Relatório #13 • Segurança Pública

Pontos de atenção

➜ O debate sobre segurança pública registra forte expansão na semana decisiva do segundo turno. No Termômetro (social listening), os cinco eixos passam de 6,3 milhões para 11,1 milhões de resultados (+76,2%) e de 113 milhões para 194,7 milhões de interações (+72,3%). No Data Lake DX, as publicações sobre segurança pública crescem de 20,1 mil para 29,2 mil (+45,5%), enquanto a participação do tema no conjunto monitorado avança de 5,6% para 7,2%. O ritmo do debate atinge 78,5% acima do padrão histórico, contra 16,5% na semana anterior. A expansão coincide com os debates finais e os acontecimentos do dia da votação, que também ampliaram as referências eleitorais capturadas pelas buscas.

➜ O caso Ana Clara domina as publicações de maior repercussão e aproxima os principais destaques das duas fontes. No Termômetro, os três primeiros conteúdos do ranking tratam da morte da criança durante uma ação policial, incluindo publicações de O Globo e Lula com aproximadamente 2 milhões de interações cada, além de Marcelo Freixo, com 1,3 milhão. No Data Lake DX, Lula lidera o ranking com 2,07 milhões de interações, enquanto Freixo ocupa a terceira posição, com 1,63 milhão. A repercussão do episódio desloca parte do debate sobre segurança pública das propostas eleitorais para discussões sobre violência policial, responsabilização e atuação dos candidatos diante do caso.

➜ Feminicídio apresenta o maior crescimento proporcional nas duas fontes, mas a alta exige atenção à pertinência temática. No Termômetro, as interações passam de 3,8 milhões para 11,7 milhões (+207,9%), enquanto os resultados crescem de 187,2 mil para 488,2 mil (+160,8%). No Data Lake DX, as publicações avançam de 208 para 768 (+269,2%), e as interações passam de 1,28 milhão para 13,28 milhões (+939,5%). Parte da repercussão do Termômetro está associada ao caso Ana Clara, relacionado à violência policial e não automaticamente classificável como feminicídio. A interpretação do crescimento precisa distinguir esse conteúdo das publicações efetivamente relacionadas à violência contra mulheres.

➜ PT recupera a liderança partidária, enquanto o engajamento se distribui por mais atores políticos. No Data Lake DX, o PT passa de 12,03 milhões para 20,27 milhões de interações (+68,5%), alcançando 30,2% da repercussão partidária, contra 24,5% do PL. O PSOL apresenta crescimento expressivo, de 2,63 milhões para 8,6 milhões (+227,4%), ampliando sua participação de 6,2% para 12,8%. A concentração conjunta de PT e PL diminui de 60,5% para 54,7%, enquanto a participação de Lula nas interações do PT recua de 49,8% para 22,7%.

➜ Lula mantém a liderança entre os presidenciáveis, mas Flávio Bolsonaro reduz a distância no engajamento. No Data Lake DX, Lula reúne 4,61 milhões de interações em 19 publicações, contra 3,61 milhões em 16 posts de Flávio. A vantagem relativa de Lula diminui de 65,8% para 27,5% em relação à semana anterior. Enquanto o presidente concentra parte da repercussão em conteúdos sobre violência policial e acusações envolvendo o adversário, Flávio mantém propostas de endurecimento penal e amplia a presença de medidas relacionadas à punição de furtos, roubos e saídas temporárias.

Sumário executivo

Panorama geral do debate

Na última semana do segundo turno, o Termômetro registrou aproximadamente 11,1 milhões de resultados e 194,7 milhões de interações, crescimentos de 76,2% e 72,3%, respectivamente, em relação à semana anterior. No Data Lake DX, as publicações sobre segurança pública aumentaram 45,5%, passando de 20,1 mil para 29,2 mil posts, enquanto a participação da pauta no conjunto monitorado avançou de 5,6% para 7,2%. O crescimento nas duas bases coincide com a intensificação da disputa eleitoral, os debates presidenciais e os acontecimentos do dia da votação.

A expansão está associada à intensificação da disputa eleitoral e à circulação de acontecimentos concretos de violência. Os debates presidenciais e as controvérsias do dia da votação ampliaram a presença de termos relacionados a crime, prisão e polícia nas redes. Parte desse crescimento, contudo, reflete referências eleitorais incidentais, sem correspondência direta com propostas ou políticas de segurança pública.

Principais narrativas e atores

O caso Ana Clara assume centralidade na disputa sobre segurança pública, deslocando parte da repercussão das propostas para a responsabilização pela violência policial. No Termômetro, as publicações mais engajadas incluem conteúdos de O Globo e Lula, com aproximadamente 2 milhões de interações cada, e de Marcelo Freixo, com 1,3 milhão. No Data Lake, Lula lidera o ranking geral com 2,07 milhões de interações, enquanto Freixo ocupa a terceira posição, com 1,63 milhão. O episódio, relacionado à morte de uma criança de cinco anos durante uma ação policial, passa a organizar parte importante do confronto eleitoral entre os presidenciáveis.

Lula mantém a liderança entre os presidenciáveis, mas sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminui. No Data Lake DX, Lula registra 19 publicações e 4,61 milhões de interações, contra 16 posts e 3,61 milhões de Flávio. A diferença relativa entre os candidatos passa de 65,8% para 27,5%. Lula concentra a repercussão em conteúdos sobre violência policial, proteção das famílias e denúncias envolvendo o adversário. Flávio mantém uma comunicação centrada no endurecimento penal, com propostas relacionadas à punição de furtos e roubos, saídas temporárias, videomonitoramento e responsabilização criminal de adolescentes.

O PT recupera a liderança partidária, mas a repercussão fica menos concentrada nos dois maiores partidos. O PT cresce de 12,03 milhões para 20,27 milhões de interações (+68,5%), ultrapassando o PL, que alcança 16,44 milhões (+21,5%). O PSOL registra uma das mudanças mais expressivas, passando de 2,63 milhões para 8,6 milhões (+227,4%). A participação conjunta de PT e PL recua de 60,5% para 54,7%, enquanto outros partidos ampliam sua presença na repercussão digital.

Convergências entre Termômetro e Data Lake DX

O caso Ana Clara aparece entre os conteúdos mais engajados das duas fontes, evidenciando a centralidade da discussão sobre violência policial e responsabilização na última semana eleitoral. No Termômetro, os três primeiros conteúdos relevantes do ranking tratam do episódio. No Data Lake, Lula e Marcelo Freixo ocupam a primeira e a terceira posições de maior engajamento, com 2,07 milhões e 1,63 milhão de interações, respectivamente. A repercussão demonstra como um caso concreto de violência passou a organizar parte importante da disputa entre os presidenciáveis.

Feminicídio registra crescimento expressivo nas duas bases, mas parte da alta decorre de conteúdos sobre outras formas de violência. No Termômetro, a busca cresce 207,9% em interações, alcançando 11,7 milhões. No Data Lake, as interações avançam 939,5%, de 1,28 milhão para 13,28 milhões, e as publicações crescem 269,2%. A repercussão do caso Ana Clara contribui para explicar a expansão, mas deve ser distinguida de conteúdos efetivamente relacionados ao feminicídio e à violência contra as mulheres.

O debate substantivo sobre crime organizado e controle de armas permanece presente, embora perca protagonismo relativo entre as narrativas mais engajadas. Facções alcança 11,5 milhões de interações no Termômetro, praticamente estável em relação à rodada anterior (+0,9%). No Data Lake, o eixo registra aumento de 14,8% em publicações e 8% em interações, chegando a 13,08 milhões. Entre as discussões identificadas estão rastreabilidade de munições, enfrentamento territorial ao crime organizado e propostas de classificação de facções como organizações terroristas.

Diferenças entre as duas fontes

O Termômetro registra crescimento muito superior ao observado no conjunto de publicações do Data Lake. Os resultados das buscas temáticas aumentam 76,2%, enquanto os posts deduplicados do Data Lake crescem 45,5%. Essa diferença deve ser interpretada considerando os distintos universos de coleta, a possível sobreposição entre as buscas do Termômetro e a presença de referências eleitorais capturadas pelas queries.

Crimes digitais perde repercussão, apesar de ampliar a quantidade de resultados ou publicações nas duas fontes. No Termômetro, os resultados avançam de 80 mil para 95,3 mil (+19,1%), mas as interações recuam de 2,2 milhões para 1,4 milhão (-36,4%). No Data Lake, os posts crescem 18,9%, de 312 para 371, enquanto as interações diminuem 42,8%, de 2,37 milhões para 1,35 milhão. A análise qualitativa identifica conteúdos de baixa aderência temática, especialmente referências políticas ao termo “golpe”, usos metafóricos de “hacker” e acusações de fraude sem componente digital demonstrado.

Candidaturas estaduais

Nos governos estaduais monitorados, a frequência de publicações sobre segurança pública permaneceu estável, mas o engajamento recuou. Amazonas e Espírito Santo somaram 16 publicações, mesmo volume do Relatório #12, enquanto as interações caíram de aproximadamente 15 mil para 7,5 mil (-50%). No Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM) concentrou 14 posts e 89,6% do engajamento, apresentando propostas de retomada do programa Ronda no Bairro, realização de concurso para 5 mil policiais civis e militares e fortalecimento da proteção às mulheres. No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) publicou apenas duas vezes, concentrando-se em homenagens a integrantes das forças de segurança, sem apresentar novas propostas. Professora Maria do Carmo (PL-AM) e Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) não registraram publicações sobre o tema. Assim, a última semana eleitoral apresentou maior concentração da agenda em Omar Aziz e menor diversidade de candidaturas participantes do debate.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este décimo terceiro relatório reúne dados referentes ao período de 19 a 25 de outubro de 2026 e combina duas fontes complementares: o Termômetro do Debate, baseado em social listening, e o Data Lake DX, que acompanha uma base de contas previamente selecionadas.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

O relatório combina duas estratégias complementares de monitoramento. O Termômetro, baseado em social listening, acompanha o debate digital amplo por meio de buscas temáticas, sem pré-seleção de atores. Já o Data Lake DX analisa publicações de uma base fechada de perfis monitorados, permitindo observar a atuação de candidatos e outros atores políticos. Por possuírem universos e procedimentos de coleta distintos, os números absolutos das duas fontes não devem ser comparados diretamente. A leitura integrada busca identificar convergências, divergências e diferentes formas de circulação da agenda.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Na semana de 19 a 25 de outubro, marcada pelos debates presidenciais e pela votação do segundo turno, o Termômetro registrou forte expansão da circulação de conteúdos relacionados às buscas de segurança pública. Parte desse crescimento corresponde a discussões substantivas sobre criminalidade, atuação policial e violência, enquanto outra parcela está associada a referências incidentais presentes na cobertura eleitoral.

Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal
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Resultados

11,1 mi resultados

Feminicídio
488,2 mil
Facções
903,1 mil
Segurança Pública
3 mi
Crime geral
6,5 mi
Crimes digitais
95,3 mil

Interações

194,7 mi interações

Feminicídio
11,7 mi
Facções
11,5 mi
Segurança Pública
74,5 mi
Crime geral
95,6 mi
Crimes digitais
1,4 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 19 a 25 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
×
Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal

Resultados

11,1 mi resultados

Feminicídio
488,2 mil
Facções
903,1 mil
Segurança Pública
3 mi
Crime geral
6,5 mi
Crimes digitais
95,3 mil

Interações

194,7 mi interações

Feminicídio
11,7 mi
Facções
11,5 mi
Segurança Pública
74,5 mi
Crime geral
95,6 mi
Crimes digitais
1,4 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 19 a 25 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais

Entre 19 e 25 de outubro, última semana da campanha presidencial e período que inclui a votação do segundo turno, os cinco eixos do Termômetro reuniram aproximadamente 11,1 milhões de resultados e 194,7 milhões de interações. Na comparação com a semana anterior, quando foram registrados 6,3 milhões de resultados e 113 milhões de interações, o volume cresceu cerca de 76,2% e o engajamento, 72,3%. O avanço ocorreu em uma semana de debates presidenciais e de intensa cobertura eleitoral, incluindo os acontecimentos do domingo de votação. Por isso, a elevação das buscas temáticas não deve ser interpretada integralmente como aumento das discussões substantivas sobre políticas de segurança pública.

Crime geral permaneceu como o eixo de maior circulação, passando de 4 milhões para 6,5 milhões de resultados (+62,5%) e de 58,7 milhões para 95,6 milhões de interações (+62,9%). Segurança Pública registrou uma expansão ainda maior: de 1,3 milhão para 3 milhões de resultados (+130,8%) e de 36,8 milhões para 74,5 milhões de interações (+102,4%). A ampliação reflete tanto a repercussão de episódios envolvendo atuação policial e crime organizado quanto a incorporação de referências à segurança em notícias, debates e controvérsias eleitorais.

O maior crescimento proporcional de interações ocorreu na busca Feminicídio, que passou de 3,8 milhões para 11,7 milhões (+207,9%), enquanto os resultados subiram de 187,2 mil para 488,2 mil (+160,8%). Uma parte relevante desse aumento decorreu da repercussão do caso Ana Clara, menina de cinco anos morta durante uma ação policial, mobilizado nos debates presidenciais. Trata-se de um tema relevante para a violência estatal e a responsabilização policial, mas que não deve ser classificado automaticamente como feminicídio. Em Facções, os resultados cresceram de 702,7 mil para 903,1 mil (+28,5%), enquanto as interações permaneceram praticamente estáveis, de 11,4 milhões para 11,5 milhões (+0,9%). Já Crimes digitais avançou de 80 mil para 95,3 mil resultados (+19,1%), mas recuou de 2,2 milhões para 1,4 milhão de interações (-36,4%).

A leitura conjunta aponta, portanto, uma intensificação das buscas relacionadas a segurança na reta final da eleição, com padrões distintos entre os eixos. O crescimento expressivo em Segurança Pública e Feminicídio demanda atenção especial à pertinência temática: a análise qualitativa apresentada adiante distingue discussões sobre criminalidade, proteção e atuação estatal de menções incidentais ou falsos positivos capturados pelas queries.

Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
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47,4 mil
76,4 mil
192,3 mil
322,5 mil
13,8 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
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Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
47,4 mil
76,4 mil
192,3 mil
322,5 mil
13,8 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais

A maior base de autores únicos aparece em Crime geral (322,5 mil), seguido de Segurança Pública (192,3 mil), Facções (76,4 mil), Feminicídio (47,4 mil) e Crimes digitais (13,8 mil). Em relação à semana anterior, a ampliação foi especialmente forte em Segurança Pública (106,1 mil para 192,3 mil) e Feminicídio (22,2 mil para 47,4 mil). A presença de mais autores em consultas temáticas não indica, por si só, maior adesão a uma posição política.

Principais influenciadores

Perfil Perfil (link) Posts Interações Por publicação
Mídia NINJA @midianinja 108 10,1 mi 93,7 mil
G1 @portalg1 93 6,1 mi 65,7 mil
Lula oficial @lulaoficial 6 5,8 mi 960,4 mil
Hugo Gloss @hugogloss 47 4,6 mi 98,4 mil
Metrópoles @metropoles 411 4,1 mi 9,9 mil
O Globo @jornaloglobo 42 3,2 mi 76,8 mil
GloboNews @globonews 69 3,1 mi 45,3 mil
Marcelo Freixo @marcelofreixo 9 2,7 mi 300,4 mil
Revista Fórum @revistaforum 36 2,2 mi 61,9 mil
Jovem Pan News @jovempannews 110 2,0 mi 18,4 mil

A Mídia NINJA passou de 3,2 milhões de interações em 53 publicações na edição anterior para 10,1 milhões em 108 conteúdos, assumindo a liderança do ranking de influenciadores. O G1 avança de 2,1 para 6,1 milhões. Lula mantém repercussão elevada em número reduzido de publicações, mas passa da primeira para a terceira colocação por volume acumulado (de 5,9 para 5,8 milhões).

Postagens de maior engajamento

A seleção abaixo considera engajamento agregado no conjunto de buscas e aderência substantiva à agenda de segurança pública. Conteúdos repetidos entre eixos aparecem uma única vez; referências meramente metafóricas ou de entretenimento são excluídas.

Perfil Conteúdo / enquadramento Intera­ções Post Triagem temática
O Globo Reação da mãe de Ana Clara ao debate da Globo; morte de criança em operação policial e responsabilidade por disparo ≈ 2,0 mi http://instagram.com/reel/De3GEwhicKq Aderente: violência policial / responsabilização; NÃO classificar como feminicídio
Lula oficial Questiona defesa de policial acusado pela morte de Ana Clara; comunicação eleitoral sobre violência policial ≈ 2,0 mi https://www.instagram.com/reels/DeqKFqjuzld/ Aderente a uso da força policial, não a feminicídio
Marcelo Freixo Discute perícia e versão do confronto no caso Ana Clara e responsabilidade de policial 1,3 mi https://www.instagram.com/reels/De3WTaJvxKE/ Aderente a violência policial
Lula oficial Pergunta sobre relações do adversário com pessoas ligadas ao Escritório do Crime 1,2 mi https://www.instagram.com/reels/Deq4xKFxTxn/ Aderente a crime organizado como alegação eleitoral; não comprova vínculo
Lula oficial Defende ação integrada e recuperação de territórios dominados pelo crime organizado 1,2 mi https://www.instagram.com/reels/Dep43mduIrT/ Aderente: proposta de segurança pública

Entre os cinco posts selecionados, três são do perfil de Lula, um de Marcelo Freixo e um de O Globo. O caso Ana Clara aparece nos três primeiros conteúdos, demonstrando sua centralidade na repercussão sobre uso da força e responsabilização policial; dois desses posts registraram aproximadamente 2 milhões de interações cada. Os outros dois conteúdos de Lula abordam supostas relações políticas com o crime organizado e propostas para recuperar territórios dominados por facções. O ranking é qualitativamente filtrado e não deve ser tratado como uma medida de apoio às posições expressas.

Principais Narrativas do Termômetro

A semana combina uma disputa sobre modelos de segurança — coordenação estatal, punição penal, rastreabilidade de munições e atuação das Forças Armadas — com investigações sobre relações entre política e criminalidade. Entre os casos concretos, ganham visibilidade denúncias de vínculos entre policiais e facções, ameaças contra a Presidência, violência envolvendo armas em ambientes domésticos e episódios de feminicídio. As alegações presentes nas postagens são descritas como narrativas, não como fatos automaticamente confirmados

Feminicídios e violência contra as mulheres

A busca apresentou 488,2 mil resultados e 11,7 milhões de interações, contra 187,2 mil e 3,8 milhões na semana anterior. A alta bruta não deve ser interpretada integralmente como crescimento do debate sobre feminicídio: a query capturou amplamente o caso de Ana Clara, criança de cinco anos morta por disparo de fuzil durante ação policial em Niterói. O episódio ganhou centralidade após os debates presidenciais, especialmente nas discussões sobre a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial acusado e na repercussão das falas da mãe da vítima. Trata-se de debate relevante sobre violência policial e justiça, mas não há base nos arquivos para classificar automaticamente o caso como feminicídio.

Entre os exemplos especificamente relacionados à violência contra mulheres, aparecem o vídeo do G1 sobre resgate de uma mulher e de um bebê após sinal silencioso de socorro (425,7 mil interações; ver publicação), além da publicação de Lula sobre armas e risco de feminicídio (328,1 mil; ver publicação). A violência doméstica, o acesso às armas e as respostas institucionais permanecem como núcleos substantivos do eixo.

Facções e crime organizado

Facções reuniu 903,1 mil resultados e 11,5 milhões de interações. O volume de resultados cresceu cerca de 28,5%, porém a variação do engajamento foi pequena em relação aos 11,4 milhões da rodada anterior (+0,9% com números arredondados). A discussão foi puxada pelo confronto entre as campanhas sobre classificação de facções como terrorismo, possíveis vínculos de políticos com redes criminosas e rastreabilidade de munições. Em conteúdos concretos, a Mídia NINJA discutiu o PL 3723/2019 e marcação de munições (144,2 mil; ver publicação). A fala de Flávio Bolsonaro sobre facções e a repercussão de uma frase truncada atribuída a Lula também circularam intensamente nos debates finais; análises de desempenho de candidatos foram mantidas como opinião atribuída a seus autores.

Há ainda registros de investigação sobre monopólios de internet por grupos criminosos, segundo síntese do MD, e de acusações envolvendo lideranças políticas. Tais menções exigem atribuição explícita à fonte e não constituem comprovação de vínculos criminais.

Segurança Pública

O eixo quase dobrou em interações, de 36,8 milhões para 74,5 milhões (+102,4%), e passou de 1,3 milhão para 3 milhões de resultados. O crescimento reúne circulação substantiva de denúncias de uso da força, responsabilidade de policiais, discussões sobre a pauta no último debate e episódios de atendimento a vítimas. Entre os exemplos estão o resgate registrado por câmera corporal, divulgado pelo G1 (425,7 mil; ver publicação), e a cobertura do caso Ana Clara no debate (ver publicação; 366 mil). Também ganhou repercussão a denúncia divulgada pela Mídia NINJA envolvendo disparos atribuídos a deputado estadual em casa noturna (281,1 mil; ver publicação).

Parte dos resultados do eixo, contudo, decorre de menções circunstanciais à polícia em episódios de logística eleitoral e de cobertura dos debates, sem discussão efetiva de políticas públicas. Por isso, esses registros não são tratados indistintamente como conteúdo substantivo de segurança.

Crime geral

Crime geral somou 6,5 milhões de resultados e 95,6 milhões de interações, frente a 4 milhões e 58,7 milhões na semana anterior. O aumento de 62,9% no engajamento reflete, em parte, a intensificação da campanha eleitoral: alusões a prisão, roubo e corrupção passaram a frequentar conteúdos de grande circulação. Entre as publicações substantivas estão a discussão do caso Ana Clara por Marcelo Freixo (1,3 milhão; ver publicação) e a retomada dos territórios controlados por organizações criminosas em publicação de Lula (1,2 milhão; ver publicação). Também houve posts de grande repercussão sobre ordem de prisão ligada ao transporte eleitoral, cuja pertinência é com crime eleitoral e integridade da votação, não com a agenda habitual de segurança pública.

Crimes digitais

Crimes digitais reuniu 95,3 mil resultados e 1,4 milhão de interações, contra 80 mil resultados e 2,2 milhões de interações. Apesar de crescer em resultados (+19,1%), o engajamento recuou aproximadamente 36,4%. A seleção bruta contém falsos positivos recorrentes: “golpe” no sentido de resultado eleitoral ou institucional, “ataque nas redes” sem ilícito digital, referências a “hacker” em jogos e entretenimento, e denúncias genéricas de corrupção e fraude bancária sem componente cibernético identificável.

Os exemplos com maior aderência incluem uma reportagem da GloboNews sobre falhas de segurança em PHP e implicações para ataques cibernéticos (18,4 mil; ver publicação) e a postagem sobre alegado vazamento de dados do PL, explicitamente não confirmado (23 mil; ver publicação). A alegação de vazamento não deve ser apresentada como incidente comprovado.

Panorama dos atores de interesse

Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
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Ritmo do debate sobre segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
Ritmo do debate sobre segurança pública

Na semana do segundo turno, o debate sobre segurança pública registrou forte aceleração. O ritmo saltou de 16,5% para 78,5% acima do padrão histórico do primeiro semestre de 2026, interrompendo a sequência de desaceleração observada desde o primeiro turno e atingindo um patamar muito superior ao das últimas rodadas (35,2% no Relatório #08, 21,1% no Relatório #09, 24,6% no Relatório #10 e 18,7% no Relatório #11).

Os posts sobre o tema passaram de 20,1 mil para 29,2 mil (+45,5%), e a participação no total do banco sobe de 5,6% para 7,2%. Diferentemente da rodada anterior, em que o volume caía e a participação se mantinha estável, agora a pauta cresce em volume e em espaço relativo ao mesmo tempo, indicando que a segurança pública ganhou centralidade na reta final da disputa.

Gráfico 04 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
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Participação de posts sobre segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 04 | Participação de posts sobre segurança pública
Participação de posts sobre segurança pública

Panorama

Na distribuição temática, os dados do Data Lake DX demonstram que “Crime geral” ampliou a liderança, passando de 14,2 mil para 19,3 mil posts (+36,1%). “Forças de segurança” registrou um crescimento significativo, passando de 8,6 mil para 13,5 mil posts (+57,3%). “Facções”, por sua vez, registrou uma alta de 14,8% (1,3 mil para 1,5 mil), ao passo que “Crimes digitais” cresceu de 312 para 371 posts (+18,9%). O destaque da rodada foi a categoria “Feminicídio”, que quase quadruplicou em frequência, de 208 para 768 posts (+269,2%). Com esses números, passou a ocupar a quarta posição, à frente de “Crimes digitais”.

Gráfico 05 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
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Frequência das temáticas por query
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 05 | Frequência das temáticas por query
Frequência das temáticas por query

Nas interações, os dados do Data Lake DX evidenciam que o crescimento é ainda mais expressivo. “Crime geral” passou de 100,62 milhões para 152,08 milhões (+51,1%), enquanto “Forças de segurança” de 58,78 milhões para 108,74 milhões (+85%). Mas foi “Feminicídio” que registrou o maior salto da rodada: de 1,28 milhão para 13,28 milhões de interações (+939,5%), superando “Facções”, que cresceu somente 8% (de 12,11 milhões para 13,08 milhões). Em sentido oposto, “Crimes digitais” foi o único eixo em queda, de 2,37 milhões para 1,35 milhão (-42,8%), mesmo com mais publicações nesta rodada.

Diferentemente da rodada anterior, a semana do segundo turno registra aceleração simultânea no ritmo do debate, no volume de publicações e no engajamento: todos os cinco eixos monitorados ampliaram sua frequência, e quatro deles também cresceram em interações, com destaque para “Forças de segurança” e, em especial, “Feminicídio”. A exceção foi “Crimes digitais”, que recuou em engajamento mesmo com mais posts. O movimento indica que a segurança pública atingiu, na reta final da disputa, seu maior grau de centralidade nas últimas rodadas. Dessa forma, a proximidade da votação não apenas manteve a capacidade de mobilização da agenda, como ampliou de forma bastante expressiva sua presença e repercussão no debate digital.

Gráfico 06 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
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Interações por query
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 06 | Interações por query
Interações por query

O crescimento de Feminicídio também aparece no Termômetro, que registra alta de 207,9% nas interações sobre o eixo. Entretanto, a análise qualitativa do debate amplo mostra que parte da expansão decorre da circulação de conteúdos sobre o caso Ana Clara, relacionado à violência policial. Embora o Data Lake registre aumento expressivo nas publicações e interações capturadas pela query, a interpretação substantiva desse movimento deve considerar a possibilidade de sobreposição temática e distinguir conteúdos diretamente relacionados à violência contra mulheres daqueles que tratam de outras modalidades de violência.

Em resumo:

O ritmo do debate saltou de 16,5% para 78,5% acima do padrão histórico, e a participação no total de publicações subiu de 5,6% para 7,2%.

“Crime geral” ampliou a liderança ao registrar 19,3 mil posts (+36,1%) e 152,08 milhões de interações (+51,1%).

“Forças de segurança” cresceu 57,3% em posts e 85% em interações.

“Facções” cresceu 14,8% em posts e 8% em interações.

“Feminicídio” registrou o maior crescimento entre todas as categorias: + 269,2% em posts e +939,5% em interações.

E “Crimes digitais” cresceu 18,9% em posts, mas foi o único eixo com queda de engajamento (-42,8%).

Categorias

Na semana do segundo turno, os dados do Data Lake DX mostram que São Paulo amplia a liderança na distribuição geográfica dos atores políticos, passando de 22,9% para 24,6% dos posts, o maior patamar das últimas rodadas. O Rio de Janeiro segue na segunda posição, com leve recuo (12,2% para 11,9%), enquanto Rio Grande do Sul (8,6% para 8,7%) e Minas Gerais (7,2% para 7,3%) permanecem praticamente estáveis. Com isso, os três estados do Sudeste passam a concentrar 43,8% dos posts, ante 42,3% na rodada anterior, reforçando a concentração da região no debate. Em sentido oposto, a Região Sul volta a perder espaço (19,8% para 18,5%), puxada pelo recuo do Paraná (7,1% para 6%) e de Santa Catarina (4,1% para 3,8%). Fora do eixo Sul-Sudeste, destacam-se o avanço da Bahia (4,1% para 4,6%), que assume a sexta posição, e a queda do Ceará (3,4% para 2,6%).

Gráfico 07 | Atores políticos
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Atores políticos - percentual por Estado
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 07 | Atores políticos
Atores políticos - percentual por Estado

No recorte partidário, os dados do Data Lake DX demonstram que a semana do segundo turno amplia a presença dos atores políticos no debate sobre segurança pública. O Partido dos Trabalhadores (PT) retoma a liderança em interações, perdida para o Partido Liberal (PL) no Relatório #12. O partido passa de 12,03 milhões para 20,27 milhões de interações (+68,5%), o equivalente a 30,2% do total, com 1,6 mil posts (19,6% do total de posts). Já o PL mantém a liderança em frequência, com 1,9 mil posts (23,5% do total de posts), mas cresce bem menos em engajamento (de 13,53 milhões para 16,44 milhões, isto é, +21,5%), e sua participação recua de 32% para 24,5%.

A retomada do PT vem acompanhada de uma menor dependência de Lula. O presidente responde por 22,7% das interações do partido (4,61 milhões), ante 49,8% na rodada anterior. Nesse sentido, o principal destaque é Marcelo Freixo (PT-RJ), com 3,77 milhões de interações (18,6% do total de interações do PT). No PL, o engajamento segue distribuído entre diferentes lideranças. Flávio Bolsonaro concentra 22% das interações da sigla (3,61 milhões), seguido por Sergio Moro (PL-PR), com 2,28 milhões (13,9%), e por Carlos Bolsonaro (PL-SC), com 1,44 milhão (8,7%).

Somados, PT e PL passam de 60,5% para 54,7% das interações, indicando uma menor concentração bipartidária do que na rodada anterior. O principal beneficiário é o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que dobra sua frequência (de 372 para 768 posts) e salta de 2,63 milhões para 8,6 milhões de interações (+227,4%), passando de 6,2% para 12,8% do total. Entre os demais partidos, o Republicanos passa de 2,7% para 6% das interações, ao passo que o Progressistas (PP) avança de 2,9% para 5,1%. O NOVO mantém participação estável (oscilando de 7,9% para 7,8%), enquanto o Partido Socialista Brasileiro (PSB) recuou significativamente, de 5,2% para 2%.

Tabela 01: Desempenho dos partidos em postagens e interações

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,9 mil 16,44 mi 23,5% 24,5%
PT 1,6 mil 20,27 mi 19,6% 30,2%
PSOL 768 8,6 mi 9,4% 12,8%
REPUBLICANOS 463 4,01 mi 5,7% 6,0%
PSD 420 2,13 mi 5,1% 3,2%
UNIÃO 403 889,7 mil 4,9% 1,3%
PP 390 3,41 mi 4,8% 5,1%
NOVO 343 5,22 mi 4,2% 7,8%
MDB 304 413,2 mil 3,7% 0,6%
PSB 264 1,31 mi 3,2% 2,0%
PODEMOS 243 1,17 mi 3,0% 1,7%
PSDB 236 216,2 mil 2,9% 0,3%
PDT 166 529,9 mil 2,0% 0,8%
PC DO B 154 971,1 mil 1,9% 1,4%
AVANTE 90 351,4 mil 1,1% 0,5%
PRD 67 58 mil 0,8% 0,1%
MISSÃO 67 226,9 mil 0,8% 0,3%
PV 58 189 mil 0,7% 0,3%
SOLIDARIEDADE 56 41,7 mil 0,7% 0,1%
DC 31 24,2 mil 0,4% 0,0%
CIDADANIA 31 22,3 mil 0,4% 0,0%
REDE 29 421 mil 0,4% 0,6%
DEMOCRATA 16 40,7 mil 0,2% 0,1%
UP 10 6,2 mil 0,1% 0,0%
MOBILIZA 10 1,5 mil 0,1% 0,0%
PSTU 10 1,3 mil 0,1% 0,0%
PRTB 8 188,9 mil 0,1% 0,3%
AGIR 7 11,9 mil 0,1% 0,0%
PMB 3 377 0,0% 0,0%
PROS 3 2,5 mil 0,0% 0,0%

Fonte: Data Lake DX

Em síntese, a semana do segundo turno amplia e redistribui o engajamento partidário sobre segurança pública. O PT retoma a liderança com uma repercussão menos dependente de Lula, enquanto o PL, mesmo publicando mais em relação ao Relatório #12, perde participação no total das interações. Mas, sobretudo, a redução da concentração em PT e PL abre espaço para avanço do PSOL e do Republicanos. O NOVO mantém-se estável, enquanto o PSB perde participação no total de interações.

Narrativas Gerais

Na última semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, os dados do Data Lake DX demonstram que o debate digital sobre segurança pública permaneceu fortemente associado ao confronto eleitoral, mas apresentou uma mudança importante na composição dos conteúdos de maior engajamento. Enquanto no Relatório #12 o ranking estava dividido igualmente entre direita e esquerda, nesta rodada seis das dez publicações são de atores da direita e centro-direita, contra quatro da esquerda e centro-esquerda. A disputa também se torna menos concentrada nos presidenciáveis: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) respondem por apenas três dos dez posts, ante seis na semana anterior, com maior protagonismo de governadores eleitos, parlamentares e outras lideranças políticas.

O presidente Lula (PT) retorna à liderança do ranking, com aproximadamente 2,07 milhões de interações em uma única publicação, resultado ligeiramente inferior aos 2,16 milhões registrados pelo seu conteúdo mais engajado no Relatório #12. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ocupa a segunda posição, com 1,83 milhão de interações, seguido por Marcelo Freixo (PT-RJ), com 1,63 milhão. Juntos, os três conteúdos concentram aproximadamente 40,4% das 13,7 milhões de interações registradas entre as dez publicações. A composição do ranking evidencia a centralidade de dois acontecimentos: a repercussão da morte da menina Ana Clara, de cinco anos, e as controvérsias institucionais sobre o transporte de eleitores e a prorrogação da votação no segundo turno.

Gráfico 08 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
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Top 10 posts por engajamento • soma das querys
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 08 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
Top 10 posts por engajamento • soma das querys

O post de maior repercussão, publicado por Lula, retoma um trecho do debate presidencial realizado pela Band, no qual o presidente confronta Flávio Bolsonaro por sua atuação na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, em Niterói (RJ), em 2021. A publicação incorpora o depoimento da mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, que relata a morte da filha enquanto brincava com o irmão em frente de casa e descreve o sofrimento provocado pela perda, afirmando que “todo dia eu sinto saudade da minha filha”. Lula utiliza o episódio para questionar a credibilidade do adversário na defesa das famílias e no enfrentamento à violência, perguntando: “Quem defende o assassino de uma menina de cinco anos vai proteger sua família?”.

A narrativa articula violência policial, responsabilização criminal e proteção das vítimas, deslocando a discussão da segurança pública para a conduta do candidato adversário. Diferentemente do Relatório #12, quando Lula liderou com propostas relacionadas à PEC da Segurança Pública, à criação de um ministério específico e ao enfrentamento do crime organizado, nesta rodada o maior engajamento decorre de um caso concreto de violência, mobilizado como instrumento de confronto eleitoral.

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Imagem 01 | Post de Lula (PT) no Instagram em 19 de outubro de 2026

A terceira posição, ocupada por Marcelo Freixo (PT-RJ), reforça a centralidade do mesmo episódio, com 1,63 milhão de interações. Freixo reage às declarações de Flávio Bolsonaro durante o debate da TV Globo, quando o candidato confundiu o nome de Cristiane com o da filha e declarou acreditar na inocência do policial. O parlamentar classifica as falas do candidato como demonstração de “cinismo” e “mau-caratismo”, argumentando que “não tinha operação policial” no momento da morte. Ao rebater a declaração de Flávio de que desejava encontrar o verdadeiro responsável, Freixo afirma: “O assassino de Ana Clara, Bruno Dias Delaroli, foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Rio de Janeiro”, acrescentando que a perícia encontrou apenas cápsulas do armamento do acusado na cena do crime e que não houve confronto ou tiroteio. Assim, Lula e Freixo mobilizam o mesmo caso para questionar a posição do candidato do PL, associando o debate sobre segurança pública à proteção de crianças e à responsabilização pelo uso da força policial.

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Imagem 02 | Post de Marcelo Freixo (PT-RJ) no Instagram em 19 de outubro de 2026

Na segunda posição, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) alcançou 1,83 milhão de interações ao criticar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação até as 19h no domingo, 25 de outubro. A decisão ocorreu após denúncias de dificuldades no transporte público em diferentes cidades (BBC), mas especialmente na capital paulista e baiana, onde a campanha de Lula acusou as Prefeituras de operarem com uma frota inferior à exigida pela Justiça Eleitoral (UOL). Em resposta, Tarcísio afirma que “colocamos os transportes à disposição, que é o mesmo que colocamos nos dias úteis”, atribuindo as denúncias a uma “tentativa de criar uma situação”. Apesar disso, eleitores relataram longas esperas por ônibus, incluindo registros de até três horas no Terminal Varginha, na zona sul paulistana (G1, Folha de São Paulo).

O governador também questiona a atuação do STF, afirmando que “uma decisão tomada a poucos minutos do encerramento da votação, prorrogando o horário até as 19h, exige explicações claras sobre seus fundamentos e sua execução”. O episódio apresenta uma particularidade: ambas as campanhas presidenciais relataram dificuldades no deslocamento dos eleitores e solicitaram a ampliação do horário, embora por razões distintas. Lula alegou restrições no transporte coletivo, enquanto Flávio Bolsonaro apontou problemas provocados pelas chuvas em determinadas regiões (CNN). Após a decisão inicial de Zanin, que previa a extensão nacional da votação, o ministro esclareceu que a medida deveria alcançar apenas as seções que permaneciam abertas às 17h. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, comunicou essa orientação aos tribunais regionais, mas posteriormente criticou as dificuldades operacionais provocadas pela determinação (Agência Brasil). Assim, o conteúdo de Tarcísio insere uma controvérsia sobre o funcionamento das instituições e a regularidade eleitoral no ranking de segurança pública, embora não trate diretamente de políticas de enfrentamento à criminalidade.

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Imagem 03 | Post de Tarcísio (Republicanos-SP) no Instagram em 25 de outubro de 2026

Tarcísio também aparece na oitava posição, com aproximadamente 1,11 milhão de interações, ao repercutir uma declaração de Lula durante o debate da Globo e afirmar que a proposta do PT seria “acabar com a polícia”. O conteúdo explora uma fala equivocada do presidente, pronunciada enquanto defendia a PEC da Segurança Pública e a criação do Ministério da Segurança Pública durante o debate da Globo. O episódio é utilizado para associar o adversário ao enfraquecimento das instituições policiais, embora a extinção das polícias não integre as propostas do governo.

Entre os demais atores da direita, Sérgio Moro (PL-PR) ocupa a quarta posição, com 1,35 milhão de interações, ao criticar o desempenho de Lula no debate presidencial e apresentar Flávio Bolsonaro como mais preparado para discutir segurança pública e outras políticas de governo. Deltan Dallagnol (NOVO-PR) aparece na quinta posição, com 1,34 milhão, ao anunciar que foi encarregado por Flávio de analisar informações relacionadas aos sigilos de Lula, retomando a associação entre investigações, corrupção e disputa eleitoral. Em ambos os casos, predominam conteúdos de confronto político, sem apresentação de propostas específicas de segurança.

Na sexta posição, Lula registra mais 1,27 milhão de interações ao questionar Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade e sobre supostas relações com integrantes do Escritório do Crime.

Na sétima posição, Júnior Marabá (PP-BA) alcança 1,26 milhão de interações ao repercutir o vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e gravado em Luís Eduardo Magalhães, município administrado pelo próprio prefeito. O vídeo de Nikolas ultrapassou 160 milhões de visualizações ao contrastar a prosperidade do agronegócio com as dificuldades socioeconômicas enfrentadas por moradores da região. Em sua publicação, Marabá reforça as críticas do parlamentar ao PT, mas acrescenta uma explicação para as desigualdades apresentadas. “Nikolas, você errou”, afirma o prefeito, argumentando que o deputado deixou de mencionar as diferenças fundiárias entre famílias proprietárias de terras, com acesso ao crédito e investimentos, e assentados da reforma agrária que, segundo ele, permaneceram sem títulos de propriedade e dependentes do governo. Marabá atribui às políticas dos governos petistas parte das dificuldades enfrentadas pela população, reforçando a narrativa eleitoral que associa o desenvolvimento do agronegócio à prosperidade econômica. A partir desse enquadramento, também valoriza os resultados de sua gestão municipal, incluindo investimentos em segurança pública. A narrativa sugere uma associação entre prosperidade econômica e melhoria das condições de segurança, embora os indicadores de violência do município apresentem um cenário mais complexo (G1). O episódio revela uma estratégia de amplificação narrativa semelhante à observada nas publicações de Lula e Marcelo Freixo sobre a morte de Ana Clara: diferentes contas repercutem uma mesma temática, acrescentando argumentos e interpretações que reforçam um enquadramento político compartilhado. Esse movimento amplia a circulação das narrativas para além dos perfis individuais e evidencia o papel de seus aliados na organização do confronto eleitoral nas redes.

Por fim, Natalia Szermeta Boulos (PSOL-SP) ocupa a nona posição, com 960,4 mil interações, ao denunciar um episódio de racismo contra um apoiador de Lula na estação Vila Sônia, em São Paulo, enquanto Flávio Bolsonaro encerra o ranking, com 872,2 mil interações, prometendo maior rigor na punição de furtos e roubos de celulares. Este último é um dos poucos conteúdos do Top 10 diretamente voltados à apresentação de uma medida de política criminal.

Em síntese, a última semana eleitoral registra uma mudança no centro das narrativas de maior repercussão. A redução da maioridade penal, a PEC da Segurança Pública e o combate às facções, que estruturaram a disputa no Relatório #12, cedem espaço à morte de Ana Clara, às acusações sobre violência policial e às controvérsias sobre a apuração das eleições. A direita recupera a maioria das posições do ranking e amplia a participação de aliados de Flávio Bolsonaro, enquanto Lula mantém a liderança individual do engajamento. O resultado reforça uma tendência observada ao longo da série: a segurança pública permanece como instrumento de diferenciação eleitoral, mas sua maior capacidade de mobilização decorre frequentemente de episódios de confronto, denúncias e casos concretos de violência, mais do que da apresentação e discussão de propostas para a área.

Quem está falando sobre segurança pública? O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Utiliza a morte de Ana Clara, de cinco anos, para criticar a defesa de Flávio Bolsonaro ao policial acusado pelo crime. Mobiliza o depoimento da mãe da vítima e questiona: “Quem defende o assassino de uma menina de cinco anos vai proteger sua família?”.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Defende o endurecimento penal contra furtos e roubos de celulares, enfatizando o encarceramento e o aumento da punição como respostas à criminalidade.
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
  • Contesta denúncias sobre a insuficiência do transporte público durante a votação e critica a decisão do STF de prorrogar o horário eleitoral. Também acusa Lula de querer “acabar com a polícia”, explorando uma fala equivocada do presidente durante o debate.
Marcelo Freixo (PT-RJ)
  • Repercute o caso Ana Clara e acusa Flávio Bolsonaro de distorcer as circunstâncias da morte. Utiliza informações da investigação para afirmar que “não houve confronto, não houve tiroteio”.
Sergio Moro (PL-PR)
  • Crítica o desempenho de Lula no debate presidencial e apresenta Flávio Bolsonaro como mais preparado para governar, especialmente no enfrentamento à criminalidade.
Deltan Dallagnol (NOVO-PR)
  • Retoma o discurso anticorrupção ao anunciar uma análise de informações relacionadas aos sigilos de Lula, vinculando investigações e fiscalização ao confronto eleitoral.
Júnior Marabá (PP-BA)
  • Repercute o vídeo de Nikolas Ferreira sobre Luís Eduardo Magalhães (BA), destacando resultados de sua gestão, inclusive em segurança pública.
Natalia Szermeta Boulos (PSOL-SP)
  • Denuncia um episódio de racismo contra um apoiador de Lula em São Paulo, associando a disputa eleitoral ao enfrentamento da discriminação e da violência política.

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Na última semana do segundo turno, a direita e centro-direita ocupam seis das dez posições do ranking de maior engajamento, revertendo o equilíbrio observado no Relatório #12. Lula (PT) lidera individualmente, com 2,07 milhões de interações, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) amplia seu protagonismo, ocupando duas posições. A principal narrativa da semana é a disputa em torno da morte de Ana Clara, de cinco anos, mobilizada por Lula e Marcelo Freixo (PT-RJ) para questionar a defesa de Flávio Bolsonaro ao policial acusado pelo crime. Os dois atores ocupam a primeira e a terceira posições, respectivamente, combinando denúncias de violência policial, depoimentos da família da vítima e ataques ao candidato do PL. À direita, Tarcísio concentra sua atuação nas críticas à prorrogação da votação e na acusação de que Lula pretenderia “acabar com a polícia”. Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (NOVO-PR) também priorizam o confronto eleitoral, enquanto Júnior Marabá (PP-BA) rebate Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a realidade socioeconômica de Luís Eduardo Magalhães, demonstrando divergências narrativas entre aliados de Flávio Bolsonaro. Assim, o debate permanece marcado pelo confronto político, com menor presença de propostas concretas de segurança pública.

Presidenciáveis

Na última semana do segundo turno das eleições de 2026, os dados do Data Lake DX demonstram que Lula (PT) permanece na liderança tanto da frequência de publicações quanto do engajamento sobre segurança pública. O presidente registrou 19 posts e aproximadamente 4,61 milhões de interações, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) contabilizou 16 publicações e 3,61 milhões de interações. Lula acumula, portanto, 27,5% mais interações que o adversário, diferença significativamente inferior aos 65,8% registrados no Relatório #12.

Gráfico 09 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
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Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 09 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública

Em comparação com a rodada anterior, ambos os candidatos reduziram a frequência de publicações, mas apresentaram desempenhos diferentes em engajamento. Lula passou de 27 para 19 posts (-29,6%) e de 5,99 milhões para 4,61 milhões de interações (-23,1%). Flávio Bolsonaro, por sua vez, reduziu sua frequência de 20 para 16 publicações (-20%), enquanto seu engajamento permaneceu praticamente estável, próximo de 3,61 milhões de interações.

A principal mudança ocorre nas narrativas mobilizadas pelos presidenciáveis. Lula concentra sua comunicação no confronto com Flávio Bolsonaro a partir de casos concretos de violência policial e denúncias envolvendo o adversário. O principal destaque é a publicação citada na seção anterior sobre a morte de Ana Clara, de cinco anos, que alcança 2,07 milhões de interações. Em outra publicação, com 1,27 milhão de interações, Lula questiona o adversário sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade e suas supostas relações com integrantes do Escritório do Crime. Juntos, os dois conteúdos concentram 72,5% do engajamento do presidente, demonstrando a elevada repercussão de publicações de confronto eleitoral. Em paralelo, Lula mantém a defesa da integração das forças de segurança e do enfrentamento ao crime organizado, com o slogan “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”, além de críticas à flexibilização do acesso às armas durante o governo Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra sua comunicação em propostas de endurecimento penal e críticas às políticas de segurança defendidas por Lula. Seu conteúdo de maior engajamento, com 872,2 mil interações, promete que “no meu governo, ladrão de celular vai ficar preso de verdade!”. Em seguida, uma publicação com 786,4 mil interações contrapõe os dois candidatos ao afirmar: “Lula defende a saidinha. Eu defendo punição de verdade!”. Também aparecem propostas de ampliação do videomonitoramento, com a proposta de instalação de um milhão de câmeras pelo projeto Smart Brasil, redução da maioridade penal para 16 anos, responsabilização criminal de adolescentes acima de 14 anos em determinados crimes graves e castração química para condenados por crimes sexuais. Além disso, Flávio utiliza uma fala equivocada de Lula durante o debate presidencial para questionar se o adversário pretende “acabar com a polícia“, em conteúdo que alcançou 729,6 mil interações. Os cinco posts de maior repercussão concentram aproximadamente 98,2% de seu engajamento no período.

Em síntese, a última semana eleitoral registra uma redução na frequência de publicações dos dois presidenciáveis e uma aproximação no engajamento acumulado, acompanhada por diferenças nas narrativas mobilizadas. Enquanto Lula passa a explorar com maior intensidade casos de violência policial e acusações contra Flávio Bolsonaro, o candidato do PL mantém o endurecimento penal como principal eixo de sua comunicação. Em comparação com o Relatório #12, quando a redução da maioridade penal e a PEC da Segurança Pública estruturavam a disputa, a rodada final apresenta maior centralidade de denúncias e confrontos pessoais, embora propostas de políticas públicas continuem presentes nas publicações dos dois candidatos.

Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
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Presidenciáveis • Volume de interações
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Presidenciáveis • Volume de interações

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Fortalecimento da integração das forças de segurança e do enfrentamento ao crime organizado.
  • Retomada de territórios dominados por facções criminosas e combate às milícias.
  • Defesa da proteção aos trabalhadores e da punição aos criminosos, sob slogan “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”.
  • Enfrentamento ao feminicídio e fortalecimento das políticas de proteção às mulheres.
  • Maior controle sobre o acesso e a circulação de armas de fogo.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Redução da maioridade penal para 16 anos e responsabilização como adultos de adolescentes acima de 14 anos em determinados crimes graves.
  • Castração química para condenados por crimes sexuais.
  • Fim das saídas temporárias de presos.
  • Endurecimento das penas para furtos e roubos de celulares.
  • Ampliação do videomonitoramento, com a proposta de instalação de um milhão de câmeras pelo projeto Smart Brasil.

Candidatos a Governador

Nesta seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos estaduais no debate digital sobre segurança pública. Considera-se esse esforço de análise fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como grande parte das decisões sobre segurança pública, são de responsabilidade dos governos estaduais. Até o primeiro turno, o monitoramento acompanhava as disputas em nove estados federativos — Ceará, Goiás, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Amazonas e Espírito Santo. Contudo, com a realização do primeiro turno das eleições de 2026, em 4 de Outubro, parte das disputas estaduais foi definida, reduzindo o universo de candidaturas em análise. Diante desse cenário, o monitoramento passa a se concentrar nos estados de Amazonas e Espírito Santo, onde a disputa pelo governo permanece no segundo turno. Essa delimitação não se aplica à seção Narrativas Gerais, que considera o conjunto mais amplo de atores políticos monitorados pelo Data Lake DX, independentemente do cargo disputado ou do estado representado.

Na última semana do segundo turno das eleições de 2026, os dados do Data Lake DX demonstram que o debate sobre segurança pública entre os candidatos aos governos estaduais permaneceu estável em frequência. Nos estados monitorados, Amazonas e Espírito Santo, foram identificadas 16 publicações, mesmo volume registrado no Relatório #12. Entretanto, o engajamento acumulado recuou de aproximadamente 15 mil para 7,5 mil interações, uma queda de cerca de 50%. A principal mudança foi a concentração das publicações em Omar Aziz (PSD-AM), que passou de oito para 14 posts (+75%) e respondeu por 89,6% das interações dos dois estados. Em sentido contrário, Ricardo Ferraço (MDB-ES) reduziu sua frequência de sete para duas publicações, enquanto Professora Maria do Carmo (PL-AM) e Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) não publicaram sobre o tema.

Amazonas

No Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM) concentrou todas as 14 publicações sobre segurança pública, acumulando aproximadamente 6,8 mil interações. Em comparação com o Relatório #12, o candidato ampliou sua frequência em 75% e seu engajamento em aproximadamente 20%. Já a Professora Maria do Carmo (PL-AM), que havia registrado uma publicação na rodada anterior, não apresentou conteúdos relacionados à temática. Entre as propostas apresentadas por Omar Aziz, destacam-se a retomada do programa Ronda no Bairro, a realização de um concurso para 5 mil policiais militares e civis, visando não forçar os policiais a trabalharem mais, mantendo a mesma escala de hoje e garantindo maior segurança. O candidato também defende investimentos em tecnologia, viaturas e motocicletas, além de maior integração das forças de segurança com os municípios do interior a partir de um vídeo em que eleitores relatam suas percepções sobre segurança pública . Em uma das publicações, afirma que “segurança se faz com presença do Estado nas ruas”, associando o enfrentamento à criminalidade ao reforço do policiamento ostensivo. A proteção das mulheres também aparece nas publicações do candidato, que propõe a integração dos serviços de acolhimento, segurança e acesso à Justiça para vítimas de violência. Assim, assim como na rodada anterior, quando a comunicação esteve concentrada na valorização das carreiras policiais e na ampliação dos efetivos, Omar Aziz mantém essa temática e incorpora políticas de prevenção e atendimento às mulheres, mantendo uma agenda predominantemente programática.

Tabela 03: Desempenho dos candidatos ao governo do Amazonas em postagens e interações
Estado: AM
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Omar Aziz (PSD-AM) 14 6,8 mil 100,0%

Espírito Santo

No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) foi o único candidato a publicar sobre segurança pública, com dois posts que somaram 787 interações, uma redução expressiva em comparação com os 8,5 mil registrados no Relatório #12. Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) permaneceu sem publicações sobre o tema, repetindo o comportamento observado nas duas rodadas anteriores. Diferentemente da semana anterior, quando Ferraço apresentou propostas relacionadas à recomposição dos efetivos policiais, investimentos em tecnologia e enfrentamento à violência contra as mulheres, nesta rodada suas publicações se concentraram em uma homenagem ao coronel Orely Lyrio, ex-comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo. O candidato destacou a trajetória do militar e seu legado de serviços prestados ao estado, sem apresentar novas propostas de segurança pública.

Tabela 04: Desempenho dos candidatos ao governo do Espírito Santo em postagens e interações
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraço (MDB-ES) 2 787 100,0%

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos aos governos estaduais?

CANDIDATO PROPOSTAS
Amazonas
Professora Maria do Carmo (PL-AM)
  • Não publicou sobre segurança pública analisadas no período.
Omar Aziz (PSD-AM)
  • Retomada do programa Ronda no Bairro.
  • Ampliação dos efetivos das Polícias Civil e Militar; convocação de concursados.
  • Novos concursos públicos; reabertura de delegacias 24 horas.
  • Investimentos em viaturas, tecnologia e integração com municípios do interior.
  • Fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
Espírito Santo
Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • Não apresentou novas propostas de segurança pública nas publicações da semana
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES)
  • Não publicou sobre segurança pública analisadas no período.

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 20 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “vigilante,” “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e deduplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública – Relatório #13 (27.10.2026)

Período da análise: 2026-10-19 a 2026-10-25

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU, Lucas Batista; DAMIANI, João Guilherme; FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – Relatório #13 (27.10.2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026.

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

Licença

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