito. Os participantes elogiam a defesa das riquezas nacionais, a ideia de agregar tecnologia e a noção de que o Brasil não deve apenas entregar matéria-prima para que outros países se beneficiem.
Mas o tom de confronto com Trump gera medo. O ex-presidente norte-americano é visto como figura perigosa, imprevisível e capaz de retaliar. A Venezuela aparece reiteradamente como trauma e metáfora de risco: o eleitor quer soberania, mas teme bravata.
“Eu concordo, até porque no caso o Brasil é muito rico mas só é mal administrado. Ele não que outros venham levar matéria prima, mas ele não quer, para que outros ganhem mérito, não. A gente tem que vender para eles tecnologia …essa fala do Trump, não sei, na verdade a gente tem que ter cautela nas palavras, não adianta peitar, porque para ele tudo é uma guerra, a assessoria do Lula deveria ter cuidado porque aí o Trump já vai querer aumentar as tarifas ou coisa pior, complicado”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“A gente é grande potência e se todos eles têm interesse nessas terras raras, a gente tem que trabalhar isso, mas eles podem fazer conosco com na Venezuela. Concordo que a gente deveria vender tecnologia, fazer outras coisas que ainda não tem aqui, mas tem que ter cuidado na forma de falar, sim, porque estamos lidando com EUA, hoje a potência são eles e não podemos bater de frente”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Lula está querendo explorar isso para pegar um conhecimento sobre isso e ter tecnologia, Lula está querendo se envolver nesse mercado, acho que está certo nisso daí…mas talvez usou a palavra errada para falar do Trump, tem que respeitar mais pra não irritar o homem. Olha a Venezuela…”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
“Isso aí parece um bom negócio para o país se sair do papel. Lula falou certo mas tem que ter cuidado porque Trump está querendo invadir tudo, a Venezuela, de aqui a pouco está querendo invadir aqui também”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
Leitura estratégica
(1) Lula ganha quando traduz soberania em proteção das riquezas nacionais e desenvolvimento tecnológico. Perde força quando o tom permite que soberania pareça provocação arriscada contra um ator externo percebido como perigoso.
(2) Trump virou um medo real e o caso venezuelano gerou muita apreensão de que o mesmo ocorra no país. Altivez sem bravata é o esperado.
Neymar: craque, fama, dinheiro e responsabilidade pública
O debate sobre Neymar aparece menos como variável eleitoral direta e mais como termômetro de uma moral pública sobre celebridades, dinheiro e influência. O jogador é reconhecido como craque, mas descrito como alguém deslumbrado pela fama, pelas festas, pela jogatina e pela vida financeira que sua imagem proporciona.
As apostas online não surgem espontaneamente, mas, quando estimuladas, são criticadas com força. Os participantes avaliam que Neymar não precisaria fazer esse tipo de publicidade e que, por ser ídolo, especialmente de crianças e jovens, deveria considerar o impacto social das bets.
“Não gosto do Neymar muito. Aparentemente hoje parece mais envolvido com a família, mas fico meio desconfiança mas tem muitas polêmicas com a esposa, jogatina, festas. E também não acho legal essas propagandas de casa de aposta, já ouvi vários relatos de pessoas que perderas tudo então hoje não concordo, mas ele faz porque eles oferecem muito dinheiro, né?”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Nem todo o dinheiro que ele tem é pelo que ele joga, teve escândalo de sonegação de imposto, festas. Para mim é o tipo de pessoa que faz de tudo para ganhar dinheiro. É mais propaganda do que jogador. E dizem que também é Bolsonaro então tipo pessoas que eu conheço que são fanáticos, é uma competição, as vezes nem está preocupado com a proposta”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Time do Brasil era muito fraco, mal escolha, jogadores não tem aquela vontade de jogar pelo pais, só tem fama…o Neymar, tem muito dinheiro e aí fica meio solto, mas jogador, joga bem…essa coisa dele de fazer propaganda de bets, acho que ele pensa só no dinheiro e na vida boa, não tinha que fazer isso não”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Ele é um bom jogador, mas quem tem dinheiro, bom, tem que curtir a vida dele…ah, mas isso da bet podia deixar de lado porque tanto dinheiro que ele tem, aí motiva as pessoas, aí fica mal e ele é um ídolo para as crianças”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
Leitura estratégica
O caso Neymar reforça uma sensibilidade transversal: figuras públicas muito ricas ou influentes são cobradas por responsabilidade quando parecem monetizar sua imagem sem preocupação com efeitos sociais.
Inclinação final: Lula por programas, Flávio pelo desejo persistente de mudança
Ao final, a rodada mostra uma inclinação pró-Lula ainda majoritária. Parte dos participantes votaria em Lula porque Flávio se perde em polêmicas e não apresenta propostas; outra parte ainda se sente atraída pela novidade e pela possibilidade de testar algo diferente depois de já conhecer Lula, embora a alternativa (Flávio) não inspire confiança.
Isso confirma que o desejo de mudança continua sendo o principal ativo de Flávio e o principal risco para Lula. A diferença é que, neste momento, a inclinação pró-Flávio é mais abstrata e instável: nasce da vontade de renovação, mas carece de conteúdo, propostas e confiança. A inclinação pró-Lula não é apaixonada, sustentada por entregas e programas percebidos.
“Votaria no Lula pelo que a gente comentou de que o Flávio está perdendo muito tempo com as polêmicas e não está apresentando as propostas, então deixa Lula na frente. Para mim vejo que, não sei, sempre vou optar por um candidato que vai favorecer a população então é o que eu quero, mas também não estou vendo muito do Lula, mas aí com tanta polêmica fica muito complicado”
PARTICIPANTE L, TRÍADE 1
“Eu gosto sempre de buscar o novo, como não conheço muito o Flávio vou buscar conhecer mais, das propostas, sobre ele. Hoje talvez eu escolheria o Flávio porque queria saber como ele agiria, a novidade nesses 4 anos, porque o Lula a gente já sabe. Eu sou a favor de conhecer o novo”
PARTICIPANTE M, TRÍADE 1
“Eu também prefiro um candidato novo que esteja a favor da população, hoje tem muita dificuldade com custo de vida, né? Eu gostaria de ver propostas para melhoria, mas como a gente já conhece o Lula, acho que poderia ser o Flávio, mesmo que com todas essas polêmicas”
PARTICIPANTE LU, TRÍADE 1
“Votaria no Lula porque Flávio só está dando bola fora, só reclamação, desde a rachadinha, banco Master, não tem proposta e Lula já vem arrumando o Brasil, deixando no caminho certo”
PARTICIPANTE E, TRÍADE 2
“Meio complicado, estou meio perdido, mas eu iria votar no Lula de novo, porque tem tanta briga com o Flávio, tanta coisa”
PARTICIPANTE R, TRÍADE 2
“Eu ia dar meu voto para o Lula para ele continuar esses planos em andamento porque já está fazendo alguma coisa, beneficiando algumas pessoas, só se o Flávio vier com alguma proposta tipo “essa aqui é o que está faltando para Brasil”, acho que na segurança, né?”
PARTICIPANTE C, TRÍADE 2
Leitura estratégica
A nona rodada impede qualquer leitura de cristalização. Lula avança por comparação e programas; Flávio resiste pela força do novo. A disputa continua aberta porque proteção e mudança seguem sendo desejos simultâneos desse eleitor.
Integração analítica
A nona rodada aprofunda a linha interpretativa construída desde Dark Horse, mas acrescenta um elemento novo: a crise de Flávio Bolsonaro já não é apenas uma crise de honestidade, contradição ou soberania; é também uma crise de autonomia. O senador aparece cada vez menos como candidato próprio e cada vez mais como personagem de um sistema familiar em disputa, dependente do pai, ameaçado pela madrasta e incapaz de se separar simbolicamente dos rolos do clã.
A carta de Jair é exemplar dessa ambivalência. Ela pode ajudar Flávio entre bolsonaristas fiéis, porque ainda há peso no aval do ex-presidente. Mas, entre pendulares, também reforça a crítica de imaturidade: um homem de 45 anos, há muito tempo na política, ainda precisa que o pai diga que ele está pronto. A herança que deveria fortalecê-lo passa a reduzir sua autonomia.
Michelle, ao contrário, emerge como figura que encarna autonomia. Ao lançar “Imparáveis”, ela aparece como alguém que toma iniciativa, constrói carreira própria e se coloca em movimento. Isso não significa adesão automática, mas a consolida como rota alternativa dentro do bolsonarismo e como contraste direto com Flávio: ela parece se soltar da tutela; ele parece afundar nela.
Na dimensão da soberania, a rodada confirma que o eleitor pendular diferencia firmeza nacional de bravata. A crítica a Flávio é que ele parece usar Trump para seu cálculo eleitoral, inclusive quando isso pode encarecer a vida do povo. A crítica a Lula é inversa: ele acerta ao defender riquezas brasileiras e tecnologia, mas precisa evitar um tom que pareça peitar Trump de forma imprudente. O eleitor quer negociar com força, mas sem submissão nem aventura.
A entrada de Neymar no debate mostra que, além da política institucional, há uma moralidade pública em circulação: fama, dinheiro, apostas e influência são avaliados como sinais de responsabilidade ou irresponsabilidade. Isso dialoga com o próprio olhar sobre os candidatos: o eleitor pendular julga menos por identidade fixa e mais por sinais concretos de conduta, caráter, responsabilidade e preocupação com o povo.
No voto, a rodada revela uma tensão crucial para 2026. Lula tem uma inclinação mais estruturada porque está associado a programas, continuidade e alguma proteção social. Mas há fadiga de material e desejo de novidade. Flávio tem uma inclinação mais frágil, porque falta proposta e sobra polêmica, mas ainda se beneficia da pulsão de mudança. A disputa segue relacional, factual e instável: Lula ganha quando Flávio se perde; Flávio sobrevive enquanto Lula parecer velho conhecido e enquanto a mudança continuar sendo um valor eleitoral em si.

Fique de olho
👥 A capacidade de Flávio de sair da tutela simbólica de Jair e apresentar uma identidade própria antes que a imagem de “filho do pai” se fixe definitivamente.
👩🏻 O possível crescimento de Michelle como alternativa interna ao bolsonarismo, especialmente se continuar aparecendo como mais autônoma, simpática e menos desgastada. O espelho incômodo de Flávio.
👮♂️ A centralidade da segurança pública como tema capaz de reabrir a Flávio uma porta entre pendulares, caso venha acompanhada de proposta concreta e não apenas retórica dura.
📚 O efeito acumulado da “biografia da polêmica”: rachadinha, Banco Master, Michelle, carta, USTR e novos rumores privados.
🏛️ A transformação de qualquer episódio privado em problema político caso apareça associado a Vorcaro, Banco Master ou redes de corrupção.
🇧🇷 x 🇺🇲 A forma como Lula falará de Trump e dos Estados Unidos: soberania e defesa das riquezas nacionais são bem avaliadas, mas bravata e provocação podem gerar medo.
🇻🇪 A persistência do “trauma Venezuela” como metáfora de risco no imaginário pendular diante de confrontos com Trump.
✍️ A capacidade de Lula de renovar a própria oferta política e reduzir a fadiga de material, sem depender apenas de programas já conhecidos.
🤑 O peso das bets, celebridades e responsabilidade pública como tema transversal de moralidade social, sobretudo entre famílias preocupadas com jovens.
🔎 A agenda factual como principal variável de volatilidade: novos vídeos, cartas, investigações, debates, falas de Trump ou propostas de segurança podem deslocar rapidamente o pêndulo.
CONCLUSÃO
A oitava rodada indica que o eleitor pendular continua longe de uma decisão definitiva, mas mais próximos de Lula por estar cada vez menos confortável com a hipótese Flávio. O desejo de mudança segue existindo, mas está cercado por perguntas que se acumulam: mudança para quem? Com que projeto? Com que autonomia diante de Trump? Com que respeito às mulheres? Com que compromisso com o Brasil?
Flávio ainda não foi descartado, mas está preso a uma exigência crescente de explicação e demonstração de estatura. Precisa provar que não é apenas a continuação das confusões da Família Bolsonaro, que não governa subordinado aos Estados Unidos, que respeita mulheres, que tem propostas e que consegue agir como presidenciável. Até aqui, porém, a sequência de fatos tem produzido o efeito inverso.
Lula, por sua vez, aparece como opção mais administrável, não como paixão. A defesa do Brasil diante da carta, os programas sociais e a imagem de maior preocupação com o povo o ajudam. Mas o eleitor pendular também cobra coerência institucional: quando atua no palanque, perde parte da diferenciação de estadista em relação a Flávio; quando faz bravatas com Trump, soa cálculo eleitoral como faz Flávio; quando o se aproxima demais de Jaques Wagner, enfraquece o discurso de independência policial e reativa o mesmo tipo de suspeita que vinha conseguindo amortizar.
O achado central é que a disputa segue organizada por biografias morais em teste permanente. Flávio tem sua biografia cada vez mais associada a confusão, família, Trump, machismo e ausência de propostas. Lula tem sua biografia reavaliada pela proteção social e pela defesa do Brasil, mas continua vulnerável a sinais de proteção a aliados e a falas dissonantes. Neste eleitorado, quem manda é a agenda factual; e, nesta semana, ela voltou a pesar contra Flávio e a inclinar o pêndulo um pouco mais em direção a Lula que nas semanas anteriores, mas ainda de como uma vantagem frágil, pragmática e contingente.
Expediente
Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas
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Como citar este documento
VASQUES, Beto; SOLANO, Esther. Instituto Democracia em Xeque (DX). Painel Narrativo Semanal: Percepções Qualitativas e Estratégicas DX, 6 jul. 2026. Período de campo: 04 de julho de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/painel/06072026/>.
Equipe do relatório
Beto Vasques
Diretor de Relações Institucionais do Instituto DX
Esther Solano
Professora da UNIFESP, pesquisadora em Ciências Sociais e conselheira do Instituto DX
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
