Período da análise: 27 de julho a 03 de agosto de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.
Disputa presidencial no centro do debate
A disputa presidencial consolidou-se como o principal eixo do debate político digital, concentrando 40% das publicações e 43% das interações da semana. A direita explorou a multa por propaganda antecipada aplicada ao governo, críticas ao crescimento da dívida pública e acusações de censura e perseguição política. Em sentido oposto, a esquerda concentrou esforços na divulgação de investimentos em saúde, defesa da soberania nacional, fortalecimento de candidaturas regionais com destaque para Bahia e no Ceará e mobilização em torno da oficialização da candidatura de Lula.
Corrupção volta ao centro da disputa entre governo e oposição
A abertura de novos inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva tornou-se um dos principais temas da semana. A extrema-direita utilizou o episódio para retomar a associação histórica entre PT e corrupção e questionar a independência das instituições – este eixo reuniu 9% das publicações e registrou a maior hegemonia de um campo na semana, com 64% de perfis de extrema-direita postando sobre o assunto. Em resposta, o governo e aliados enfatizaram que Lula não interferirá nas investigações e contrapuseram o episódio às tentativas de Jair Bolsonaro de proteger familiares durante seu mandato.
Crise com Milei é instrumentalizada pelas campanhas
As declarações de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes recolocam a política externa como alvo da disputa eleitoral, com 18% das publicações políticas da semana. A extrema-direita utilizou o episódio para reforçar a narrativa de isolamento internacional do governo brasileiro. Já a esquerda e a imprensa (com forte participação de 23% das publicações neste eixo) enquadram a convocação do embaixador brasileiro como resposta em defesa da soberania nacional e contra tentativas de interferência estrangeira.
Convenções presidenciais definem o tom das campanhas
As convenções partidárias deixaram mais claras as estratégias dos principais candidatos. Lula buscou combinar entregas de governo, soberania nacional e combate às desigualdades (“Lula porreta”), com forte defesa da ciência e da indústria nacional. Flávio Bolsonaro reforçou sua condição de herdeiro político de Jair Bolsonaro – valendo-se do uso de Inteligência Artificial, tema que foi motivo de controvérsias junto ao TSE – e intensificou críticas ao custo de vida e à economia. Caiado procurou ocupar o espaço da direita moderada com discurso de gestão e inovação, enquanto Renan Santos aprofundou sua estratégia antissistema, atacando simultaneamente Lula e Bolsonaro como “assistencialista” e de baixa viabilidade eleitoral, respectivamente.
Narrativas sobre fraude eleitoral voltam a ganhar espaço nas redes
As discussões sobre a integridade das eleições voltaram a ganhar centralidade no debate político digital. Declarações de lideranças da direita sobre a atuação do Tribunal Superior Eleitoral, questionamentos relacionados aos observadores internacionais e a resposta institucional do TSE contribuíram para recolocar em circulação narrativas de desconfiança sobre o processo eleitoral. Embora ainda não ocupem o centro da agenda pública, esses episódios indicam a reativação de um repertório discursivo que tende a ganhar intensidade à medida que a campanha avança.
O que publicaram os (pré-)candidatos?
Lula
Lula aposta na imagem de governo eficiente e amplia alianças regionais
Na semana de oficialização de sua candidatura, Lula concentrou sua comunicação na construção de atributos positivos do governo. A estratégia combinou prestação de contas, valorização da ciência, fortalecimento da indústria nacional e demonstrações de unidade política por meio das convenções estaduais. Em seu vídeo de maior alcance, com 6,9 milhões de visualizações, o presidente utilizou a participação no podcast Inteligência LTDA para apresentar entregas do governo de forma didática: destacou o biodiesel, chamando de “revolução verde” e os caças Gripen, além de usar um boneco do Zé Gotinha para exaltar a ciência em contraponto aos discursos negacionistas. O tom de mobilização de base marcou seus outros conteúdos principais, focados no lançamento de sua candidatura e na consolidação de alianças regionais, como o palanque no Ceará ao lado do governador Elmano Freitas.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro explora o espólio político do pai e ataca a economia do governo petista
O senador obteve maior alcance em conteúdos centrados na figura de Jair Bolsonaro e na narrativa de perseguição. Seu principal vídeo, com 6,8 milhões de visualizações, exibiu o cantor Amado Batista prestando apoio à sua pré-candidatura e pedindo a “libertação” do ex-presidente. A centralidade do pai se repetiu na defesa do uso de Inteligência Artificial para recriar a imagem de Jair na convenção do PL, quando enquadrou a reação da oposição e do judiciário como uma tentativa de “intimidação”. Na frente de oposição direta, o senador elegeu o custo de vida e o crescimento da dívida pública para acusar a gestão Lula de “quebrar o Brasil e as famílias”.
Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado associa raízes no agronegócio com vitrine de gestor inovador
O ex-governador buscou diferenciar-se tanto do bolsonarismo quanto do governo Lula, enfatizando experiência administrativa, inovação tecnológica e proximidade com o agronegócio. Seu maior engajamento da semana, com 7,3 milhões de visualizações, ao chancelar sua relevância através da imprensa tradicional, repercutindo a cobertura do programa Fantástico sobre o lançamento de sua candidatura. Para dialogar com suas bases históricas, Caiado publicou um conteúdo pessoal resgatando suas origens no campo e relações com o agro. Buscou atrair outra parcela do eleitorado ao destacar investimentos de sua gestão em Inteligência Artificial desde 2019, com a construção do CEIA em Goiás.
Renan Santos
Renan Santos adota retórica antissistema e acusa boicote em debates
Em seu Reel mais assistido, com 4,4 milhões de visualizações, Renan Santos adotou um tom de deboche contra Lula durante a convenção de lançamento de sua candidatura, acusando o petista de repetir discursos há 30 anos enquanto o Brasil perde competitividade global para outros países. O pré-candidato negou que acabará com o Bolsa Família, mas prometeu substituir o “assistencialismo político” por desenvolvimento econômico. Por fim, reforçou a narrativa de que o sistema joga contra ele, alegando ser vítima, junto a seus colegas de partido, de um “conluio” de partidos tradicionais para excluí-los dos debates e silenciar suas ideias.
Ameaças à integridade democrática
Temas que apresentaram potencial de deterioração do ambiente informacional, de ampliação da polarização ou de enfraquecimento de princípios democráticos durante a semana.
Retomada das narrativas de “fraude eleitoral” e deslegitimação do TSE
Foram identificadas diversas publicações de perfis de extrema-direita com questionamentos ao pleito eleitoral brasileiro de 2022. Marco Feliciano acusou, em tom conspiratório e sem provas, manipulação no resultado que elegeu Lula, dizendo que o atual presidente não teria sido eleito, mas nomeado. Circulou a fala de Flávio Bolsonaro, no Canal Livre da TV Band, na qual afirmou que aceitará o resultado das eleições de 2026, pois o TSE será imparcial, alegando ser diferente da atuação do tribunal nas eleições de 2022. Neste contexto de sinais trocados e aparentes recuos, ao combinar acusações de manipulação eleitoral, seletividade institucional e falta de imparcialidade do TSE, essas narrativas contribuem para manter vivo um repertório discursivo que poderá ser mobilizado para contestar a legitimidade do processo eleitoral de 2026 e de seus resultados.
Instrumentalização da recusa a observadores estrangeiros para sugerir fraude
Ainda repercutiram críticas à recusa de iniciativas internacionais relacionadas à eleições brasileiras, como a negativa de visto a autoridades dos EUA, que seriam enviados por Trump para questionar as urnas eletrônicas, e à missão de observação do grupo Eurolat Global Democracy Forum, ONG ligada à extrema-direita brasileira e internacional, sendo retratadas como aceitação apenas de “observadores amigos” e reforçando a ideia de que haveria irregularidades a esconder no processo eleitoral brasileiro. A narrativa foi disseminada por perfis como o de Paulo Figueiredo.
Acusações falsas de que Lula teria interferido nas eleições argentinas
Circulou um corte de uma entrevista de Eduardo Bolsonaro ao jornal argentino “La Nación” na qual alegou, sem apresentar provas, que Lula teria apoiado financeiramente e logisticamente a campanha do adversário de Javier Milei, Sergio Massa, nas últimas eleições argentinas, o que representaria interferência estrangeira. A acusação foi disseminada pelo próprio Javier Milei, ainda em 2023, e contou com a circulação atual por perfis como os de Gustavo Gayer e Deltan Dallagnol.
Fique de olho
TSE, transparência e disputa de narrativas nas redes
Em meio ao crescimento de alegações de fraude eleitoral, insegurança nas urnas e distorções sobre a presença de observadores internacionais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reagiu com uma ação multiplataforma: a desmontagem ao vivo de uma urna eletrônica em rede nacional e no YouTube. A iniciativa, que abriu a 1ª Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação nesta segunda-feira (3), busca neutralizar a desinformação por meio da exposição didática dos componentes de segurança e criptografia do equipamento.
Renan Santos amplia influência digital
A pré-candidatura de Renan Santos vem demonstrando uma trajetória de aceleração contínua nas redes, tendo o político dobrado sua base de seguidores desde o início do ano e acumulado expressivos índices de alcance, com publicações em formato Reels ultrapassando marcas de um a quatro milhões de visualizações. Sustentado por uma forte retórica antissistema, discursos de apelo moral e ataques simultâneos a Lula e Flávio Bolsonaro, o candidato tem defendido sua presença nos debates televisivos.
Operação contra grupos extremistas pode ampliar o debate sobre responsabilização das plataformas
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação contra grupos investigados por disseminar discursos de ódio contra mulheres e conteúdos de caráter extremista em redes sociais. O caso tende a ampliar o debate sobre os limites entre liberdade de expressão, responsabilização criminal de comunidades digitais e o papel das plataformas na prevenção da radicalização on-line. Dependendo dos desdobramentos das investigações, o episódio pode fortalecer iniciativas de regulação, intensificar a atuação das forças de segurança sobre redes extremistas e reaquecer disputas narrativas em torno da moderação de conteúdo e da liberdade de expressão.
Métricas e vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 235.225 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos, o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.
Clusters de vocabulários mais utilizados por atores políticos
As porcentagens são referentes à soma total de 186.807.399 interações em 20.795 posts
| EIXO | % DO TOTAL | PERFIL POLÍTICO | DESCRIÇÃO | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|---|
| Disputa política nacional | 40% | Extrema-direita 62%, Esquerda 27%, Imprensa 10% | Embate entre os campos em torno da eleição de outubro, com a multa por propaganda antecipada aplicada à Secretaria de Comunicação Social e o debate sobre a dívida pública mobilizados como crítica ao governo. | lula, moraes, propaganda, publicidade, eleitoral, multa, dívida, pública, fiscal, flávio, democracia, censura, perseguição |
| Agenda do governo | 20% | Extrema-direita 20%, Esquerda 76%, Imprensa 4% | Viagem presidencial à Bahia e divulgação dos investimentos em saúde e defesa do fim da escala 6×1 pelo campo governista. | juntos, povo, caminhada, tetra, bahia, jerônimo, saúde, sus, investimento, escala, 6×1, soberania |
| Política externa | 18% | Extrema-direita 51%, Esquerda 26%, Imprensa 23% | Ofensas de Javier Milei a Lula e a Moraes na convenção do PL levaram o Itamaraty a convocar o embaixador em Buenos Aires para consultas, tramitação do tarifaço dos EUA na OMC. | milei, argentina, javier, embaixador, bitelli, itamaraty, consultas, tarifaço, trump, omc, paraguai, diplomática |
| Chapa de Flávio Bolsonaro | 14% | Extrema-direita 47%, Esquerda 19%, Imprensa 34% | Articulações para ter Tereza Cristina como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. | bolsonaro, flávio, presidência, candidatura, vice, tereza, cristina, convenção, chapa, senador, oficializou |
| Investigação contra Lulinha | 9% | Extrema-direita 64%, Esquerda 19%, Imprensa 17% | Dois inquéritos autorizados por André Mendonça para apurar tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, ligados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde e ao INSS. | lulinha, mendonça, andré, inquérito, tráfico, influência, inss, careca, cannabis, polícia, federal, investigação |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
O debate desta semana concentrou-se na Disputa política nacional, que reuniu 40% das publicações e 43% das interações, com o embate entre os campos em torno da eleição de outubro. A Agenda do governo ficou em segundo, com 20% das publicações, e foi o eixo mais marcante de um só campo, com 76% de esquerda. A Política externa respondeu por 18% das publicações e alcançou 23% das interações, puxada pela crise diplomática com a Argentina. A Chapa de Flávio Bolsonaro reuniu 14%, com a escolha de Tereza Cristina como vice, e registrou a maior presença de imprensa da semana, 34%. A Investigação contra Lulinha somou 9%, com os inquéritos autorizados por Mendonça, e foi o eixo de maior concentração da extrema-direita, com 64%.
Volume de publicações e engajamento por eixo temático
| EIXO | TOTAL DE POSTS | TOTAL DE INTERAÇÕES | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|
| DISPUTA POLÍTICA NACIONAL | 8.243 | 81.167.157 | lula, moraes, propaganda, publicidade, eleitoral, multa, dívida, pública, fiscal, flávio, democracia, censura, perseguição |
| AGENDA DO GOVERNO | 4.071 | 23.964.789 | juntos, povo, caminhada, tetra, bahia, jerônimo, saúde, sus, investimento, escala, 6×1, soberania |
| POLÍTICA EXTERNA | 3.776 | 43.722.561 | milei, argentina, javier, embaixador, bitelli, itamaraty, consultas, tarifaço, trump, omc, paraguai, diplomática |
| CHAPA DE FLÁVIO BOLSONARO | 2.909 | 22.499.403 | bolsonaro, flávio, presidência, candidatura, vice, tereza, cristina, convenção, chapa, senador, oficializou |
| INVESTIGAÇÃO CONTRA LULINHA | 1.796 | 15.453.489 | lulinha, mendonça, andré, inquérito, tráfico, influência, inss, careca, cannabis, polícia, federal, investigação |
| Total | 20.795 | 186.807.399 |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
Posts diários por eixo temático
Período da análise: 27 de julho a 03 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A Disputa política nacional liderou em todos os dias, com volume estável entre 1.202 e 1.329 posts até 31/07 e recuo para a faixa dos 900 no fim da semana. O movimento mais visível veio da Política externa, que abriu a semana como segundo eixo, com 1.094 posts em 27/07, na repercussão imediata das ofensas de Milei na convenção do PL, e caiu a cada dia até 186 posts em 02/08. A Investigação contra Lulinha percorreu o caminho inverso, saindo de 35 posts em 27/07 para 584 em 31/07, data do segundo inquérito autorizado por André Mendonça, e recuando em seguida. A Agenda do governo ganhou força no encerramento, com 686 posts em 01/08 e 886 em 02/08, seu maior volume da semana. A Chapa de Flávio Bolsonaro manteve presença constante, entre 376 e 496 posts.
Perfil político por eixo
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A Investigação contra Lulinha foi o eixo de maior concentração da extrema-direita, com 64%, seguida da Disputa política nacional, com 62%. A Agenda do governo apresentou a maior concentração de um campo em um eixo nesta semana, com 76% de esquerda, e apenas 4% de imprensa, sinal de um território ocupado quase sozinho pelo campo governista. A Chapa de Flávio Bolsonaro registrou a maior presença de imprensa, com 34%, coerente com a cobertura da definição da vice e da oficialização da candidatura. A Política externa foi o segundo eixo de maior participação jornalística, com 23%, pela natureza factual da crise diplomática.
Assunto por categoria política
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A extrema-direita destinou 49% de suas publicações à Disputa política nacional e distribuiu o restante entre Política externa, com 19%, e Chapa de Flávio Bolsonaro, com 13%. A esquerda repartiu seu esforço entre a Agenda do governo, com 43%, e a Disputa política nacional, com 31%, e dedicou apenas 5% à Investigação contra Lulinha, o que indica pouca disputa direta do tema pelo campo governista. A imprensa distribuiu-se de forma mais equilibrada, com 31% na Chapa de Flávio Bolsonaro, sua maior fatia, e 27% tanto na Disputa política nacional quanto na Política externa.
Distribuição por campo político ao longo da semana
27 de julho a 03 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A extrema-direita manteve a dianteira do primeiro ao penúltimo dia, com máximas de 55% em 29 e 30/07. Em 02/08 a esquerda assumiu a maioria pela primeira vez na semana, com 43% contra 40% da direita, movimento que acompanha o crescimento da Agenda do governo naquele dia. A imprensa manteve-se em faixa estreita, entre 13% e 18%, com participação mais alta em 28/07 e 02/08. O conjunto mostra uma semana sem inversões bruscas até o encerramento, quando a pauta de governo ganhou espaço.
Temas relevantes por eixo ideológico
Campo ideológico
Esquerda
Oficialização da candidatura de Lula e articulações da esquerda
O campo progressista repercutiu a oficialização da chapa Lula-Alckmin para a disputa à reeleição, bem como o lançamento de candidaturas regionais e manifestações de aliados durante a convenção do Partido dos Trabalhadores. Lideranças políticas e parlamentares aliadas, como João Campos (1), Erika Hilton, Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann, celebraram o ato destacando conquistas do governo – como o combate à fome, a recuperação econômica e a defesa da soberania nacional -, além de apontarem a importância da continuidade do projeto político. O evento serviu de palco para o fortalecimento de palanques estaduais, com destaque para o lançamento da candidatura à reeleição de Elmano de Freitas no Ceará, ao lado de Lula, acompanhado por correligionários regionais como Larissa Gaspar. Aliados de outros partidos da base, a exemplo do Pastor Henrique Vieira, reafirmaram o apoio à candidatura presidencial ressaltando a pauta de defesa da democracia e justiça social. Nas redes, o anúncio gerou engajamento entre os que manifestaram apoio à chapa (1).
Por outro lado, o período de convenções registrou tensões internas dentro do próprio campo progressista. Em publicação conjunta, o deputado Lindbergh Farias e Marcelo Freixo contestaram a condução dos debates e decisões estratégicas da convenção estadual do PT no Rio de Janeiro. Ambos criticaram o que classificaram como falta de democracia interna e condução arbitrária do partido no estado, defendendo que os rumos da legenda não devem ser submetidos a interesses pessoais ou familiares, enquanto reafirmaram o compromisso central com a reeleição de Lula e a formação de uma bancada forte no Congresso.
A mídia ligada ao campo progressista destacou o lançamento do primeiro jingle oficial da campanha de reeleição, inspirado no clássico “Rap do Silva”, de MC Bob Rum, ressaltando que a estratégia busca construir uma ponte direta entre a trajetória pessoal do presidente, vindo do sertão nordestino, e a base popular e trabalhadora das periferias brasileiras.
Flávio Bolsonaro em foco
Perfis e parlamentares progressistas, além de analistas independentes, comentaram uma possível crise política, institucional e eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro. A divisão no campo conservador ganhou destaque após atritos internos. Uma postagem da Revista Fórum destacou o vazamento de conversas, mostrando que o conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro ainda está longe de um acordo. Já o ex-deputado Julian Lemos previu que se Flávio não desistir da candidatura, ele perderá para o presidente Lula. Influenciadores como Antonio Tabet e canais analíticos apontaram que Flávio não consegue articular alianças estratégicas nem empolgar sua base eleitoral. Como resultado, o segmento aponta para seu isolamento dentro do PL, em especial depois que o PP declarou neutralidade e rejeitou a indicação de Tereza Cristina como vice.
O setor financeiro e a imprensa tradicional foram citados como fontes de desconfiança sobre sua candidatura. Segundo matérias repercutidas por canais progressistas, a Faria Lima torce pela saída de Flávio da disputa, sob o argumento de que ele é visto como um candidato sem propostas concretas e já bastante desgastado (1, 2). A deputada Erika Hilton afirmou que essa rejeição do mercado tem duas causas: a falta de retorno eleitoral e a ligação de Flávio com escândalos financeiros – como o caso de R$134 milhões envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O deputado Guilherme Boulos cobrou explicações sobre o financiamento do filme Dark Horse. Já o deputado Glauber Braga pressionou pela quebra dos sigilos bancário e telefônico do senador.
O senador Humberto Costa, o vereador Pedro Rousseff e o deputado Lindbergh Farias chamaram atenção para os desdobramentos jurídicos e as manobras eleitorais do grupo bolsonarista na Justiça Eleitoral. Ganhou forte repercussão o uso de Inteligência Artificial para recriar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em peças de campanha do filho. A prática foi classificada como uma tentativa de criar um “candidato oculto” e uma forma de compensar o fraco desempenho de Flávio nas pesquisas. Segundo os parlamentares, essa prática viola resoluções do TSE de 2024 contra deep fakes, e tanto o STF quanto o TSE deveriam avaliar punições ao pré-candidato. O episódio foi interpretado como parte de uma estratégia premeditada: pressionar a Justiça Eleitoral e preparar o terreno para não reconhecer o resultado das urnas em caso de derrota.
“Lulinha” como bode expiatório da direita e como prova de isonomia de Lula
O anúncio da abertura de um novo inquérito pela Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, sob autorização do ministro André Mendonça (STF), movimentou o debate político do campo progressista. Postagens informaram que a apuração mira suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo a intermediação de interesses para a comercialização de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e contratos com a Dataprev.
Em resposta, lideranças de esquerda e canais de apoio adotaram uma narrativa de contraposição ao bolsonarismo, destacando a postura do governo em garantir a independência das investigações e a ausência de privilégios. Em vídeos compartilhados, políticos como Guilherme Boulos, perfil do PT, e influenciadores (1, 2, 3) recorreram ao contraste direto, sobrepondo declarações do presidente Lula – assegurando que seu filho responderá à Justiça sem qualquer tipo de privilégio, proteção ou interferência – a falas históricas de Jair Bolsonaro em reunião ministerial sobre trocas de comando na Polícia Federal para blindar seus familiares. Na mesma linha, os deputados Lindbergh Farias e Leonel Radde criticaram a postura de parlamentares da oposição, como Flávio Bolsonaro, classificando como cínica a cobrança sobre o caso e apontando que opositores buscam criar factoides para ocultar denúncias de corrupção e esquemas financeiros não explicados. Outras postagens argumentaram que a abertura de sucessivos inquéritos sem a apresentação imediata de denúncias formais ou provas concretas evidencia o uso de narrativas frágeis (1).
Tensões Diplomáticas e Defesa da Soberania nas Relações Internacionais
A presença de Javier Milei na convenção de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e os constantes ataques proferidos pelo presidente argentino contra Lula e o Judiciário brasileiro continuaram gerando forte indignação na esquerda. A vinda do líder argentino foi caracterizada por analistas e veículos como a Mídia NINJA e a Revista Fórum como um ato de “vandalismo diplomático” e uma sinalização de truculência política para o pleito. As publicações destacaram a reação do Itamaraty, que convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas e expressou repúdio oficial à Casa Rosada. Repercutiu ainda o fato de Milei ter virado réu na Justiça argentina por má utilização de verbas públicas devido ao uso de recursos estatais na viagem, além do contraste apontado por comentaristas e canais, que enfatizaram a recusa do presidente argentino em pedir desculpas, a escalada de tensão entre as duas nações e a tentativa do governo brasileiro de manter a altivez diplomática diante do desgaste.
Perfis progressistas e parlamentares compartilharam acusações sobre supostas tentativas de interferência externa no sistema eleitoral brasileiro por parte do governo de Donald Trump, enquadrando tais movimentos como ameaças à soberania e exaltando a postura firme de Lula ao vetar a entrada de missões estrangeiras. Da mesma forma, foi classificada como uma resposta soberana a avaliação do governo brasileiro de quebrar patentes de empresas norte-americanas diante de retaliações e tarifas econômicas anunciadas pelos Estados Unidos. Além disso, em meio a declarações históricas de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança, publicações defenderam a postura do chefe de Estado ao ressaltar fatos históricos diante das contestações do governo do Paraguai.
Repercussão das Pesquisas Eleitorais
O campo repercutiu os resultados de recentes levantamentos de intenção de voto estaduais e nacionais, destacando a liderança do presidente Lula e o bom desempenho de aliados regionais. A deputada Maria do Rosário e o vereador Pedro Rousseff celebraram dados da Pesquisa NEXUS/BTG, apontando Lula na liderança do primeiro turno com 42% das intenções de voto e destacando que quase 30% do eleitorado que votou na oposição em 2022 estaria migrando ou abandonando Flávio Bolsonaro, reforçando a expectativa de consolidar a vitória ainda no primeiro turno. No cenário estadual, a pré-candidata Dani Portela destacou os resultados do levantamento Genial/Quaest em Pernambuco, onde Humberto Costa e Marília Arraes apareceram na frente na corrida para o Senado Federal, resultado interpretado como uma resposta direta da população local ao projeto da extrema-direita.
Veículos de mídia de reframe e parlamentares progressistas enfatizaram a liderança expressiva de Lula no eleitorado feminino – alcançando 50% das intenções de voto no segundo turno contra 40% do adversário -, além de chamarem atenção para a alta rejeição de Flávio Bolsonaro nesse segmento, no qual 50% das eleitoras afirmam que não votariam no senador em hipótese alguma.
Canal de um Influenciador alinhado ao campo progressista analisou as pesquisas recentes e ressaltou que, apesar de Lula estar numericamente atrás de Flávio em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a diminuição da margem de vantagem da oposição pela metade em comparação com o pleito de 2022 evidencia uma perda de fôlego do bolsonarismo. O comentarista apontou ainda que estratégias recentes da campanha adversária – como o alinhamento com figuras da extrema-direita internacional e atritos internos em torno do eleitorado feminino – tendem a afastar o eleitorado moderado, o que favoreceria a consolidação e ampliação da vantagem de Lula. Somado a isso, o canal destacou a repercussão da recente entrevista dada por Lula ao podcast Inteligência Ltda. (1) e avaliou de forma otimista que a postura de estadista e a articulação de sua trajetória política poderiam transmitir segurança ao eleitorado indeciso, possibilitando assim vislumbrar uma vitória no primeiro turno.
Campo ideológico
Direita
“Lulinha” como novo vetor da corrupção
A abertura de investigações sobre corrupção e tráfico de influência contra Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, teve ampla repercussão entre o segmento. Nikolas Ferreira indagou a relação de Lula e sua família com a corrupção, enquanto Deltan Dallagnol e outros diversos perfis levantaram a suspeita de envolvimento de Lula e seu gabinete no escândalo do INSS.
Repercutiu o vídeo satírico intitulado “Os Intocáveis”, publicado por Romeu Zema, que retrata que o grande problema das investigações abertas seria a proximidade do período eleitoral, uma vez que Lulinha teria sido protegido em outros diversos casos pelo pai. Nesse sentido, foi ironizada a declaração de Lula de que seu filho será julgado e terá que provar sua inocência como qualquer pessoa.
O segmento ainda celebrou o fato de o caso ter voltado para o ministro André Mendonça após sorteio, declarando amplo apoio à atuação do ministro do Supremo. Perfis como o de Gustavo Gayer continuam levantando suspeitas sobre a atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, desta vez acusando Lula de tentar mobilizar a polícia para obstruir a Justiça e proteger seu filho, e defendendo a atuação de André Mendonça. Para reforçar a narrativa, o segmento tem explorado a tensão entre Mendonça e a PF. Ainda, diversos perfis acusaram Lula de tentar utilizar o apoio de Alexandre de Moraes para blindar o filho, retirando o caso de Mendonça. O campo explorou o convite de Lula a Moraes para um café, após evento em Brasília.
Vídeo de IA de Bolsonaro: “sinuca de bico” e “perseguição política”
O pedido do ministro Alexandre de Moraes para que Jair Bolsonaro informasse se autorizou vídeo com sua imagem e voz geradas por IA, transmitido no lançamento da candidatura de Flávio, foi retratado como perseguição política, ao exemplo de perfis como Deltan Dallagnol e Adrilles Jorge.
O segmento apresentou a ação como uma tentativa de posicionar os Bolsonaro em uma espécie de “sinuca de bico”, termo utilizado por Eduardo Bolsonaro, ou “encruzilhada”: se confirmada a autorização, Jair Bolsonaro poderia retornar ao regime fechado por descumprimento de ordem judicial; se não, Flávio poderia ter a sua candidatura punida e possivelmente tornado inelegível. A ação de Moraes foi criticada como tentativa de aplicar decisão pessoal às regras eleitorais, atuando como um “tribunal eleitoral paralelo” e representando uma forma de “roubar” as eleições.
Crise diplomática Brasil x Argentina e “isolamento” brasileiro no cenário internacional
A recente crise diplomática entre Brasil e Argentina foi explorada pelo segmento. Diversos perfis criticaram as falas e posicionamentos de autoridades brasileiras, do ministro Dario Durigan por ter chamado Javier Milei de “palhaço” e de Lula por ter ironizado o presidente argentino com o “quem é este cara?”. Repercutiram as falas de Milei sobre o Brasil ter conduzido uma campanha “anti-Argentina” e que Lula teria interferido nas últimas eleições presidenciais argentinas ao enviar assessores para a campanha de seu adversário, Sergio Massa. Carlos Jordy reforçou a narrativa com trecho de programa televisivo argentino, no qual o apresentador reforça que Lula seria um “criminoso” e que não teria sido inocentado.
A narrativa central foi de existência de um crescente isolamento de Lula no cenário internacional e perda de controle sobre a América Latina, reforçada pelo apoio de Milei a Jair Bolsonaro e à candidatura de Flávio. Além disso, a presença de diversos líderes alinhados à direita na posse de Keiko Fujimori, no Peru, foi contrastada com a presença brasileira do ministro Mauro Vieira no lugar de Lula, e utilizada para reforçar o enquadramento.
Apesar da centralidade do conflito com a Argentina, debates sobre as relações brasileiras com os EUA ganharam destaque. Continuou repercutindo a negativa brasileira de vistos a autoridades estadunidenses, apresentada como proibição à entrada de observadores internacionais (Paulo Figueiredo). Já perfis como o de Carlos Bolsonaro abordaram a declaração do governo Trump, sobre prorrogação de emergência nacional sobre o Brasil como retaliação por supostas “censura, prisões por liberdade de expressão e perseguição política” por parte do Brasil.
Críticas ao governo Lula: distância da realidade, custo de vida e aumento da dívida pública
Os ataques ao governo Lula continuam a ser um dos eixos narrativos centrais do segmento. A publicação com maior quantidade de interações foi de Nikolas Ferreira que criticou a fala do presidente sobre ser “desumano” morar no Palácio Planalto devido à grande distância entre os ambientes, o qual foi comparado ao cenário de pobreza de muitos brasileiros. Assim como na semana anterior, a economia teve grande centralidade nas publicações, sendo retratado um cenário de recessão e aumento da pobreza, com frequente menção de que “Lula quebrou o Brasil”. Foram compartilhados conteúdos como o discurso de aumento no preço de produtos nos supermercados, promovido pelo PL, e vídeo da região de compras do Brás (São Paulo) vazia. Flávio Bolsonaro explorou o aumento da dívida pública e acusou o governo de corrupção, alegando ainda que a esquerda busca “acabar com o poder de compra” dos brasileiros para que dependam dos apoios do estado. O deputado Giovani Cherini referenciou a dívida pública como sinal de descontrole e de um “abismo” fiscal.
Por outro lado, parte da própria direita demonstrou ceticismo e rejeição ao nome de Flávio. Ronaldo Caiado chamou o parlamentar de “candidato Kinder Ovo”, em referência às constantes polêmicas ao seu redor.
Presidenciáveis (Top Reels)
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 27/07 às 16h.
6,9 mi de visualizações
5,1 mi de visualizações
3,1 mi de visualizações
Na última semana, Lula obteve seu maior alcance, com 6,9 milhões de visualizações, em Reel com trecho de sua entrevista ao podcast Inteligência LTDA. O presidente comentou que Rogério Vilela, o entrevistador, teria por hábito pedir presentes inúteis, que não teriam mais serventia. Responde dizendo que ‘aqui tudo tem utilidade’ e que o apresentador deveria buscar algo inútil em outro governo. Lula apresenta, então, os itens levados: amostras de biodiesel, chamadas pelo presidente de ‘revolução verde brasileira’; uma miniatura do Gripen, supersônico produzido no Brasil; e um boneco do Zé Gotinha, que, de acordo com Lula, salva vidas e tem feito uma revolução ao reforçar a importância das vacinas, frente aos discursos negacionistas.
No segundo Reel de maior alcance, feito em collab com PT Brasil e políticos do partido, com 5,1 milhões de visualizações, o presidente se emociona ao lançar sua candidatura. No texto que acompanha a postagem, há a frase: “a emoção de Lula ao ser recebido pelo povo para o início da jornada do tetra”.
Em terceiro, com 3,1 milhões de visualizações, também feito em collab, Lula aparece ao lado do governador do Ceará, Elmano Freitas, oficializando sua candidatura à reeleição do Estado.
6,8 mi de visualizações
2,0 mi de visualizações
1,6 mi de visualizações
No Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 6,8 milhões de visualizações, o senador aparece ao lado do cantor Amado Batista, que envia um recado para seu pai, Jair Bolsonaro, salientando que deseja que o ex-presidente seja libertado e dando seu apoio à eleição de Flávio.
No segundo Reel de maior destaque, com 2 milhões de visualizações, o pré-candidato diz que Lula teria quebrado o Brasil e as famílias, mencionando os valores da dívida do governo, que teria crescido 7,9 bilhões por dia em junho, acusando o governo federal de roubo.
Em outro Reel, com 1,6 milhão de visualizações, Flávio Bolsonaro publicou vídeo sobre seu pai, sinalizando que há mais de um ano o rosto e a voz de Jair Bolsonaro não seriam vistos. A fala é acompanhada de imagens do ex-presidente e uma trilha sonora ao fundo. O pré-candidato explica, ainda, que se emocionou quando o vídeo feito com IA com declarações do político apareceu na convenção do partido, reforçando que “essa história toda em cima do vídeo de IA não passa de mais uma tentativa de intimidação”.
7,3 mi de visualizações
3,8 mi de visualizações
3,0 mi de visualizações
Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana, com 7,3 milhões de visualizações, ao reproduzir matéria do Fantástico que abordou a convenção de seu partido, quando teve sua candidatura à presidência lançada oficialmente.
No segundo Reel de maior destaque, com 3,8 milhões de visualizações, Caiado veicula vídeo ao lado de sua esposa, remontando suas origens no campo e no agro.
Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, com 3 milhões de visualizações, o ex-governador de Goiás aborda a Inteligência Artificial, mencionando o CEIA como o terceiro maior centro de excelência em IA do mundo e afirmando que investiu na tecnologia em 2019, quando ninguém falava sobre o assunto.
4,4 mi de visualizações
2,4 mi de visualizações
2,0 mi de visualizações
No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 4,4 milhões de visualizações, o pré-candidato faz ironias ao mencionar e imitar o presidente Lula, durante a convenção de lançamento de sua candidatura à presidência. O pré-candidato diz que o petista fala a mesma coisa há 30 anos, enquanto outros países como China e Índia se desenvolvem, e que sua política não seria projeto de país. Ao final do vídeo, o público presente cita ofensas ao presidente.
No outro Reel de maior alcance, com 2,4 milhões de visualizações, Santos veicula trechos de coletiva de imprensa, quando é questionado se acabará com políticas sociais como o bolsa-família. O pré-candidato nega e afirma que levará desenvolvimento econômico para regiões que carecem de atividade produtiva para a população. Diz, ainda, que políticos exploram a população através do assistencialismo.
Em terceiro, com 2 milhões de visualizações, Renan Santos afirma que está fora dos debates acusando a existência de um conluio entre partidos políticos que impediria a discussão sobre ideias novas, mencionando o caso do candidato ao governo de Minas Gerais, Dr. Benoni Mendes, que alega estar sendo ‘boicotado’.
Cobertura jornalística
Imprensa
Grande imprensa e outras temas
Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa,
mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
“Lulinha porreta” oficializado como candidato à reeleição em chapa com Alckmin
A convenção nacional do PT que oficializou Lula como candidato à reeleição e Alckmin novamente como candidato a vice para a disputa presidencial de outubro foi o tema que gerou mais interações no segmento da imprensa. A cobertura destaca o esperado anúncio da chapa Lula-Alckmin (g1, GloboNews) e os considerados principais pontos do discurso do incumbente à presidência da República:
- No âmbito propositivo, foram enfatizadas as promessas do atual presidente: a centralidade da educação para o país; a formulação de políticas para idosos; a defesa das mulheres; questões mais estratégicas como fortalecimento da indústria militar; a proteção das terras raras brasileiras e programas de transição energética (g1);
- No âmbito de enfrentamento, destaque para as publicações com a declaração de que um possível quarto mandato não seria mais um “Lulinha paz e amor”, no sentido conciliador de classes, mas sim um “Lula porreta” no sentido de enfrentar as desigualdades e qualificar as políticas de inclusão social (CNN Brasil, CNN Política, BandNews TV, O Globo) estabelecendo uma linha antagônica entre os “de baixo” versus os “de cima”. Por fim, a confiança do presidente na reeleição gerou alto engajamento (Gazeta do Povo).
Nikolas Ferreira declara apoio a Flávio Bolsonaro
O apoio manifestado pelo deputado federal Nikolas Ferreira na convenção estadual do PL-MG teve alto engajamento, principalmente por causa da relação confusa entre a família Bolsonaro e o mineiro, além da ausência do último na convenção nacional dois dias antes (ICL Notícias). No discurso, destaque para o compromisso de engajamento na campanha de Flávio para que ele vença em Minas Gerais (O Tempo).
Renan Santos oficializado como candidato do Missão
O recém-criado partido Missão, institucionalização do MBL, oficializou Renan Santos como seu candidato à presidência. Para além das notícias informativas (g1), ganharam alta quantidade de interações mensagens que destacaram os principais pontos do discurso do autodeclarado “oposição da oposição” (g1) que tenta ser a candidatura underdog do pleito presidencial:
- A reivindicação de ser anti-sistema à direita contra Lula e Flávio que representam modelos de política que precisam ser superados (CNN Brasil, Folha);
- Posicionamento como o melhor desafiante do atual presidente, pois Flávio não teria chances de vencer Lula no segundo turno (g1);
- Aposta no discurso punitivista à la Bukele com apresentação até de metas de redução de homicídios de forma aleatória (CNN Brasil).
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
Clusterização:
📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.
A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster.
Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.
Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
Sobre a seção de presidenciáveis:
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 03/08/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (29.07.2026) – Período da análise: 27 de julho a 03 de agosto de 2026
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TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
ABRANTES, Natália; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexsander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; GARRIDO, Fabiano; HOMMA, Luana; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de; VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 22 jul. 2026. Período da análise: 14 a 20 de julho de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/relatorio-17/>.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, Beto Vasques, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi, Paulo Roberto Souza e Caroline Pecoraro.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
Desenvolvimento Web: Paolo Enryco