SEMANAL DX (08.07.2026)

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.

A semana consolidou a antecipação da disputa presidencial de 2026. Enquanto Lula conseguiu manter a agenda institucional e de governo associada à sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro enfrentou seu principal desgaste proveniente de conflitos internos do próprio campo político, reduzindo a capacidade da oposição de controlar a narrativa pública. 

O principal eixo da semana concentrou 56% das publicações e 57% das interações, reunindo tanto a disputa direta entre os campos políticos quanto a cobertura dos bastidores da corrida presidencial. A Cúpula do Mercosul sintetizou esse movimento ao transformar a política externa em tema interpretado sob a lógica da disputa eleitoral doméstica.

O conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro foi o único eixo em que a polarização tradicional entre esquerda e direita perdeu centralidade. A imprensa respondeu por 32% das publicações, enquanto a esquerda atuou predominantemente como observadora. A saída de Michelle do PL Mulher, o ataque de Paulo Figueiredo ao voto feminino e a associação de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro atingiram simultaneamente sua pré-candidatura, sem que o campo adversário precisasse construir essa narrativa de desgaste.

Levantamento AtlasIntel/Bloomberg indicou Lula com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O resultado retirou o senador da condição de empate técnico registrada antes da Operação Compliance Zero, na medição do mesmo instituto de pesquisa.

O eixo “Gestão e entregas do governo” foi o único com predominância da esquerda (67%) e concentrou 26% de todas as publicações do campo. Os principais temas abordaram saúde, obras públicas, o programa Pé-de-Meia e a Transnordestina.

A Copa do Mundo foi incorporada ao ambiente de pré-campanha. Aproximadamente 18% das publicações sobre Política Nacional utilizaram o futebol como instrumento de confronto político, tendo como principal episódio a repercussão da declaração de Lula sobre Neymar e a resposta de Flávio Bolsonaro.

Lula reforçou a narrativa de proximidade com a população e valorização da agricultura familiar

O presidente alcançou mais de 6 milhões de visualizações com o vídeo de sua visita ao Ceará, onde foi recebido com forte mobilização popular. Nos outros dois Reels de maior alcance, destacou o Plano Safra da Agricultura Familiar, apresentando maquinários e medidas voltadas ao apoio do pequeno produtor rural.

Flávio Bolsonaro manteve inflação e segurança pública como eixos centrais, combinando política e entretenimento

O senador alcançou 4,7 milhões de visualizações com um vídeo em que propôs realizar compras para um churrasco com R$ 100, utilizando a inflação dos alimentos como tema. Também publicou conteúdo aprendendo passos de funk, em referência às críticas recebidas por dançar durante um evento de pré-campanha. Entre os temas políticos, comentou as sanções impostas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas ligadas ao PCC.

Renan Santos manteve agenda diversificada e explorou controvérsias envolvendo adversários

O pré-candidato do Partido Missão pediu desculpas por ter compartilhado, na semana anterior, a história de Linkon Na Voz, após descobrir tratar-se de um influenciador digital e não de um trabalhador em situação de vulnerabilidade. Também citou Malu Gaspar como referência feminina, afirmando que ela representa uma exceção “em um país em que as mulheres mais famosas são Virgínia e Deolane”. Além disso, repercutiu vídeo publicado por Anthony Garotinho sobre Daniel Vorcaro, políticos e astronautas, destacando o compartilhamento realizado por Michelle Bolsonaro, o que, segundo sua interpretação, sugeriria a participação do enteado da ex-primeira-dama em uma festa promovida pelo banqueiro.

Ronaldo Caiado oficializou Gilberto Kassab como vice e explorou conteúdos de humor

O ex-governador de Goiás anunciou Gilberto Kassab como vice de sua chapa, afirmando que ambos caminharão “de mãos dadas”. Nos demais Reels de maior alcance, abordou o aumento da dívida pública e fez comentários bem-humorados sobre o frio da Noruega, sugerindo que o Brasil venceria o país por 3 a 0 na Copa do Mundo.

Ameaças à integridade democrática

Temas que apresentaram potencial de deterioração do ambiente informacional, de ampliação da polarização ou de enfraquecimento de princípios democráticos durante a semana.

As declarações de Paulo Figueiredo defendendo restrições ao voto feminino reintroduziram no debate público uma narrativa que questiona direitos políticos fundamentais das mulheres. Além de normalizar discursos discriminatórios, esse tipo de conteúdo contribui para um ambiente de deslegitimação da participação feminina na política, reforçando estereótipos de gênero e ampliando a tolerância social à violência política contra mulheres. Em contexto pré-eleitoral, a circulação dessas narrativas tende a aumentar ataques, campanhas de intimidação e assédio direcionados a candidatas, lideranças e ocupantes de cargos públicos, elevando os custos de sua participação política e comprometendo a igualdade de condições na disputa democrática.

A reta final para a decisão dos Estados Unidos sobre a possível imposição de sobretaxas de até 37,5% a produtos brasileiros transformou uma disputa comercial e diplomática em um novo palco da polarização política. A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas audiências públicas do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), em Washington, politizou o debate sobre o chamado “tarifaço”, gerando diferentes narrativas entre os campos políticos. O bolsonarismo busca, com essa ação, se desassociar da imagem de que foram responsáveis pela articulação das tarifas contra o Brasil, após várias evidências mostrarem o contrário e terem sofrido o desgaste por esta associação.

Apoiado por Eduardo Bolsonaro, Flávio utilizou seus cinco minutos de fala presencial para fazer um discurso de viés político-eleitoral. O senador buscou se posicionar como o “único defensor dos interesses do Brasil” diante da ausência de oradores oficiais do Executivo. Sua narrativa teve três eixos principais: o desgaste do governo atual (citando escândalos de corrupção envolvendo Lula e seu filho), a defesa do Pix (enquadrado como legado da gestão de Jair Bolsonaro que beneficia empresas americanas) e o pedido de adiamento das tarifas por 180 dias. Em sua fala, Flávio Bolsonaro destacou que “o Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis ​​pelas ações em questão”. O campo bolsonarista também acusou o governo federal de negligência e de torcer pelas sanções para tentar obter ganhos políticos.

O governo federal, via Itamaraty, esvaziou a relevância do palco escolhido pelo senador. A justificativa oficial foi de que as audiências públicas têm caráter apenas consultivo e que a defesa brasileira já foi feita formalmente por escrito e em conversas de alto nível, rechaçando a interferência dos EUA em políticas internas (como o Pix, decisões do STF e mercado de etanol). Nas redes, a esquerda e parlamentares governistas acusam Flávio Bolsonaro de oportunismo e traição aos interesses nacionais. O principal foco das críticas foi a contradição do pedido do senador: ao solicitar o adiamento das tarifas para depois das eleições, e não a sua suspensão definitiva para proteger a economia, Flávio teria admitido que prioriza seu próprio projeto eleitoral em detrimento da economia do país.

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 237.793 publicações, somando mais de 412 milhões de interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

O debate desta semana concentrou-se em Política Nacional, que reuniu 56% das publicações e 57% das interações, sustentada pela disputa eleitoral em torno da Cúpula do Mercosul, em que Lula confirmou que é candidato à reeleição, e pela cobertura de bastidores da corrida presidencial. O Atrito Michelle e Flávio veio em segundo, com 19% das publicações, puxado pelo vídeo sobre a “festa das astronautas” de Vorcaro e pela disputa interna do PL. Gestão e entregas do governo reuniu 13% e foi o único eixo de maioria da esquerda (67%), ancorado em saúde, obras e programas como o Pé-de-Meia. Corrupção respondeu por 7%, com a investigação de Jaques Wagner no caso Banco Master, e foi o eixo mais à direita da semana (80%). As Pesquisas eleitorais somaram 5%, com o levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrando vantagem de Lula. O perfil político seguiu a divisão das semanas anteriores, em que a extrema-direita foi maioria nos eixos de disputa política e institucional, enquanto a esquerda se concentrou em Gestão e entregas do governo e, de forma equilibrada, nas Pesquisas eleitorais.

Política Nacional liderou com folga em todos os dias da semana, entre 941 e 1.459 posts nos dias de coleta cheia, com pico em 30/06, data da Cúpula do Mercosul em Assunção, em que Javier Milei, presidente argentino, faltou ao encontro após receber Flávio Bolsonaro. O segundo eixo, o Atrito Michelle e Flávio, teve comportamento irregular e um pico próprio em 01/07, quando saltou para 797 posts, mais que o dobro dos dias vizinhos. Gestão e entregas do governo manteve presença estável e modesta, com melhor momento também em 02/07 (406 posts). Corrupção e Pesquisas eleitorais ficaram em patamares baixos ao longo de toda a semana, com exceção de 01/07 para as Pesquisas (269 posts), dia da divulgação do levantamento AtlasIntel/Bloomberg.

A extrema-direita predominou nos eixos de disputa política e institucional, com domínio quase absoluto em Corrupção (80%, o maior índice da semana), impulsionado pela investigação de Jaques Wagner no caso Banco Master, e maioria em Política Nacional (61%). A esquerda foi maioria apenas em Gestão e entregas do governo (67%), eixo de vocabulário de obras e programas sociais. Dois eixos fogem do padrão de polarização: o Atrito Michelle e Flávio teve a maior presença de imprensa da semana (21%), por reunir um conflito interno da direita de forte interesse jornalístico, em que a esquerda aparece mais como observadora do que como parte; e as Pesquisas eleitorais foram o eixo mais equilibrado entre os campos (42% direita, 44% esquerda), com os dois lados disputando a leitura dos números do levantamento.

A distribuição por campo desenhou uma curva em formato de U ao longo da semana: a extrema-direita começou em 59% (29/06), recuou até o piso de 47% em 02/07 e voltou a subir com força no fim da semana, chegando a 65% em 04/07 e 67% em 05/07. O recuo do meio da semana coincide com os dias em que a esquerda teve seu melhor desempenho (38% em 01 e 02/07), sustentada pela cobertura da Cúpula do Mercosul e pela divulgação da pesquisa favorável a Lula. A recuperação da direita no fim da semana acompanha o esvaziamento desses temas e a permanência do Atrito Michelle e Flávio e da pauta de Corrupção. A imprensa manteve-se estável na faixa dos 9% a 15%, com leve queda no encerramento.

 O Atrito Michelle e Flávio Bolsonaro tem uma característica que o distingue de todos os outros: é o único em que a lógica da polarização entre direita e esquerda se desfaz. O perfil político mostra a extrema-direita em 47%, a maior presença de imprensa da semana (21%) e a esquerda mais como plateia do que como parte.

O desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro nesta semana não veio do campo adversário, e sim de dentro do próprio bolsonarismo. Três frentes se abriram ao mesmo tempo, a saída de Michelle do PL Mulher, o ataque de um aliado ao voto feminino e a exposição do vínculo com Daniel Vorcaro, e atingiram a candidatura simultaneamente, enquanto a esquerda se limitou a amplificar o que a direita produziu sozinha.

💔 A saída de Michelle e a disputa pelo comando da direita

O estopim foi a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, em 30 de junho, oficializada como decisão para se dedicar aos cuidados do marido e da filha, mas lida por todos os campos como ruptura política. Michelle recusou a sugestão de Valdemar Costa Neto de gravar um vídeo de arrependimento, deixou de seguir Carlos, Eduardo e Renan Bolsonaro nas redes, manteve apenas Flávio, e sinalizou que não apoiará a pré-candidatura do enteado sob nenhuma hipótese. No fim da semana, elogiou um programa de educação lançado pelo governo Lula, movimento imediatamente interpretado como aceno ao adversário. A imprensa leu o episódio como uma disputa pelo comando do bolsonarismo após a prisão de Jair Bolsonaro, em que Michelle preserva capital político próprio ao se apresentar como quem previu a fragilidade de Flávio. A direita se dividiu entre quem a acusou de sabotagem para reeleger Lula e quem a tratou como ativo eleitoral perdido por má gestão da crise.

🗳️ O voto feminino e a fala de Paulo Figueiredo

No meio da crise, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, radicado nos Estados Unidos e ligado a Eduardo Bolsonaro, declarou que “mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as solteiras”. As pesquisas já vinham registrando a dificuldade de Flávio com o eleitorado feminino, justamente o público que Michelle mobilizava, e a fala jogou luz sobre essa fragilidade. Flávio levou cerca de 24 horas para repudiar a declaração, e o fez depois de o próprio Figueiredo orientá-lo a desautorizá-lo publicamente, uma sequência que o influenciador admitiu em live ter sido deliberada, pensada para que o pré-candidato pudesse se apresentar como defensor das mulheres. Para a esquerda, o episódio foi prova de misoginia estrutural do campo, resumida na ideia de que a direita quer as mulheres para pedir voto, não para exercer poder. Para a imprensa, o caso escancarou que o desgaste de Flávio com o eleitorado feminino é anterior e mais profundo que a briga com a madrasta.

👩‍🚀 Vorcaro, a festa das astronautas e as mansões

A terceira frente ligou a crise familiar ao caso Banco Master. Michelle compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre a chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída a Daniel Vorcaro, insinuando a presença de Flávio. O senador reagiu com irritação, negou ter participado e afirmou que sua única relação com o banqueiro se referia ao filme sobre o pai, enquanto Garotinho declarava que nos doze minutos de gravação a que teve acesso Flávio não aparece. Dois casos patrimoniais deram densidade material à associação. O jogador Richarlison acusou publicamente o senador de ter ficado com uma mansão de R$ 10 milhões em Angra, por meio de um advogado amigo, e reportagens revelaram que o coordenador da pré-campanha comprou um imóvel de R$ 14,5 milhões em Brasília, usado como quartel-general, financiado pelo BRB. A esquerda explorou os dois casos com ironia, invertendo a acusação histórica de que o PT tomaria a casa dos outros, e Lindbergh Farias pediu investigação da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro. A proximidade com Vorcaro, que já corroía a candidatura entre evangélicos e mulheres, ganhou faces concretas, e a imprensa tratou o conjunto como o centro do problema de Flávio.

🪆 Uma crise de dentro

O que costura os três fios é a ausência do adversário. Em uma semana em que a extrema-direita foi maioria em quase todos os eixos do debate, o eixo que expôs a maior fragilidade de sua candidatura presidencial foi movido pela própria direita em uma disputa de poder. A esquerda não precisou construir o desgaste, apenas repercuti-lo. Na mesma semana, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg registrou Flávio caindo de um empate técnico para 42,3% contra 48,8% de Lula no segundo turno, número que dá a medida eleitoral do que a crise interna significou.

ESQUERDA

Nesta semana, o segmento de esquerda deu destaque à disputa judicial por um imóvel em Angra dos Reis (RJ) envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro e o jogador de futebol Richarlison. Parlamentares e perfis progressistas utilizaram o episódio para desgastar a imagem pública do senador.

As publicações repercutiram as declarações de Richarlison, que alega ter adquirido a mansão por R$10 milhões. Segundo os relatos, Flávio teria tentado comprar a mesma propriedade após o negócio com o jogador já ter sido fechado e, mesmo informado pelo antigo proprietário sobre a conclusão da venda, visitou o imóvel acompanhado de seu advogado. Meses depois, uma decisão de reintegração de posse foi movida pela defesa do senador, que acusou o jogador de invasão. Perfis levantaram a suspeita de que a pessoa que transferiu a posse para o advogado de Flávio teria sido induzida ao erro ao assinar um documento concedendo os direitos de um imóvel que já havia sido vendido. O caso ganhou ainda mais força após o próprio Richarlison cobrar publicamente o senador nas redes sociais, marcando o perfil de Flávio nos stories ao compartilhar um vídeo gravado pelo próprio parlamentar dentro da propriedade. (1, 2, 3, 4, 5)

Figuras políticas aproveitaram o caso para endossar críticas ao patrimônio e às articulações do pré-candidato. O deputado Rogério Correia relembrou declarações anteriores em que afirmava que o imóvel não pertencia legalmente ao senador, acusando-o de apropriação irregular (1). Já o deputado Lindbergh Farias ampliou o escopo das críticas ao apontar que uma outra mansão — avaliada em R$14,5 milhões e utilizada como QG político de Flávio — está registrada em nome do coordenador de sua pré-campanha. Destacou, ainda, os detalhes financeiros da transação, mencionando uma entrada de R$4 milhões e um financiamento de R$10,5 milhões feito pelo BRB, banco associado ao escândalo Master.

Outro tema que movimentou o campo progressista foi a carta enviada por Flávio Bolsonaro ao governo norte-americano, solicitando o adiamento por 180 dias das tarifas de 25% impostas sobre as exportações brasileiras para os EUA, sugerindo que a medida passe a valer apenas após o período eleitoral.

Nas redes, perfis repercutiram o argumento do senador de que a aplicação imediata do “tarifaço” de Donald Trump beneficiaria eleitoralmente o governo Lula. Publicações concluíram que, ao pedir o adiamento das taxas e não a suspensão definitiva ou a revisão das tarifas para defender a economia nacional, o parlamentar estaria priorizando apenas os seus interesses políticos e eleitorais, sem se preocupar com os impactos econômicos sobre o país (1, 2, 3, 4). Além disso, postagens sugeriram que esse movimento do pré-candidato gerou ruídos e incômodos que ultrapassaram a esquerda, alcançando alas liberais e de direita, com avaliações de que a carta pode trazer desgastes para a própria campanha do senador.

Parlamentares também utilizaram suas redes para focar no episódio. A deputada Erika Hilton afirmou que o pedido de adiamento soou como uma admissão de influência sobre a medida e questionou o fato de a solicitação não visar o cancelamento da taxação, interpretando o gesto como um sinal de fragilidade eleitoral. Na mesma linha, o deputado Guilherme Cortez criticou o senador, afirmando que a iniciativa demonstra desinteresse com os efeitos da taxação sobre o Brasil e prioriza conveniências pessoais. O debate foi reforçado pela circulação de um vídeo do deputado Lindbergh Farias, que classificou a atitude do senador como irresponsável e uma traição aos interesses do país.

O campo progressista continuou repercutindo os desentendimentos entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Publicações difundiram a tese de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria orientado Michelle a desistir de uma eventual candidatura ao Senado após a ampla circulação do vídeo em que ela criticava o senador. Perfis avaliaram que a postura mais combativa da ex-primeira-dama estaria relacionada à percepção de que uma eventual derrota de Flávio o faria perder a imunidade parlamentar, ampliando sua vulnerabilidade jurídica diante de investigações conduzidas pelo Ministério Público — cenário que, segundo essa leitura, interessaria a Michelle (1, 2).

Também circularam informações de que jornalistas estariam apurando os bastidores da chamada “Festa do Astronauta”, evento privado ligado a Daniel Vorcaro que ganhou visibilidade após insinuações da própria Michelle sobre a suposta presença do pré-candidato. Paralelamente, vídeos trouxeram análises sobre o ambiente interno da campanha de Flávio: embora levantamentos internos indiquem que o vídeo de Michelle não tenha produzido o impacto negativo inicialmente esperado, relatos apontam que o episódio ainda pode afetar a percepção do eleitorado feminino sobre o candidato e sobre a avaliação de sua gestão.

As declarações de Paulo Figueiredo, ligado à família Bolsonaro, também ganharam destaque ao criticar o voto feminino — especialmente o de mulheres solteiras — e defender que mulheres casadas deveriam seguir a orientação política dos maridos. Perfis progressistas e parlamentares classificaram as falas como misóginas, traçando paralelos com discursos associados à extrema-direita nos Estados Unidos e apontando uma contradição entre a estratégia de aproximação de Flávio com o eleitorado feminino e a postura adotada por um de seus principais aliados (1).

A repercussão ganhou novos contornos após a circulação de um trecho de uma transmissão ao vivo em que Figueiredo afirmou que a polêmica em torno do voto feminino teria sido, na verdade, parte de uma estratégia premeditada. Na gravação, ele relata ter orientado o próprio Flávio a desautorizá-lo publicamente e afastá-lo formalmente da campanha, com o objetivo de reposicionar a imagem do senador perante o eleitorado feminino. A revelação gerou críticas adicionais, com publicações classificando a manobra como um exemplo de manipulação discursiva e oportunismo político (1, 2, 3).

O campo progressista comemorou os últimos resultados de pesquisas publicadas na última semana. Pedro Rousseff e Maria do Rosário sinalizaram que Lula poderia ganhar no primeiro turno, após dados da AtlasIntel/Bloomberg mostrarem o atual presidente com 46,3% de intenção de votos, em oposição a Flávio Bolsonaro, seu principal concorrente ao pleito, com 36,6%. Outros perfis ecoaram a percepção, sinalizando desgaste do pré-candidato do PL, após uma série de polêmicas envolvendo seu nome (1; 2; 3). 

Lindbergh Farias comentou sobre o Paraná Pesquisas que também mostra Lula à frente no Rio de Janeiro.

Perfis do campo progressista deram saliência a entregas do governo federal, comemorando avanços obtidos pela gestão. A entrega de mais lotes da ferrovia Transnordestina, que contou com a presença do presidente Lula no Ceará, repercutiu entre políticos, veículos locais e influenciadores do segmento (Elmano de Freitas; José Guimarães; Camilo Santana; Humberto Costa; PT; Giro de Notícias; Portal Sert News). João Campos publicou em suas redes sociais que pedirá que a Transnordestina fique a cargo do Governo de Pernambuco para avançar com prioridade nas obras.

O Novo Plano Safra para a Agricultura Familiar também ganhou destaque, com menções à necessidade de fortalecimento dos pequenos produtores e da expansão de crédito para o campo (João Daniel; Caio Meneses; Lindbergh Farias; PT São Paulo). Pedro Rousseff salientou que se trata do maior Plano Safra da história do país, com R$525,1 bilhões para o setor agropecuário e bônus para os que protegem o meio ambiente.  O Move Brasil foi enquadrado como uma “iniciativa para fortalecer quem trabalha e gera renda todos os dias em todo o Brasil” (1).

DIREITA

Nesta semana, a direita explorou o caso Master através de distintas frentes. Primeiro, houve a tentativa de anular qualquer especulação sobre ligações de Flávio Bolsonaro ao caso, com foco no compartilhamento de que Flávio não participou da “Festa do Astronauta” promovida por Daniel Vorcaro. Essas publicações também buscaram desatrelar Flávio da imagem de desrespeito com mulheres – visto as revelações sobre exploração sexual no evento – devido ao desgaste com Michelle na semana anterior. 

Segundo, diversas narrativas relacionam o caso com o governo Lula e relatam seus impactos nas eleições de 2026. Perfis, como de Deltan Dallagnol, comentaram a pesquisa BTG/Nexus, que mostrou queda de Lula em 5 pontos percentuais no Nordeste, após a repercussão do envolvimento de Jaques Wagner nas investigações do caso Master. Já Gustavo Gayer publicou diversos vídeos reforçando a desconfiança de André Mendonça sobre Andrei Rodrigues, alegando que o diretor-geral da PF estaria agindo para obstruir as investigações e proteger o governo. Nesse sentido, também foram identificadas publicações que apontam um desgaste da relação do governo com a Suprema Corte, com destaque para a atuação dos ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux no caso Master e do INSS. 

Carlos Jordy comemorou as primeiras sanções dos EUA contra pessoas e empresas brasileiras com suposta ligação ao PCC, destacando que muitas já eram investigadas para afirmar que sem a ação externa não teriam sido punidas e dando protagonismo a Flávio Bolsonaro pela ação. O pré-candidato também explorou o fato, destacando que uma empresa sancionada teria relação com o “careca do INSS”, que seria amigo pessoal de Lula. A suposta conexão entre a fraude do INSS e o PCC foi ampliada por diversas publicações, com alegações de que as ações teriam gerado “pânico” entre o governo. 

O segmento deu grande destaque a Javier Milei, com ênfase no encontro com Flávio Bolsonaro em Buenos Aires, na declaração do presidente argentino sobre esperança de uma “onda azul” na América Latina e no cancelamento de sua participação na Cúpula do Mercosul, enquadrado como forma de evitar encontro com Lula. Circulou também a declaração de Flávio Bolsonaro de que pretende seguir o “modelo Milei se eleito presidente.  Também houve grande repercussão da participação Lula durante o encontro, com críticas e ironia sobre sua fala apresentando cenário positivo brasileiro. Já a defesa do Pix pelo presidente brasileiro no encontro foi considerada como afronta e isolamento dos EUA.

Após a crise entre Michelle e Flávio Boslonaro, perfis do segmento, como Carlos Jordy, continuam trabalhando no reforço da imagem de Flávio como respeitado e com apoio entre as mulheres, tendo centralidade na participação de Flávio, junto de sua esposa, e sua boa recepção no encontro de mulheres promovido pelo PL. Repercutiram também as declarações da deputada Julia Zanatta que afirmou que a fala sobre restrição do voto feminino não foi de Flávio Bolsonaro, defendeu o pré-candidato e garantiu que as mulheres continuam o apoiando. Além disso, foi compartilhado que Michelle Bolsonaro elogiou publicamente a Política Nacional de Educação Bilíngue dos Surdos do governo Lula, enquadrado como apoio ao petista. Oswaldo Eustáquio criticou Michelle por deixar de seguir Carlos e Eduardo Bolsonaro, afirmando que os únicos lados possíveis são Flávio ou Lula.  

Repercutiram amplas críticas sobre a inauguração de trecho da obra de túnel de transposição do Rio São Francisco, pela utilização de um “contêiner improvisado”, salientando a importância da obra e que seu início ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, argumentos usados por perfis como do PL regional do RN. A crítica foi reforçada com o rompimento, no dia seguinte, de um trecho da obra recém inaugurada. 

O PL nacional criticou os impostos implementados durante o governo Lula, como taxações nos combustíveis e em compras internacionais. Romeu Zema apontou quantidade excessiva de ministérios no governo, afirmando que serviriam para empregar aliados e gerar moeda de troca no Congresso. Os gastos de R$520 milhões com propaganda institucional foram expostos como excessivos, comparados aos do governo Bolsonaro e apontados como tentativa de reparar a imagem do governo em ano eleitoral.

Além disso, repercutiram as denúncias de André Fernandes (PL/CE) sobre operação de apreensão de drogas no estado que teria sido abandonada pela polícia federal, sem a incineração das drogas prometida pelo governador Elmano Freitas, do PT. As publicações sobre o tema buscaram relacionar as drogas encontradas ao PT. 

A Copa do Mundo também foi comentada para passar uma imagem de falta de apoio dos brasileiros a Lula e reproduzir trocadilhos sobre o número 13 trazer azar à seleção e ao país. Foi comentada também a investigação aberta para verificar a publicidade de casas de apostas nas transmissões da CazéTV, sendo ironizada a demonstração de apoio do influenciador Casimiro a Lula no passado.

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 06/07 às 16h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores

Na última semana, Lula obteve mais de 6 milhões de visualizações em Reel com vídeo de sua visita ao Ceará, quando foi recebido de forma calorosa por apoiadores. O presidente escreveu, na mensagem que acompanha a publicação, que “voltar ao Ceará é renovar a esperança no olhar de um povo que nunca desistiu de sonhar e batalhar por um futuro melhor”. Disse, ainda, que seu governo segue avançando com obras estruturantes para a região, citando como exemplo a ferrovia Transnordestina. 

Nos outros dois Reels de maior alcance da semana, respectivamente com 2,3 e 1,9 milhões de visualizações, o presidente abordou o lançamento do novo Plano Safra da Agricultura Familiar. Nas publicações, Lula fez demonstração de maquinários que podem ser utilizados pelos pequenos produtores e recebeu alguns representantes, que falam sobre seus produtos e produção agrícola. Há destaque para iniciativas de crédito e custeio para o setor. Na mensagem que acompanha a publicação, Lula salientou que “ampliamos o acesso à compra de máquinas e equipamentos para aumentar a produção, gerar mais renda e fortalecer o campo”. 

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O Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 4,7 milhões de visualizações, trouxe como tema a inflação de alimentos. O senador elaborou um desafio de fazer um churrasco com custo de R$100, filmando sua ida a um mercado e escolhendo produtos dentro do valor estipulado. Ao fim do vídeo, Flávio envia mensagem a Lula dizendo que o atual presidente teria enganado o povo brasileiro. 

No segundo Reel de maior destaque, com 4,7 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro aprende a fazer coreografias de dança, salientando, na mensagem que acompanha a publicação, que está aprendendo novos passos “para vocês nunca mais reclamarem da minha dancinha”, após ter sido criticado por dançar em evento de pré-campanha.

Em outro Reel, com 3,1 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro fala sobre a decisão norte-americana de impor sanções a pessoas e empresas brasileiras por elo com o PCC. O pré-candidato disse que o governo Lula teria saído em defesa dos criminosos e associou as ações de lavagem de dinheiro ao ‘careca’ do INSS, reforçando sua relação com Lula. 

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores

Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana, com 256 mil visualizações, em vídeo feito ao lado de Gilberto Kassab, presidente do PSD, anunciando o político como vice de sua chapa, dizendo que governarão de mãos dadas. O ex-governador de Goiás ressaltou ter certeza de que se chegarem ao segundo turno irão aglutinar as forças do país e “devolver o Brasil aos brasileiros de bem”. 

O segundo Reel de maior destaque veiculou imagens de sua entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan, quando afirmou que o atual governo seria responsável pelo aumento da dívida pública, subindo dos patamares de 70 para 80%, e que as famílias estariam endividadas em decorrência dos altos juros do país. 

Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, Caiado falou sobre o jogo Brasil X Noruega, dizendo que o país europeu viveria sob gelo, enquanto os brasileiros viveriam sob calor, nas praias e jogando futebol “em qualquer lugar”. Disse, ainda, que o placar seria 3×0 para o Brasil. 

@renansantosmbl 1,6 mi seguidores

No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 1,7 milhões de visualizações, o pré-candidato se desculpou por ter veiculado, na semana anterior, o desabafo de Linkon na Voz, que se queixou de sua condição como trabalhador pelo alto custo de vida. O candidato pelo partido Missão lamentou não se tratar de um vídeo real já que Linkon é um influenciador com casa própria e mantém relações com Pablo Marçal. Lastimou, ainda, o povo brasileiro ter sido enganado, achando que se tratava de um trabalhador comum em necessidade, promovendo doações para ajudá-lo. 

No outro Reel de maior alcance, com 1,3 milhões de visualizações, Santos é perguntado sobre uma mulher que teria sua admiração. O pré-candidato hesita, dizendo que “em um país em que as mulheres mais famosas são a Virgínia e a Deolane” é preciso falar de mulheres inspiradoras, e cita Malu Gaspar, salientando que a jornalista teria sido responsável por descobrir os escândalos do Banco Master e teria sido perseguida pela esquerda. Santos menciona, ainda, as mensagens trocadas por Daniel Vorcaro nas quais teria tentado intimidar e ameaçar Gaspar, oferecendo cargos e valores que teriam sido negados pela jornalista. 

Em terceiro, com 1,2 milhões de visualizações, Renan Santos reage à publicação de Anthony Garotinho, na qual o ex-governador do Rio de Janeiro fala de suruba com políticos e astronautas, financiada por Daniel Vorcaro, na qual estariam defensores da família. O pré-candidato diz que a parte principal da história seria o compartilhamento e endosso de Michelle Bolsonaro com os dizeres “a verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”, sugerindo que poderia ter sido uma indireta para seu enteado, Flávio Bolsonaro. 

Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

📌 Os temas que geraram mais engajamento no segmento da imprensa foram: i) o gesto obsceno de Lula em uma fala com críticas a quem supostamente diz que pobre não gosta de coisa boa; ii) a situação incômoda de Kassab por ter assumido a posição de vice na candidatura de Caiado após liberar seus correligionários locais para apoiarem quem quiser para presidente; e iii) o bom desempenho de Renan dos Santos entre os eleitores mais jovens “nem-nem”.

O tema noticiado pela imprensa que teve maior engajamento foi a declaração de Lula que, ao defender uma melhor qualidade dos serviços públicos, criticou aqueles que supostamente defendem o discurso de que “pobre não gosta de coisa boa” e mostrou o dedo do meio sincronizado com “aqui pra eles” (Estadão). De modo geral, a imprensa destacou em suas chamadas que Lula mostrou o dedo do meio (Metrópoles, SBT News 1, 2, 3, Terra) ou fez “gesto obsceno” (GloboNews) e somente nos textos, ao longo das matérias, contextualizou o acontecimento. 

Um corte de uma entrevista de Gilberto Kassab, presidente do PSD e pré-candidato a vice na chapa com Ronaldo Caiado, à CNN Brasil na qual Kassab foi questionado sobre a contradição entre a chapa nacional e a liberação dos palanques estaduais gerou alto engajamento. Nela Kassab trata o caso do Rio de Janeiro como “específico”, já que Eduardo Paes já sinalizou apoio a Lula, e responsabilizou a legislação eleitoral e não seu posicionamento de meses atrás quando liberou as candidaturas executivas estaduais a apoiar o candidato que quisessem, respeitando os contextos locais (CNN Brasil).

O terceiro tema com mais engajamento no segmento da imprensa foi o dado relativo ao desempenho do candidato do partido Missão, Renan dos Santos, que teria o melhor desempenho entre o eleitorado mais jovem (16 a 24 anos), caracterizado em sua maioria como “nem-nem”, rejeita tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro (UOL News 1, 2).

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. 

📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.

A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição.

Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.

Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 06/07/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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