Período da análise: 20 a 27 de abril de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil na semana.
I – O debate nas redes esta semana esteve concentrado em custo de vida e pressão tributária (29% dos posts) e no caso Banco Master e suas implicações para o STF (28% dos posts), que juntos responderam por 57% das publicações e cerca de 60% das interações. A esquerda abordou a agenda internacional do governo Lula, com a participação em eventos na Alemanha e em Portugal, e a mobilização em torno de pautas sociais e de gestão. A direita concentrou-se em questionar a legitimidade do STF a partir do caso Banco Master, atacar o governo pela inflação e pelos impostos e impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
II – A esquerda se concentrou em aumentar a visibilidade positiva do governo Lula destacando sua relevância internacional e como defensor dos interesses do Brasil, por um lado; e com críticas a Flávio Bolsonaro por ele ter um plano que tem como consequência a desvalorização do salário mínimo, aposentadorias e benefícios.
III – A direita concentrou suas críticas ao governo Lula repercutindo: o desdobramento da prisão de Ramagem enquanto um “conflito diplomático” com os EUA; viagens de Lula a Alemanha e Portugal; economia, com abordagem sobre impostos e inflação e críticas de que Lula só se aproxima da Igreja e dos evangélicos com objetivos políticos e eleitorais, argumento utilizado em post do PL, ao passo em que se contradiria ao se aproximar também de religiões de matriz africana.
IV – Exemplos de desinformação foram identificados em vídeo de um canal de YouTube da extrema-direita, afirmando que Lula e Alexandre de Moraes teriam sido citados como envolvidos com o narcotráfico na delação de Nicolás Maduro, e que o magistrado teria renunciado ao STF.
V – O caso do Banco Master e os desdobramentos envolvendo ministros do STF foram o eixo de maior engajamento da semana, com 31,5 milhões de interações em 1.827 posts, 70% publicados por perfis da extrema-direita. A pauta articulou citações a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e ao próprio Banco Master para questionar a legitimidade do Judiciário e associar decisões do STF a suspeitas envolvendo seus ministros.
VI – Presidenciáveis:
Lula concentra o engajamento com uma comunicação de caráter institucional, combinando a valorização de políticas públicas e a projeção de sua agenda internacional. Ao longo da semana, destacaram-se conteúdos sobre programas sociais e educacionais — como Bolsa Família, Farmácia Popular, FIES e ProUni —; a agenda internacional, com registro ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz; e posicionamentos sobre desinformação, defendendo o uso de celulares para difundir informação verificada e a responsabilização de quem propaga notícias falsas.
Em contraste, Flávio Bolsonaro lidera o engajamento com uma comunicação centrada em críticas ao PT e em tentativas de associação da esquerda ao crime organizado e a escândalos digitais — neste caso, buscando vincular Lula ao proprietário da página Choquei, alvo de operação da Polícia Federal em abril de 2026. Por sua vez, Ronaldo Caiado adota abordagem focada em segurança pública, defendendo o uso das Forças Armadas no enfrentamento a facções criminosas.
VII – Imprensa:
Ao longo da semana, a cobertura da imprensa apontou um ambiente eleitoral mais competitivo e tensionado, com críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo no campo econômico, responsabilidade fiscal e percepção de perda de apoio em bases tradicionais, como algumas regiões do Nordeste e eleitores afetados pelo endividamento das famílias. Ao mesmo tempo, foram destacadas leituras mais favoráveis dentro da campanha governista, feitas pelo futuro coordenador político da campanha do presidente, Wellington Dias, indicando “um cenário potencialmente menos adverso do que em 2022”. A disputa com Flávio Bolsonaro ganhou centralidade, incluindo episódios de conflito dentro do próprio campo da direita e esforços de recomposição política. Pesquisas eleitorais e movimentos de apoio, como o engajamento de influenciadores, também repercutiram. No plano internacional, a agenda de Lula na Europa recebeu atenção, com ênfase em suas posições sobre conflitos geopolíticos, críticas ao neoliberalismo e defesa de reformas multilaterais. No campo doméstico, a imprensa destacou a tramitação de pautas sensíveis, como o fim da escala 6×1, interpretada como aposta política relevante do governo. Por fim, episódios de tensão institucional — como o embate entre Romeu Zema e o STF — reforçaram o pano de fundo de polarização e disputas sobre os limites entre crítica política e atuação judicial.
Ameaças à integridade democrática
Foi notável esta semana a intensificação de narrativas que deslegitimam o sistema judiciário — sobretudo o STF — ao associar decisões judiciais a interferências no processo eleitoral. O Deputado Nikolas Ferreira afirmou que a eventual inclusão de Romeu Zema no Inquérito das Fake News, por iniciativa de Gilmar Mendes, configuraria tentativa de definir previamente quais candidaturas poderiam se opor a Luiz Inácio Lula da Silva.
No mesmo sentido, o Deputado Marcel van Hattem tem defendido a eleição de senadores alinhados à direita para viabilizar o impeachment de ministros do STF. A associação entre disputa eleitoral e ameaça a magistrados tensiona a separação entre Poderes e incentiva uma lógica de retaliação institucional.
Paralelamente, circulou declaração de Flávio Bolsonaro segundo a qual o ministro Alexandre de Moraes utilizaria o STF para desequilibrar eleições em prejuízo de candidatos de direita. Alegações recorrentes desse tipo operam como pré-deslegitimação do processo eleitoral, criando condições para contestação de resultados e menor aceitação de derrotas.
Adicionalmente, conteúdos associam o episódio envolvendo Donald Trump a uma suposta escalada de violência política da esquerda, sugerindo risco semelhante para Flávio Bolsonaro em 2026, em analogia ao atentado contra Jair Bolsonaro em 2018. Essas narrativas normalizam o discurso de ameaça e reforçam um ambiente de medo e polarização.
Em conjunto, esses elementos operam em três frentes: (i) deslegitimação preventiva de instituições eleitorais e judiciais; (ii) incentivo à confrontação entre Poderes; e (iii) amplificação de narrativas de violência política. Combinados, elevam o risco de contestação da lisura eleitoral e de deterioração das normas democráticas.
Métricas e eixos de vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 82.853 publicações que somam 109.186.230 interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de seis eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes formas de enquadramento do tema.Nota da tabela: Nota da tabela: O termo extrema-direita utilizado no relatório comporta e subordina também os perfis de direita, tendo em vista a participação amplamente minoritária da direita neste campo quando se trata de audiência digital.


O debate digital desta amostra concentrou-se em seis eixos, com Custo de vida e pressão tributária e Judiciário e caso Banco Master respondendo juntos por 57% dos posts e cerca de 60% das interações. O eixo de custo de vida liderou em volume de publicações (1.949 posts, 29% do total), com predominância da extrema-direita (60%) e participação relevante da esquerda (32%), articulando inflação, impostos e referências a STF, Trump e EUA como crítica ao governo. Já o eixo do Judiciário e Banco Master, embora segundo em volume (1.827 posts, 28%), foi o que mais gerou interações (31,5 milhões), puxado majoritariamente pela extrema-direita (70%) em torno de Moraes, Gilmar Mendes e do STF.
Bolsonarismo e disputa eleitoral aparece como terceiro eixo (14% dos posts, 13,7 milhões de interações), com circulação concentrada na extrema-direita (57%) e foco em pré-candidaturas e nomes ligados a Bolsonaro, como Flávio, Michelle e Nikolas. Agenda internacional e liderança política também responde por 14% dos posts, mas com perfil distinto, pois foi o eixo mais equilibrado entre os três campos, com presença mais forte da imprensa (37%) na cobertura da participação do presidente em eventos na Alemanha e em Portugal.
Mobilização política e agenda social teve o menor volume de interações (4,4 milhões) e foi o único eixo dominado pela esquerda (66%), reunindo termos como luta, compromisso, trabalho e referências a gestões municipais. Segurança, imigração e tensão diplomática fechou a amostra com 7% dos posts e 472 publicações, mas concentrou interações desproporcionais ao volume (10,1 milhões), impulsionado pela extrema-direita (68%) em torno do delegado Ramagem, da política de reciprocidade e da relação com os EUA.
A distribuição diária desses clusters indica que Custo de vida e pressão tributária e Judiciário e caso Banco Master foram os eixos mais mobilizados em todos os dias da semana, alternando-se na liderança. O eixo do Judiciário ganhou força no fim da semana, passando de 26% em 23/4 para 34% nos dias 24/4 e 25/4, em paralelo ao crescimento contínuo de Bolsonarismo e disputa eleitoral, que subiu de 11% no início da amostra para 22% em 26/4. O custo de vida manteve-se acima de 25% em todos os dias, com pico de 34% em 20/4. Agenda internacional e liderança política teve maior incidência nos dias 20/4 e 21/4 (21% e 22%), enquanto Segurança, imigração e tensão diplomática concentrou-se em 21/4 (16%). Mobilização política e agenda social manteve participação estável entre 6% e 10% ao longo de toda a semana.
A distribuição dos posts por segmento mostra predominância da extrema-direita, que aparece como campo majoritário em quatro dos seis eixos. Essa configuração decorre principalmente do eixo Judiciário e caso Banco Master, em que a direita responde por 70% das publicações, e dos eixos Segurança, imigração e tensão diplomática (68%) e Custo de vida e pressão tributária (60%), indicando o esforço desse campo para politizar tanto o STF quanto pautas econômicas e de segurança pública. Bolsonarismo e disputa eleitoral reforçam essa dinâmica, com 57% da direita, 23% da esquerda e 20% da imprensa.
Mobilização política e agenda social aparece como espaço de maior densidade da esquerda (66%), apontando a organização desse campo na comunicação de pautas vinculadas à gestão e a temas coletivos como saúde, educação e ações municipais. Agenda internacional e liderança política apresenta a distribuição mais equilibrada entre os três campos, direita (30%), esquerda (33%) e imprensa (37%), o que sugere um espaço de disputa em torno da atuação do presidente em eventos internacionais. Já o eixo de Segurança, imigração e tensão diplomática teve a segunda maior participação da imprensa (22%), repercutindo episódios envolvendo o delegado Ramagem e a relação com os EUA.
Temas relevantes por eixo ideológico
ESQUERDA
O “plano secreto” de Flávio Bolsonaro
O segmento repercutiu diversas críticas a Flávio Bolsonaro, sendo a de maior engajamento publicada por lideranças políticas de esquerda (Guilherme Boulos, Ivan Valente, Talíria Perrone, dentre outros), mídia segmentada e influenciadores que acusaram o político de extrema-direita de ter um “plano” secreto de corrigir salário mínimo, benefícios e aposentadorias apenas em relação à inflação acumulada no ano anterior, o que seria inconstitucional e pioraria a qualidade de vida de quem depende do piso e dos benefícios.
Lula na Europa: liderança internacional
O segmento também teve grande engajamento com notícias positivas da visita de Lula à Europa, classificada como a demonstração de liderança internacional do presidente. Destaque para as falas críticas sobre os conflitos internacionais, sua postura considerada combativa em relação a Donald Trump subsidiada pela declaração de reciprocidade após a expulsão de um delegado brasileiro pelo governo dos Estados Unidos (que geraria um efeito positivo para Lula e negativo a Flávio Bolsonaro, assim como a ofensiva de Trump contra o PIX) e à visita de fortalecimento das relações entre Brasil e Alemanha.
Escala 6×1
Um vídeo de um jornalista da mídia progressista criticando a postura da Folha em relação à Escala 6 x 1 que oculta de sua manchete que o Partido Liberal (PL) teria aceitado votar pela redução da jornada de trabalho, mas que trabalhará para reduzir os salários proporcionalmente e/ou conceder indenização para empresários “afetados” pela nova PEC.
DIREITA
Críticas ao governo Lula
O segmento repercutiu diversas críticas ao presidente Lula e seu governo. A religião foi uma pauta de destaque, através de acusações de que Lula só se aproxima da Igreja e dos evangélicos com objetivos políticos e eleitorais, argumento utilizado em post do PL, ao passo em que se contradiria ao se aproximar também de religiões de matriz africana. Outros temas de críticas incluíram impostos e inflação; o aumento nas contas de luz devido a novos reajustes; os gastos de 350 milhões de reais com aluguel de navios durante a COP30, contrastados com a pobreza existente no país; as contradições do discurso do governo sobre a taxa sobre compras internacionais (conhecida como “taxa das blusinhas”); altos impostos e corrupção, através de Sérgio Moro, que relacionou o governo aos escândalos do Banco Master. Também foram mencionadas questões relacionadas aos EUA, sendo comentada, por Paulo Figueiredo, a venda da única mina de terras raras para empresa dos EUA como hipocrisia do governo Lula ao atacar Flávio Bolsonaro sobre o mesmo tema.
Promoção da campanha de Flávio Bolsonaro
Como narrativa complementar à anterior, houve ampla promoção da campanha de Flávio Bolsonaro, muitas vezes em publicações que o opõe diretamente a Lula. Ganhou amplo destaque aparticipação de Flávio Bolsonaro no evento Norte Show, em MT, um dos principais do agronegócio, sendo apontado como uma escolha do setor, em detrimento de Lula. Igualmente, foi apontada a perda de apoio de Lula entre as mulheres e seu empate técnico com Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Figuras como Carlos Bolsonaro e Flávio promoveram a união da direita em torno da candidatura do senador, buscando uma vitória em 1º turno, enquanto Rodrigo Constantino afirmou que não há brigas com Nikolas Ferreira.
Desdobramentos da prisão de Ramagem e relações com os EUA
Os desdobramentos da prisão de Alexandre Ramagem, nos EUA, tiveram repercussão entre a direita, com foco para a retirada de credenciais de delegado americano no Brasil e retorno de agentes brasileiros dos EUA, após a decisão norte-americana de expulsar os envolvidos na prisão de Ramagem nos EUA. O episódio foi retratado pelo segmento como isolamento proposital dos EUA e descredibilização do órgão brasileiro, sendo criticado por figuras como o líder da oposição, Sóstenes Cavalcante. O delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem foi apresentado como “espião” e reação de Lula como um “chilique” ou briga com Trump. A narrativa central é a de que a política de reciprocidade adotada pela PF significou uma ameaça e provocação ao governo Trump, passível de gerar conflito com os EUA.
Lula na Europa: “vergonha e impopularidade”
A passagem de Lula pela Alemanha e Portugal repercutiu entre o segmento. O principal destaque foi um protesto contrário ao presidente em sua chegada a Lisboa, organizado pelo partido português Chega, sendo a aliança com figuras como o líder do partido, André Ventura, e com o influenciador Sérgio Tavares, reforçada por perfis como o de Eduardo Bolsonaro. Sobre o encontro com Friedrich Merz, na Alemanha, Lula foi criticado por sua fala de que “ninguém come gasolina”, retratada como vergonhosa, e por suposto gasto de 812 milhões de reais em hotel de luxo no país.
Presidenciáveis
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
As métrica desta seção são relativas ao dia do fechamento do relatório (14/04 às 07h)
O reel de maior alcance publicado pelo perfil do presidente Lula no Instagram, com mais de 2,2 milhões de visualizações, foi um vídeo gravado na Feira da Embrapa, quando um repente foi criado com as ações implementadas pelo presidente em suas gestões, como Bolsa Família, farmácia popular, FIES, Prouni, entre outros.
Em seguida, a publicação em que aparece ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz provando iguarias do país, obteve mais de 1,9 milhões de visualizações.
O terceiro reel de maior alcance, com 1,4 milhões de visualizações, trata das fake news. Lula pede para que celulares sejam utilizados para combater desinformação e espalhar a verdade, salientando que é preciso responsabilizar quem propaga notícias falsas.
Flávio Bolsonaro obteve mais de 8,1 milhões de visualizações em vídeo com alegações de que o PT está criando fake news sobre ele. O candidato à presidência diz que estão tentando “queimá-lo” ao dizer que congelaria aposentadorias e que cortaria salário mínimo e investimentos em saúde e educação.
No segundo reel de maior alcance, com 4,4 milhões de visualizações, o senador comenta sobre a prisão do dono da Choquei, associando-o a Lula, a quem acusa de curtir e interagir com o perfil de entretenimento.
O terceiro reel com maior número de visualizações publicado por Flávio Bolsonaro, com 2,9 milhões de visualizações, aborda o crime organizado. Diz que PCC e CV possuem associação e financiamento com organizações terroristas internacionais, como Hamas e Hezbollah, e diz que irá combater o narcotráfico com medidas mais severas.
Ronaldo Caiado publicou reel que somou mais de 809 mil visualizações comentando que irá declarar facções criminosas como terroristas, mobilizando forças federais como Exército, Marinha e Aeronáutica no combate ao crime.
O segundo reel com maior número de visualizações trata de um encontro com sua esposa, enquanto o terceiro aborda acordo sobre minerais críticos. Caiado destaca que o Brasil já perdeu o boom de momentos cruciais para a industrialização global. E não pode ficar de fora da nova era energética, com os minerais críticos”.
Imprensa
Monitoramento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Corrida eleitoral
As mensagens com mais engajamento sobre o tema da corrida eleitoral abordaram temas múltiplos relacionados aos dois principais candidatos, segundo as pesquisas eleitorais: o incumbente Lula e o desafiante Flávio Bolsonaro.
Em relação ao atual presidente, a maior parte das mensagens são críticas a diversas questões relacionadas a Lula, como a intenção dele em proibir os sites de apostas (bets) que ele mesmo teria acabado de regular, uma intenção que seria movida por “desespero eleitoral” (Veja); a relação entre o descontentamento da população com o governo por causa do endividamento familiar (UOLNews); uma preocupação pelo “avanço da direita no nordeste” (CNN Brasil), macrorregião em que o presidente costuma ter o melhor desempenho significativamente nas eleições presidenciais; a uma suposta postura intransigente do presidente e de seus principais aliados às mudanças estruturais na sociedade e nas formas de comunicação (Estadão).
Por outro lado, também gerou muito engajamento a resposta positiva do futuro coordenador político da campanha do presidente, Wellington Dias, que afirmou que o cenário das eleições deste ano serão mais favoráveis a Lula (BBC News Brasil) quando comparado a 2022, momento em que “a conjuntura era mais desafiadora”.
Sobre Flávio Bolsonaro, o que gerou alto engajamento foi a troca de ofensas nas redes sociais entre o irmão do presidenciável e vereador de Balneário Camboriú, Jair Renan, e o deputado federal Nikolas Ferreira. Neste contexto, Flávio apelou à união da direita (InfoMoney).
No âmbito das comparações entre os dois principais candidatos, uma nova pesquisa apresentou um cenário em que Flávio Bolsonaro estaria à frente de Lula (Exame); também foi destaque alegações sobre a boa relação de Flávio e da suposta dificuldade do governo Lula dialogar com o agronegócio após a visita do primeiro a uma feira em Sinop do setor (Blog do Noblat); e a declaração de engajamento do influenciador Pablo Marçal na campanha de Flávio (Estadão).
Em crítica a Flávio, Reinaldo Azevedo apontou que as divergências entre Lula e Flávio não seriam apenas econômicas, mas sim democráticas e que setores importantes da imprensa estariam equivocados em apontar apenas a primeira (BandNews).
Lula na Europa
Veículos de imprensa destacaram alguns pontos sobre a viagem de Lula à Europa. A cobertura sobre a ida do presidente à Alemanha e Portugal se concentrou em suas declarações sobre Donald Trump e a intervenção norte-americana em alguns países. Veículos como O TEMPO News, UOL e AFP repercutiram a fala de Lula na Alemanha, ao lado do chanceler Friedrich Merz, classificando o bloqueio a Cuba como uma “vergonha mundial” e se opondo a qualquer intervenção militar americana na ilha, bem como na Venezuela, Ucrânia, Gaza e Irã. Lula defendeu o diálogo para o fim de guerras e cobrou uma reforma no Conselho de Segurança da ONU (CNN Brasil).
Na imprensa também repercutiu a abordagem do presidente brasileiro sobre economia e políticas ambientais. Sobre este último tema, o presidente brasileiro visitou estandes na Feira Industrial de Hannover, subiu em um caminhão movido a combustível sintético (HVO) e em um “carro voador”, afirmando que o Brasil “já achou o caminho da transição energética” (Exame). Sobre economia, repercutiu a declaração de Lula de que “o neoliberalismo prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança” (ICL Notícias).
Durante encontro com o presidente português António José Seguro, no Palácio de Belém, Lula foi alvo de protestos organizados pelo partido de extrema-direita Chega. O líder do partido, André Ventura, chamou o brasileiro de “corrupto e ladrão”, evidenciando o embate ideológico transnacional, enquanto apoiadores de Lula também marcavam presença (Infomoney).
Economia: Análise da Política Econômica e Escala 6×1
Veículos de imprensa se engajaram na crítica à política econômica de Lula, especialmente no campo da responsabilidade fiscal. O Editorial do Estadão criticou a suposta falta de um projeto nacional do governo por causa do alegado “fetiche de Lula com o pobre”; a Folha fez um balanço comparativo do terceiro mandato do petista e afirmou que o mandatário deixará o país à beira de um colapso econômico; por fim, novamente o Estadão deu sua opinião sobre a condução da economia e previu que um possível quarto mandato de Lula seria trágico para a economia brasileira se seguir o modelo proposto.
Outro tema econômico que gerou grande engajamento foi a informação de que a PEC que decreta fim à escala de trabalho 6 x 1 foi aprovada na CCJ da Câmara e seguiu para ser posta em votação. Um analista da CNN Brasil afirmou que esta seria a grande aposta do governo para evitar uma possível derrota de Lula nas eleições presidenciais.
Zema x Gilmar Mendes
Veículos de imprensa e analistas políticos destacaram o recente embate institucional envolvendo o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Houve repercussão em torno do vídeo em que o governador de Minas Gerais compara a perseguição política e os impostos abusivos da Coroa Portuguesa com o que ele chama de “intocáveis de Brasília”, referindo-se diretamente ao presidente Lula e aos ministros do STF. O político usou a figura de Tiradentes para questionar se os brasileiros de hoje são “livres de verdade” (Correio Braziliense). Em reação, o ministro Gilmar Mendes incluiu Zeman no inquérito das fake news. De acordo com avaliação do jornalista Eduardo Oinegue, da Band News TV, a medida tomada pelo magistrado contrasta com uma decisão unânime do próprio STF, de 2018, que reconheceu a sátira política como uma forma legítima de crítica e a protegeu sob o direito à liberdade de expressão
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. Para o período analisado, foram identificados 82.853 posts, que somam 109.186.230 interações, considerando métricas como curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações.
A partir desse conjunto, foi conduzido um processamento textual com base nos vocabulários mais recorrentes nos conteúdos coletados. Essa etapa permitiu identificar padrões de coocorrência entre termos, resultando na delimitação de eixos narrativos que organizam o debate em torno de temas e enquadramentos específicos.
Do total de posts analisados, 6.696 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 98.630.273 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do monitoramento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 27/04/26 às 10h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (28.04.2026) – Período da análise: 20 a 27 de abril de 2026
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Como citar este relatório: ABRANTES, Natália; BERNARDI, Ana Julia; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; GARRIDO, Fabiano; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 28 abr. 2026. Período da análise: 20 a 27 abr. 2026.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi e Paulo Roberto de Souza.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
