SEMANAL DX (30.06.2026)

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.

A disputa política nacional concentrou 42% das publicações e 39% das interações da semana, consolidando a eleição de 2026 como eixo estruturador do debate digital e incorporando episódios como a Copa do Mundo, STF e Banco Master.

O vídeo de Michelle Bolsonaro acumulou mais de 20,2 milhões de interações, desempenho superior aos eixos de Corrupção e Economia e pautas sociais. 

A extrema-direita manteve maioria em cinco dos seis eixos temáticos, alcançando seu maior peso em Política Nacional (68%), enquanto a esquerda concentrou sua atuação em Economia e pautas sociais, único eixo sob sua maioria (60%).

A Operação Compliance Zero perdeu protagonismo para o conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. No pico de 25 de junho, o vídeo da ex-primeira-dama superou o eixo Corrupção.

A Copa do Mundo foi incorporada à disputa eleitoral. Cerca de 18% das publicações de Política Nacional trataram do futebol como instrumento de confronto político, convertendo a fala de Lula sobre Neymar e a resposta de Flávio Bolsonaro em um dos principais temas da semana.

Lula acelera entregas antes do defeso: o presidente aproveita os últimos dias antes do “defeso eleitoral” (04 de julho), data a partir da qual a comunicação governamental fica limitada pela legislação eleitoral, para dar ênfase à defesa, educação e saúde

O presidente mobilizou, na última semana, conteúdos de ações do governo e defesa de políticas públicas. Obteve mais de 3,7 milhões de visualizações em um Reel de sua fala durante o lançamento da Fragata Cunha Moreira, reforçando que a defesa é uma de suas prioridades. O presidente também tratou de encontro com jovens medalhistas das Olimpíadas de Matemática, enfatizando a importância da educação, e a entrega de um aparelho para tratamento contra câncer, utilizado pelo SUS, em São Paulo.

Flávio usa a Copa para tapar escândalos: o pré-candidato do PL mantém liderança na semana com comentários sobre o jogo do Brasil, vídeo feito por IA com resgate de Neymar e resposta a Michelle Bolsonaro

O senador liderou o ranking dos presidenciáveis analisados, somando, nas três publicações de maior alcance, mais de 27,2 milhões de visualizações. O pré-candidato fez comentários sobre o jogo de Brasil e Japão, dizendo que “o 22 salvou o Brasil”, em alusão ao gol de Martinelli, camisa 22 da Seleção, e ao seu número nas urnas; rebateu as acusações de Michelle Bolsonaro, negando ter desrespeitado a madrasta; e postou vídeo feito com IA no qual simula missão de resgate a Neymar para colocar o jogador em campo. 

Ronaldo Caiado monotema: pré-candidato do PSD segue na agenda de segurança pública como motor discursivo e anúncio de ações de pré-campanha

O ex-governador de Goiás seguiu se colocando como o responsável pela redução da criminalidade em seu Estado e gravando conteúdos sobre ações de pré-campanha.

Populismo anti-sistema de Renan Santos engaja: o pré-candidato do partido Missão acumulou 14,1 milhões de visualizações nos três Reels de maior alcance da semana

O líder do MBL foi o segundo, entre os analisados, com maior alcance na última semana, veiculando conteúdos se colocando ao lado do trabalhador brasileiro e em oposição a uma alegada elite composta por políticos, ministros, juristas e funcionários públicos. Santos também veiculou conteúdos sobre sua visita ao Pará, comentando as condições da população local e criticando políticas assistencialistas para a região.

Ameaças à integridade democrática

Questionamento antecipado das eleições brasileiras e narrativas impulsionadas internacionalmente ganharam repercussão depois que Donald Trump publicou artigo em sua rede social afirmando que “A eleição já está gerando intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro” e questionando “se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”. O tema provocou reações críticas quanto à ameaça explícita de ingerência da Casa Branca no processo eleitoral brasileiro.

Após Flávio Bolsonaro manifestar interesse em participar de audiência nos EUA sobre tarifas do governo norte-americano contra Brasil, o Itamaraty publicou nota reforçando que “traidores da pátria” devem “pedido de desculpas” ao país, em alusão às gestões do clã Bolsonaro e seus aliado junto à Casa Branca como responsáveis pelo novo tarifaço ao país. 

Depois de publicações dos Bolsonaro e seus asseclas anunciando que o Governo americano faria um comunicado oficial a Flávio Bolsonaro em razão de suas gestões junto ao Departamento de Estado dos EUA para pedir a suspensão do novo tarifaço, Marco Rubio publicou uma carta tímida, o que frustrou a equipe de Flávio, dizendo que não poderia interromper o processo e que, se o senador brasileiro quisesse fazer gestões sobre o tema, que procurasse os canais oficiais nos quais a questão está sendo tratada. Se a carta não trouxe efeitos práticos, pode gerar dor de cabeça para o senador, uma vez que o. PT pretende usar episódio para pedir à justiça que investigue Flávio e seu partido, o PL, por desrespeito à soberania nacional

O crescimento de discursos centrados em criminalidade, medo e endurecimento penal amplia a mobilização emocional do eleitorado e reduz o espaço para o debate programático.

Ataques a órgãos públicos ambientais, organizações da sociedade civil e povos indígenas fortalecem narrativas de desconfiança institucional e aprofundam a polarização política.

A disputa pelo espólio de Jair Bolsonaro alcançou nova dimensão esta semana com os vídeos de Michelle com críticas aos seus enteados e a resposta de Flávio. A velha e conhecida desavença entre madrasta e enteados nunca havia sido publicizada de forma tão explícita, o que leva a crer que o tema deve seguir ocupando o debate público digital. Diante da gravidade da situação, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, voltou dos EUA e declarou publicamente que tentará apaziguar os ânimos, numa disputa onde as esposas de blogueiro aliado e do próprio pré-candidato a presidente do PL entraram criticando Michelle, que deixou de seguir seus enteados Eduardo e Carlos nas redes sociais.

Reproduzindo um debate que já ocorre na extrema-direita norte-americana, influenciadores da extrema-direita brasileira abriram um questionamento sobre o voto feminino. O ex-presidente da Fundação Zumbi dos Palmares na gestão Bolsonaro, Sergio Camargo, e o aliado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo (1,2,3), foram alguns dos que realizaram manifestações machistas, sexistas e misóginas. O tema mostra um potencial de crescimento, ativando comunidades red pill entre outras subculturas digitais da machosfera.

Também na esteira da disputa familiar de Jair Bolsonaro, depois dos vídeos entre sua esposa e filho, o debate ganhou intenso debate nas redes, potencializando a cizânia e divisão entre setores do entorno do ex-presidente que já se acumulavam desde o fim do ano passado. Brigas entre os filhos de Jair e seus influenciadores aliados, veículos da midiosfera bolsonarista, políticos do PL e Novo, aliados da ex-primeira dama e uma miríade de subcelebridades estão em luta franca na redes pela audiência do segmento (1,2,3, 4, 5, 6 ).

Segundo levantamento de Murilo Medeiros, divulgado pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a segurança pública tornou-se um dos principais temas das disputas eleitorais na América Latina desde 2023. O estudo mostra que 70% das eleições analisadas na região tiveram o combate à criminalidade e ao crime organizado como eixo central do debate. Em 13 das 19 eleições estudadas, venceram candidatos que priorizaram propostas de enfrentamento à violência e fortalecimento da ordem pública. Segundo o pesquisador, em diversos países o voto acabou funcionando como uma avaliação da capacidade do Estado de combater organizações criminosas e garantir segurança à população.

Texto compartilhado por Donald Trump na Truth Social afirma que as atenções políticas agora se voltam para o Brasil, descrito como “a potência política da região”. A publicação, reproduzida pelo site americano NewsMax, sustenta que a próxima eleição presidencial brasileira poderá se tornar a disputa mais importante do hemisfério. O artigo aponta que, após avanços em outros países, restariam quatro grandes desafios políticos para Trump na região: Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil. Segundo o texto, a eleição brasileira já desperta intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral e sobre as condições para que o pleito seja considerado livre e justo por todos os atores envolvidos.

Depois da fala do presidente Lula chamando Neymar de jogador home office, o segmento da direita, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, impelido também pela necessidade de se esquivar dos temas do Dark Horse, assumiu a torcida pela volta do jogador do Santos aos gramados, colocando-o como esperança do país na Copa. Caso o jogador entre na partida do Brasil contra a Noruega no próximo domingo e seja decisivo, o episódio tende a ser explorado pela campanha de Flávio.

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 225.952 publicações, somando mais de 326 milhões de interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de seis eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

O debate desta semana concentrou-se em Política Nacional, que reuniu 42% das publicações e 39% das interações, sustentada pela polarização entre os campos em torno da disputa de 2026, da declaração de Lula sobre Neymar e a resposta de Flávio Bolsonaro à mobilização de Moraes, do STF e do caso Vorcaro como munição eleitoral. Economia e pautas sociais veio em segundo, com 21% das publicações, ancorada em saúde, obras e educação, e foi o único eixo de maioria da esquerda (60%). O Vídeo de Michelle reuniu 12%, puxado pelo vídeo em que a ex-primeira-dama afirma ter sido maltratada por Flávio. STF, TSE e cobertura política respondeu por 10%, e Corrupção por 9%, com a saída de Jaques Wagner da liderança no caso Banco Master. Política Externa, com 7%, concentrou o tarifaço e a carta de Marco Rubio. O perfil político seguiu a divisão das semanas anteriores: a extrema-direita foi maioria nos cinco eixos de disputa política e institucional, com destaque para os 68% em Política Nacional, enquanto a esquerda se concentrou em Economia e pautas sociais (60%).

Política Nacional liderou em todos os dias da semana, oscilando entre 35% e 50% das publicações diárias. O dado mais marcante é o pico do Vídeo de Michelle em 25/06, quando saltou para 25% das publicações, concentração que coincide com a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama afirma ter sido maltratada por Flávio Bolsonaro. O vídeo de Michelle teve mais repercussão do que o eixo de Corrupção, mobilizado pela Operação Compliance Zero. Economia e pautas sociais manteve presença estável como segundo eixo (17% a 29%), com seu melhor momento no encerramento da semana, em 28/06. Os demais eixos de STF/TSE e Política Externa circularam em patamares mais baixos e sem picos pronunciados, sinal de temas de presença contínua, mas secundária diante da disputa eleitoral.

A extrema-direita predominou em cinco dos seis eixos, com domínio mais acentuado em Política Nacional (68%), em que a polarização eleitoral foi conduzida sobretudo pela direita. A esquerda foi maioria apenas em Economia e pautas sociais (60%), eixo em que mantém vocabulário de gestão e investimentos do governo. Dois eixos chamam atenção pela presença elevada da imprensa: o Vídeo de Michelle (27%) e Corrupção (26%), ambos puxados por fatos de forte interesse jornalístico, o vídeo da ex-primeira-dama e a saída de Jaques Wagner da liderança no caso Banco Master. Política Externa foi o eixo mais equilibrado entre os campos (45% direita, 39% esquerda).

A distribuição por campo manteve a extrema-direita à frente em todos os dias, mas com uma escalada nítida no fim da semana. O movimento acompanha a perda de fôlego dos eixos em que a imprensa e a esquerda tinham mais espaço. A imprensa teve seu melhor momento em 25/06 (19%), durante a repercussão da saída de Jaques Wagner da liderança do governo no senado, e na repercussão do Vídeo de Michelle, e recuou a 6% no encerramento. A esquerda manteve-se na faixa dos 27% a 38%, sem assumir a dianteira em nenhum dia da semana.

Dentro do eixo Política Nacional, um sub-tema concentrou a Copa do Mundo e a seleção brasileira: 18% das publicações do eixo giraram em torno do futebol, mas não como assunto esportivo. A lesão de Neymar e seu retorno à seleção foram capturados pela disputa eleitoral de 2026, transformando um episódio de gramado em terreno de confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. 

⚽ A piada que virou disputa

O estopim foi uma fala de Lula em um evento em Belo Horizonte, em que, ao conversar com uma criança, classificou Neymar como o “primeiro convocado home office do mundo”, numa referência ao fato de o atacante não ter entrado em campo nos primeiros jogos por causa de uma lesão na panturrilha.

A brincadeira foi imediatamente convertida em munição. Flávio Bolsonaro respondeu com a frase “o Brasil nunca abandona os seus” e, horas antes da partida contra a Escócia, divulgou um vídeo produzido por inteligência artificial em que aparece embarcando em um jato militar para “resgatar” Neymar e levá-lo de volta à seleção.

Na mesma noite, o jogador estreou no Mundial e o Brasil venceu por 3 a 0. A equipe de Neymar emitiu nota informando que o vídeo, como outros conteúdos de IA envolvendo o jogador, não tinha autorização, mas o atleta não se manifestou publicamente sobre o episódio.

⚽ O enquadramento da direita: Lula contra o ídolo, Flávio ao lado dele

Para o campo da direita, a fala de Lula foi lida como deboche da lesão e desmoralização do maior craque do país, com o agravante de que Neymar declarara voto em Jair Bolsonaro em 2022. Perfis bolsonaristas trataram o comentário como vexame internacional, afirmando que a declaração teria repercutido até na Alemanha, e usaram a torcida brasileira em Miami gritando o nome do jogador como prova de que o presidente “escolheu a pessoa errada para desmoralizar”.

Flávio capitalizou o episódio posicionando-se como quem defende o Brasil e não abandona os seus, em contraste com um Lula que, segundo a narrativa do campo, “joga contra o país”,

Acoplou-se a isso o subtema da CazéTV: o influenciador Casimiro, que apoiou Lula em 2022 e comprou os direitos de transmissão da Copa, tornou-se alvo de investigação do governo por publicidade de apostas, o que a direita explorou como prova de ingratidão e perseguição a quem havia ajudado a eleger o presidente.

⚽ O enquadramento da esquerda: minimizar a piada e mudar de assunto

O campo da esquerda não disputou Neymar e tratou a polêmica como ruído inflado pela direita. Páginas governistas minimizaram a fala, classificando-a como brincadeira de menor importância, e ironizaram a lógica do apoiador conservador que responsabiliza Lula por qualquer frustração pessoal.

Ao mesmo tempo, a esquerda mobilizou a Copa a seu favor em outros momentos, celebrando cenas de torcida pró-Lula nas arquibancadas e a vitória da seleção por 3 a 0, sem vincular o resultado à figura de Neymar, O movimento mais característico foi puxar o debate de volta para pautas materiais: contas governistas usaram o próprio interesse pela Copa para defender a aprovação do fim da escala 6×1, contrapondo o que chamaram de “fofoca” e “entretenimento” à discussão sobre tempo de trabalho e qualidade de vida.

ESQUERDA

O vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi o assunto de maior repercussão no campo da esquerda nesta semana. Perfis de figuras políticas e de contas progressistas repercutiram o conteúdo – um vídeo de quase 30 minutos no qual ela expõe desentendimento com seu enteado, o que foi lido como uma fratura dentro da família.

A deputada Erika Hilton compartilhou o vídeo na íntegra em suas redes, destacando o trecho em que Michelle afirma ter sido atacada, maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro. A parlamentar aproveitou para criticar o PL Mulher, descrevendo a ala como uma organização que, na sua leitura, atua contra os direitos de mulheres e meninas e exclui mulheres trans.

Postagens de perfis progressistas compartilharam que Michelle rebateu cobranças para que se engajasse mais na pré-campanha de Flávio Bolsonaro e revelou ter se sentido “apunhalada” por ele durante uma crise familiar e política ocorrida no passado – episódio relacionado às articulações do grupo bolsonarista no Ceará, em meio ao apoio de aliados à candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado. Michelle pontuou que Ciro sempre humilhou o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família, chamando-o publicamente de corrupto e burro, e disse que apoiar sua candidatura representa uma traição aos aliados históricos de Bolsonaro no Ceará, como o senador Eduardo Girão. Parte das postagens também observou que Michelle se tornou o maior problema político de Flávio neste momento, e que estaria começando a entender que não há espaço para mulheres dentro da própria ideologia que defende (1, 2, 3 ,4, 5). 

Outra leitura compartilhada nas redes sociais é a de que a divulgação do vídeo seria, na verdade, um movimento estratégico de Michelle para se posicionar politicamente e disputar a candidatura à Presidência, buscando apoio para se firmar como o principal nome ligado a Jair Bolsonaro (1, 2). 

Um setor da esquerda comemorou a exposição da crise familiar, com o argumento de que um grupo incapaz de “governar a própria família” dificilmente teria condições de governar o país (1, 2).

O pré-candidato Flávio Bolsonaro segue sendo o nome da oposição com maior destaque dentro do campo da esquerda. Nesta semana, o foco esteve na relação entre Flávio e os EUA, especificamente na carta do governo Trump, assinada pelo secretário Marco Rubio, em resposta ao pedido do senador para que os estadunidenses recuassem sobre o tarifaço aplicado a produtos brasileiros. Parlamentares e perfis progressistas repercutiram amplamente o tema.

A deputada Erika Hilton destacou o agradecimento do governo Trump pelo apoio de Flávio e o fato de que a taxação será mantida, afirmando que o ataque ao Pix brasileiro continua e classificando o senador como “traidor da pátria”. A deputada Fernanda Melchionna também ressaltou o agradecimento de Rubio e a manutenção das medidas tarifárias contra o Brasil, apontando ainda o avanço da extrema-direita alinhada aos EUA na América Latina e o papel da família Bolsonaro nesse movimento – chamando-a de “lesa pátria”. Já o vereador Pedro Rousseff compartilhou que Flávio teria oferecido uma equipe de transição do governo à disposição dos EUA caso fosse eleito, o que, segundo ele, evidenciaria submissão ao país norte-americano e abriria espaço para interferência externa na soberania brasileira. O deputado Alencar Braga foi na mesma linha, afirmando que Trump e Flávio estariam articulando um ataque à democracia brasileira e uma interferência direta nas eleições de 2026. Um corte do deputado Lindbergh Farias também repercutiu, com a fala de que Flávio estaria “se entregando aos EUA” ao colocar uma equipe de transição à disposição do governo norte-americano. 

Perfis progressistas reforçaram a narrativa de que, se eleito, Flávio permitiria que Trump governasse o país, descrevendo o movimento como uma troca: a soberania nacional em favor da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro. As publicações reiteram a acusação de traição (1, 2). 

Parte da esquerda, no entanto, enxerga a carta de Rubio como um “tiro no pé” na candidatura de Flávio. Segundo essas postagens, o documento teria revelado que o pedido das novas tarifas partiu da própria família Bolsonaro, e que uma eventual presidência de Flávio tornaria o Brasil uma “colônia dos EUA”. Há também uma avaliação de que o senador apostou que a carta teria uma repercussão positiva para sua campanha – chegando a vazá-la para jornalistas – mas viu o “tiro sair pela culatra”. Essa leitura aponta que o conteúdo da carta seria um “presente” para o presidente Lula e, se bem explorado na campanha, poderia até viabilizar sua reeleição já no primeiro turno (1, 2, 3, 4)

A ligação de Flávio com Daniel Vorcaro continua sendo pauta, embora não tenha sido o principal ponto explorado pela esquerda nesta semana. O deputado Paulo Teixeira compartilhou uma publicação apontando contradições nas declarações do senador sobre o pedido de financiamento ao filme Dark Horse.

Parlamentares e perfis partidários buscaram repercutir as atuações do governo federal, destacando investimentos e medidas recentes. O vereador Pedro Rousseff divulgou o lançamento de uma nova fase do programa Celular Seguro, voltado ao combate à receptação e à recuperação de aparelhos roubados. Ele também repercutiu o investimento de R$700 milhões para urbanização periférica do estado do Rio de Janeiro. Já o vereador Jean Volpato compartilhou um encontro com o presidente Lula, agradecendo pelos investimentos do governo federal, gerando empregos e entregando obras em Santa Catarina. O deputado Miguel Rossetto, por sua vez, destacou a recuperação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) pelo governo federal — única empresa pública federal que produz chips na América Latina, que havia sido alvo de tentativa de fechamento durante a gestão Bolsonaro. 

O perfil institucional do Partido dos Trabalhadores relembrou os investimentos em educação e recuperação urbana realizados pelos governos Lula e Dilma ao longo da história, além de também repercutir a assinatura do decreto que reforça o combate ao roubo e furto de celulares, dificultando a comercialização de aparelhos roubados, medida vinculada ao programa Celular Seguro (1, 2).

Perfis progressistas acusaram a direita de manipular informações para construir narrativas negativas contra o governo federal e o presidente Lula.

Um perfil denunciou nas redes que, no Paraná, placas de identificação de uma obra federal teriam sido cobertas para esconder que se tratava de um investimento do governo Lula. Outro perfil criticou uma postagem de Eduardo Bolsonaro onde ele compartilhou sua boa recepção durante um jogo da Copa do Mundo por ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e perguntou pelo filho do presidente Lula, como uma tentativa de equiparação.

O vereador Pedro Rousseff acusou o deputado Nikolas Ferreira de editar um vídeo do presidente Lula para distorcer seu sentido. Segundo Pedro, o corte usado por Nikolas dava a entender que Lula afirmava que “todo político é ladrão” e que ele próprio não seria honesto. Ao compartilhar o vídeo na íntegra, o vereador mostrou que a fala original tinha outro contexto: Lula incentivava jovens a entrar na política e a acreditar em si mesmos, citando sua própria trajetória — vindo do interior, sem diploma universitário e com dificuldades financeiras — como exemplo de que é possível superar barreiras. O vereador afirmou que o corte de Nikolas configuraria uma deturpação proposital do discurso, equivalente à criação de uma fake news contra o presidente.

DIREITA

Com a divulgação dos vídeos de Michelle Bolsonaro, os perfis de direita apresentaram distintas reações. Apesar de o conteúdo apresentar diferentes narrativas e abordagens, de modo geral, houve uma tentativa do segmento de não rachar a direita em torno do conflito, tratando como objetivo maior a derrota de Lula e do PT nas eleições presidenciais. 

Diversos perfis, como Brasil Paralelo e Paulo Mathias, reproduziram o trecho do vídeo de Michelle, no qual afirma ter sido atacada pelos enteados nas redes sociais de forma coordenada e humilhada por Flávio Bolsonaro, sem que nenhum contato houvesse ocorrido para resolver a situação. Outras páginas estiveram centradas na divulgação das respostas e reações de Flávio Bolsonaro, tanto com foco na Copa do Mundo, que assistiu com a família, quanto em suas mensagens sobre perdão e união com o propósito de seguir em frente sem conflitos.

Diversas publicações criticaram diretamente Michelle, salientando sua fala passada de que Alexandre de Moraes era um “irmão em cristo”, afirmando que estaria contribuindo para a campanha de Lula, e que Jair Bolsonaro não teria autorizado o vídeo.

O senador Cleitinho buscou uma postura neutra, contudo, mostrando apoio a Michelle Bolsonaro por ataques que estaria sofrendo nas redes sociais por membros da própria direita, e defendendo a união do segmento. Já Adrilles Jorge atribuiu as divergências a uma possível falha de comunicação, defendendo a necessidade de resolução dos conflitos e união por um bem maior de derrotar Lula. Já outros perfis reconheceram a validade das queixas de Michelle, mas a criticaram por ter exposto o conflito nas redes sociais, defendendo que “roupa suja se lava em casa”.

Assim como nas semanas anteriores, as ações e declarações de Donald Trump e do governo dos EUA continuam ganhando grande repercussão entre a direita. 

Gustavo Gayer afirmou que a carta dos EUA a Flávio Bolsonaro confirmaria que ele está tentando defender o Brasil do tarifaço, o qual seria culpa de Lula. Paulo Figueiredo corroborou com o argumento, apontando que Lula estaria provocando o governo dos EUA ao invés de trabalhar diplomaticamente para impedir as novas tarifas. A carta também foi explorada para reafirmar que Flávio Bolsonaro é uma figura influente e tem apoio total de Marco Rubio e do governo estadunidense, enquanto Lula estaria isolado no cenário internacional. Eduardo Bolsonaro repercutiu vídeo em que Trump afirma perceber Lula como alguém volátil. Diversas publicações utilizaram tom sensacionalista para transmitir uma ideia de possível perseguição de Trump a Lula.

Páginas como a da Revista Oeste reportaram a vitória da direita na Colômbia, assim como a comemoração de Donald Trump, Jair Bolsonaro e aliados, sendo retratada como uma virada à direita e isolamento da esquerda na América Latina. O segmento comentou os parabéns enviados por Flávio Bolsonaro ao presidente eleito na Colômbia. Nesse sentido, repercutiu também a publicação de Donald Trump em sua rede social, Truth Social, compartilhando artigo que apontou que as eleições brasileiras seriam seu próximo desafio, enquadrado como uma ameaça a Lula. 

Mario Frias mencionou uma investigação antitruste contra práticas abusivas nos preços da carne, tendo como alvo a JBS, na publicação relacionada com escândalos de corrupção e com governos petistas. Já Deltan Dallagnol comentou a decisão do governo de acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) no processo da Rumble e Trump Media contra Alexandre de Moraes, afirmando que caso a tese seja aceita, o governo estaria se responsabilizando por ações de “censura” nas redes sociais.

Foi comentado também que Sóstenes Cavalcante acionou a embaixada dos EUA sobre a decisão, de André Mendonça, que determinou remoção de um vídeo publicado em seu perfil relacionando o PT ao crime organizado. O parlamentar afirmou que apenas o governo dos EUA poderia confirmar as suspeitas.

O segmento continuou a associar o caso Master ao PT, acompanhando os desenvolvimentos da investigação para ampliar suas narrativas. Primeiro, continuou a ser explorada a investigação sobre Jaques Wagner, apontado como o “pai do escândalo”, que teria origem no PT da Bahia, e dando destaque para o seu papel de importância no partido e proximidade com Lula. Os rumores de pressão para que o senador abandonasse a liderança do governo, e sua saída efetiva, foram utilizados como indícios de que o envolvimento iria além da figura de Wagner e se estenderia ao governo. Algumas publicações alegam que Jaques Wagner seria um intermediário entre Vorcaro e Lula. 

Gustavo Gayer ampliou a narrativa, trazendo à tona as menções de Daniel Vorcaro aos ministros Rui Costa e Alexandre Silveira com indício de um protagonismo do governo petista nos escândalos, reforçado por outras contas. Ainda, foram identificadas alegações de que Lula estaria tentando obstruir as investigações sobre o Master e o INSS, e que Hugo Motta e Davi Alcolumbre estariam travando a CPI do Master para proteger a si próprios e ao presidente Lula. Nesse sentido, outras publicações também alegaram que haveria uma tentativa de grandes veículos de mídia e de Gilmar Mendes de destruir a imagem da atuação do ministro André Mendonça no caso como forma de afastá-lo da investigação para ajudar Lula.

Diversas publicações tentaram relacionar o governo Lula com o sofrimento da população, que estaria revoltada pela ineficiência em áreas como a saúde pública e pelo alto custo de vida. Vídeos de trabalhadores e cidadãos foram veiculados em postagens de políticos, jornalistas e influenciadores do campo. Gustavo Gayer somou mais de 550 mil visualizações em vídeo no qual salienta que “o povo acordou” e que estaria difícil viver no Brasil pelos altos impostos e por medidas do atual governo. 

Além disso, as viagens e gastos internacionais de Lula durante seu mandato foram retratados como falta ao trabalho e descaso, sendo considerado hipocrisia em relação à defesa da escala 6×1. A ida do presidente a Santa Catarina para participar do lançamento da Fragata Cunha Moreira também gerou críticas do segmento. Influenciador alegou que o presidente teria chamado catarinenses de racistas, enquanto o governador do Estado, Jorginho Mello, disse que Lula teria ido à região para os provocar e negou que teria recusado investimentos do governo federal, após o ministro dos transportes salientar que o procurou para parcerias. O político também respondeu ao comentário de Lula sobre racismo na região, dizendo que Santa Catarina foi o Estado mais acolhedor na recepção de migrantes. O pré-candidato Renan Santos disse que Lula teria associado cidadãos catarinenses ao nazismo.

Outro tema mobilizado pelo campo se relacionou às bets e ao canal CazéTV. Perfis atribuíram a Lula as investigações e medidas tomadas contra o canal, em decorrência dos anúncios de jogos de aposta realizados durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo. Houve ironias em algumas publicações pelo fato de que Casimiro, idealizador e responsável pelo veículo, ter anunciado voto em Lula em 2022 (1; 2; 3; 4).

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 29/06 às 18h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores

Na última semana, Lula obteve mais de 3,7 milhões de visualizações em Reel com vídeo de sua fala durante o lançamento da Fragata Cunha Moreira, junto à Marinha do Brasil, em Itajaí, SC. Em seu discurso, o presidente exaltou a qualidade e a tecnologia empregadas no maquinário, reforçou a importância da soberania brasileira, diante de suas riquezas e grande dimensão territorial, e disse que a defesa é uma de suas prioridades. 

O segundo Reel de maior alcance, com 2,7 milhões de visualizações, é um vídeo em que Lula interage com os medalhistas das Olimpíadas da Matemática. O presidente diz que os estudantes estão realizando o “sonho de um jovem de 80 anos: ver mais brasileiros tendo oportunidades por meio da educação”. 

Em terceiro, com 1,8 milhões de visualizações, Lula acompanha, no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, os impactos da entrega de um aparelho de radioterapia com acelerador linear, utilizado para tratamentos pelo SUS. O presidente conversou com pacientes e funcionários, que destacaram a importância da tecnologia utilizada no equipamento para o tratamento do câncer. Uma das integrantes da equipe reforçou que era conterrânea de Lula e que se formou fazendo uso do Prouni e Fies, o que a permitiu sair da zona agrícola de Pernambuco para trabalhar com medicina avançada. 

@flaviobolsonaro 10,7 mi seguidores

O Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 11,8 milhões de visualizações, foi publicado após a vitória do Brasil sobre o Japão. O pré-candidato comenta, em tom de brincadeira: “eu não queria falar nada, mas foi o 22 que salvou o Brasil”, se referindo ao gol de Gabriel Martinelli, cujo número da camisa é o 22, e associando à numeração do PL e de sua candidatura nas urnas. 

No segundo Reel de maior destaque, com 8,9 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro responde ao vídeo publicado por Michelle Bolsonaro, no qual sua madrasta o acusa de a ter desrespeitado. O senador nega as acusações, dizendo que sempre foi reconhecido por seu equilíbrio, educação e respeito até com seus adversários políticos, e exaltando o trabalho da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher. Reforça, ainda, que devem estar “unidos por um projeto maior: libertar o Brasil do lulopetismo”. 

Em outro Reel, com 6,5 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro veicula vídeo feito com IA no qual simula uma missão de resgate a Neymar, colocando o jogador de volta em campo. 

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores

Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana em vídeo feito com IA, no qual destaca feitos de seu governo em Goiás, todos relacionados à segurança pública. Caiado dá ênfase ao seu enfrentamento a quadrilhas e facções criminosas, além da redução de crimes e de roubos de celulares no Estado durante sua gestão. 

O segundo e terceiro Reels de destaque na última semana, com respectivamente 258 e 178 mil visualizações, são de ações da pré-campanha do candidato, realizadas no Ceará. Em um dos vídeos, trata de sua visita ao São João de Maracanaú, veiculando imagens do local e parabenizando o prefeito Roberto Pessoa pela organização da festa e por sua chegada ao PSD. No outro vídeo, gravado em Fortaleza, Caiado monta em um cavalo e diz estar se sentindo em casa no Ceará. 

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No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 5,8 milhões de visualizações, o pré-candidato reage a vídeo de desabafo de trabalhador que viralizou nos últimos dias. Santos destaca o impacto dos impostos e custo de vida do trabalhador informal, comparando com os ganhos de ministros do STF e com a “farra” dos políticos, dos partidos, do funcionalismo e do assistencialismo. O argumento é o de que o trabalhador comum sustenta luxos e gastos de uma elite, reforçando que há uma revolta da classe em curso e que estará ao lado deles. 

O outro Reel de maior alcance, com 5,4 milhões de visualizações, veicula vídeo sobre sua visita ao Pará, no qual se dirige a Melgaço, no arquipélago do Marajó. Renan Santos fala sobre uma família da região, salientando que o marido estaria bêbado às 16h, e destacando que o casal tem oito filhos, dois deles com empregos e seis recebendo recursos do bolsa família. O argumento utilizado é o de que a família sobrevive com verbas do assistencialismo do governo, reforçando que o poder público deveria levar “civilização” aos rincões do Brasil.

No terceiro Reel de maior alcance, com 2,9 milhões de visualizações, Renan Santos diz que o STF teria respondido ao trabalhador que desabafou sobre suas condições de trabalho e de vida, mencionado no vídeo de maior alcance da semana no perfil do pré-candidato, com aumento de benefícios próprios. O pré-candidato comenta a decisão da suprema corte em voto conjunto de Dino, Moraes, Zanin e Gilmar Mendes para reduzir restrições a penduricalhos, dizendo que medida se assemelha ao comentário de Maria Antonieta de que “se não tem pão, que comam brioches”. 

Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

📌 Assim como nos eixos da esquerda e da direita, o caso que gerou maior engajamento das publicações da imprensa foi o vídeo de acusações de Michelle Bolsonaro contra o enteado Flávio Bolsonaro. O segundo tema foi a carta enviada pelo secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, a Flávio Bolsonaro. O terceiro foi a atribuição do processo relativo ao financiamento do filme Dark Horse ao ministro do STF André Mendonça.

Logo após a publicação do vídeo de Michelle Bolsonaro em seus perfis em redes sociais, diversos perfis da imprensa publicaram cortes do vídeo, com destaque do que consideraram mais importante: Jornal do SBT, O Povo Online e Itatiaia destacaram que o desentendimento ocorrera em um telefonema após o posicionamento de Michelle a favor do apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, no qual Gazeta do Povo e Band News enfatizaram as acusações da ex-primeira contra Flávio por supostamente ter sido ríspido e pedido para ela sair do PL e se afastar da política por “não entender nada” da dinâmica do campo. A publicação de Sam Pancher do Metrópoles ressaltou ainda os pontos de distinção entre Jair e Valdemar Costa Neto, os quais Michelle utiliza para se dar legitimidade, e Flávio Bolsonaro, de quem se distanciou após a ligação.

Entre as mensagens com opiniões de jornalistas sobre o entrevero, as que geraram mais engajamento foram: a do jornalista Glenn Greenwald, em inglês, que indagou a situação da campanha de Flávio após ele ser acusado publicamente de ser “desrespeitoso” e “humilhante” pela madrasta; e, da jornalista Andréia Sadi da Globo News que afirmou que Michelle se colocou como protagonista e como a grande sucessora e herdeira do espólio político do marido Jair Bolsonaro com foco já nas eleições de 2030..

As mensagens mais destacadas com repercussão sobre o caso continham o posicionamento do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que declarou para o Zero Hora (com republicação pela Globo News) que Michelle e Flávio precisariam se acertar para “não sair perdendo em casa” em uma eleição tão equilibrada. Houve alto engajamento ainda no vídeo da Globo News que apresentou um resultado da Quaest que afirmou haver um apoio de 42% a Flávio e 31% a Michelle nas redes sociais. Por fim, a publicação com maior engajamento no segmento da imprensa foi o compartilhamento do vídeo com pedidos de desculpas de Flávio a Michelle pelo portal g1.

A informação da resposta do secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a Flávio Bolsonaro, por meio de uma correspondência oficial teve grande repercussão no segmento da imprensa. As publicações da Globo News, de Sam Pancher e do SBT News Noite informaram o principal ponto da carta oficial de Rubio: a intenção dos EUA em manter as novas tarifas impostas ao Brasil, em detrimento ao pedido de não aplicação por Flávio.

Também tiveram alto engajamento as publicações que destacaram a parte da carta na qual Rubio explicita que Flávio teria colocado à disposição dos EUA uma equipe de transição de governo caso o candidato de extrema-direita vença o pleito em outubro (Globo News 1, Globo News 2).

O terceiro tema com mais engajamento no segmento da imprensa foi a informação de que o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu encaminhar para o ministro André Mendonça a relatoria da investigação sobre o filme Dark Horse sob a justificativa que o caso se atrela às investigações do Caso Banco Master cujo qual Mendonça também é o relator. O parecer foi referendado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet (Globo News, O Tempo, CNN Política).

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. 

📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.

A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate.

Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.

Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 22/06/26 às 18h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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