Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.
AGORA É PRA VALER: eleições consolidam-se como principal arena de disputa
A eleição presidencial concentrou 26% das publicações e 25% das interações da semana. Governo e oposição passaram a interpretar praticamente todos os acontecimentos sob a lógica eleitoral. Enquanto a esquerda enfatizou pesquisas favoráveis a Lula, a defesa da soberania nacional e a saída do Brasil do Mapa da Fome, a extrema-direita buscou associar o governo à crise econômica, ao aumento do custo de vida e voltou a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral.
POUCO PÃO E MUITO CIRCO: Convenção do PL impulsiona mobilização da extrema-direita e internacionaliza o conflito político
A convenção que oficializou Flávio Bolsonaro respondeu por 22% das publicações e concentrou 30% de todas as interações da semana. O evento foi utilizado para reforçar a candidatura do senador como herdeiro político de Jair Bolsonaro e mobilizou narrativas de perseguição política, defesa do ex-presidente, críticas ao STF e elogios ao modelo político de Javier Milei. A reação do governo brasileiro, incluindo a convocação do embaixador na Argentina, ampliou a repercussão do episódio e reforçou o enquadramento da esquerda sobre tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
MENOS BRAVATAS, MAIS ENTREGAS: governo busca deslocar o debate para entregas e soberania nacional
A Agenda do Governo reuniu 21% das publicações e permaneceu amplamente dominada pela esquerda (73%). Além da divulgação de investimentos e políticas públicas, o campo governista procurou responder diretamente à convenção do PL, enfatizando o combate à fome, a defesa da democracia, a soberania nacional diante das pressões internacionais e o lançamento da candidatura de Fernando Haddad em São Paulo como demonstração de unidade política.
ELEIÇÕES TARIFADAS: Tarifaço transforma política externa em disputa eleitoral
A entrada em vigor das tarifas norte-americanas gerou um dos debates mais polarizados da semana (11% das publicações), com predomínio da esquerda (42% deste universo) sobre a direita (33%). O governo enquadrou a medida como ataque à soberania brasileira e respondeu com o programa Brasil Soberano. Já a oposição utilizou o episódio para responsabilizar Lula pelos efeitos econômicos das sanções, reforçando críticas à condução da política externa.
MAIS UM ROLO DO FLÁVIO: relações suspeitas com o Banco Master continuam corroendo candidato do PL
O caso Banco Master tornou-se o principal eixo da repercussão política da semana. A esquerda utilizou as reportagens sobre notas fiscais emitidas por Flávio Bolsonaro para empresas ligadas a Daniel Vorcaro como evidência de proximidade entre o senador e o banco. Em resposta, a extrema-direita passou a enquadrar a investigação como perseguição política, atacando o Metrópoles, questionando a atuação da Polícia Federal e deslocando as acusações para integrantes do governo Lula.
O que publicaram os (pré-)candidatos?
Lula
Lula aposta em jingle, combate à fome e defesa da soberania
Em uma semana marcada pela oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro, Lula evitou responder diretamente ao adversário na maior parte de seus conteúdos e concentrou sua comunicação na construção de atributos positivos de governo, identidade popular e defesa da soberania nacional.
O Reel do presidente de maior alcance na semana, com 4,5 milhões de visualizações, apostou na cultura popular ao utilizar um jingle em ritmo de funk – uma adaptação do “Rap do Silva” – para contar sua trajetória pessoal e política. No campo das entregas, Lula celebrou o relatório da FAO/ONU que confirmou a saída do Brasil do Mapa da Fome, resgatando seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas de 2025, quando falou sobre o combate à fome e à pobreza. Já no plano político, ao participar do lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente enfatizou que a eleição será decidida de forma soberana pelos 157 milhões de eleitores brasileiros, rechaçando interferências externas.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro luta contra isolamento, disputa familiar e se escora em Milei e Tarcísio
Sem apoio de importantes partidos do centrão e sem vice na sua chapa, a comunicação de Flávio concentrou-se na tentativa de consolidação de sua candidatura presidencial e na construção de legitimidade política por meio de apoios estaduais e internacionais, reforçando simultaneamente sua identidade como sucessor político de Jair Bolsonaro.
Em seu vídeo de maior impacto, com 6,7 milhões de visualizações, Flávio exibiu o presidente argentino Javier Milei, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, que declararam apoio formal à sua pré-candidatura. O senador também buscou consolidar sua imagem como herdeiro político do pai.
Ronaldo Caiado
Caiado tem aumento de engajamento com agenda de segurança e viabilidade no 2º turno
Procurando ocupar espaço como alternativa da direita tradicional, o ex-governador de Goiás obteve seu maior alcance da semana, com 9 milhões de visualizações, ao adotar um tom severo sobre a segurança pública. Em trecho do podcast Iron Talks, Caiado criticou benefícios no sistema carcerário, como visitas íntimas e audiências sigilosas, destacando o rigor implantado em Goiás e afirmando não ter cedido a supostas interferências federais. O pré-candidato tentou obter capital político, veiculando o apoio do governador do Paraná, Ratinho Jr., que exaltou parcerias de infraestrutura entre os estados. Por fim, utilizou dados da pesquisa InfoMoney para se projetar como o único nome do campo conservador capaz de derrotar o PT no segundo turno.
Renan Santos
Renan Santos critica Lula por “fugir” de debates e explora desgaste de Flávio Bolsonaro no caso Master
Mantendo sua estratégia de ocupar o espaço do “anti-Lula” e do “anti-Bolsonaro”, Renan utiliza conflitos de ambos os campos para reforçar seu discurso. Em duas de suas publicações de maior alcance, com 1,3 milhão de visualizações cada, Renan Santos reagiu a falas de Guilherme Boulos e a notícias sobre a possível ausência de Lula em debates eleitorais, acusando o presidente de ter medo de enfrentá-lo e reafirmando sua independência por “não ser gado nem da esquerda, nem da direita”. Em outra frente, o candidato mirou em Flávio Bolsonaro, mencionando as notas emitidas para empresas ligadas a Daniel Vorcaro.
Ambiente informacional
Ameaças à integridade democrática
Temas que apresentaram potencial de deterioração do ambiente informacional, de ampliação da polarização ou de enfraquecimento de princípios democráticos durante a semana.
Normalização da ingerência internacional no processo eleitoral
As falas de Javier Milei durante a convenção do PL, classificando Jair Bolsonaro como preso político e atacando diretamente o STF e o governo brasileiro, foram amplamente difundidas pelo segmento de extrema-direita como forma de conferir legitimidade internacional às críticas contra as instituições brasileiras. A utilização de uma figura de Estado estrangeira para legitimar ataques às instituições brasileiras e classificar prisões decorrentes de processos legais como “injustas” e “ditatoriais” coloca em xeque a normalidade democrática.
Retomada da desinformação sobre o sistema eleitoral
Voltaram a circular alegações de que as urnas brasileiras seriam produzidas pela mesma empresa utilizada na Venezuela, acompanhadas da narrativa de que observadores norte-americanos estariam sendo impedidos de acompanhar o pleito porque o governo teria receio de auditorias internacionais.
Deslegitimação de instituições de Estado (Polícia Federal e STF)
Ao longo da semana, intensificou-se a circulação de narrativas voltadas à deslegitimação de instituições responsáveis pela condução do Estado Democrático de Direito, especialmente a partir de posts de influenciadores como Gustavo Gayer. Além dos ataques à Polícia Federal, por meio de acusações de interferência política nas investigações do caso Banco Master e da atuação de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues, ganharam força críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, e novos questionamentos à atuação do Judiciário e do sistema eleitoral brasileiro. Em conjunto, essas narrativas buscam enfraquecer a confiança pública em instituições responsáveis pela investigação, pelo julgamento e pela organização do processo eleitoral, ampliando a percepção de parcialidade e de aparelhamento institucional.
Narrativas de perseguição política
A narrativa de perseguição política permaneceu como um dos principais enquadramentos da extrema-direita. O caso Banco Master foi apresentado como uma tentativa de atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto a prisão de Jair Bolsonaro foi retratada como politicamente motivada. Também circularam alegações de aparelhamento da Polícia Federal, utilizando a recusa de Flávio Bolsonaro à escolta da corporação como evidência dessa tese. Em conjunto, essas narrativas reforçam a deslegitimação das instituições e alimentam a construção de um discurso permanente de vitimização.
Fique de olho
Tensões diplomáticas convertidas em munição eleitoral
A entrada em vigor do novo tarifaço dos Estados Unidos, a resposta do governo por meio do programa Brasil Soberano e os desdobramentos diplomáticos envolvendo Javier Milei, Marco Rubio, Mercosul e Argentina indicam que a política externa tende a permanecer subordinada à disputa eleitoral de 2026. A expectativa é de que ambos os campos continuem utilizando esses episódios para construir narrativas antagônicas sobre soberania nacional, relações internacionais e legitimidade democrática, ampliando a circulação de desinformação e interpretações enganosas sobre acordos bilaterais, comércio exterior e possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro.
Métricas e vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 212.448 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos, o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de seis eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.
Volume de publicações e engajamento por eixo temático
As porcentagens são referentes à soma total de 118.034.478 interações em 16.983 posts.
| EIXO | % DO TOTAL | PERFIL POLÍTICO | DESCRIÇÃO | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|---|
| POLÍTICA NACIONAL | 26 | Extrema-direita 65% | Esquerda 30% | Imprensa 5% | Embate direto entre os campos em torno da eleição de 2026. | lula, esquerda, direita, moraes, verdade, medo, pesquisa, turno, urnas, mandato, reeleição |
| CONVENÇÃO DO PL | 22 | Extrema-direita 52% | Esquerda 20% | Imprensa 28% | A convenção nacional do PL em 25 de julho, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, com a presença de Javier Milei e a mensagem de Benjamin Netanyahu ao evento. | bolsonaro, flávio, presidência, convenção, candidatura, milei, javier, oficializou, netanyahu, israel, vice |
| AGENDA DO GOVERNO | 21 | Extrema-direita 25% | Esquerda 73% | Imprensa 2% | Divulgação da agenda e das entregas do governo, com saúde, investimentos e a pauta de campanha da esquerda em torno da reeleição. | juntos, povo, saúde, investimentos, democracia, tetra, caminhada, esperança, agricultura, fome |
| REPERCUSSÃO POLÍTICA | 15 | Extrema-direita 56% | Esquerda 24% | Imprensa 20% | Cobertura e análise do cenário político, com a atuação do STF, o caso Banco Master e Vorcaro e a repercussão da operação sobre o INSS. | repercussão, reações, análise, moraes, stf, vorcaro, master, polícia, inss, operação, desdobramentos |
| TARIFAÇO | 11 | Extrema-direita 33% | Esquerda 42% | Imprensa 25% | A entrada em vigor das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a resposta do governo com a terceira fase do programa Brasil Soberano. | tarifaço, soberania, economia, china, produtos, bilhões, crédito, reciprocidade, sobretaxa, financiamento |
| CUSTO DE VIDA | 5 | Extrema-direita 70% | Esquerda 25% | Imprensa 5% | Pauta dos preços e do custo de vida usada como crítica à gestão, com a comparação de preços de supermercado e a inflação de alimentos. | preços, supermercado, inflação, alimentos, cesta, arroz, impostos, tariflávio, dívida |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
O debate desta semana concentrou-se na disputa da política nacional, que reuniu 26% das publicações e girou em torno do embate entre os campos sobre a candidatura de Lula e a leitura das pesquisas. A Convenção do PL veio em segundo, com 22% das publicações e o maior engajamento da semana, 30% das interações, ao oficializar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, em evento que teve Javier Milei presente. A Agenda do governo reuniu 21% e foi o eixo de maioria da esquerda, com 73%, ancorada na divulgação de saúde e investimentos. A Repercussão política respondeu por 15%, puxada pela cobertura do caso Banco Master e da operação sobre o INSS. O Tarifaço somou 11%, com a entrada em vigor das tarifas dos EUA e a resposta do governo pelo programa Brasil Soberano, e foi o eixo mais equilibrado entre os campos. O Custo de vida reuniu 5%, com a crítica à gestão pela alta dos preços. No perfil dos campos, a extrema-direita predominou nos eixos de disputa e de crítica ao governo.
Volume de publicações e engajamento por eixo temático
As porcentagens são referentes à soma total de 118.034.478 interações em 16.983 posts.
| EIXO | TOTAL DE POSTS | TOTAL DE INTERAÇÕES | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|
| POLÍTICA NACIONAL | 4,56 | 38.186.742 | lula, bolsonaro, flávio, stf, master, wagner, michelle, campanha, soberania, votar, eleger, direita, esquerda |
| CONVENÇÃO DO PL | 3,82 | 45.912.942 | moraes, bolsonaro, carta, jair, pai, prisão, visitas, domiciliar, cautelares, descumprimento, curitiba, decisão |
| AGENDA DO GOVERNO | 3,72 | 20.338.023 | eua, tarifaço, rubio, marco, trump, produtos, ormuz, irã, estreito, ustr, comércio, investigação |
| REPERCUSSÃO POLÍTICA | 2,74 | 30.797.023 | educação, investimentos, obras, saúde, desenvolvimento, dívidas, crédito, caminhoneiros, frete, 6×1, moradias |
| TARIFAÇO | 2,00 | 10.714.832 | turno, pesquisa, pontos, vantagem, quaest, lidera, intenções, percentuais, margem, empate, eleitores |
| CUSTO DE VIDA | 897 | 5.773.272 | educação, investimentos, obras, saúde, desenvolvimento, dívidas, crédito, caminhoneiros, frete, 6×1, moradias |
| Total | 17,73 | 151.722.834 |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
Posts diários por eixo temático
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A disputa política nacional liderou em quase todos os dias da semana, entre 505 e 807 posts nos dias de coleta cheia, com maior volume em 22/07. O movimento mais visível veio da Convenção do PL em 25/07, quando o eixo subiu para 1.215 posts, contra a faixa de 269 a 432 dos outros dias, no dia em que o partido oficializou Flávio Bolsonaro como candidato. A Agenda do governo acompanhou esse pico e chegou a 911 posts no mesmo 25/07, sinal de que o campo governista reagiu à convenção no mesmo dia. Os demais eixos tiveram queda nesta data. A Repercussão política manteve presença estável ao longo da semana, entre 267 e 503 posts, e o Custo de vida ficou no patamar mais baixo, sem ultrapassar 159 posts.
Perfil político por eixo
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A extrema-direita foi maioria nos eixos de disputa e de crítica ao governo, com 70% no Custo de vida, 65% na Disputa política nacional e 56% na Repercussão política. A esquerda concentrou-se na Agenda do governo, com 73%, seu maior índice, ancorada na divulgação de saúde e investimentos, e teve leve vantagem no Tarifaço, com 42%, eixo em que a responsabilização pela taxação dividiu os campos. A Convenção do PL registrou a maior presença de imprensa da semana, com 28%, por reunir um evento de forte valor noticioso, a oficialização da candidatura de oposição. O Tarifaço foi o segundo eixo de maior participação da imprensa, com 25%, pela natureza factual da entrada em vigor das tarifas.
Assunto por categoria política
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A leitura por campo mostra prioridades distintas. A extrema-direita distribuiu suas publicações sobretudo pela disputa política, com 34%, seguida da Convenção do PL, com 23%. A esquerda concentrou 41% de suas publicações na Agenda do governo, quase o dobro da fatia que dedicou à Disputa política nacional, o que confirma esse eixo como o território próprio do campo governista. A imprensa reservou 44% de suas publicações à Convenção do PL, sua maior parcela na semana, distribuição condizente com a cobertura da oficialização da candidatura. A Repercussão política aparece como segundo tema da imprensa, com 22%, pelo componente de STF e do caso Banco Master.
Distribuição por campo político ao longo da semana
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A extrema-direita manteve a dianteira em todos os dias, em faixa estreita entre 45% e 52%, sem que nenhum evento invertesse a composição do debate. A presença da esquerda teve seu melhor momento em 26 e 27/07, quando alcançou 42%, período posterior à convenção, em que a agenda do governo e a resposta ao tarifaço ganharam espaço. A imprensa teve leve alta em 25/07, com 18%, o dia da convenção, coerente com o interesse jornalístico pelo evento. Nos demais dias, a imprensa manteve-se na faixa dos 7% a 14%.
Temas relevantes por eixo ideológico
Campo ideológico
Esquerda
Convenção do PL e críticas a Flávio Bolsonaro
Lindbergh Farias publicou vídeos sobre a convenção do PL, que anunciou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República, alegando que o evento teria sido um fracasso, uma vez que não contou com a participação de outros partidos ou de articulações, e que o senador ainda não teria um vice, o que demonstraria seu isolamento. Em outro vídeo, o petista disse ter entrado com ação na PGR por crimes cometidos durante a convenção, entre eles, a participação de estrangeiros em evento partidário; o uso de vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA; e o pedido para que Trump e os EUA interfiram nas eleições. Guilherme Boulos questionou o apoio de Netanyahu, com vídeo veiculado no evento.
Na linha de isolamento do senador, Ronny Teles argumentou que Michelle e Nikolas teriam abandonado Flávio. Na TV Fórum, comentarista salientou que no evento havia boneco de Michelle Bolsonaro e bandeiras dos EUA. Outros perfis fizeram eco ao vídeo de João Pedro Sastre, apoiador de Flávio Bolsonaro que ficou fora da convenção e questionou o senador por não manter contato com a população, como faz seu opositor, Lula (1; 2). Em vídeo, um influenciador repercutiu a confusão na entrada do evento, com empurrões e brigas.
Outras críticas foram feitas por perfis do campo a Flávio Bolsonaro. Guilherme Boulos e Chico Rubens Paiva fizeram vídeos de resposta à série que o senador vem publicando sobre preços em supermercados, mostrando que o argumento do pré-candidato teria viés e não se sustentaria. Brasil fora da Caverna questionou uso de IA em vídeo que já projeta o senador como presidente.
Milei na convenção do PL
A presença do Presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção de candidatura de Flávio Bolsonaro gerou forte repercussão dentro do segmento da esquerda. A deputada Bella Gonçalves apontou que a participação do líder argentino foi uma tentativa de Flávio de demonstrar apoio e popularidade na América Latina, ponderando, contudo, que Milei enfrenta alta impopularidade na Argentina, com desaprovação superior a 60%. O deputado Orlando Silva destacou que a gestão de Milei reduziu o salário e o poder de compra dos trabalhadores, eliminou postos formais de trabalho, diminuiu direitos dos aposentados e respondeu às manifestações públicas com autoritarismo. O pré-candidato Fernando Haddad também criticou a presença do argentino, enfatizando a degradação das condições de vida e a crise de abastecimento no país vizinho. Já o vereador Pedro Rousseff ressaltou que o presidente Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina para esclarecer as declarações de Milei — que chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” —, argumentando que a vinda do presidente argentino serviu como palco para ataques diretos às instituições brasileiras.
Perfis progressista sustentaram que a movimentação de Flávio Bolsonaro sinaliza um quadro de desespero e enfraquecimento político de sua pré-candidatura, recorrendo à figura de Milei após perdas de apoios de partidos aliados, atritos internos na montagem da chapa e dificuldades para a definição do nome para a vice-presidência. O tom das publicações destacou a vulnerabilidade do líder argentino, citando controvérsias e episódios de desgaste em sua gestão. Por fim, repercutiu amplamente que a decisão do governo brasileiro de convocar o embaixador de volta a Brasília representou uma das medidas diplomáticas mais severas da relação bilateral recente, marcando um pico de tensão entre os dois países após os ataques proferidos na convenção (1, 2).
Ataque às urnas eletrônicas
Perfis progressistas e parlamentares criticaram o pré-candidato Flávio Bolsonaro por suas declarações recentes questionando a segurança das urnas eletrônicas brasileiras em reunião com diplomatas, utilizando acusações que já foram categoricamente desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O deputado Lindbergh Farias afirmou que o uso de informações falsas sobre as urnas compõe uma estratégia para criar um fato político de perseguição e preparar terreno para solicitar que governos estrangeiros, como o dos Estados Unidos, não reconheçam o resultado da votação. De acordo com o parlamentar, a atitude alimenta um discurso contrário ao regime democrático e repete os passos de seu pai, Jair Bolsonaro (1). Já o deputado Otoni de Paula questionou a razão de Flávio manter sua candidatura caso realmente não confie no sistema eleitoral, ressaltando a ausência de provas e argumentando que, ciente das chances desfavoráveis no pleito, o pré-candidato busca construir uma narrativa para justificar uma eventual derrota (1).
Postagens avaliaram que o questionamento à integridade das urnas eletrônicas pode fundamentar processos de inelegibilidade contra Flávio Bolsonaro semelhantes aos que atingiram seu pai. Apontou-se, ainda, que a veiculação dessas teses se intensificou em decorrência da queda de Flávio nas pesquisas e do enfraquecimento de alianças com o Centrão e parte da direita. Segundo essa narrativa, a contestação das urnas visa desviar o foco do isolamento político da campanha e flertar com mecanismos de ingerência externa sobre o processo eleitoral brasileiro (1).
As notas de Flávio Bolsonaro
Perfis do campo progressista repercutiram a matéria publicada pelo Portal Metrópoles com alegações de que Flávio Bolsonaro teria emitido notas no valor de R$1,5 milhões para empresas ligadas a Daniel Vorcaro. ICL e Rede TVT abordaram o assunto em seus programas, salientando que as notas evidenciam ainda mais a relação estabelecida entre o senador e o Banco Master, que iria além do filme Dark Horse. Lindbergh Farias publicou uma série de posts sobre o assunto, destacando que, além das notas, Flávio Bolsonaro também não teria explicado os R$61 milhões destinados por Daniel Vorcaro ao filme sobre seu pai (1; 2). O senador petista disse, ainda, que registrou Notícia de Fato na Polícia Federal para abrir ‘investigação sobre a relação de Flávio Bolsonaro com as empresas de fachada de Daniel Vorcaro’. Pedro Rousseff, em collab com outros perfis, alegou que o pré-candidato pelo PL foi ‘pego’ em mais um escândalo e que ‘dessa vez não vai dar para escapar’ (1; 2).
Artigo de Lula sobre as tarifas Norte-Americanas
A discussão sobre as tarifas norte-americanas continuou em destaque dentro do campo progressista. O debate ganhou forte impulso após a publicação do artigo do presidente Lula no jornal The Washington Post, onde a política de sobretaxação dos Estados Unidos contra o Brasil foi apontada como um erro estratégico. No texto, o presidente destacou que as tarifas prejudicam a parceria comercial entre os dois países e atingem diretamente a economia americana, uma vez que diversos setores industriais dos EUA dependem de insumos brasileiros que chegarão mais caros ao consumidor final. Lula ressaltou também que o isolamento do mercado estadunidense abre espaço para que outras nações se apresentem como alternativas viáveis para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro (1, 2). A repercussão nas redes enfatizou a firmeza da mensagem enviada pelo presidente ao governo norte-americano na defesa da soberania nacional. Ao mesmo tempo, voltou-se a responsabilizar a família Bolsonaro pelas medidas protecionistas dos EUA (1, 2, 3).
Lançamento de candidaturas, Jingle e Repercussão das Pesquisas Eleitorais
O campo progressista também repercutiu o lançamento de candidaturas, materiais de campanha e resultados de pesquisas eleitorais de intenção de voto. A oficialização de Fernando Haddad como candidato ao Governo de São Paulo, ocorrida em convenção realizada em Campinas, obteve grande visibilidade com o compartilhamento de imagens do evento e comemorações nas redes. Durante o ato, o presidente Lula proferiu um discurso focado na defesa da soberania nacional, enfatizando que o futuro do Brasil e de São Paulo deve ser definido exclusivamente pelos brasileiros (1, 2, 3). Demais lançamentos de candidaturas de apoiadores também repercutiram nas redes (1, 2, 3, 4, 5).
A deputada Gleisi Hoffmann e perfis progressistas comentaram o lançamento do novo jingle de campanha do presidente Lula, inspirado no “Rap do Silva”, de Bob Rum, lançado durante a convenção em Campinas. Postagens destacaram que a faixa “roubou a cena” e avaliaram a mensagem como emocionante ao associar a figura do presidente aos trabalhadores do país sob a premissa “Somos muitos Silvas” (1, 2).
Paralelamente, publicações de parlamentares e perfis progressistas repercutiram a pesquisa Datafolha, que apontou Lula liderando com 48% das intenções de voto no segundo turno, com destaque para a matérias jornalísticas que mostraram que a aprovação do governo superou a desaprovação pela primeira vez no ano, resultado visto como um fator determinante para consolidar a vitória ainda no primeiro turno (1, 2, 3).
Campo ideológico
Direita
Oficialização da candidatura de Flávio
O lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro, em convenção do PL, foi tema central entre o segmento. O evento ganhou cobertura do Brasil Paralelo, que destacou o vídeo de Jair Bolsonaro feito por IA e a revolta de Javier Milei por não ter sido autorizado a visitar o ex-presidente. A participação do presidente argentino teve especial repercussão entre o segmento, através de posts com destaque às críticas à Justiça Brasileira – com menção à prisão “injusta” de Jair Bolsonaro –, ao ministro Alexandre de Moraes e ao presidente Lula. Foram também mencionadas suas políticas liberais como modelo a ser seguido no Brasil por Flávio e a presença do governador Tarcísio de Freitas em sua recepção. A reação do governo, como a convocação de embaixador argentino para uma reunião, foi enquadrada como “vingança” contra a vinda de Milei ao Brasil e seu apoio à classificação do PCC e CV como organizações terroristas. Outros perfis, como Pleno News, celebraram a mensagem, em vídeo, de Benjamin Netanyahu a Flávio Bolsonaro como demonstração de amplo apoio internacional, além de apontar que o atual governo apresenta relação conflituosa com Israel.
Foram localizados comentários sobre o vídeo de Jair Bolsonaro, produzido por inteligência artificial e apresentado durante a convenção do PL, com críticas às restrições judiciais a que está sujeito e apoio à candidatura do filho. Teve grande circulação, ainda, o vídeo de Michelle Bolsonaro de agradecimento pelo pedido de desculpas e apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Além disso, diversas publicações mostraram Flávio se emocionando ao ver mensagens de seu irmão, Carlos, e de seus sobrinhos, filhos de Eduardo, que vivem atualmente nos EUA.
Caso Master e o bate-bola da responsabilização pela corrupção
Flávio Bolsonaro publicou um vídeo criticando a matéria do Metrópoles sobre a emissão de notas fiscais para empresas de fachada de Daniel Vorcaro, justificando que realizou trabalhos advocatícios, constituindo relação legal e privada, e que recusou convite para trabalhar com a Copenhagen. A matéria foi retratada como “mentirosa” e o veículo amplamente descredibilizado. A narrativa central foi de perseguição à sua candidatura presidencial em resposta ao seu avanço em pesquisas eleitorais. Outros perfis reforçaram o enquadramento, deslocando a suposta relação com a corrupção para Lula e retomando a investigação sobre o envolvimento de Jaques Wagner no caso Master. Circulou também conteúdo sobre a investigação de empréstimos do Banco Master a Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do governo Lula.
Diversos perfis, como de Gustavo Gayer, voltaram a levantar suspeitas sobre o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, indagando que haveria uma tentativa de interferência nas investigações pelo governo Lula, e considerou um “xeque mate” a recusa de Flávio Bolsonaro de escolta da PF, optando por manter apenas a proteção da Política Legislativa do Senado, e pedindo que o contingente de policiais federais seja destinado à investigação do caso do INSS. A suspeição foi reforçada ao mencionar que a PF teria negado envolvimento com o vazamento de áudio trocado entre Flávio e Vorcaro, embora ainda não tenha identificado o responsável.
Críticas ao governo Lula
Circularam críticas ao governo Lula, englobando diversas áreas, como saúde, segurança e infraestrutura, contudo o foco esteve na economia. As publicações apresentaram um cenário de recessão econômica, com a Revista Oeste afirmando haver um “país quebrado”. Marcos do Val argumentou que “se Lula for reeleito, o Brasil vai quebrar!”, narrativa reforçada por outros perfis. Carlos Jordy apontou gastos exacerbados do presidente com o cartão corporativo, além de alegar cenário de crise econômica, enquanto Bia Kicis criticou os gastos com propaganda para “vender uma imagem”. Houve ampla circulação de um vídeo de Nikolas Ferreira apontando panorama de endividamento recorde dos brasileiros, a partir da nova opção do aplicativo de entrega de comidas, iFood, de parcelamento. No mesmo sentido, diversos posts indicaram preços altos em supermercados como sinal de culpa e fracasso do governo Lula.
Outras críticas incluem a menção ao aumento de feminicídios no Brasil e acusações de envolvimento do governo Lula com corrupção relacionada à operação de investigação de desvios na Caixa Econômica Federal. O ex-ministro do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga, rebateu a declaração de Lula chamando ministros da Saúde de Bolsonaro de ‘mequetrefes’, apontando o atual presidente como corrupto e criticando a gestão da saúde de seu governo. Reforçou que o país vive uma epidemia de dengue e que há falta e atraso de vacinas. Já a fala de Lula recomendando cautela dos cidadãos com celulares na rua foi apresentada como responsabilização de vítimas de assalto por distração com celular.
Questionamento do sistema eleitoral
Após as declarações de Flávio Bolsonaro levantando suspeitas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, em reunião com diplomatas, o questionamento do sistema eleitoral repercutiu através de distintos eixos. Diversos perfis circularam o argumento de Flávio de que as urnas brasileiras seriam da mesma empresa responsável pelas eleições venezuelanas investigadas pela CIA.
A repercussão negativa do caso foi utilizada para reforçar a suspeição, alegando que haveria um cerco ao questionamento das urnas para tentar esconder as irregularidades do sistema eleitoral. Foi amplamente contestada a decisão do governo de não conceder vistos a funcionários dos EUA que observariam as eleições, devido à acusação de que viriam ao Brasil questionar o processo eleitoral, sendo utilizada para alegar que haveria “medo” por parte de Lula de que fossem descobertas irregularidades. Neste sentido, circularam também questionamentos sobre o Judiciário brasileiro, com contestação das declarações de Cármen Lúcia e de Gilmar Mendes como impossibilidade de críticas em uma democracia.
Já o recente contato da Embaixada dos EUA com o TSE para tratar sobre visita de integrantes do governo ao Brasil foi enquadrada como uma ação que “passou por cima” de Lula. Ainda, seguido à fala de Lula sobre Marco Rubio apoiar a candidatura de Flávio, foi destacada a resposta do governo dos EUA sobre ter interesse na integridade do processo eleitoral brasileiro.
“Lula é amigo de ditadores”: a esquerda latinoamericana como autoritária
Voltou à pauta a narrativa, já consolidada entre o segmento em eleições anteriores, de que Lula mantém relações próximas com “ditadores” latinoamericanos, os quais teriam tentado golpes de Estado em seus países. O tema foi puxado centralmente pelo anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que não haverá mais eleições no país, sendo reforçado que o político seria “amigo” de Lula. A narrativa central é de que com a esquerda no poder, o Brasil seguiria o mesmo caminho. Já Gustavo Gayer estendeu a associação, ressaltando a relação de Lula com Gustavo Petro (Colômbia), apontando que ele rejeitou o resultado das últimas eleições em seu país, quando não foi reeleito. O segmento ainda repercutiu que os EUA devem intervir na situação da Nicarágua e destacaram a declaração de Marco Rubio pedindo ação da comunidade internacional, passando a ideia de que o governo Trump pode vir a interferir no cenário brasileiro. A narrativa foi, ainda, utilizada para reforçar o questionamento do sistema eleitoral brasileiro.
Presidenciáveis (Top Reels)
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 27/07 às 16h.
Fonte dos dados: Data Lake DX

@lulaoficial 14,7 mi seguidores
Na última semana, Lula obteve seu maior alcance, com 4,5 milhões de visualizações, em Reel com jingle de pré-campanha. Trata-se de uma adaptação do funk carioca “Rap do Silva”, com letra modificada para contar a história do presidente.
No segundo Reel de maior alcance, com 1,1 milhão de visualizações, Lula comemora a publicação do relatório da FAO, da ONU, que confirma que o Brasil segue fora do Mapa da Fome. Lula veiculou um vídeo de sua fala na Assembleia Geral da ONU de 2025, quando afirmou que “a única guerra que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”.
Em terceiro, com 1,1 milhão de visualizações, o Reel trata do lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, que contou com declarações do presidente no evento. Lula sinalizou que o Brasil é soberano e quem decidirá o pleito serão os 157 milhões de eleitores, sem interferências externas.
Fonte dos dados: Data Lake DX

@flaviobolsonaro 10,8 mi seguidores
O Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 6,7 milhões de visualizações, tratou do encontro do pré-candidato com o presidente argentino Javier Milei, com o governador e prefeito de São Paulo Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, que declararam apoio à candidatura do senador.
No segundo Reel de maior destaque, com 3,9 milhões de visualizações, o senador fez novo vídeo em que exalta semelhanças com seu pai, Jair Bolsonaro, e apresenta sua trajetória e formação na vida pessoal, profissional e política.
Em outro Reel, com 2,5 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro publicou vídeo do evento de lançamento de sua candidatura, em que aparece emocionado ao ouvir e ver projeções de imagens sobre Jair Bolsonaro.
Fonte dos dados: Data Lake DX

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores
Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana, com 9 milhões de visualizações, em Reel com trecho de sua participação no podcast Iron Talks, quando questiona as penitenciárias terem visita íntima e audiência sigilosa com advogado, salientando que modificou o sistema em Goiás. O ex-governador do Estado disse, ainda, que não admitiu que Lula avançasse sobre sua prerrogativa quando tomou a decisão sobre tornar o sistema prisional mais rígido.
No segundo Reel de maior destaque, com 1,9 milhão de visualizações, Caiado publica vídeo de Ratinho Jr. apoiando sua candidatura para a presidência da República. O governador do Paraná disse que seu colega estaria preparado para mudar o país e exaltou o trabalho conjunto realizado por ambos ao construírem pontes entre os Estados sob suas gestões.
Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, com 1,3 milhão de visualizações, Caiado reage à pesquisa da Infomoney, que o coloca com 44% de intenções de voto no segundo turno, empatando com Lula. Caiado diz ser o único que pode superar o petista. No texto que acompanha a publicação, o ex-governador de Goiás destaca que “o País quer mudança. E eu quero devolver o Brasil aos brasileiros. Nosso objetivo é claro: tirar o PT e Lula do poder”.
Fonte dos dados: Data Lake DX

@renansantosmbl 1,6 mi seguidores
No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 1,3 milhão de visualizações, o pré-candidato reage à entrevista de Guilherme Boulos à CNN, na qual o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência pondera se Lula deveria ir aos debates. Boulos se refere a Santos como “menino do MBL” ao dizer que seu intuito seria fazer cortes para as redes sociais. Por sua vez, Santos diz que estão fugindo do debate e alega que Lula não apresenta suas propostas.
No outro Reel de maior alcance, também com 1,3 milhão de visualizações, o político reforça o argumento de que Lula estaria com medo de debater com ele, ao reagir a notícias que destacam que o presidente estaria avaliando faltar a debates por temer embates. O candidato pelo partido Missão ironiza ao dizer que o atual presidente sabe que ele tem força nas redes sociais e que não é gado de ninguém, nem da esquerda e nem da direita, reforçando que não fará acordos de bastidores e que abordará escândalos envolvendo o petista.
Em terceiro, com 1,3 milhão de visualizações, Renan Santos aborda notícias envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, dando saliência às notas de 1,5 milhões que o senador teria emitido para empresas denunciadas em esquemas com Vorcaro. Para Santos esta é mais uma evidência do envolvimento direto de Flávio com as fraudes do banco.
Cobertura jornalística
Imprensa
Grande imprensa e outros temas
Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa,
mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Lula à frente de Flávio e avaliação mediana do governo
Notícias e análises sobre os resultados de intenção de votos para presidente e de avaliação do governo Lula foram as publicações que tiveram mais interações no segmento da imprensa na última semana.
A liderança de Lula na intenção de votos tanto no primeiro quanto no segundo turno, pauta publicada pela Globo News, teve alto engajamento. A reportagem destacou também a alta rejeição dos dois principais candidatos, o incumbente e o desafiante Flávio Bolsonaro. A Folha, proprietária do instituto, salientou que, às vésperas do início da campanha eleitoral, começa a se desenhar um cenário de vantagem para o candidato da esquerda em meio ao “inferno astral” do candidato de extrema-direita.
A notícia do g1 (e do Jornal Nacional) destacou a mediana avaliação do governo Lula. O Diário de Pernambuco teve alto engajamento com a manchete sobre aprovação do governo de 49% ante 48% de reprovação, além de abordar o resultado da pergunta sobre o principal problema do país hoje, sendo saúde, violência/segurança/polícia e economia os mais citados. O Globo concluiu que, após o novo tarifaço, a avaliação do governo ficou estável.
Convenções partidárias e oficialização das candidaturas à presidência
As convenções partidárias de PT e PL que confirmaram as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro respectivamente também geram alto volume de interações.
Na cobertura sobre a extrema-direita, para além das publicações informativas de oficialização da candidatura de Flávio ( Folha, SBT News, Globo News), o que mais gerou interações no segmento foi a participação do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL, com direito a dancinha ( UOL) discurso anti-socialista, de pânico moral, anti-político ( SBT News, Exame, O Povo) e de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro que estaria preso injustamente ( UOL). Nenhuma das mensagens com maior engajamento continha como destaque as ofensas de Milei a Lula e a Alexandre de Moraes, reproduzidas pela Gazeta do Povo.
O Poder 360 ainda ressaltou o desafio de Flávio em diminuir sua rejeição no eleitorado feminino com o destaque que o agora presidenciável deu às mulheres que o apoiam e o UOL Notícias destacou o vídeo produzido por IA para simular o ex-presidente Jair Bolsonaro referendando a candidatura do filho como defensora do seu legado.
Na cobertura sobre a esquerda, destacaram-se mais publicações informativas da confirmação da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo em evento ocorrido em Campinas, o que mostraria, de acordo com as matérias, o foco da campanha no interior do Estado para evitar uma derrota (dada como certa pelo Estadão) ainda no primeiro turno e para fortalecer a candidatura de Lula no maior colégio eleitoral do país ( UOL). Para Josias de Souza ( UOL), o PT transformou a convenção de Haddad em palco para Lula, que teve a íntegra do seu discurso publicado pelo UOL News.
Repercussão do novo tarifaço e intervenção estrangeira
Dois momentos, um específico e outro mais amplo, desde a informação do início da vigência do novo pacote de tarifas a produtos brasileiros impostos pelo governo dos Estados Unidos, tiveram alto volume de interação.
O primeiro momento, mais específico, foi da reação do governo ao novo tarifaço: a Gazeta do Povo destacou que o governo classificou a ação como “arbitrária e injustificada” e prometeu reciprocidade. TV Cultura enfatizou ainda que presidente e vice negaram as acusações do governo estadunidense e estudam como responder à nova tarifa de 12,5%.
O segundo momento, mais amplo, foi de politização com a inclusão do tarifaço em um discurso de “soberania nacional”, composto com a denúncia do plano de tentativa dos EUA de influenciar em favor da extrema-direita nas eleições presidenciais brasileiras. Diversas publicações com alto volume de interações tem a fala de Lula na convenção estadual do PT-SP no sábado, no qual o presidente afirmou que “quem quiser se meter nas eleições presidenciais brasileiras vai apanhar muito” ( g1, SBT News, Gazeta do Povo), incluindo também a rejeição de visto para entrada no Brasil de dois emissários do governo estadunidense que viriam ao Brasil para, supostamente, questionar o sistema eleitoral.
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
Clusterização:
📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.
A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição.
Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.
A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
Sobre a seção de presidenciáveis:
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 27/07/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (29.07.2026) - Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
ABRANTES, Natália; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexsander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; GARRIDO, Fabiano; HOMMA, Luana; PECORARO, Caroline; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de; VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 22 jul. 2026. Período da análise: 14 a 20 de julho de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/relatorio-17/>.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, Beto Vasques, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi, Paulo Roberto Souza e Caroline Pecoraro.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
Desenvolvimento Web: Paolo Enryco
