Relatório #10 • Segurança Pública

Pontos de atenção

➜ A proximidade do primeiro turno intensifica o uso da segurança pública como instrumento de confronto eleitoral. Entre presidenciáveis e candidatos vinculados às forças de segurança, conteúdos de maior repercussão combinam propostas de endurecimento penal, valorização policial e proteção às vítimas com ataques diretos a adversários e tentativas de associá-los ao crime organizado, às milícias ou à permissividade com a criminalidade.

➜ Entre os perfis monitorados pelo Data Lake DX, as publicações sobre segurança pública aumentaram de 20,9 mil para 21,8 mil, mas sua participação no total de posts caiu de 6,0% para 4,8%.

➜ O PT consolida a liderança em interações e o PP avança para a terceira posição em interações. O PT amplia a vantagem sobre o PL de 1,5 para 4,3 pontos percentuais (22,6% contra 18,3%), enquanto o PP salta de 6,7% para 10,0%.

Sumário executivo

Entre os perfis monitorados pelo Data Lake DX, a segurança pública cresceu em volume de publicações, mas perdeu participação relativa: os dados do Data Lake DX identificaram 21,8 mil posts sobre segurança pública, o equivalente a 4,8% do total monitorado. O ritmo do debate voltou a acelerar e ficou 24,6% acima do padrão histórico, ante 21,1% no Relatório #09, mas a pauta perdeu participação relativa (6,0% para 4,8%). “Crime geral” ampliou a liderança, com 14,7 mil posts e 49,92 milhões de interações, e “Forças de segurança” recuperou frequência (+8,0%). “Facções” registrou a maior retração da rodada, com quedas de 38,9% em posts e 43,3% em interações, enquanto “Feminicídio” cresceu em posts (+26,2%) e dobrou novamente em interações (+104,6%).

Entre os atores políticos, São Paulo ampliou a liderança (22,7% para 24,0%) e o Rio de Janeiro recuperou participação (11,3% para 12,5%), reforçando a concentração no Sudeste. O PT manteve, pela segunda rodada, a liderança em interações (3,12 milhões, 22,6%), à frente do PL (2,53 milhões, 18,3%), que segue em primeiro em frequência. PP e PSD foram os partidos que mais avançaram, ao passo que o PSOL recuou significativamente – de 10,2% para 5,7%. No ranking de frequência dos candidatos, apenas três dos dez nomes permaneceram, com maior presença de candidatos oriundos das forças de segurança e menor diversidade ideológica.

Nas narrativas, o post do líder obteve menos interações do que na rodada anterior: o post líder de Lula somou 478,4 mil interações, muito abaixo do recorde de cerca de 1,3 milhão da rodada anterior. Lula apareceu três vezes e foi o único ator a permanecer na lista, sempre em confronto com Flávio Bolsonaro. A esquerda respondeu por cinco dos dez posts, agora concentrada no PT. À direita, os conteúdos convergiram em torno do endurecimento penal e de ataques a uma fala de Lula, e o Caso Master retornou ao ranking.

Entre os candidatos vinculados às forças de segurança, predominam propostas de endurecimento penal, valorização das corporações policiais, ampliação de recursos e prerrogativas institucionais e medidas voltadas à proteção de mulheres, crianças e animais, além de conteúdos de forte confronto eleitoral. Também aparecem pautas como defesa dos CACs, escolas cívico-militares, transformação das Guardas Municipais em Polícias Municipais e mudanças no sistema prisional. Sargento Castro (PP-SP) assume a liderança do engajamento, com 172,1 mil interações, superando o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), que havia liderado a rodada anterior e recua para 41,9 mil; Coronel Edson Raiado (PSD-GO) aparece em segundo lugar, impulsionado por conteúdos e forte recrudescimento penal.

Entre os presidenciáveis, Lula (PT) concentra simultaneamente frequência e engajamento, com 26 posts e aproximadamente 1,2 milhão de interações, mantendo ampla distância dos demais, embora abaixo das 1,7 milhão registradas no Relatório #09. A principal mudança ocorre na natureza dos conteúdos de maior repercussão: depois de liderar a rodada anterior com o anúncio da proibição das bets, Lula passa a mobilizar a segurança sobretudo como instrumento de contraste eleitoral com Flávio Bolsonaro, explorando temas como milícias, violência armada e proteção às mulheres. Renan Santos (MISSÃO) assume a segunda posição em engajamento e apresenta conteúdos mais diretamente programáticos, com propostas de enfrentamento ao crime organizado, responsabilização de gestores públicos e transformação de favelas em bairros formalizados; Augusto Cury (AVANTE), por sua vez, enfatiza integração das polícias, tecnologia e mecanismos de proteção às mulheres. Assim, na semana que antecede a votação, propostas concretas permanecem presentes, mas dividem espaço com uma intensificação do confronto direto entre candidaturas.

Nas disputas estaduais, foram identificadas 113 postagens sobre segurança pública entre os candidatos dos cinco estados analisados, uma redução de aproximadamente 54,44% em relação às 248 do Relatório #08. Apesar da redução da frequência, o debate estadual conserva maior presença de propostas específicas, reunindo propostas de enfrentamento às facções e ao crime organizado, ampliação dos efetivos policiais, segurança rural e uso de inteligência artificial. Em São Paulo, especificamente, a disputa se torna praticamente equilibrada após Haddad ter assumido a liderança no Relatório #09: nesta rodada, registra 50,1% das interações, contra 49,5% de Tarcísio.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este nono relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 28 de setembro a 04 de outubro de 2026, dividido em duas partes. A primeira parte – Termômetro do Debate sobre Segurança Pública – utiliza social listening via Talkwalker, com buscas abertas por termos e sem pré-seleção de atores. A segunda – Panorama de Atores de Interesse – utiliza o Data Lake DX, formado por uma base fechada de contas monitoradas de diferentes redes. As duas fontes têm universos distintos e, por isso, seus volumes não devem ser comparados diretamente; sua leitura conjunta serve para identificar convergências, divergências e formas distintas de circulação da agenda.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Panorama dos atores de Interesse

GRÁFICO 01 | Ritmo do debate sobre segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Ritmo do debate sobre segurança pública ampliado

Na última semana antes do primeiro turno, realizado no dia 04 de outubro de 2026, os dados do Data Lake DX apontam que o debate sobre segurança pública apresentou um leve incremento em relação ao padrão histórico do primeiro semestre de 2026. Como demonstra o Gráfico 01, o ritmo do debate passou de 21,1% para 24,6% (+3,5%), em comparação com o Relatório #09. Em números absolutos, os posts sobre o tema subiram de 20,9 mil para 21,8 mil (+4,4%), mas a participação do tema no total de posts monitorados caiu de 6% para 4,8% (-1,2%). Esse movimento indica que apesar do crescimento absoluto do conjunto de publicações, a pauta da segurança pública perdeu participação relativa.

GRÁFICO 02 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
× Participação de posts sobre segurança pública ampliado

Panorama

Na análise da distribuição temática e desempenho dos atores políticos, os dados do Data Lake DX demonstram que a categoria “Crime geral” manteve-se na liderança ao apresentar um leve crescimento, passando de 14,1 mil para 14,7 mil posts (+4,0%). Já “Forças de segurança” reverteu a queda da rodada anterior, quando registrou 9,3 mil publicações, e retornou ao patamar de 10 mil posts (+8%). “Facções”, que havia crescido 13,3% no Relatório #09, registra a maior retração da rodada: de 1,7 mil posts para 1 mil posts (-38,9%). Por sua vez, “Crimes digitais” segue a tendência de queda da rodada anterior, ao passar de 343 para 308 posts (-10,2%), enquanto “Feminicídio” inverteu essa tendência ao passar de 225 posts para 284 (+26,2%).

GRÁFICO 03 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
Fonte: Data Lake DX
× Frequência das temáticas por query ampliado

Quanto às interações, os dados do Data Lake DX mostram que “Crime geral” avançou de 45,22 milhões para 49,92 milhões (+10,4%), crescendo novamente em frequência e engajamento. “Forças de segurança” somou 32,02 milhões, de modo que, em comparação com o Relatório #09, apresentou um crescimento significativo (+17,1%). “Facções”, por sua vez, apresentou uma queda significativa de engajamento, ao passar de 6,64 milhões para 3,76 milhões (-43,3%), recuando com força, assim, nos dois indicadores. O destaque da rodada volta a ser “Feminicídio”: as interações dessa categoria dobraram pela segunda rodada consecutiva, de 538,7 mil para 1,1 milhão (+104,6%), e o tema ultrapassou “Crimes digitais” em engajamento. Ao contrário do relatório anterior, em que a repercussão da categoria cresceu com menos posts, agora frequência e engajamento sobem juntos. Por fim, “Crimes digitais” experimentou uma significativa retração ao registrar 430,1 mil interações (-33,9%).

GRÁFICO 04 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
Fonte: Data Lake DX
× Interações por query ampliado

Em resumo:

Ritmo do debate sobre Segurança Pública subiu de 21,1% para 24,6% acima do padrão histórico do primeiro semestre de 2026, mas a participação no total de posts caiu de 6% para 4,8%.

A categoria “Crime geral” ampliou sua liderança (com 14,7 mil posts e 49,92 milhões de interações).

Já “Forças de segurança” recuperou sua frequência (+8%) após a queda de 10,6% no Relatório #09.

“Facções” registrou uma perda de cerca de 40% em posts e interações.

Por último, “Feminicídio” cresce em posts (+26,2%) e novamente dobra em interações (+104,6%).

Categorias

Quando se observa o impacto do tema da Segurança Pública no debate digital com um recorte nos estados federativos que os atores políticos monitorados representam e/ou nos quais realizam suas campanhas, os dados do Data Lake DX mostram que São Paulo ampliou sua liderança nas publicações ao passar de 22,7% para 24%. No segundo lugar, o Rio de Janeiro recuperou participação (de 11,3% para 12,5%) no ranking, enquanto Minas Gerais apresentou um leve recuo (de 7,6% para 7,5%). Somados, esses três estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – concentram 44% dos posts, contra 41,6% registrados no Relatório #09, isto é, há um reforço da concentração dos posts no Sudeste do país. Nas posições intermediárias, a recomposição observada na rodada anterior se desfaz parcialmente. O Rio Grande do Sul sobe de 5,6% para 6,7%, assumindo o quarto lugar, ao passo que o Paraná cai de 6,4% para 5,9%. Pernambuco, que na rodada anterior havia sido destaque, também apresentou um recuo, de 5,8% para 5%.

GRÁFICO 05 | Atores políticos
Percentual por estado
Fonte: Data Lake DX
× Atores políticos ampliado

No que se refere à perspectiva partidária, o destaque da rodada é a permanência do Partido dos Trabalhadores (PT) na liderança das interações, ampliando a distância para o Partido Liberal (PL). O partido passa de 2,66 milhões para 3,12 milhões de interações (22,6% do total), com 1.049 posts (um aumento de 6,2% em relação ao Relatório #09). Por isso, a inversão inédita registrada no relatório anterior deixa de ser um episódio isolado: a vantagem sobre o PL sobe de 1,5 para 4,3 pontos percentuais.

Em segundo lugar nas interações, o Partido Liberal (PL) segue na liderança da frequência e a amplia, passando de 1,5 mil para 1,7 mil posts. Enquanto isso, suas interações ficam praticamente estáveis (2,47 milhões na rodada anterior para 2,53 milhões) e a participação no total das interações recua de 20,3% para 18,3%. Neste sentido, pode-se destacar o seguinte dado: mesmo com cerca de 700 posts a mais, o PL obtém menos engajamento que o PT, reforçando o padrão de dissociação entre volume e repercussão.

Nesta rodada, no entanto, a principal novidade está no avanço do Progressistas (PP) e do PSD (Partido Social Democrático). O PP saltou de 815 mil para 1,38 milhão de interações (+69,4%), respondendo, com isso, por 10% do total das interações, e assumindo a terceira posição. No mesmo sentido, o PSD foi de 755,9 mil para 1,24 milhão de interações (+64,5%). Em sentido oposto, o PSOL apresenta uma redução em seus números: de 1,24 milhão para 791,3 mil (10,2% do total para 5,7%). O NOVO segue em queda (de 9,5% para 6,8%). Por fim, o MISSÃO recupera parte do espaço perdido (de 82,3 mil para 255,6 mil interações) e o Republicanos cresce de 2,8% para 4,6%.

TABELA 01: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,7 mil 2,53 mi 19,7% 18,3%
PT 1 mil 3,12 mi 12,0% 22,6%
PSD 706 1,24 mi 8,1% 9,0%
REPUBLICANOS 596 632,3 mil 6,8% 4,6%
PP 594 1,38 mi 6,8% 10,0%
UNIÃO 587 567,2 mil 6,7% 4,1%
PSOL 528 791,3 mil 6,0% 5,7%
MDB 497 516,2 mil 5,7% 3,7%
NOVO 393 945,6 mil 4,5% 6,8%
PODEMOS 351 574 mil 4,0% 4,1%
PSB 347 464,2 mil 4,0% 3,4%
PSDB 309 234,1 mil 3,5% 1,7%
AVANTE 162 99,9 mil 1,9% 0,7%
PDT 159 114,3 mil 1,8% 0,8%
MISSÃO 143 255,6 mil 1,6% 1,8%
PRD 106 40 mil 1,2% 0,3%
PC DO B 86 132,1 mil 1,0% 1,0%
UP 68 24,2 mil 0,8% 0,2%
SOLIDARIEDADE 64 34,1 mil 0,7% 0,2%
PV 51 48,1 mil 0,6% 0,3%
REDE 42 24,8 mil 0,5% 0,2%
DC 39 6,5 mil 0,4% 0,0%
AGIR 31 12 mil 0,4% 0,1%
CIDADANIA 31 34,6 mil 0,4% 0,3%
PSTU 20 5,9 mil 0,2% 0,0%
PRTB 19 1 mil 0,2% 0,0%
MOBILIZA 11 634 0,1% 0,0%
PCB 10 4,6 mil 0,1% 0,0%
DEMOCRATA 9 2 mil 0,1% 0,0%
PSC 2 148 0,0% 0,0%

Em síntese, o PT se mantém na liderança do engajamento partidário, superando novamente PL ao concentrar 22,6% das interações, mesmo com um volume menor de publicações. Já o PL segue na liderança em frequência (1,7 mil posts) e novamente apresenta uma retração na participação do total de interações (de 20,3% para 18,3%). O PP e o PSD ampliaram consideravelmente sua capacidade de mobilização, enquanto o PSOL e o NOVO apresentaram quedas de participação. MISSÃO e Republicanos também ampliaram o volume de interações.

Candidatos

No desempenho dos atores políticos individualmente, o ranking de frequência foi quase inteiramente renovado. Apenas três dos dez nomes presentes no Relatório #09 permanecem: Delegado André Matsushita (PP-MS), Professor Juari (PSDB-MS) e Katia Sastre (PL-SP). Matsushita assumiu a liderança ao passar de 39 para 74 posts – o mesmo volume que havia colocado Guipa (MDB-SP) em primeiro na rodada anterior. Mas a mudança mais relevante é de perfil.

A diversidade ideológica destacada na rodada anterior não se sustentou: Simone Tebet (PSB-SP), Elmano de Freitas (PT-CE) e Marina Silva (REDE-SP) deixaram o ranking, restando apenas Gleisi Hoffmann (PT-PR), com 44 posts, como representante da esquerda entre os dez nomes constantes. Além disso, cresceu a presença de candidatos oriundos das forças de segurança: cinco dos dez nomes trazem patente ou cargo policial no nome de urna, contra um no relatório anterior.

No mesmo sentido dos relatórios anteriores, a Tabela 02 evidencia que um maior volume de posts únicos não necessariamente se reverte em maior engajamento. Nesta rodada, o Delegado André Matsushita lidera o ranking com 74 posts, porém é o Capitão Derrite (PP-SP) que concentra o maior volume de interações (668,1 mil), seguido do Sargento Castro (PP-SP), com 172,1 mil, e de Gleisi Hoffmann (PT-PR), com 87,1 mil.

TABELA 02: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Partido UF Posts Interações
Delegado André Matsushita (PP-MS) PP MS 74 9,4 mil
Sargento Castro (PP-SP) PP SP 62 172,1 mil
Professor Juari (PSDB-MS) PSDB MS 61 37,3 mil
Katia Sastre (PL-SP) PL SP 50 2,8 mil
Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 48 32,5 mil
Capitão Rodolfo Souza (UNIÃO-GO) UNIÃO GO 46 53
Wellington do Curso (PSD-MA) PSD MA 46 5,1 mil
Gleisi Hoffmann (PT-PR) PT PR 44 87,1 mil
Capitão Derrite (PP-SP) PP SP 44 668,1 mil
Eduardo Girão (NOVO) NOVO CE 43 40,5 mil

Narrativas Gerais

Os dados do Data Lake DX apresentam uma queda das interações do post líder. O presidente Lula (PT) segue na liderança, mas o post com mais engajamento soma 478,4 mil interações, muito abaixo do recorde de cerca de 1,3 milhão da rodada anterior (-63%). Lula voltou a aparecer três vezes, agora em posições mais altas (1ª, 2ª e 4ª contra 1ª, 5ª e 10ª da rodada anterior). Seus três posts somam 969,9 mil interações. Além disso, ele é o único ator político que permanece na lista: todos os outros sete nomes são novos, o que indica uma forte rotatividade entre os conteúdos de maior repercussão.

No equilíbrio político, a esquerda responde por cinco dos dez posts (Lula, Bella Gonçalves e Leonel Radde), ante seis no relatório anterior. Já a direita ocupa quatro posições (Capitão Derrite, Victor Ruiz, Damares Alves e Magno Malta). Assim, pode-se afirmar que a presença da esquerda se mantém, mas concentrada no PT: o PSOL, que no Relatório #09 possuía dois posts, não aparece.

Entre os demais atores que compõem o ranking, o Capitão Derrite (PP-SP) aparece em terceiro lugar, ao passo que Bella Gonçalves (PT-MG) ocupa a quinta posição. Entre os cinco primeiros, portanto, quatro representam a esquerda, mais especificamente o PT. Na sequência, encontram-se Victor Ruiz (PP-SP), Damares Alves (REPUBLICANOS-DF), Raquel Lyra (PSD-PE)1, Leonel Radde (PT-RS) e Magno Malta (PL-ES).

[1] Considerando os posicionamentos e as alianças políticas de Raquel Lyra (PSD-PE), optamos por não situá-la em um dos polos políticos – esquerda ou direita – presentes na análise realizada.

GRÁFICO 06 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
Fonte: Data Lake DX
× Top 10 posts por engajamento • soma das querys ampliado

O post de Lula com maior engajamento apresenta um vídeo, em tom crítico, com vários posicionamentos do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) durante sua trajetória política: dizendo que comunidades dominadas por milícias estão felizes nesta condição, defendendo a liberalização de resorts com cassinos e de armas no país e criticando o Estatuto da Criança e do Adolescente e as cotas raciais (478.418 interações). No texto do post, Lula busca se posicionar no polo oposto às ideias propagadas por Flávio no vídeo, ao afirmar que defende “um Brasil livre das Bets“, a “proteção e segurança, inclusive para mulheres vítimas de violência“ e o “acesso ao ensino de qualidade e para todos“. Os outros dois posts de Lula presentes no ranking vão no mesmo sentido de criticar a trajetória política de Flávio Bolsonaro. No post que ocupa a segunda posição, Lula expõe um vídeo com o depoimento de Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, morta em Niterói aos cinco anos por dois tiros de fuzil, para criticar a participação de Flávio na defesa jurídica do suposto assassino (261.819 interações). Por fim, no post que ocupa a quarta posição, Lula procura reforçar os vínculos de Flávio com as milícias cariocas (229.632 interações).

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IMAGEM 01 | Post de Lula (PT) no Instagram em 30 de setembro de 2026

Na terceira posição, Capitão Derrite (PP-SP) engajou com um post em que agradece o apoio do apresentador brasileiro Danilo Gentili à sua candidatura ao Senado de São Paulo (255.262 interações). No post, Gentili aparece em um vídeo para declarar voto em Derrite, justificando que o candidato, enquanto ocupou a Secretaria de Segurança Pública, teria reduzido os índices de violência do Estado de São Paulo.

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IMAGEM 02 | Post de Capitão Derrite (PP-SP) no Instagram em 01 de outubro de 2026

Na quinta posição aparece Bella Gonçalves (PT-MG), com um longo vídeo sobre os vínculos de personagens do escândalo do Banco Master, como Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e outros, com supostos esquemas de mineração ilegal em Minas Gerais (177.657 interações). Há um enfoque em denunciar supostos favorecimentos do governo de Minas Gerais, de Romeu Zema (NOVO), ao Banco Master. Bella explica que fez diversas denúncias à Polícia Federal e que, recentemente, protocolou “no Tribunal de Contas do Estado uma representação contra o governo Zema por possível favorecimento ao Banco Master aqui em Minas”, representação essa que “inclui o áudio em que o deputado Nikolas Ferreira pede ajuda pessoalmente ao Vorcaro pra liberar um ativo minerário em Ouro Preto, ligado a uma das barragens de rejeito mais perigosas do país”.

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IMAGEM 03 | Post de Bella Gonçalves (PT-MG) no Instagram em 30 de setembro de 2026

Entre os demais posts, Victor Ruiz (PP-SP) ficou na sexta posição do ranking ao postar um vídeo em que aparece com um suposto colete à prova de balas discutindo – e agredindo fisicamente – flanelinhas situados no entorno do Estádio do Pacaembu, em São Paulo (176.643 interações). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por sua vez, procura vincular, em tom de denúncia, uma fala do presidente Lula sobre masculinidade ao abuso de meninas jovens (160.145 interações). Já Raquel Lyra (PSD-PE) engajou ao publicar um vídeo de debate eleitoral em que aparece listando o que teriam sido realizações de seu governo na modernização das polícias (159.161 interações). Por sua vez, Leonel Radde (PT-RS) obteve interações ao aparecer em um vídeo enfrentando um vereador que, supostamente, teria depredado com um machado um outdoor com propaganda eleitoral do presidente Lula (156.891 interações). Por fim, o senador Magno Malta (PL-ES) repercutiu o mesmo vídeo utilizado por Damares Alves para atacar Lula (156.436 interações).

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Lula (PT)
  • Procurou vincular Flávio Bolsonaro às milícias e à defesa da liberalização de cassinos e armas e de pautas punitivistas.
Capitão Derrite (PP-SP)
  • Afirmou ser o candidato que, uma vez eleito, irá endurecer as leis e proteger famílias da criminalidade.
Bella Gonçalves (PT-MG)
  • Denunciou supostos vínculos entre o governo de Minas Gerais e o Banco Master, bem como as agressões sofridas pelo candidato a Deputado Estadual Danilo Korvo pela Polícia Militar.
Victor Ruiz (PP-SP)
  • Afirmou que retiraria todos os direitos de “bandidos”.
Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Defendeu a aprovação do Cadastro Nacional dos Pedófilos.
Raquel Lyra (PSD-PE)
  • Prometeu reajuste salarial e valorização das polícias.
Leonel Radde (PT-RS)
  • Denunciou um vereador que supostamente teria depredado um outdoor da campanha do presidente Lula.
Magno Malta (PL-ES)
  • Atacou o presidente Lula e agradeceu ao senador Sérgio Moro pelo apoio à candidatura de sua filha.

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Entre os dias 28 de setembro e 04 de outubro, o Data Lake DX registra um ranking menos concentrado e mais diretamente eleitoral do que o do Relatório #09: o post de maior engajamento soma 478,4 mil interações, ante o recorde de cerca de 1,3 milhão da rodada anterior, e Lula (PT) é o único ator que permanece na lista. A esquerda responde por cinco dos dez posts, contra seis no relatório anterior, mas agora concentrada no PT, já que o PSOL deixa o ranking. Lula aparece três vezes (1ª, 2ª e 4ª posições), sempre em confronto com Flávio Bolsonaro (PL). Bella Gonçalves (PT-MG) recoloca o Caso Master no ranking ao denunciar suposto favorecimento do governo Zema ao banco, e Leonel Radde (PT-RS) repercute um episódio de violência política contra a propaganda de Lula. À direita, Capitão Derrite (PP-SP) agradece o apoio de Danilo Gentili à sua candidatura ao Senado, Victor Ruiz (PP-SP) publica vídeo de confronto com flanelinhas, e Damares Alves (REPUBLICANOS-DF) e Magno Malta (PL-ES) convergem ao atacar uma fala de Lula, associando-a ao abuso de meninas. Raquel Lyra (PSD-PE) completa a lista com a defesa da modernização das polícias em seu governo.

Assim, nesta rodada, Lula seguiu pautando o debate, dessa vez com um viés eleitoral de enfrentamento direto à Flávio Bolsonaro, associando-o à milícias e a policiais que supostamente teriam alvejado uma criança de cinco anos no Rio de Janeiro. Bella Gonçalves resgatou o Banco Master para denunciar os supostos vínculos do governo de Romeu Zema com o banqueiro Daniel Vorcaro. Pela direita, o discurso mais recorrente foi um ataque direto à Lula por Damares Alves e Magno Malta, ao tentarem associar uma fala de Lula sobre masculinidades com o tema do abuso de crianças.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública²

[2] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente.

GRÁFICO 7 | Candidatos vinculados à segurança pública
Posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Candidatos vinculados à segurança pública ampliado

Ao se observar os posts únicos dos candidatos oriundos das forças de segurança pública, os dados do Data Lake DX indicam forte crescimento da frequência entre os nomes que lideram o ranking. O Delegado André Matsushita (PP-MS) permanece na primeira posição, mas passa de 39 para 74 publicações, um aumento de aproximadamente 90%. Kátia Sastre (PL-SP), que ocupava a segunda colocação na rodada anterior com 30 posts, sobe para 50 (+66,7%), embora passe à terceira posição diante do avanço do Sargento Castro (PP-SP), que aparece agora em segundo lugar, com 62 publicações. O Coronel Fábio Paganotto (PL-SP), por sua vez, amplia de 30 para 38 posts (+26,7%) e permanece entre os dez candidatos mais ativos.

A composição desta semana mantém forte presença de integrantes ou ex-integrantes das Polícias Militares, ao mesmo tempo em que os delegados permanecem em posições relevantes. Além de Matsushita, aparecem entre os dez primeiros o Delegado da Cunha (UNIÃO-SP), com 48 posts, e a Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP), com 26. Entre os candidatos vinculados às Polícias Militares, destacam-se Sargento Castro (PP-SP), Capitão Rodolfo Souza (UNIÃO-GO), Sargento Gonçalves (PL-RN), Coronel Fábio Paganotto (PL-SP), Capitã Rebeca (REPUBLICANOS-PB), Coronel Meira (PL-PE) e Kátia Sastre. O conjunto sugere, portanto, continuidade da maior presença relativa das carreiras militares observada no Relatório #09, mas com aumento expressivo da frequência dos candidatos situados no topo. Na rodada anterior, seis dos dez nomes mais ativos eram policiais militares, revertendo a maior presença de delegados registrada no Relatório #08

Entre os conteúdos de maior repercussão do Delegado André Matsushita (PP-MS), aparece novamente o endurecimento penal, agora associado diretamente ao debate sobre feminicídio. O candidato atribui parte da persistência da violência contra as mulheres à ausência de aplicação efetiva das punições e argumenta que a perspectiva concreta de prisão produziria efeito dissuasório: “O criminoso é covarde e, se ele souber que vai para a prisão de verdade, ele pensa duas vezes”. O enquadramento representa uma mudança em relação à rodada anterior, quando suas publicações de maior engajamento estavam mais concentradas na exposição de apoios eleitorais, trajetória profissional e defesa das forças policiais. Nesta semana, a pauta de gênero também aparece em reação a uma fala de Lula (PT) sobre cuidados médicos e o contato físico com mulheres desde a infância. Matsushita classifica a declaração negativamente e utiliza o episódio para criticar, em tom irônico, a ausência de manifestações de grupos feministas.

O Sargento Castro (PP-SP), que alcança a segunda posição em frequência, direciona seus conteúdos de maior repercussão sobretudo à disputa eleitoral e à confrontação com adversários políticos, mais do que à apresentação de políticas específicas de segurança pública. Em uma das publicações, aparece ao lado de Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal simulando uma dedetização, acompanhada da expressão “desPTizar”, recurso visual que associa a disputa contra o PT à eliminação de uma “praga”. Em outra postagem, comenta o fechamento das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália a três dias da eleição e sugere uma possível relação com o cenário eleitoral e com o desempenho de Flávio Bolsonaro, sem apresentar, no conteúdo descrito, elementos que sustentem essa associação. O padrão reforça algo identificado em rodadas anteriores: entre candidatos vinculados às forças de segurança, conteúdos de maior mobilização frequentemente combinam linguagem de confronto, posicionamentos eleitorais e críticas a adversários, com menor densidade programática. No Relatório #08, por exemplo, os posts de maior repercussão desse grupo já apareciam mais associados a episódios concretos, confronto político e linguagem mobilizadora do que à exposição detalhada de propostas.

Kátia Sastre (PL-SP), por sua vez, também incorpora a fala de Lula ao centro de sua comunicação. Mobilizando simultaneamente suas identidades de “mulher, mãe e policial”, crítica a declaração do presidente e afirma que não permaneceria em silêncio diante do episódio. Em paralelo, utiliza pesquisas eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL) para reforçar sua identificação política e eleitoral com a direita, apresentando-se como “policial, mãe, família, cristã”. Há, portanto, continuidade em relação à rodada anterior na associação entre identidade profissional, valores políticos e campanha eleitoral. No Relatório #09, seus conteúdos de maior repercussão já combinavam apoio explícito a Flávio Bolsonaro, aproximação com Guilherme Derrite e referências à sua trajetória como policial militar, além de críticas ao presidente Lula.

No conjunto, os três candidatos que lideram a frequência nesta rodada apresentam uma comunicação marcada por maior incorporação da disputa presidencial às pautas de segurança pública. A violência contra as mulheres e o feminicídio aparecem associados ao endurecimento penal e à crítica ao presidente; simultaneamente, identidade policial, valores conservadores e antagonismo partidário são utilizados como elementos de mobilização eleitoral. Em comparação ao Relatório #09, quando os principais conteúdos dos candidatos mais ativos combinavam apoios políticos, trajetória profissional e valorização da experiência policial como capital eleitoral, nesta semana o confronto entre candidaturas presidenciais ganha mais centralidade, em um contexto de proximidade do primeiro turno.

GRÁFICO 8 | Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública
Interações nos posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública ampliado

O ranking de engajamento apresenta uma recomposição em relação à rodada anterior, acompanhada por uma queda importante da repercussão acumulada entre os dez primeiros colocados. Nesta semana, os dez candidatos do gráfico 8 somam aproximadamente 650,5 mil interações, contra cerca de 1,19 milhão no Relatório #09, uma retração de aproximadamente 45,3%. A mudança também aparece na liderança: o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), que havia ocupado a primeira posição com 411,4 mil interações, cai para a oitava colocação, com 41,9 mil (-89,8%). Em sentido contrário, o Sargento Castro (PP-SP) passa da terceira para a primeira posição e amplia seu engajamento de 154 mil para 172,1 mil interações (+11,8%).

O desempenho do Sargento Castro (PP-SP) também chama a atenção porque combina alta frequência de publicação e capacidade de mobilização, diferentemente de parte dos candidatos que alcançam o topo a partir de poucos conteúdos virais. Como demonstrado no gráfico 7, Castro publicou 62 vezes no período e aparece agora como o candidato de maior engajamento. Além dos conteúdos já mencionados, sua comunicação utiliza com frequência o formato de react, no qual o candidato aparece reagindo a acontecimentos da disputa eleitoral. Entre esses conteúdos, comenta o debate para o governo de São Paulo entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas e a incorporação de Pablo Marçal à campanha de Flávio Bolsonaro. Neste último, reage fazendo o gesto de “arma” com as mãos, símbolo amplamente associado à comunicação política de Jair Bolsonaro. O formato reforça uma estratégia já identificada nas rodadas anteriores: linguagem informal, referências visuais e mobilização eleitoral ocupam espaço relevante em sua comunicação. No Relatório #08, Castro já aparecia utilizando memes, humor e referências ao universo policial, enquanto no Relatório #09 combinava esse repertório com propostas de valorização das polícias, escolas cívico-militares, defesa dos CACs e mudança no sistema prisional.

O Coronel Edson Raiado (PSD-GO) apresenta um padrão diferente. Com apenas oito publicações no período, ocupa a segunda posição, com 89,2 mil interações, indicando elevada concentração da repercussão em poucos conteúdos. Seu post de maior engajamento, com 65,2 mil interações, responde sozinho por aproximadamente 73,1% de todo o engajamento obtido pelo candidato. No vídeo, Raiado aparece realizando a prisão de um acusado de estupro de vulnerável e, ao final, defende medidas de forte endurecimento penal. Entre elas, menciona “pena de morte” e “fuzilamento em praça pública”, além de solicitar “castração química e pena máxima de 40 anos de regime fechado”. O candidato também afirma ser necessária uma nova Constituinte para viabilizar tais medidas que não encontram previsão na ordem constitucional vigente. O conteúdo retoma uma característica observada ao longo da série entre candidaturas vinculadas às forças de segurança: casos concretos de violência são frequentemente utilizados como ponto de partida para a defesa de punições mais severas. Em relatórios anteriores (#05), propostas como castração química, prisão perpétua e pena de morte também aparecem entre os conteúdos de maior repercussão desse grupo.

O Capitão Dantas (UNIÃO-CE) aparece na terceira posição, com 76,5 mil interações, volume relativamente próximo das 79,4 mil registradas na rodada anterior (-3,7%). A estabilidade numérica, contudo, resulta em avanço da quinta para a terceira colocação diante da retração dos demais candidatos. Seu conteúdo de maior destaque não estava mais disponível no momento da análise, não sendo possível determinar se a retirada ocorreu por decisão da própria campanha, do usuário ou em decorrência das políticas da plataforma. No segundo post de maior repercussão, Dantas rasga uma denúncia apresentada contra ele após ter determinado que uma pessoa apagasse pichações e afirma que irá “para cima, dentro da lei” dos responsáveis pela representação. Nos demais conteúdos, a campanha assume caráter mais territorial, com passagens por municípios como Tianguá, Crato, Ubajara e Morada Nova, associadas à promessa de destinar R$10 milhões por ano para equipamentos das forças policiais caso seja eleito.

Entre os dez candidatos vinculados às forças de segurança pública com maior engajamento, as propostas identificadas concentram-se sobretudo em endurecimento penal, valorização das corporações e ampliação da capacidade operacional das forças de segurança. Sargento Castro (PP-SP) combina defesa dos CACs, escolas cívico-militares, melhores condições para policiais e parcerias privadas no sistema prisional; Capitão Dantas (União-CE) propõe destinar R$ 10 milhões anuais para equipamentos policiais, ampliar a estrutura das corporações e transformar Guardas Municipais em Polícias Municipais; e Coronel Meira (PL-PE) também defende essa transformação, além de recomposição salarial para policiais e bombeiros, integração entre as forças e maior rigor contra facções. Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) apresenta o conjunto mais amplo de medidas, com redução da maioridade penal, aumento das penas para tráfico e crimes patrimoniais, segurança armada na porta das escolas, trabalho de pessoas presas e ampliação das garantias para profissionais da segurança.

Outra frente relevante está associada à proteção de vítimas e ao agravamento das punições para crimes de forte apelo social. Coronel Edson Raiado (PSD-GO) defende maior rigor para crimes sexuais; Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) propõe tornar maus-tratos contra animais crime hediondo e defende a prisão perpétua para crimes sexuais; e Delegado André David (REPUBLICANOS-SE) concentra suas propostas na prevenção e combate ao crime de colarinho branco, leis mais rígidas e resposta institucional mais rápida para prevenir feminicídios, fortalecer a proteção de crianças e adolescentes contra abusos, exploração e violência, inclusive no ambiente digital e, por fim, melhorar as condições de trabalho para os profissionais de segurança pública. Sargento Almeida (PSD-PE) enfatiza recursos e valorização profissional. Já entre Sargento Gonçalves (PL-RN) e Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), não foram identificadas propostas concretas de segurança pública nas postagens dessa semana, predominando conteúdos de prestação de contas, posicionamento político ou repercussão de acontecimentos.

No conjunto, a rodada reforça um padrão observado ao longo da série: a agenda dos candidatos oriundos das forças de segurança permanece majoritariamente orientada pelo recrudescimento penal, fortalecimento das corporações e ampliação de recursos e prerrogativas institucionais. Ao mesmo tempo, aparecem propostas mais específicas voltadas à violência contra mulheres, crianças e animais, além de mudanças na organização das Guardas Municipais e do sistema prisional.

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos oriundos das forças de segurança?

CANDIDATO PROPOSTAS
Sargento Castro (PP-SP)
  • Valorização dos policiais.
  • Apoio às escolas cívico-militares.
  • Defesa dos direitos dos CACs.
  • Parcerias com a iniciativa privada no sistema prisional, com trabalho para os presos.
  • Mais atenção aos policiais do interior e melhores condições para o serviço.
Coronel Edson Raiado (PSD-GO)
  • Endurecimento da legislação para crimes sexuais.
  • Castração quimica e pena de morte.
  • Medidas para ampliar o tempo de permanência de autores de crimes sexuais na prisão e restringir seu retorno ao convívio social.
  • Maior rigor no cumprimento das penas para crimes graves.
Capitão Dantas (UNIÃO-CE)
  • Transformação das guardas municipais em Polícias Municipais, com ampliação de autoridade legal e estrutura.
  • Destinação de R$10 milhões por ano para equipamentos das forças policiais.
  • Valorização dos policiais, com melhores condições de trabalho, treinamento e reconhecimento profissional.
  • Endurecimento das leis e fortalecimento das forças de segurança.
  • Defesa dos CACs e dos clubes de tiro
Sargento Gonçalves (PL-RN)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Coronel Meira (PL-PE)
  • Transformação das Guardas Municipais em Polícias Municipais, por meio da PEC 18/2025.
  • Recomposição salarial de no mínimo 30% para Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar.
  • Valorização dos profissionais da segurança e melhoria das condições de trabalho.
  • Endurecimento da legislação penal e enfrentamento às facções criminosas.
  • Maior integração entre as forças de segurança.
Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Sargento Almeida (PSD-PE)
  • Ampliação dos investimentos e da estrutura destinada às forças de segurança.
  • Valorização dos profissionais da segurança pública.
  • Busca de recursos e emendas parlamentares para fortalecer a segurança pública.
Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP)
  • Classificação dos maus-tratos contra animais como crime hediondo.
  • Endurecimento das penas para autores de maus-tratos contra animais.
  • Defesa da prisão perpétua para crimes extremos, exemplificado em um conteúdo relacionado à violência contra mulheres.
Delegado da Cunha (UNIÃO-SP)
  • Endurecimento das penas para roubo, furto de celular, receptação e outros crimes patrimoniais.
  • Classificação como crime hediondo de homicídios e lesões corporais contra policiais, GCMs, vigilantes e seus familiares.
  • Policiais armados no portão das escolas.
  • Obrigatoriedade de trabalho para pessoas presas, com destinação de recursos para custear sua permanência e indenizar vítimas.
  • Redução da maioridade penal.
  • Aumento das penas para tráfico de drogas.
  • Reconhecimento constitucional das Guardas Civis Municipais.
  • Defesa de direitos dos vigilantes, incluindo porte de arma e aposentadoria especial.
  • Fim da escala 12×36 para policiais militares (PL 5967/2023 e a PEC 18).
Delegado André David (REPUBLICANOS-SE)
  • Leis mais rígidas e resposta institucional mais rápida para prevenir feminicídios e proteger mulheres ameaçadas.
  • Fortalecimento de políticas públicas e busca de recursos para o enfrentamento à violência contra as mulheres.
  • Política mais rígida de proteção de crianças e adolescentes contra abusos, exploração e violência, inclusive no ambiente digital.
  • Punições mais severas para autores de crimes contra crianças e adolescentes.
  • Combate ao crime de colarinho branco, incluindo agentes que financiam, protegem ou articulam atividades criminosas.
  • Melhores condições e valorização dos profissionais das forças de segurança.

Presidenciáveis

No âmbito dos presidenciáveis, os dados do Data Lake DX apontam para uma redução da frequência de publicações sobre segurança pública e uma mudança importante na liderança frequência. Foram identificados 63 posts no período, ante 91 na rodada anterior, uma retração de aproximadamente 30,8%. Lula (PT) passa a ocupar a primeira posição, com 26 publicações, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 10, e Romeu Zema (NOVO), com 8. Renan Santos (MISSÃO), Augusto Cury (AVANTE) e Samara Martins (UP) aparecem na sequência, com quatro posts cada. A mudança é relevante porque, no Relatório #09, Ronaldo Caiado liderava a frequência, enquanto Lula e Zema permaneciam entre os nomes mais ativos. Nesta última semana antes da votação, portanto, a retração agregada ocorreu simultaneamente a uma maior concentração da produção em Lula, responsável por cerca de 41% dos posts identificados entre os presidenciáveis.

GRÁFICO 9 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública ampliado

O cenário é ainda mais concentrado quando se observa o volume de interações. Lula mantém ampla liderança, com aproximadamente 1,23 milhão de interações, seguido a grande distância por Renan Santos, com 146,8 mil. Augusto Cury aparece em terceiro lugar, com 29,6 mil, seguido por Romeu Zema, com 26 mil, Flávio Bolsonaro, com 10,2 mil, e Ronaldo Caiado, com 6,1 mil. Em relação ao Relatório #09, Lula preserva a liderança, mas apresenta redução frente às cerca de 1,7 milhão de interações registradas na rodada anterior. A principal alteração ocorre nas posições seguintes: Renan Santos ascende ao segundo lugar, enquanto Flávio Bolsonaro, que havia ocupado essa posição com 43,8 mil interações, perde espaço.

O engajamento de Lula está fortemente associado à disputa direta com Flávio Bolsonaro. Seus três posts de maior repercussão somam aproximadamente 970 mil interações, quase 79% de todo o engajamento obtido pelo candidato nas queries monitoradas. No conteúdo de maior engajamento, com 478,4 mil interações, a campanha reúne falas atribuídas a Flávio sobre diferentes temas e constrói um contraste entre as duas candidaturas: “Nós defendemos um Brasil livre das Bets” e “Nós defendemos proteção e segurança, inclusive para mulheres vítimas de violência, eles, a milícia como padrão”. Nos dois posts seguintes, a segurança pública também funciona como instrumento de diferenciação eleitoral. Em um deles, a campanha recupera o assassinato de Ana Clara, de cinco anos, para destacar a atuação de Flávio na defesa de um dos acusados no processo; em outro, repercute o repasse de R$200 mil em emendas parlamentares para o projeto ligado a Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, e utiliza o episódio para associar o adversário às milícias. Trata-se, portanto, de conteúdos estruturados principalmente pela responsabilização e pelo ataque eleitoral, e não pela apresentação de novas propostas.

Essa composição representa uma mudança em relação ao período anterior. No Relatório #09, a liderança de Lula havia sido impulsionada sobretudo pelo anúncio da proibição das bets, conteúdo que sozinho alcançou cerca de 1,3 milhão de interações, enquanto outros posts incorporavam medidas relacionadas à violência contra as mulheres. Nesta rodada, propostas continuam aparecendo — a campanha defende maior presença policial nas ruas, inteligência, ampliação das prisões de segurança máxima, enfrentamento ao crime organizado, retomada de territórios combinando policiamento e políticas sociais, aprovação da PEC de segurança pública e proteção financeira para mulheres afastadas do trabalho em razão de violência doméstica —, mas os maiores picos de engajamento são produzidos pelo contraste com Flávio Bolsonaro. A agenda de segurança pública passa, assim, a integrar de maneira mais direta a polarização da reta final de campanha.

Renan Santos (MISSÃO), segundo colocado em engajamento, apresenta dinâmica diferente e maior densidade programática entre seus conteúdos de maior repercussão. Seu principal post, com 93,1 mil interações — aproximadamente 63% de todo seu engajamento no período — apresenta “14 propostas para transformar o Brasil”. Entre as medidas relacionadas à agenda monitorada estão a “guerra ao crime organizado”; a criação de uma Lei de Responsabilidade Gerencial, com metas, fiscalização e sanções para gestores reincidentes; e a proposta de “acabar com as favelas em dez anos”, transformando-as em bairros formalizados, com títulos de propriedade, infraestrutura, segurança, escolas, clínicas e creches, além de monitoramento por satélite. No segundo conteúdo de maior repercussão, com 35,4 mil interações, Renan adota um enquadramento mais confrontacional ao defender policiais em um vídeo intitulado “o vídeo que defensores de bandidos não querem que você veja”, contrapondo sua posição à de Lula, acusado de defender bandidos. Na peça publicitária, dados referentes a assassinatos de policiais são apresentados.

Augusto Cury (AVANTE), terceiro colocado no ranking de interações, mantém uma agenda mais voltada para a integração institucional, prevenção e uso de tecnologia. Em seu conteúdo de maior repercussão, entrevistado pelo próprio neto, defende atuação coordenada das forças de segurança e mecanismos tecnológicos para reduzir o tempo entre o pedido de socorro e a proteção das vítimas. A proteção às mulheres ocupa posição central, com propostas de aplicativo de alerta, utilização de drones e respostas mais rápidas. Em outros conteúdos, Cury defende inteligência e prevenção como alternativas a uma política exclusivamente baseada na ampliação de vagas prisionais. O candidato mantém, portanto, uma linha semelhante à observada em relatórios anteriores, nos quais já aparecia associado à valorização, integração e modernização das polícias.

Entre os demais presidenciáveis, as propostas aparecem com menor repercussão e diferentes graus de detalhamento. Ronaldo Caiado (PSD) defende o uso de inteligência artificial, monitoramento e integração tecnológica entre batalhões, capacitação na área de inteligência e bloqueadores de comunicação em presídios de segurança máxima. Edmilson Costa (PCB) propõe uma rede pública de atendimento e enfrentamento à violência de gênero, enquanto o Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA) incorpora a proteção animal a uma estratégia de prevenção da violência: “maus-tratos também podem ser um sinal de alerta para outras formas de violência”. Já as publicações monitoradas de Romeu Zema (NOVO) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam menor detalhamento programático nessa rodada: Zema promete combater o crime organizado, mas sem explicitar medidas concretas nos conteúdos, enquanto os dois posts de Flávio concentram-se em críticas políticas e ataque a Lula.

Em síntese, a última semana antes da votação apresentou menor volume de publicações entre os presidenciáveis, mas forte concentração do engajamento no confronto eleitoral. Lula domina simultaneamente frequência e interações, porém sua repercussão é puxada principalmente por conteúdos que procuram atacar Flávio. Renan Santos se diferencia ao combinar essa lógica de confronto com um conjunto mais amplo de propostas, enquanto Augusto Cury e Ronaldo Caiado mantêm maior ênfase em tecnologia, integração das forças e capacidade operacional do Estado. Em comparação às rodadas anteriores, nas quais temas como bets, super presídios e enquadramento das facções como organizações terroristas ganharam centralidade, a proximidade do primeiro turno desloca parte relevante da agenda de segurança pública da apresentação de políticas para a demarcação de diferenças entre os candidatos e para ataques mais diretos aos adversários políticos.

GRÁFICO 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis • Volume de interações ampliado

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Augusto Cury (AVANTE)
  • Integração e atuação coordenada das forças de segurança.
  • Uso de tecnologia, inteligência e resposta rápida na prevenção ao crime.
  • Utilização de aplicativo de alerta para mulheres em situação de risco.
  • Uso de drones e outros recursos tecnológicos na proteção das mulheres e na segurança pública.
  • Prevenção de ataques e priorização da prisão de indivíduos considerados de maior risco.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Edmilson Costa (PCB)
  • Defende uma rede pública de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Ampliação da presença policial nas ruas, investimento em inteligência e aumento das prisões de segurança máxima.
  • Enfrentamento financeiro ao crime organizado, buscando atingir financiadores e beneficiários das organizações criminosas.
  • Retomada de territórios dominados pelo crime combinando atuação policial com educação, cultura, formação profissional e oportunidades.
  • Aprovação da PEC da Segurança Pública.
  • Proteção financeira para mulheres que precisem se afastar do trabalho em decorrência de violência doméstica.
Renan Santos (MISSÃO)
  • Transformação das favelas em bairros formais em dez anos, com títulos de propriedade, infraestrutura, segurança, escolas, clínicas e creches.
  • Criação da Lei de Responsabilidade Gerencial, com metas, fiscalização e sanções para gestores reincidentes, incluindo inelegibilidade e cassação por improbidade gerencial.
  • Defesa e valorização da atuação policial.
Romeu Zema (NOVO)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Uso de inteligência artificial e tecnologias de monitoramento no combate à criminalidade.
  • Integração tecnológica entre batalhões e investimento em capacitação na área de inteligência.
  • Maior controle sobre presídios de segurança máxima, com defesa do uso de bloqueadores.
  • Endurecimento do enfrentamento às facções e ao crime organizado.
Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Samara Martins (UP)
  • Enfrentamento e fim da violência contra as mulheres.
Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA)
  • Tratar a proteção contra os animais como uma pauta de segurança pública.

Candidatos a Governador

Nesta seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos de cinco estados federativos — Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba e São Paulo — no debate digital. Considera-se esse esforço de análise como fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos governos estaduais.

Como o conjunto de estados monitorados se alterna entre as edições, as comparações são feitas sempre com o relatório mais recente que analisou o mesmo recorte estadual. Assim, Ceará, Espírito Santo, Goiás e Paraíba são comparados ao Relatório #08, última edição em que esses quatro estados foram monitorados, enquanto São Paulo é comparado ao Relatório #09, já o estado se mantém em todos os relatórios. Nesta rodada, foram identificadas 113 postagens, uma redução de aproximadamente 54% em relação às 248 publicações registradas no Relatório #08, quando esses mesmos estados foram analisados. Além da retração no volume, observa-se uma mudança importante na distribuição do engajamento: no Relatório #08, os governadores em exercício lideravam a repercussão em quatro dos cinco estados, com exceção do Ceará; nesta semana, essa liderança permanece apenas no Espírito Santo, com Ricardo Ferraço (MDB-ES). Ciro Gomes (PSDB-CE), Wilder Morais (PL-GO), Efraim Filho (PL-PB) e Fernando Haddad (PT-SP) passam a concentrar a maior parcela das interações em seus respectivos estados. Apesar da proximidade do primeiro turno e do maior peso do confronto eleitoral, a disputa estadual segue apresentando maior presença de propostas específicas, com propostas relacionadas ao combate às facções e ao crime organizado, recomposição e valorização dos efetivos policiais, inteligência e monitoramento, segurança rural e proteção às mulheres.

Ceará

No Ceará, a tabela 03 mostra uma forte concentração da repercussão em Ciro Gomes (PSDB-CE), que publicou 30 vezes sobre segurança pública e somou 82,2 mil interações, equivalentes a 92,1% do engajamento entre os candidatos do estado; Elmano de Freitas (PT-CE) aparece em seguida, com oito posts e 5,2 mil interações (5,9%), enquanto Delegado Huggo (MISSÃO-CE), Serley Leal (UP-CE) e Zé Batista (PSTU-CE) apresentam participação bastante inferior. Entre os conteúdos de maior repercussão, Ciro concentra o debate no crime organizado e na crítica à atual gestão, afirmando que pretende “expulsar as facções criminosas do Ceará” e, em outro post, prometendo garantir uma delegacia de polícia em cada município do estado, ao alegar que 71 municípios não contam com delegado; também repercute episódio em que a casa da mãe de um policial militar teria sido vandalizada por facções. Elmano (PT-CE), por sua vez, combina defesa das ações do governo com propostas de ampliação do efetivo, do uso de tecnologia e proteção às mulheres: em seus posts de maior engajamento, promete contratar mais de 6 mil profissionais de segurança, ampliar o uso de inteligência e fortalecer a presença policial, além de dobrar a Patrulha Maria da Penha, ampliar as Casas da Mulher e criar uma linha especial de crédito para vítimas de violência. Já o Delegado Huggo (MISSÃO-CE) concentra suas publicações em críticas à gestão estadual e na valorização das instituições policiais. Serley Leal (UP-CE) relaciona a violência à desigualdade social e defende mais direitos, salários e oportunidades para a juventude, enquanto Zé Batista (PSTU-CE) repercute um episódio de repressão policial a trabalhadores, sem apresentar proposta específica de segurança pública.

TABELA 03: Desempenho dos candidatos ao governo do Ceará em postagens e interações
Estado: CE
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ciro Gomes (PSDB-CE) 30 82,2 mil 92,1%
Elmano de Freitas (PT-CE) 8 5,2 mil 5,9%
Delegado Huggo (MISSÃO-CE) 4 1,5 mil 1,7%
Serley Leal (UP-CE) 1 133 0,1%
Zé Batista (PSTU-CE) 1 88 0,1%

Espírito Santo

No Espírito Santo, o debate sobre segurança pública apresenta forte retração de repercussão em relação ao Relatório #08. Ricardo Ferraço (MDB-ES) permanece na liderança, com quatro posts e 581 interações, concentrando 70,4% do engajamento estadual, enquanto Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES), que não havia publicado sobre o tema no Relatório #08, retorna com uma postagem e 244 interações (29,6%). Ferraço, contudo, amplia de dois para quatro o número de publicações, mas registra queda expressiva frente às 3,2 mil interações obtidas no Relatório #08. Seu conteúdo de maior repercussão aborda o feminicídio e a violência contra as mulheres, defendendo rigor no enfrentamento aos agressores e incentivando a denúncia pelas vítimas nos canais criados em seu governo: “Centro Margarida” e “Programa Mulher mais Segura”, além de reforçar que seu governo monitora 300 agressores. Já Pazolini concentra sua única publicação em uma proposta específica para a segurança no campo, defendendo patrulhamento rural com inteligência e ações voltadas à prevenção e repressão de roubos de máquinas, colheitas e animais. Assim, embora Ferraço mantenha a maior parcela das interações, a rodada apresenta menor mobilização digital e uma agenda dividida entre proteção às mulheres, integração das forças e policiamento rural.

TABELA 04: Desempenho dos candidatos ao governo do Espírito Santo em postagens e interações
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraço (MDB-ES) 4 581 70,4%
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES) 1 244 29,6%

Goiás

Em Goiás, observa-se uma recomposição expressiva do engajamento em relação ao Relatório #08. Wilder Morais (PL-GO) assume a liderança, com 12 posts e 5,4 mil interações (45%), seguido por Marconi Perillo (PSDB-GO), com oito publicações e 4,2 mil interações (34,8%), enquanto Daniel Vilela (MDB-GO), que no Relatório #08 concentrava 82,5% do engajamento estadual, cai para a terceira posição, com dois posts e 2,4 mil interações (20,2%). Entre os conteúdos de maior engajamento, Wilder concentra sua comunicação na segurança rural e na ampliação da presença policial, defendendo o fortalecimento das Patrulhas e Policiais Rurais, o direito dos produtores adquirirem e portarem armas dentro de suas propriedades e a recomposição do efetivo policial, com rondas ostensivas nos municípios, dizendo que “nunca vi tecnologia algemar ninguém ou levar ninguém para a cadeia”. Marconi combina críticas à situação da segurança no estado com propostas mais específicas: valorização salarial das forças de segurança, criação de um botão “Maria da Penha” associado ao monitoramento do agressor e resposta policial, além do reforço da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos com uso de inteligência artificial. Daniel Vilela, por sua vez, apresenta menor frequência de publicações nesta rodada: seu conteúdo de maior repercussão remete à remuneração dos policiais em anos anteriores, enquanto o segundo destaca genericamente a redução dos índices criminais e avanços da atual gestão. Assim, a disputa em Goiás deixa de ser fortemente concentrada no incumbente e passa a apresentar maior equilíbrio entre oposição e situação, com Wilder enfatizando policiamento e proteção da propriedade rural e Marconi combinando valorização policial, proteção às mulheres e combate a crimes digitais.

TABELA 05: Desempenho dos candidatos ao governo de Goiás em postagens e interações
Estado: GO
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Wilder Morais (PL-GO) 12 5,4 mil 45,0%
Marconi Perillo (PSDB-GO) 8 4,2 mil 34,8%
Daniel Vilela (MDB-GO) 2 2,4 mil 20,2%

Paraíba

Na Paraíba, a principal mudança é a retomada de Efraim Filho (PL-PB) no centro do debate, após não ter publicado sobre segurança pública no Relatório #08. Agora, o candidato lidera com quatro posts e 24,2 mil interações, concentrando 73,1% do engajamento estadual. Sua repercussão está fortemente concentrada em uma publicação com 21,7 mil interações, na qual rebate a informação do governo de que as delegacias funcionariam 24 horas. Em vídeo gravado em frente à delegacia da mulher fechada, o candidato crítica a falta de efetivo policial na cidade de João Pessoa. Lucas Ribeiro (PP-PB), que no Relatório #08 concentrava 97,8% das interações, com 13,7 mil, recua para uma única publicação e 7,8 mil interações (23,4%), embora apresente uma agenda mais programática: promete ampliar os Centros Integrados de Comando e Controle, dobrar o número de câmeras de monitoramento, reforçar o policiamento nas estradas e cidades e levar a Patrulha Maria da Penha aos 223 municípios. Yuri Ezequiel (UP-PB), com 694 interações (2,1%), associa a segurança pública à remuneração dos trabalhadores, ao enfrentamento da violência contra as mulheres e ao fim da violência policial. Já Cícero Lucena (MDB-PB), com 476 interações (1,4%), defende valorização e melhores condições de trabalho para os profissionais da segurança, fortalecimento do monitoramento e ampliação das ferramentas disponíveis às forças policiais; em outra publicação, promete garantir o segundo maior salário do Nordeste para as forças de segurança e abrir seis novos Centros de Monitoramento.

TABELA 06: Desempenho dos candidatos ao governo da Paraíba em postagens e interações
Estado: PB
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Efraim Filho (PL-PB) 4 24,2 mil 73,1%
Lucas Ribeiro (PP-PB) 1 7,8 mil 23,4%
Yuri Ezequiel (UP-PB) 3 694 2,1%
Cícero Lucena (MDB-PB) 3 476 1,4%

São Paulo

Em São Paulo, a disputa sobre segurança pública permanece concentrada em Fernando Haddad (PT-SP) e Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP), mas apresenta forte aproximação entre os dois candidatos em relação ao Relatório #09. Haddad mantém a liderança, com 17 posts e 87,9 mil interações (50,1%), ante 16 publicações, 44,2 mil interações e 58,5% de engajamento do Relatório #09; portanto, praticamente dobra sua repercussão (+98,9%), embora perca participação relativa. Tarcísio apresenta crescimento ainda mais acentuado, passando de três para sete posts e de 30,9 mil para 86,9 mil interações (+181,2%), ampliando sua parcela de 40,9% para 49,5%. A diferença entre os dois, que era de 13,3 mil interações no relatório anterior, cai para apenas 1 mil nesta rodada. Entre os conteúdos de maior repercussão, Haddad concentra suas publicações na crítica às relações políticas de Tarcísio e no fortalecimento das forças de segurança: em seu principal post, com 40,1 mil interações, associa o governador ao apoio eleitoral aos filhos de Milton Leite e critica as condições das Polícias Militar e Civil e das delegacias; em outro, com 30,5 mil, relaciona feminicídio, crimes raciais e intolerância contra a população LGBT à presença do crime organizado e defende maior estrutura para as polícias. Tarcísio, por sua vez, enfatiza resultados e ações de sua gestão, alcançando 57,7 mil interações ao destacar indicadores de criminalidade e atribuir à Polícia Civil paulista e ao GAECO a origem da Operação Carbono Oculto; em outro conteúdo, com 26,4 mil, associa o enfrentamento ao crime organizado e políticas de atendimento a dependentes ao processo que sua campanha apresenta como responsável pelo fim da Cracolândia. Assim, diferentemente do Relatório #09 — quando Haddad havia assumido a liderança após uma forte retração de Tarcísio —, a última rodada mostra recuperação expressiva do governador e uma quase igualdade no volume de interações, ainda que com estratégias distintas: Haddad privilegia críticas à gestão e propostas de fortalecimento institucional, enquanto Tarcísio mobiliza principalmente resultados e operações realizadas durante o mandato.

TABELA 07: Desempenho dos candidatos ao governo de São Paulo em postagens e interações
Estado: SP
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Fernando Haddad (PT-SP) 17 87,9 mil 50,1%
Tarcísio (REPUBLICANOS-SP) 7 86,9 mil 49,5%
Vivian Mendes (UP-SP) 1 295 0,2%
Vera (PSTU-SP) 4 235 0,1%
Carlos Machado (PCB-SP) 2 228 0,1%

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos aos governos estaduais?

CANDIDATO PROPOSTAS
Ceará
Ciro Gomes (PSDB-CE)
  • Garantir uma delegacia de polícia em cada município do Ceará
  • Enfrentamento e expulsão das facções criminosas do estado
Elmano de Freitas (PT-CE)
  • Contratação de mais 6 mil profissionais de segurança.
  • Ampliação do uso de tecnologia e inteligência e fortalecimento da presença policial.
  • Dobrar a Patrulha Maria da Penha e ampliar as Casas da Mulher.
  • Criar linha especial de crédito para mulheres vítimas de violência.
Delegado Huggo (MISSÃO-CE)
  • Valorização das instituições policiais.
Serley Leal (UP-CE)
  • Relaciona a violência à desigualdade social e defende mais direitos, salários e oportunidades para a juventude
Zé Batista (PSTU-CE)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Espírito Santo
Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • Maior integração das Guardas Municipais com as demais forças de segurança.
  • Combate ao feminicídio e a violência contra as mulheres.
  • Incentivar denúncias pelas vítimas nos canais criados em seu governo.
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES)
  • Patrulhamento com inteligência nas áreas rurais.
  • Ações de prevenção e repressão ao roubo de máquinas, colheitas e animais no campo.
Goiás
Wilder Morais (PL-GO)
  • Fortalecimento das Patrulhas e Polícias Rurais.
  • Defesa da posse e do porte de armas dentro das propriedades rurais.
  • Recomposição do efetivo policial e realização de rondas ostensivas nos municípios.
Marconi Perillo (PSDB-GO)
  • Valorização salarial das forças de segurança.
  • Criação do botão “Maria da Penha”, combinado ao monitoramento do agressor e acionamento policial.
  • Reforço da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos com uso de inteligência artificial.
Daniel Vilela (MDB-GO)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Paraíba
Efraim Filho (PL-PB)
  • Funcionamento das delegacias por 24h.
Lucas Ribeiro (PP-PB)
  • Ampliação dos Centros Integrados de Comando e Controle.
  • Dobrar o número de câmeras de monitoramento.
  • Reforçar o policiamento nas estradas e nas cidades.
  • Levar a Patrulha Maria da Penha aos 223 municípios do estado.
Cícero Lucena (MDB-PB)
  • Valorização e melhoria das condições de trabalho das forças de segurança.
  • Fortalecimento do monitoramento e das ferramentas disponíveis às polícias.
  • Garantir o segundo maior salário do Nordeste para as forças de segurança.
  • Abrir seis novos Centros de Monitoramento.
São Paulo
Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Fernando Haddad (PT-SP)
  • Criação de uma Agência Estadual Anti Facção.
  • Ampliação da proteção às mulheres.
  • Combate ao crime organizado e às milícias.
Vera (PSTU-SP)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Carlos Machado (PCB-SP)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública – Relatório #10 (06.10.2026)

Período da análise: 2026-09-28 a 2026-10-04

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU, Lucas Batista; DAMIANI, João Guilherme; FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – Relatório #10 (06/10/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026.

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

Licença

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