STF: a repercussão foi dominada pela disputa política em torno de Moraes x Mendonça, mas o maior interesse do público esteve no placar da sessão noticiado pela imprensa.
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Atores dividem a disputa entre ataques e procedimento
A extrema-direita tem sua maior participação em “Moraes como alvo” (75%) e “Ninguém acima da lei” (63%), enquanto a imprensa ganha peso nos assuntos diretamente ligados ao procedimento e aos documentos, com 39% em “Votos no plenário” e 38% em “Mensagens de Vorcaro”. A esquerda aparece com maior participação em “Acusação de uso eleitoral” (29%) e “Ministros fora da votação” (28%). O gráfico, portanto, traduz a divisão da conversa entre ataques e mobilização política, de um lado, e acompanhamento do procedimento e das evidências documentais, de outro.
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Extrema-direita concentra ataques, imprensa acompanha o julgamento
A extrema-direita concentrou 35% de sua produção em “Moraes como alvo” e 18% em “Ninguém acima da lei”, enquanto dedicou 9% às “Mensagens de Vorcaro”. A imprensa concentrou 41% no placar e 23% nas mensagens, refletindo sua maior atenção ao que foi decidido e ao conteúdo que fundamentou o julgamento. Já a esquerda apresentou distribuição mais dispersa, tendo como maior eixo, com 26%, a resposta aos ataques e associação a Mendonça.
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Moraes é o principal eixo da repercussão
Entre 10h de 15/9 e 9h59 de 16/9, o julgamento somou 243 mil menções, 70 mil autores únicos e 6,7 milhões de interações. No monitoramento dos cinco ministros, foram 2,4 milhões de menções e 37,7 milhões de interações, com Moraes e Mendonça apresentando os maiores volumes individuais. As acusações relacionadas ao caso Master permaneceram mobilizando o debate, ao lado das divergências sobre a condução das investigações.
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Impeachment como plataforma de campanha
Parlamentares e candidatos usaram o dia do julgamento para pressionar Davi Alcolumbre pelo impeachment de Alexandre de Moraes. A audiência da Comissão de Direitos Humanos do Senado e a proposta de mudar o regimento para 2027 serviram de vitrine para candidaturas ao Senado, e o voto em Flávio Bolsonaro apareceu como “luta contra a corrupção no Supremo”. Dos 12.088 posts de perfis políticos e imprensa monitorados, a extrema-direita produziu 6.957, ou 58%, contra 2.660 da imprensa (22%) e 2.471 da esquerda (20%). Em interações, a distribuição foi de 53% para a extrema-direita, 31% para a imprensa e 16% para a esquerda. No cluster “Moraes como alvo”, a extrema-direita respondeu por 75% das publicações e, em “Ninguém acima da lei”, por 63%.
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O placar da votação concentrou a maior reação do público
“Votos no plenário” representou 22,8% das publicações, mas respondeu por 28,9% das interações, com 49,4 milhões, a maior reação entre os seis eixos. “Moraes como alvo” teve 26,9% dos posts e 22,4% das interações, enquanto “Ninguém acima da lei” alcançou 16,3% dos posts e 14,2% das interações. Os dados indicam que o resultado e a dinâmica da votação mobilizaram proporcionalmente mais interações do que os conteúdos de ataque ao ministro.
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Moraes passa de réu informal a alvo de acusações de blindagem
Embora o plenário não tenha chegado ao mérito, a extrema-direita tratou a sessão como um julgamento de Moraes, com ataques pessoais, ironias à alegação de vingança e críticas à participação do ministro nas decisões sobre o próprio caso. Após o pedido de vista de Dino, ganha força a acusação de que uma ala do STF estaria atuando para protegê-lo, com referências à “tropa de choque”, “aliados de Moraes” e tentativa de adiar a investigação. O tema foi o maior do período, com 27% das publicações, contra 9% para as mensagens de Vorcaro.
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A imprensa concentra-se no procedimento e no conteúdo documental
A cobertura jornalística priorizou o placar da votação, a posição individual dos ministros e o pedido de vista de Dino, além dos embates entre Moraes e Mendonça e entre Dino e Fachin. Na distribuição por clusters, a imprensa respondeu por 39% do eixo “Votos no plenário” e 38% de “Mensagens de Vorcaro”, os dois temas mais diretamente relacionados ao que foi votado e ao material que fundamentou a sessão. Fachin é mencionado na descrição da repercussão da sessão, especificamente no confronto “Dino e Fachin”, e aparece associado à condução do julgamento. Cármen Lúcia aparece na narrativa sobre “Ministros fora da votação”, onde a imprensa destacou sua manifestação de “tristeza/vergonha” diante da crise.
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Mendonça no papel de herói
A resposta de André Mendonça a Gilmar Mendes circulou como prova de firmeza, e os perfis de extrema-direita apresentaram o relator como o único capaz de enfrentar Moraes. Os confrontos alimentaram a divisão entre Mendonça e uma suposta “ala lulista” ou “alexandrina” do tribunal. No eixo da troca de acusações, a extrema-direita respondeu por 55% das publicações.
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Esquerda vê vingança e uso eleitoral
Entre os perfis de esquerda, o julgamento foi associado aos processos relacionados ao 8 de janeiro e apresentado como uma ação de retaliação contra Moraes, enquanto a atuação de Dino e seu pedido de vista foram enquadrados como proteção ao processo eleitoral. A esquerda concentrou 20% das publicações e 16% das interações do monitoramento político, com maior presença nos eixos relacionados à acusação de uso eleitoral e aos ministros fora da votação.
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Bate-bocas e indefinição dominam a cobertura da sessão
A imprensa concentrou a cobertura nos confrontos entre os ministros, no placar de 4 a 3 pela separação dos processos e no pedido de vista de Dino, que deixou o julgamento sem definição. Os embates entre Moraes e Mendonça, Gilmar e Mendonça e Dino e Fachin ganharam espaço ao longo do dia, enquanto a repercussão posterior incorporou críticas ao nível de confronto exposto no plenário. O eixo da votação reuniu 23% das publicações e 29% das interações, com 49 milhões, e respondeu por 41% da produção da imprensa.
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Nepal vira referência para convocação às ruas contra o STF
Durante o julgamento, perfis da direita passaram a citar os protestos no Nepal como exemplo de reação ao que classificavam como impunidade no caso Moraes. “Nepal” chegou aos assuntos mais comentados no X, ao lado de termos relacionados ao Supremo. Nikolas Ferreira chamou atenção para o movimento e, em outra publicação, convocou apoiadores a irem às ruas na próxima sessão, de preto e com telões para acompanhar o julgamento.
⚠️ Deslegitimação do processo eleitoral:
A transformação de uma disputa sobre procedimentos do STF em narrativa de perseguição, vingança e corrupção pode alimentar a percepção de que as instituições estão capturadas e de que as eleições ocorrem sob interferência política.
⚠️ Conflito instituciona:
a crise no STF passou a se conectar diretamente à disputa eleitoral, com parlamentares e candidatos utilizando o julgamento para pressionar pelo impeachment de Moraes e associando posições sobre o Supremo à disputa pelo Senado. O eixo “Ninguém acima da lei” representou 16% das publicações, com 63% de participação da extrema-direita.
O plenário não chegou ao mérito. Seguem sem decisão a validade do relatório da PF e a abertura de apuração contra Moraes, e não há investigação formal instaurada contra o ministro. O julgamento sobre Mendonça permanece marcado para 23 de setembro. A sessão ocorre a menos de três semanas do primeiro turno e quase um ano depois de o Supremo condenar Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, decisão tomada em 11 de setembro de 2025 e transitada em julgado em 25 de novembro daquele ano.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
A repercussão em torno do julgamento somou 243 mil menções entre 10h de 15/9 e 09h59 de 16/9, produzidas por 70 mil autores únicos, e acumulou 6,7 milhões de interações. O maior volume se concentrou no dia 15, com dois momentos de alta ao longo da sessão. Após o primeiro pico, próximo das 12h, as menções recuaram durante a suspensão para o horário eleitoral e voltaram a crescer com a retomada do julgamento à tarde, quando atingiram o maior patamar do período. A repercussão diminuiu durante a madrugada e voltou a subir na manhã do dia 16, em meio às reações aos confrontos da véspera e às críticas à condução da sessão extraordinária.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
Results
2.4M Results
Engagement
37.7M Engagement
Fonte: DX via Talkwalker.
Entre 10h de 15/9 e 09h59 de 16/9, o monitoramento registrou 2,4 milhões de menções aos cinco ministros e 37,7 milhões de interações. Moraes e Mendonça apresentam os maiores volumes individuais de menções no período, em uma sessão marcada pelo confronto direto entre os dois. As acusações relacionadas ao caso Master continuam mobilizando o debate, mas o julgamento também ampliou a repercussão sobre as decisões de Mendonça, as críticas feitas por outros ministros e as divergências sobre a condução das investigações.
A série temporal mostra como a atenção muda ao longo da sessão conforme os ministros entram nos embates e apresentam seus votos. Dino cresce durante suas intervenções e volta a ganhar volume durante o seu voto, enquanto Moraes e Mendonça registram as maiores oscilações do período. A repercussão diminui durante a noite e a madrugada, mas volta a crescer na manhã do dia 16, principalmente em torno de Moraes e Mendonça, quando os bate-bocas da véspera, o pedido de vista e a indefinição sobre o julgamento continuam repercutindo.
📊 Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa
O acompanhamento cobre as publicações dos perfis políticos monitorados em 15 de setembro de 2026 com termos relacionados ao julgamento e aos ministros do Supremo, somando 12.088 publicações e 170.983.518 interações. A extrema-direita produziu 6.957 publicações, 58% da base. A imprensa produziu 2.660, 22%. A esquerda produziu 2.471, 20%. Na soma de interações, a extrema-direita fica com 53%, a imprensa com 31% e a esquerda com 16%.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| MORAES COMO ALVO | 27% |
Extrema-direita 75% Esquerda 20% Imprensa 6% |
Trata a sessão como o julgamento do ministro, cobrou seu afastamento e repetiu em tom de ironia a defesa em que ele fala em vingança. | moraes, alexandre, investigado, afastado, golpe, sanções, eua, vingança, urgente, lula |
| VOTOS NO PLENÁRIO | 23% |
Extrema-direita 46% Esquerda 15% Imprensa 39% |
Acompanhamento da votação sobre a reunião dos dois processos, que terminou suspensa pelo pedido de vista de Flávio Dino. | placar, vista, voto, questão, ordem, empate, relatoria, redistribuição, nulidade, zanin |
| NINGUÉM ACIMA DA LEI | 16% |
Extrema-direita 63% Esquerda 18% Imprensa 19% |
Parlamentares e candidatos usaram o julgamento para cobrar de Davi Alcolumbre a abertura do impeachment de Moraes e pedidos de votos para outubro. | acima, lei, ninguém, transparência, impeachment, senado, alcolumbre, vote, deputado, constituição |
| MENSAGENS DE VORCARO | 13% |
Extrema-direita 40% Esquerda 21% Imprensa 38% |
O material que motivou a sessão, formado pelo relatório da Polícia Federal e pelo contrato do escritório da esposa de Moraes. A defesa do ministro, que chama a apuração de ilegal, circula ao lado dessas peças. | vorcaro, mensagens, relatório, exbanqueiro, trocadas, ilegal, inconstitucional, contrato, escritório, gonet |
| ACUSAÇÃO DE USO ELEITORAL | 12% |
Extrema-direita 55% Esquerda 29% Imprensa 17% |
A troca de acusações entre Gilmar Mendes e André Mendonça, com defesa de Mendonça de um lado, e acusação de viés eleitoral de outro. | pixuleco, boneco, dedo, aponte, respeito, desfaçatez, leviandade, viés, políticoeleitoral, gilmar |
| MINISTROS FORA DA VOTAÇÃO | 9% |
Extrema-direita 55% Esquerda 28% Imprensa 17% |
O impedimento de Nunes Marques e a suspeição de Toffoli foram lidos à luz das mensagens que citam os filhos de Nunes Marques e de Fux. | impedido, suspeição, foro, íntimo, toffoli, kassio, tse, filho, kevin, 500 |
A conversa sobre o julgamento foi, antes de tudo, uma conversa sobre Moraes. O eixo que o trata como alvo é o maior do dia, e somado à cobrança de impeachment chega a 43% das publicações, contra 13% do eixo que reúne as mensagens que motivaram a sessão. A extrema-direita é maioria em cinco dos seis eixos e chega a 75% no ataque ao ministro. A imprensa só se aproxima dela nos dois assuntos que dependem de documento e de procedimento, o placar e as mensagens, onde passa de 38%. A esquerda tem suas maiores marcas no bate-boca e nos impedimentos, com 29% e 28%.
| Eixo | Total de posts |
% de posts |
Total de interações |
% de interações |
|---|---|---|---|---|
| MORAES COMO ALVO | 3.256 | 26,9% | 38.354.511 | 22,4% |
| VOTOS NO PLENÁRIO | 2.760 | 22,8% | 49.414.952 | 28,9% |
| NINGUÉM ACIMA DA LEI | 1.969 | 16,3% | 24.342.855 | 14,2% |
| MENSAGENS DE VORCARO | 1.610 | 13,3% | 23.416.610 | 13,7% |
| ACUSAÇÃO DE USO ELEITORAL | 1.454 | 12,0% | 21.037.052 | 12,3% |
| MINISTROS FORA DA VOTAÇÃO | 1.039 | 8,6% | 14.417.538 | 8,4% |
| Total | 12.088 | 100% | 170.983.518 | 100% |
O eixo da votação ocupa 23% das publicações e responde por 29% das interações, com 49 milhões, a maior reação do dia. O eixo de Moraes como alvo faz o caminho inverso e cai de 27% das publicações para 22% das interações, assim como a cobrança de impeachment, que passa de 16% para 14%. O esforço da extrema-direita em transformar a sessão em julgamento do ministro rendeu volume, e o interesse do público ficou no resultado da votação.
Fonte: Data Lake DX
Os dois eixos em que a extrema-direita mais pesa são os que não dependem do que aconteceu no plenário. No ataque a Moraes e na cobrança de impeachment, o campo chega a 75% e 63%, e a imprensa fica em 6% e 19%. Onde o assunto é o que foi votado ou o que está no relatório, a imprensa sobe para perto de 40% e a extrema-direita cai para 46% e 40%. A esquerda aparece com mais força nos dois eixos que questionam a condução do caso, o bate-boca que expôs a acusação de viés eleitoral e a saída de ministros citados nas mensagens.
Fonte: Data Lake DX
A extrema-direita dedicou mais da metade de sua produção a dois assuntos que dispensam o conteúdo das mensagens, com 35% no ataque a Moraes e 18% na cobrança de impeachment, e reservou 9% ao material que está sob apuração. A esquerda se espalhou pelos seis eixos sem concentrar esforço, com o maior pedaço, 26%, gasto em responder aos ataques ao ministro. A imprensa colocou 41% no placar e 23% nas mensagens, os dois assuntos que exigem relato do que foi decidido e do que foi revelado.
Moraes como réu
O documento de defesa de Moraes elaborado por Moraes antes do julgamento foi amplamente criticado. Gustavo Gayer alegou que o ministro teria “surtado” por alegar que qualquer investigação contra ele seria um golpe contra a democracia, ponto também ironizado por Eduardo Bolsonaro. Houve uma grande descredibilização do Supremo.A Gazeta do Povo destacou a fala de Luiz Fux sobre atividade de uma “PF paralela”, que estaria investigando ministros ilegalmente. Diversos perfis também repercutiram a fala como denúncia contra ação ilegal de Moraes. Gayer proferiu ataques a Moraes, o chamando de “criminoso” e “mafioso”, enquanto Paulo Figueiredo reforçou que Moraes teria recebido propina de Vorcaro. O segmento ironizou a defesa de Moraes da extinção da investigação contra si mesmo e por ter votado em seu próprio julgamento pela junção com o de Mendonça. Além disso, Flávio Dino foi retratado como amigo de Lula e Moraes. A Revista Oeste noticiou que Dino teria “salvo” Moraes por até 90 dias, narrativa reforçada por outros perfis. O desfecho do julgamento em pedido de vista reforçou a narrativa de indignação por ter “acabado em pizza”. Nesse sentido, também repercutiu a imagem de Moraes sorrindo como “alívio” após o fim da sessão.
Apoio a Mendonça
Repercutiu a defesa de Mendonça às falas de Moraes, afirmando que poderia levar as supostas testemunhas e que elas iriam mentir, assim como sua resposta a Gilmar Mendes. As publicações mobilizaram amplo apoio a Mendonça e apresentaram o ministro com uma espécie de “herói” que enfrenta sozinho os magistrados “corruptos” e o único capaz de “encurralar” Moraes. A divisão entre um “grupo do Mendonça” e “ala lulista” do Supremo foi utilizada para reforçar a narrativa e ampliar a ideia do conflito no Judiciário como uma disputa política.
O julgamento como mecanismo de pressão política e palanque eleitoral
Diversos perfis exigiram o impeachment de Alexandre de Moraes e realizaram pressão pelo pedido sobre Davi Alcolumbre. Ganhou visibilidade a audiência pública, realizada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado no mesmo dia, para debater os desdobramentos institucionais da sessão do STF, como uma “sessão urgente para exigir o impeachment de Moraes”. Além disso, circulou a proposta, no Senado, de alteração do regimento para impeachment de ministros do STF, com destaque para importância disso em 2027, pauta utilizada para promover candidaturas ao Senado. Com a repercussão do julgamento como uma disputa política, seu desfecho foi retratado como perda para a campanha de Lula e o voto em Flávio Bolsonaro foi apresentado como uma espécie de “luta contra a corrupção” no Supremo. Ainda, circulou mobilização para manifestações nas ruas, a partir de publicação de Nikolas Ferreira.
Revolta no Nepal vira exemplo de reação contra o STF
A revolta no Nepal passou a ser citada por perfis de direita como exemplo parao Brasil diante da possibilidade de Moraes não ser investigado. Nikolas Ferreira chamou atenção para “Nepal” entre os assuntos mais comentados no X e, em outra publicação defendeu que, na próxima sessão, o país parasse e a população fosse às ruas, de preto, para acompanhar o julgamento em telões. Outros perfis retomaram a comparação de forma mais explícita, defendendo uma reação semelhante no Brasil e associando o caso nepalês às acusações de impunidade e proteção a Moraes dentro do Supremo.
Vingança pelo julgamento do golpe
O segmento apresentou o julgamento como uma forma de vingança contra Moraes pelos julgamentos relacionados ao 8 de janeiro e reforçou o argumento de defesa do ministro de que a ação de Mendonça seria um golpe contra a democracia. Para enquadrar a narrativa, foram reforçados os “vazamentos seletivos” sobre o caso e a suposta tentativa de intervenção na PF, também ganhando destaque as falas de Gilmar Mendes sobre Mendonça e o encontro do ministro com Vorcaro.
Uso eleitoral do julgamento
A partir da narrativa de a ação de André Mendonça ter motivação política e eleitoral, reforçada por sua indicação para o STF por Jair Bolsonaro, o julgamento foi retratado como uma tentativa de manipulação no período eleitoral. Em contraponto, o voto em Lula foi apresentado como uma oposição a Mendonça. A atuação de Flávio Dino no julgamento foi especialmente destacada, com avaliação de acerto de seu pedido de vista como forma de proteger as eleições, inclusive com expectativas sobre sua atuação como sucessor de Lula em eleições futuras.
Impedimento e posicionamento de ministros
Mensagens destacaram que há indícios do envolvimento de outros ministros com Vorcaro. O segmento ligou o impedimento de Nunes Marques e a suspeição de Toffoli às mensagens que citam os filhos de Nunes Marques e de Fux, divulgadas horas antes da sessão. Foi apontada proximidade de Nunes Marques com Mendonça e alegado que Mendonça estaria também o protegendo nos sigilos mantidos. Além disso, circularam amplas críticas à ministra Cármen Lúcia pelo voto com André Mendonça
Crise no STF, condução e desfecho do julgamento
A maior parte da cobertura da imprensa esteve concentrada nas análises do placar da votação, e em como votou e se posicionou cada ministro, e no pedido de vista por Dino, com a possibilidade de antecipação dos votos neste cenário, repercutindo particularmente o fechamento com indefinição. Os embates entre ministros também ganharam amplo destaque, especialmente as discussões entre Moraes e Mendonça (1, 2) e entre Dino e Fachin (1, 2). As falas da ministra Cármen Lúcia sobre sua tristeza e vergonha com a instabilidade do Supremo frente às eleições foram também comentadas, assim como os indícios de envolvimento de outros ministros com Vorcaro. A cobertura do julgamento envolveu debates mais amplos sobre a crise do tribunal, assim como de seus impactos na opinião pública.
NOTA METODOLÓGICA
O especial usa duas extrações do Talkwalker de 15 de setembro de 2026. A primeira é uma coleta com as menções a Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino, Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes entre 8h e 12h55, em intervalos de cinco minutos, que soma 515.756 menções, com engajamento de 3,3 milhões informado pelo painel. A segunda é um arquivo de 20.000 publicações sobre o julgamento entre 10h e 12h59. Os eixos da Tabela 03 foram medidos por termos presentes no texto próprio de cada autor, desconsiderando o trecho citado, e admitem sobreposição. Os horários da Tabela 02 correspondem ao primeiro registro de cada fato na ferramenta e podem diferir do momento do ato. As datas do despacho de Fachin, da determinação de 9 de setembro e da entrega dos dados do celular foram conferidas em reportagens do Metrópoles e de O Tempo. As mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e citadas em reportagens não tiveram autenticidade e contexto estabelecidos, não há culpa estabelecida contra nenhum dos citados, e a sessão não havia terminado quando a coleta foi encerrada. As leituras atribuídas a cada campo descrevem enquadramentos observados na base e não constituem posição do Instituto.
Expediente
Crise no STF (16/09) | Pauta Quente DX
16 de setembro de 2026
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença. TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
Como citar este relatório: Vasques, B.; Chiodi, A. Pecoraro, C.; Capone, L.; Costa, A.; Santos, P. Julgamento no STF. Instituto Democracia em Xeque, 2026. <https://institutodx.org/publicacoes/crise-no-stf-16set/>
Equipe do relatório
Beto Vasques, Fabiano Garrido, Alexsander Chiodi, Carol Pecoraro, Patricia Santos, Letícia Capone e Natália Costa.
Projeto gráfico e diagramação: Moara Juliana

